Quem somos, quando não somos ninguém? Quando o que somos define-se pela instrumentabilidade? - coisa que deve funcionar - Quando não somos, somente servimos?...
Não pense que eu não sei meu lugar! - Sei!... Fui feito à imagem não de Deus, como você, mas de um instrumento necessário ao Homem. Estou na prateleira tanto quanto aquela xícara em que você bebe, ou esta adaga com a qual poderia lhe cortar as tripas - não! Hey!!! Espere!!!
Não vá!... Não deve se preocupar, eu já não funciono mais - não como deveria... E quando me ponho em ação, tenho a impressão de que alguém, talvez você, me pegará confessando em voz alta: - "estou estragado! terrivelmente estragado!!! não sou só inútil, sou uma piada, um avesso, um traidor, um câncer! como o tal Lúcifer, me levanto contra meu próprio Criador..."
Quando sentei ao lado dela, naquela escada... aquela conversa me contaminando, minando todas as minhas certezas... destravando pensamentos que jamais deveria ter tido... lá, naqueles degraus, já estava estragado... Antes que você me dissesse a primeira palavra, de alguma forma, imperceptível, eu já estava incubando isso...
Muitos passos antes de invadir... de violar... de destruir... de trair... de eliminar alvos amigos... Não, não foi a partir do momento em que me recusei a cooperar, em que me recusei a ser silenciado... Fraquejei antes. Eu tinha um defeito que ninguém percebeu. Uma falha qualquer, onde? por culpa de quem? nos meus genes? no meu treinamento?... Ou foi algo sorrateiro, que nasceu à revelia de qualquer programação, meu primeiro fruto, minha primeira decisão?
O que sei é que tenho gosto de ferro em minha boca. Que ranjo os dentes de cabeça baixa quando passo horas com minha cabeça zunindo. E sei que virão me exterminar. E que, quando conseguirem, se livrarão dos meus restos como se fossem merda. Mas não sei se deveria seguir meu impulso e matá-los, um a um - chego a sonhar com isso e como é bom! (mesmo que tenha de lavar a porra das coxas) - começando por ele, aquele desgraçado...
Você, mulher, você, senhorita perfeita, filha mimada e dissimulada, você, um dia me fez encarar meu reflexo no espelho. Você me brindou com a morte, naqueles degraus, tudo que fui ficou sepultado para que seu sorriso ficasse maior . Talvez um dia, eu retribua o favor, e você esteja do outro lado da minha lâmina...
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Now playing: Linkin Park - Lying From You
via FoxyTunes
{ ... in a world of carbon fields, acid rain and rusted iron limbs, our kisses are just holographic designs floating over the cold network... there are no more prays to be listen... shallow oiled minds... his blood... so so green... as a revenge of nature growing inside his toxicated bones... as a sick thin hope to our lost souls... }
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Steel drops from a grey mind
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