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domingo, 8 de março de 2009

Homeless and less of none



Por favor, disperse um pouco minha mente...

Com palavras inventadas, cânticos que me soam como encantamentos... simplesmente... rapte meus pensamentos pelo tempo que for possível... preciso que eles párem... um só instante... que me deixem livre... quero respirar... quero centrar-me nos objetivos com clareza...

Enterramos aquele que brotou do Mundo e quase atingia os céus... Pirilampos de verde pulsante soprados de sua carcaça evanescente... Veredas que tomamos... Uma brecha... Eu o aniquilei... Esses músculos superaram sua força simplesmente para que deixasses de existir...

Para que os deixasse em Paz...

Não os magoasse mais...

Porque meu peito arfa quando tudo parece perder a cor e cheiro os sonhos deles apodrecendo... Quando as palavras são capazes de me derrubar mais certeiras que as toneladas do teu metal sombrio, Guardião... Quando meus atos passam longe de serem entendidos e eu recebo cada vez menos quando volto ao lar... O lar... essa coisa... está se esfarelando...

E o rumo parece ser partir...

Só a batalha tem me chamado... Honestamente... Só ela, é pura e clara para mim... E só nela não há nada que eu faça que pareça dúbio...

Todo dia tento convencer-me do contrário...

Todo o dia alguém me joga de volta o quanto de nada eu valho entre eles, sem ser essa arma...

Então... Tudo isso são ilusões para uma montagem de DNA e carne?...

Ouvi questões... Mutilar o Planeta e salvá-lo... andamos para isso?...

E se tudo que penso proteger, eu esteja também, matando?...

Nesse momento, antes de tocar na porta... Eu páro. Reflito.

Queria salvá-los... Queria construir algo - me salvar também...

Sinto nas dobras dos meus artelhos, o escarlate de todos os sangues, o negro e o metálico de tantas armas. Um rastro suave, quase esquecido, de textura de fios macios em dois tons de dourado... Uma sensação tão delicada da maciez da pele quente em contraste com o peso de ossos quebrando e carne segurando-se contra lâminas...

Deixo na terra as garras em punhais de mim, estirpadas em vermelho... Olho dedos em branco sujo - e o que penso?... Penso que não há como cortar meu passado... Não há como tornar-me um deles... E o que sou, seria suficiente? Ou ainda sou tão perigoso quanto antes?

Essa mente afiada, criada entre monstros, como eu, para intimidar, desmotivar e enganar, pode gerar as palavras que essas pessoas precisam?... Estive tanto tempo mais entre os cadáveres que plantei...

Olho a maçaneta e hesito...

Imagens de um titã que levantou-se pelos pecados dessa gente, inocente... o messias do Planeta... varrido pelos que se disseram... salvadores do Mundo...

Meus lábios tremem e não tenho palavras... Então, num sussurro... escapa...

... "não quero errar..."

... Voltei para encontrar meu lar
e pelo meu lar erguer essa mão
mas nunca mais cheguei àquele espaço
e outras portas que pensei levarem a ele
eram labirintos... e me perdi
escutei suas vozes e quis gritar:
- dessa vez, alguém me ache!
e dos corredores e ruas
palavras como placas contraditórias
me fazem girar e girar no mesmo relento
- eu voltei... hey, eu voltei!
mas o endereço
onde pertenço
que houve que já não mais encontro?


Now playing: 12 Stones - Home
via FoxyTunes

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Serpent's skin circle cycles syndrome


Surpresas...

Já chutou uma lata que pensava vazia, só para brincar... e foi atropelado por ratos famintos?

Redemoinhos... Quando eu estabeleço um alvo - que não sangre e morra - minhas flechas jamais acertam... Há um padrão: algo as desvia e eu erro feio...

Mas também não consigo adivinhar... onde elas irão parar... Este padrão... talvez não exista.

Pensei em ser conivente com minhas necessidades secundárias... Pensei que isso os faria também felizes...

Amber, primeiro. Tudo se repetiu. Carrossel falho, que me desespera numa tortura da qual não tenho como me esquivar - lentamente, percebo que nós estamos e vamos e completamos o mesmo círculo. Voltamos a romper. Voltamos às mesmas palavra dela, que me rasgam. À mesma indiferença em sua postura - e eu desidrato - buquê carmin atirado ao pó e ao Sol...

Rastejo para longe dela... Desço todos meus próprios degraus... Torto de humilhação. Culpado. Arestas negras e pálidas em azul de luto... Encolhido. Tudo fodido - tão incontrolavelmente desperdiçado.

Lanço-me a ele, pois ele pediu minha presença - e eu, bem não queria interrompê-lo... Esperei que estivesse ocupado. Pétalas em seda, entre os dois, como no telhado da Igreja... Palavras doces e silêncios úmidos de bocas que se doam, braços que vencem o medo e procuram abrir-se, unir-se... Fui, ainda assim, pois ele deixara a mensagem...

E ele está só. A dor e a felicidade, ambas, rareiam juntas... Como posso... estar aliviado e triste?... O fel preparado noite adentro, que escalava minha língua... torvelinha e explode em morangos súbitos - e tudo está errado... Ele me olha pela moldura desconjuntada da porta. Ele brilha em minha direção. Me mergulha no mais doce de seu rosto - sem avisar... Tento recuar, tento protegê-lo de uma recaída minha... - Seja feliz, por favor! Eu ficarei bem, não tente me consolar, não olhe prá trás! - Mas ele já deu esse passo... Merda, ele deu... e eu... eu sei que vou segui-lo! Imergimos devagar nessa calda densa... quente... boa... e traiçoeira...

Diga-me: - Será sempre assim, até quando meu olho fechar para não mais abrir? Eu irei sempre me desarmar diante de ti?! Irei sempre provar desse fruto e me inebriar em tua presença?! Será verdade... que isso possa durar... para sempre?...

Sinto dessa vez a tua vontade sufocando a minha... E me deixo, mas só parcialmente... Ainda seguro minhas rédeas - eu preciso, eu sei que não sou tão fraco - seria mais fácil representar que sim e deixar... Não devo... Mas o toque me seduz com tanto... E o que fala entre os fios dourados do teu cabelo... Não posso me deixar convencer: sei o que você está fazendo - Foge dele, entregando-se a mim! E isso tudo, logo, se desvanecerá também, não é?! Agh!...

... Interponho palavras entre nós, uma a uma, construindo uma muralha... Distraio tua atenção... E minha língua se afia em amenidades, traindo o desejo de embainhar-se em teus lábios, pela noite afora... Me corta, sutis pedaços - neve que evapora na manhã - abandonar teus afagos... Não aceitar esse jogo e tentar quebrar a banca... Talvez te magoe, um pouco, resisto...

Veja... Olhe isso comigo... Nessa luta... eu simplesmente... nunca... chego à vitória... nem perto.

A ironia fina disso... Uma vez que pretendi rebelar-me contra ser só essa casca... que tive a intenção de encorajá-lo a estar com aquele que lhe comoveu... Selo meu destino outra vez na solidão mesma e sirvo de encosto contra a nova vida que ele poderia ter...

Como uma serpente...

Rasgo-me para deixar para trás uma pele que não me serve mais...

Velha, morta e seca...

Só para me vestir outra vez assim...



Now playing: Linkin Park - Somewhere I Belong
via FoxyTunes

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Indigo blood & underlies skin - you, as my kin, as we could...

Estas frases são para você,
Ace.


Começamos mal. Quero corrigir isso - preciso que me dê outra chance. Antes que desista de ler, pense: "Posso descobrir os podres deste monte de estrume". Refaça comigo nossa história - e pense que eu mereço o descrédito, mas que o amanhã pode ser diferente.

O início, eu lembro, claro como corte de navalha: chovia muito, amanhecia. Voltava de minha ronda rodeado pelo silêncio, sondando, sondando o nada, paranóico - dormia e comia há quase um mês sob o teto do Santo e ainda esperava a invasão da Shinra àquele santuário. Senti teu cheiro ao alcançar os degraus - na maçaneta. Adrenalina e programação, coisas que você desconhece - e que permaneça assim.

Invadi por uma clarabóia no teto da ala oeste. Passei pelos mesmos vultos e sons. Saquei Banshee, o chão não gemia. Te encontrei aos pés do altar-mor, enrolado num cobertor escuro, ressonando - as costas contra a parede.

Tenho certeza que lembra... Uma faca na jugular e um sujeito estranho sussurrando perguntas em tom de ameaça é algo que fica na memória... Entenda, agora: o confundi com um de nós. Foi o cheiro - como uma assinatura inconfundível: a carne dos CANNIBALS. Não fui lógico, não fui racional - nunca fui bom nisso - devia ter percebido que tu não poderias estar ali para me interceptar: novo demais, relaxado demais, desprecavido.

O Padre me deteve aquela manhã - você me perdoaria, porque eu teria acabado com você? - ele te salvou. Por um triz... Foi a firmeza dele, seus argumentos claros, o tom calmo, que me desarmou.

Desde então você virou uma charada para mim. Uma coisa obscura, que ia e vinha em meus pensamentos, quando eu estava desocupado. Admito: havia algo, rastejando, sob camadas e camadas de negações, lá embaixo, em meu peito. Uma desconfiança... Era a cor da tua pele à luz das chamas - que quase igualava-se a pele dela na luz pálida do alvorescer, mais ambarina - ou a forma dos teus olhos e o jeito de me espiar por eles - quase aquele mesmo medo furioso que via nos olhos dela. Eu bloqueava tudo. "Impossível..." Roía meus dentes e farejava o cheiro meu e dela em ti, teimando - "Loucura, estou delirando..."

Saiba que nunca acreditei ser seu pai. Pelo que sei, devia ser estéril... E não fui alertado de sua concepção. Não tenho instinto paternal. Esse novo papel é um desafio rumo ao desconhecido e ao improvável. Não tive qualquer treinamento.

Cubri minha ignorância acompanhando a rotina das poucas famílias que cruzaram por mim - Drako e Uriel são minhas referências favoritas. Mas também aprendi com o garoto de saias que cuida de tantos pirralhos. E observei alguns em Condor Fort e antes, nos Slumps...

Hah... Imagino... Deve ser difícil agüentar ler isto... Ok. Não estou querendo simplificar nada com palavras. Nem buscar justificativas para te coagir a me desculpar. Não. Isso é minha forma de compartilhar. Minha forma de retribuir as informações sobre você e sua mãe com as quais me presenteou, mesmo que acreditasse estar me golpeando, mesmo aos gritos e empurrões.

Acredite. Quando relembro, gostaria de refazer tanta coisa. Acredite que é uma honra que não mereço: ter a você como filho. E me assusta o fato de que você deixou a segurança da sua família para juntar-se a mim - foi tolice...

Linhas que falam por atos - não é meu estilo. Desta vez, é o que posso oferecer, minha missão me leva para longe de ti. Rude, mas verdadeiro: não estou fugindo deste compromisso. Estou assumindo algo maior - quero abrir para ti um novo futuro. Talvez seja arrogância...

Confia em mim. Faço isso para te proteger. O que tenho de fazer deve ajudar Drako e os que estão com ele a salvar nosso Planeta. Não posso parar, não posso esperar. Um dia, quem sabe?

Sobre tua mãe e eu. Ela me foi dada. Naquele dia, ela era mais criança que você. Pequena, magra, abafada pelo peso dos tecidos luxuosos e hipnóticos com que a embrulharam para mim. Eu cheguei, coberto ainda de sangue, ofegando ainda da ação. Ela estava lá. Mais um móvel em meus aposentos... Bastou-me saber: é minha, meu prêmio por ter superado as previsões planificadas. Cruel - mas de praxe em nossa divisão: todos os colegas mais velhos tinham escravas. Não questionei. Jamais soube de onde viera ou como fôra escolhida. Como fôra trazida para ali. Uma lacuna que hoje me atormenta. Você saberia isso?

Fui imoral - não, melhor: amoral. Ela não significava "amada", "amante", nem sequer "indivíduo". Eu não a tinha como uma igual - ela era minha propriedade, um objeto utilitário. A esfregava na cara dos meus rivais do CANNIBALS - ela era a prova em carne do quão rápido eu subira, um troféu pelas minhas realizações. Era minha boneca em todos os jogos... Além disso, sustentava minha existência vazia com sua presença firme e determinada. Sintonizada comigo, como eu jamais valorizei antes... Cozinhava. Ouvia. Cantava e dançava frente ao meu tédio. Posava nua quando eu voltava semi-catatônico. E eu? - despejava nela o mais escuro de mim, vomitava nela o que me corroía, sem piedade, aos berros, aos empurrões, machucando.

Raras vezes... permitia-me usá-la como abrigo. Era quando mais me constragia... Era quando só podia haver ela e suas mãos pequenas e macias, sua voz numa melodia suave, seus olhos, fortes e doces, a batida de seu coração me acolhendo num abraço... O mundo se dissolvia e eu ficava em branco.

Errei tanto com ela e de tantas formas e com tanta veemência... não entendo como ela pôde ainda me aguardar e desejar que eu a buscasse!... Ela parece não ter lhe contado as piores coisas sobre mim - não mereço que ela calasse meus pecados... Te confesso: fui vil - tentava torcê-la quando ela abria a guarda e se importava comigo ou nas horas em que eu me sentia transformado por ela. Quis quebrar seu espírito. Ela jamais deixou: até o último olhar que trocamos, ela mantinha-se sem baixar os olhos, indomável, majestosa, digna, confiante, íntegra.

Quando ela se foi - deixa te contar isso, sem maquiar nada: não senti falta. Não no momento. Cheguei tarde e caindo de cansaço. Uma outra fêmea, nua e com um largo sorriso branco, me esperava no lobby... Decepção e curiosidade - tesão. Foi assim. Eu a tomei na mesma cama, com o mesmo intento e adormeci da mesma forma. Sequer procurei sua mãe nos cômodos - antes ou depoi - para certificar-me dela não estar me evitando, por alguma birra e se ver assim trocada - e sabia o quanto ela detestava quando eu subia em outras mulheres. Foi assim: sem despedidas, sem explicações de ninguém, sem bilhetes ou rastros...

O incômodo - que somente conversando com o Santo identifiquei como "saudade" - cresceu ao longo de várias missões e seus breves momentos de descanso, quando à minha espera estava somente aquela outra, neutra, disforme e insossa. Nem assim pesquisei seu sumiço ou seu paradeiro. Questionar não fazia parte de minha rotina. Hoje sinto que ela me deixou esse oco, aqui, bem dentro. E não há outro que preencha isso...

Sei pelas tuas palavras o fim dela... Porque a jogaram aos Prostíbulos? Foi porque ela engravidou de mim? E como ela pôde? Por que se esforçaram em acobertar isso e por que iriam permitir que você saísse da vigilância deles? Nunca soube de nada assim. Não entendo o que lucrariam...

Tuas experiências contadas entre lágrimas e xingamentos ficaram bem gravadas em mim. Me provoca mal-estar saber que não estive lá para te apoiar, nem para ela. Que eu sequer pensava em vocês. Não há como amenizar isso. Também não há trilha de volta, conserto...

As feridas - temos algumas em comum. Talvez um dia possamos falar disso, talvez um dia possa aliviar minha memória contigo. Porém você viveu coisas que jamais experimentei: teve uma mãe e depois a perdeu, foi oprimido sem saber como se defender, roubou só para ter o que comer sob culpa. Sim, fui oprimido - mas não era indefeso. Sim: eu roubei, lutei, apanhei e mesmo matei para ter o que comer, para sobreviver e comer - mas sem culpas, e depois por orgulho.

Se pudesse estar ao teu lado... Nenhuma mão chegaria em ti. Seria teu telhado na chuva. Teu cobertor no frio. Teu guia quando estivesses perdido. Teu companheiro se sentisse-se só. Tua mão jamais se sujaria, pois não te faltaria o que comer. Nem para quem voltar...

Se eu voltar e você estiver me esperando...

aquele que chamam por Ash.

sábado, 20 de setembro de 2008

The name of the game - it cames, never the same - insane

Palavras... Labirintos de palavras... Redes. Armadilhas nessas distorções de som significantes. Tu me caças através delas... Eu?... Eu as fio para ti, interminavelmente, mudando a direção e o sentido a cada puxada de linha. Como Penélope, ganhando tempo. Ou como Ariádne... Jogos...

Tua loucura corrói cada fibra do teu pensamento, posso apalpá-la no fundo do teu olho, cor de poente, na desconstrução de tuas frases contraditórias com teu semblante. Ainda há algo teu em ti? Ou quando estamos loucos, estamos livres para sermos puramente nós mesmos, um pouco cada voz que nasce em nós, todas, em mesma importância e altura irrompendo em nossas bocas e através de nossas mãos?

Cada nova sentença que deixa teus lábios, meus lábios, é anotação de um julgamento subterrâneo que ocorre agora mesmo entre nós. O meu é: há chance para salvá-lo? Há chance para salvar-te também? E haverá ainda alguma para mim?... O teu, só posso supor...

Arrisco. Vomito o pior e o retorço outra volta. Fui longe dessa vez. Vergonha. "Drako" como uma oração, um pedido de perdão. Uma brecha em ti. Te peguei em minhas linhas falsas. Espio pela tua carne aberta ao âmago de tua ferida. Ondulações rubras, fogo, orgulho, explosão, dentes de leão perdidos numa ventania. Havia algo forte demais. Depois, um ponto de quebra, súbito. A luz agora refratando nessa rachadura em ti e reproduzindo espectros distorcidos - monstros de teus sentimentos, monstros de teu coração partido.

Tu mandas a morte para ele. Eu ruindo. Não posso ir. Não estarei, ombro no ombro. Rasgando dentro ergo para ele minha confiança - ele vencerá.

Passagem. O gesto de tua mão. Não gosto de como me olhas. Passo. Refluo, escoando, um pouco de vocês todos que são como ele. Restos de coisas tuas e de teus semelhantes, semelhantes dele. E de mim, o que roubaste antes de sair do espelho?...

Um lago. Eu não te pertenço, porque este vínculo? A Mãe de Tudo habita um paraíso dessacralizado. O imundo ocupando o altar diante do Crucificado e rindo, devorando. A pulsação contaminada, infestante. Um corpo de enganos e tanta energia. Os olhos...

Conto segundos, agarrando-me à estratégia, fugindo do desespero de ansiar revê-los, talvez sejam os últimos... Aferro-me a meu objetivo, protejo minha razão.

Ainda vivo, minutos depois, testemunha do sintoma de tua queda. Respiro sentindo o peso do que aprendi de ti. Compartilho com ele ou o traio e acabo contigo?... Tu me lanças o teste. Eu avanço para ele, como quem sabe que está para atirar-se do precipício às pedras. Oscilo. Cumpro - desisto - cumpro. Preciso resistir a tudo que me chama de volta e parece mais forte que minha vontade.

Tenho que salvá-lo... Àquele que, um dia, - quando? - foi teu companheiro, também. Àquele que viu uma noite ser iluminada por fogos ao teu lado, eu sei. Sei porque ele o fez comigo também.

Tua improvável salvação pesa sobre mim. Minha improvável vitória pesa sobre mim. A cada passo afundo e é o mesmo nome - o dele, sempre - que alimenta meu peito cinzento e frio. O Sol daquela presença, insubstituível. "Como estará?" a indagação muda tensionando minha nuca, meus pulsos. O céu naquele olhar. Distante e profundo. Maravilhoso e invicto, intocável. Exceto rápidas pulsões. Cada pequeno acorde que são aqueles que lhe cercam.

Junto meu corpo entre penas negras de um coração selvagem. Corra. Voe. Fecho os olhos e tudo se esvanece, como se jamais houvesse existido - mas não há como negar, pois eu não sou mais o mesmo.

Somente me deixe terminar com isto... rapidamente...

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Now playing: Breaking Benjamin - So Cold
via FoxyTunes

sábado, 13 de setembro de 2008

Red roses are blue, I left you but I will never leave you

Covered and coarse
I could wait my turn
to pay them all back
- So original! -
Lets take it all back!
You can hide but I wont, how do you know?
(blacked out and bleeding)
- Take it away!
One look and you'll never believe,
Because, this cant hold us down...

- If I wake up
on my own,
- If something happens,
Please come home...
- Wake me up before you go!

If you never know
That it can never hurt
As much as this does
- Its so original ! -
Lets make this all work
You could run but I wont, how do you know?
(blacked out and bleeding)
Take it away!
One look and you'll never believe,
Because, this won't hold us down!...

- If I wake up
on my own,
- If something happens,
Please come home!
- Wake me up before you go on!!!

You cant hold us down / This wont hold us down /You cant hold us down!

- If you wake up (If I wake up)
On your own (On my own)
- If something happens
Please come home!... (You wont stop us now)
... Wake me up before you go!... (Nothing will hold us down)
I hope your happy on your own!...


[Grand Unification - Part I ~ by Fightstar]

Se um dia, eu acordar e você... Volte, por favor. De cada batalha, volte. Esta é a tua casa... Se um dia, você acordar e eu... Não me procure... Minha morte mil vezes por tua vida. E o azul dos teus olhos que rebate este céu sem limite. Nada me deterá, te asseguro. Nada me daria mais satisfação, eu te juro...

Voltas de cores anil, vanilla, o esmaecer de dourados. Marcado a ferro por ti, eu a permito ao meu lado. Tua Fenrir. Risadas e palavras tuas quebrando meu passado sobre o asfalto. Uma lição pulsante a Sol nas tuas palavras. Roucas. Me alveje, aqui, rente às costelas. Mais um pouco, como em Midgard. Quente e macio. Sangre de mim tudo que fui... A luz nas curvas dela, rebate o metal de tua arma. Nossas lutas, ombro a ombro, a orquestra de metais de nossas lâminas, de cada movimento teu, pesado, ribombar do ritmo marcado, e a harmonia de linhas vermelhas rasgando por minhas narinas...

Eu definho e perco folhas ao longe. Sou inverno, galho seco, espada. Sem guarda. Sem bainha. Tudo que tinha... Fecho o olhar em qualquer sombra. Porque me assombra tudo que abandono. Sem retorno. Ah, estar tão encantado por esta vida me perturba. Porque essa ânsia me turba. E preciso estar imune. Preciso ser somente um gume.
Flecha ao vento. Pelo ar, sem lar, me torno só ponta. Nada mais conta. Não te importes comigo. Sonharei contigo dentro do peito do teu inimigo.

E eis que eles, ainda antes, me encontram. Sorrio. Tambores de batalha clamando aqui dentro. É chegada a hora. Agora, que venha meu destino. Dedico tudo a você, a eles, a vocês... que a venda desta minha alma, que tudo que derramar de mim neste sólo, seja meu poema a ti, a ode que componho com meu corpo a todos os dias que virão diante de teus olhos. Azuis, como o céu deve ser, ainda mais, para vocês. Dourados, como o nascer do Sol afagando teus cabelos. A cada entardecer, vermelho e depois negro, como esta mancha, que fui eu.

Mudo estratégias. Me ofereço. Sou a isca. Engolem-me.

Cada um deles, um pouco tu. Nada tu. Absorbo o que posso, dele, do outro também, daquele escondido. Linhas divergentes da mesma matriz. Teu irmão reina. Me cerca, como um leão louco, de quem o rugido pode anteceder a simpatia, ou o ronronar a morte... Me sonda, entre crer em mim e me apunhalar. Um examinar esquizofrênico. Cênico. Teatral. E me pergunto: o quanto disso é teu, o quanto disso é dela? Quanto mal realmente desejas?

Escuto. Se não vê-lo, quase tu. Cada detalhe, aqui, fundo em mim. Mas minto... Digo-lhe o avesso do que sinto. No absinto desta entrega, assassino tudo, e o que não puder, sobre isso, fico mudo. Sou de novo... vazio... um oco... onde o sopro da vida... produz sempre o mesmo eco:

Morra.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Assassin's creed over my sins' needs

Deus... que dizem estar em mim,
Que está em tudo e vê minha vida,
Julga-me com teu peso e tua medida,
Mas dá-me força neste braço,
Faça meu passo o mais rápido,
Meu corpo capa de silêncio...
Que meu sangue seja derramado por ti
Sabendo quem está ao meu lado - sim:
Por quem caio,
Mas, se falho,
Tu, que és o Todo, que não vejo,
Guarda a salvo quem protejo,
Dê-me a chance de levar comigo,
O filho-da-puta desse meu inimigo.


P.A.#7 aka "Ash"
{ Oração do Assassino }

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Dark dread thoughts down my decised cold knees

Li palavras mentirosas no Cântico... Palavras que afirmam que há um Todo a ser louvado, um Todo do qual participo. O Santo me explicou que a única coisa necessária para ser uma parte desse Todo, é existir... Porque todos fomos uma vez Um... Eu só consigo ver partes. Eu só consigo sentir um limite asfixiante entre os outros e eu, e não parece diferente entre cada um.

Há anos que observo esta sociedade, vivendo como um intruso. Posso classificar a maioria dessa gente. Os vermes, só rastejam aproveitando o que sobra da podridão. Os chacais e hienas apenas atacam os fracos para roubar-lhes o pouco que têm, acham-se fortes e soberanos, mas nada mais são que covardes estúpidos. Há o rebanho, obediente e trabalhador, sabem que há algo errado, mas não conseguem ver que eles é que alimentam tudo isso. É, eu vejo, acima deles todos, os mestres disso, os únicos que ganham realmente, os únicos que mandam realmente, leopardos e lobos, esperando com suas goelas enormes e suas panças insaciáveis para devorarem. O que há de similar entre eles? Como podem uns e outros, todos, serem partes iguais desse Todo?!

Mas o Padre insiste que o Todo é feito de cada um de nós, e que para o Todo conduzir a um Mundo melhor, é necessário que nós façamos o movimento. Até que a massa saia da inércia. Ike quer que acredite que faço parte disso tudo, mesmo eu não sendo parte dos planos da Seleção Natural, mesmo eu nem sequer sendo fruto da união de suas criaturas, mesmo eu não servindo para perpetuar nenhuma espécie para a Glória do Todo...

Então... sou uma célula de Deus. Uma fibra de seus músculos. Um neurônio de sua mente infinita. Um bacinete de sua retina, testemunhando por Ele.

Sou?... Serei mesmo isso, ou só gostaria, agora que começo a entender tudo pelo que agora me ajoelho e peço perdão? Eu só levei imagens de todos os crimes que cometi, fixando-as em seus Olhos, o sangue, as lágrimas, bocas esgameladas pedindo pelo Teu Socorro, mas imune à clemência.
O neurônio que acorda para maquinar Contigo a destruição. Sou a fibra que tantas vezes ergueu o Braço para esmagar quem estivesse em desamparo, quem lutasse contra todo esse lixo. Eu não sou uma célula - sou o miasma de Deus!

Torço os dedos, abaixado diante do Crucificado, ele me olha como se fôsse uma de minhas vítimas, mas seu olhar é mais forte que o meu... Prendo o ar, meus pulmões ardem como se respirasse ácido. Baixo a cabeça. Ele me perdoa?... Acho que não. Eu não me perdoaria. Ainda sonho com o prazer da batalha, ainda salivo ao destravar um coldre, ainda os vejo como alvos. Minhas narinas buscam o cheiro de sangue. Meu corpo todo pede para matar.

Sou o câncer, regurgitado da sujeira, inesperado, hostil, desgraçado - eu sou o que consome o Tecido do Todo, esse sou eu!...

Minha existência é a subtração desse Todo...


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Now playing: Yuki Kajiura - Fake Wings - Make Decision
via FoxyTunes

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Steel drops from a grey mind

Quem somos, quando não somos ninguém? Quando o que somos define-se pela instrumentabilidade? - coisa que deve funcionar - Quando não somos, somente servimos?...

Não pense que eu não sei meu lugar! - Sei!... Fui feito à imagem não de Deus, como você, mas de um instrumento necessário ao Homem. Estou na prateleira tanto quanto aquela xícara em que você bebe, ou esta adaga com a qual poderia lhe cortar as tripas - não! Hey!!! Espere!!!

Não vá!... Não deve se preocupar, eu já não funciono mais - não como deveria... E quando me ponho em ação, tenho a impressão de que alguém, talvez você, me pegará confessando em voz alta: - "estou estragado! terrivelmente estragado!!! não sou só inútil, sou uma piada, um avesso, um traidor, um câncer! como o tal Lúcifer, me levanto contra meu próprio Criador..."

Quando sentei ao lado dela, naquela escada... aquela conversa me contaminando, minando todas as minhas certezas... destravando pensamentos que jamais deveria ter tido... lá, naqueles degraus, já estava estragado... Antes que você me dissesse a primeira palavra, de alguma forma, imperceptível, eu já estava incubando isso...

Muitos passos antes de invadir... de violar... de destruir... de trair... de eliminar alvos amigos... Não, não foi a partir do momento em que me recusei a cooperar, em que me recusei a ser silenciado... Fraquejei antes. Eu tinha um defeito que ninguém percebeu. Uma falha qualquer, onde? por culpa de quem? nos meus genes? no meu treinamento?... Ou foi algo sorrateiro, que nasceu à revelia de qualquer programação, meu primeiro fruto, minha primeira decisão?

O que sei é que tenho gosto de ferro em minha boca. Que ranjo os dentes de cabeça baixa quando passo horas com minha cabeça zunindo. E sei que virão me exterminar. E que, quando conseguirem, se livrarão dos meus restos como se fossem merda. Mas não sei se deveria seguir meu impulso e matá-los, um a um - chego a sonhar com isso e como é bom! (mesmo que tenha de lavar a porra das coxas) - começando por ele, aquele desgraçado...

Você, mulher, você, senhorita perfeita, filha mimada e dissimulada, você, um dia me fez encarar meu reflexo no espelho. Você me brindou com a morte, naqueles degraus, tudo que fui ficou sepultado para que seu sorriso ficasse maior
. Talvez um dia, eu retribua o favor, e você esteja do outro lado da minha lâmina...

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Now playing: Linkin Park - Lying From You
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