Palavras... Labirintos de palavras... Redes. Armadilhas nessas distorções de som significantes. Tu me caças através delas... Eu?... Eu as fio para ti, interminavelmente, mudando a direção e o sentido a cada puxada de linha. Como Penélope, ganhando tempo. Ou como Ariádne... Jogos...
Tua loucura corrói cada fibra do teu pensamento, posso apalpá-la no fundo do teu olho, cor de poente, na desconstrução de tuas frases contraditórias com teu semblante. Ainda há algo teu em ti? Ou quando estamos loucos, estamos livres para sermos puramente nós mesmos, um pouco cada voz que nasce em nós, todas, em mesma importância e altura irrompendo em nossas bocas e através de nossas mãos?
Cada nova sentença que deixa teus lábios, meus lábios, é anotação de um julgamento subterrâneo que ocorre agora mesmo entre nós. O meu é: há chance para salvá-lo? Há chance para salvar-te também? E haverá ainda alguma para mim?... O teu, só posso supor...
Arrisco. Vomito o pior e o retorço outra volta. Fui longe dessa vez. Vergonha. "Drako" como uma oração, um pedido de perdão. Uma brecha em ti. Te peguei em minhas linhas falsas. Espio pela tua carne aberta ao âmago de tua ferida. Ondulações rubras, fogo, orgulho, explosão, dentes de leão perdidos numa ventania. Havia algo forte demais. Depois, um ponto de quebra, súbito. A luz agora refratando nessa rachadura em ti e reproduzindo espectros distorcidos - monstros de teus sentimentos, monstros de teu coração partido.
Tu mandas a morte para ele. Eu ruindo. Não posso ir. Não estarei, ombro no ombro. Rasgando dentro ergo para ele minha confiança - ele vencerá.
Passagem. O gesto de tua mão. Não gosto de como me olhas. Passo. Refluo, escoando, um pouco de vocês todos que são como ele. Restos de coisas tuas e de teus semelhantes, semelhantes dele. E de mim, o que roubaste antes de sair do espelho?...
Um lago. Eu não te pertenço, porque este vínculo? A Mãe de Tudo habita um paraíso dessacralizado. O imundo ocupando o altar diante do Crucificado e rindo, devorando. A pulsação contaminada, infestante. Um corpo de enganos e tanta energia. Os olhos...
Conto segundos, agarrando-me à estratégia, fugindo do desespero de ansiar revê-los, talvez sejam os últimos... Aferro-me a meu objetivo, protejo minha razão.
Ainda vivo, minutos depois, testemunha do sintoma de tua queda. Respiro sentindo o peso do que aprendi de ti. Compartilho com ele ou o traio e acabo contigo?... Tu me lanças o teste. Eu avanço para ele, como quem sabe que está para atirar-se do precipício às pedras. Oscilo. Cumpro - desisto - cumpro. Preciso resistir a tudo que me chama de volta e parece mais forte que minha vontade.
Tenho que salvá-lo... Àquele que, um dia, - quando? - foi teu companheiro, também. Àquele que viu uma noite ser iluminada por fogos ao teu lado, eu sei. Sei porque ele o fez comigo também.
Tua improvável salvação pesa sobre mim. Minha improvável vitória pesa sobre mim. A cada passo afundo e é o mesmo nome - o dele, sempre - que alimenta meu peito cinzento e frio. O Sol daquela presença, insubstituível. "Como estará?" a indagação muda tensionando minha nuca, meus pulsos. O céu naquele olhar. Distante e profundo. Maravilhoso e invicto, intocável. Exceto rápidas pulsões. Cada pequeno acorde que são aqueles que lhe cercam.
Junto meu corpo entre penas negras de um coração selvagem. Corra. Voe. Fecho os olhos e tudo se esvanece, como se jamais houvesse existido - mas não há como negar, pois eu não sou mais o mesmo.
Somente me deixe terminar com isto... rapidamente...
----------------
Now playing: Breaking Benjamin - So Cold
via FoxyTunes
{ ... in a world of carbon fields, acid rain and rusted iron limbs, our kisses are just holographic designs floating over the cold network... there are no more prays to be listen... shallow oiled minds... his blood... so so green... as a revenge of nature growing inside his toxicated bones... as a sick thin hope to our lost souls... }
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sábado, 20 de setembro de 2008
The name of the game - it cames, never the same - insane
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segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Sewing seemings meaningless
O pó...
Tremendo, luzindo, ou sumindo diante do meu olho...
Quanto disso são as cinzas dos que se foram?...
Decomponho movimentos em milhares de imagens congeladas. Cada frase em centenas de indicações além do significado de suas palavras. Sobre-excitação dos sentidos. Sobre-exaltação de todos os meus sentimentos. Desejar. Temer. Odiar. Os limites se dissolvendo... O sangue turbilhona em mim, jorra em minhas ordens, em meus gestos ferozes. Ter urgência. Apressá-los. Façam algo por ele... Tragam-no de volta! Façam isso por todos eles e por vocês!...
... façam isso por mim... Agora!
As paredes se fecham sobre teu corpo imóvel - um caixão! Eu arfo. O vidro isola-o de mim - eu enlouqueço. Memórias riscando as paredes de meu cérebro. Tubos como os... Os vigio... Tubos... Suas carnes caindo, desintegrando-se - não, misturo tudo... Me deixe pensar! Tu, despido, mudo. Um boneco sem vida. Tão desprotegido, tão só. Mas está a salvo...
Não posso confiar...
Não posso te deixar assim! Também não posso te deixar... - Dilema... Recordo teus favoritos. Recortes de tuas confissões, de teus gestos, a nuance dos teus olhos. Seqüestro-os para ti. E mirro esperando-te. Esperança. Acorda...
Meu mundo, tão pequeno e quebradiço. Brotos de samambaias desenrolando-se ao redor do meu peito. Mal respiro. Tudo se passa em minha mente. Cenas atropelando-se... Tua mão sobre meu ombro abrindo meu dia... Jenova e Kuroi borrando tua alma... O volante do carro e paisagens velozes, confiança, ombro no ombro... Uniformes, risadas de Ane. Cheiros, botas e gente demais naquele desfile... Tu, subindo como uma flecha, intangível, partindo e minha voz insuficiente, minhas competências, insuficientes... Huge Materia... Iffrit... Shiva... Nós temos o 21 - disseram. Os olhos de Uriel - os teus - tão perdidos...
Tão... pouco... para arriscarmos você... Tu, nos ombros dela, estirado... Volutas e arpões... A dor de não ser suficiente para te salvar...
- Que está havendo contigo?!... Me fale... Me conte... Retorço minha mente. Busco uma salvação em espirais descendentes, me afogo em minha culpa, na mentira honesta que contei ao teu garoto - Onde estás por trás desses olhos vazios?... Está tão frio aqui...
Frio... Lembras? Sim, a partida de Midgard! Escuto no silêncio, outra vez, teus lábios me contarem... Estar sob o Sol... Teus lábios me lembram... morangos... Rujo para eles. Delimito-te para mim... - para... eles... - Rapto-te. Sei que tu me pedirias isso. Sinto... O Cântico entoado por aquele que tu mais queres - só para ti. Escutas?... Teu filho te chama. Escutas? Aos raios quentes e alaranjados, te ofereço. Minhas palavras trêmulas, te ofereço. Quase, quase te toco... Coragem, eu não te abandonei, não me abandones...
Abro uma salva fogos de cores inebriantes em minha escuridão de entranhas, ao som de tua boca - tu, consciente. Tu, de novo, Drako... Bendito o Astro de Fogo que te empresta vida. Bendito o menino que te abraça. O homem por quem tu voltas... Os agradeço por resgatá-lo... Tenho com eles uma dívida imponderável...
Felicidade. Ânimo. Recolho-me em minha falha. Em meu dever contigo. Ombro no ombro. Eles te farão sorrir? Sim... Eles sentarão ao teu lado quando estiveres só e pesado? Sim... Quando tu tiveres uma dúvida, eles te dirão que acreditam em ti? Sim... Tudo parece bem, agora...
... mas não está - jamais estará!... Entende? Vejo-o: ao longe, ele ainda o tem sob seu ódio. Ao longe, a Coisa ainda o contamina. Uma trama solta, esta onde nos arriscamos. Uma rede que nos prende, ou, se escorregarmos, nos corta... Eu falhei contigo... Uma. Duas vezes! Quantas mais até te perder?!
Não permitirei... Escapo. Fios rompendo entre nós. O craquelar de uma alma fictícia em mim, posso ouvir. Uma vontade como areia em minha garganta. Um doer. Consertar, é só o que te peço... Me deixe, não se vire, não me chame... E no caminho, Uriel... um abraço dele... doce... honesto... triste... como... uma mesa, morangos e talheres luzentes... Não quero te dizer "Adeus", pequeno. Não sei como.
Separo-me de vocês... de ti... querendo tanto... voltar... Compreendo que as chances estão contra mim. Poderá me desculpar se eu perder tua última luta? Será que entende que pretendo aumentar tuas chances? E, sim, livrar-te do destino de escolher entre a vida do teu irmão ou a tua, a deles...
Peço a ti, a vocês: me perdoem pelo que não puder fazer...
Tremendo, luzindo, ou sumindo diante do meu olho...
Quanto disso são as cinzas dos que se foram?...
Decomponho movimentos em milhares de imagens congeladas. Cada frase em centenas de indicações além do significado de suas palavras. Sobre-excitação dos sentidos. Sobre-exaltação de todos os meus sentimentos. Desejar. Temer. Odiar. Os limites se dissolvendo... O sangue turbilhona em mim, jorra em minhas ordens, em meus gestos ferozes. Ter urgência. Apressá-los. Façam algo por ele... Tragam-no de volta! Façam isso por todos eles e por vocês!...
... façam isso por mim... Agora!
As paredes se fecham sobre teu corpo imóvel - um caixão! Eu arfo. O vidro isola-o de mim - eu enlouqueço. Memórias riscando as paredes de meu cérebro. Tubos como os... Os vigio... Tubos... Suas carnes caindo, desintegrando-se - não, misturo tudo... Me deixe pensar! Tu, despido, mudo. Um boneco sem vida. Tão desprotegido, tão só. Mas está a salvo...
Não posso confiar...
Não posso te deixar assim! Também não posso te deixar... - Dilema... Recordo teus favoritos. Recortes de tuas confissões, de teus gestos, a nuance dos teus olhos. Seqüestro-os para ti. E mirro esperando-te. Esperança. Acorda...
Meu mundo, tão pequeno e quebradiço. Brotos de samambaias desenrolando-se ao redor do meu peito. Mal respiro. Tudo se passa em minha mente. Cenas atropelando-se... Tua mão sobre meu ombro abrindo meu dia... Jenova e Kuroi borrando tua alma... O volante do carro e paisagens velozes, confiança, ombro no ombro... Uniformes, risadas de Ane. Cheiros, botas e gente demais naquele desfile... Tu, subindo como uma flecha, intangível, partindo e minha voz insuficiente, minhas competências, insuficientes... Huge Materia... Iffrit... Shiva... Nós temos o 21 - disseram. Os olhos de Uriel - os teus - tão perdidos...
Tão... pouco... para arriscarmos você... Tu, nos ombros dela, estirado... Volutas e arpões... A dor de não ser suficiente para te salvar...
- Que está havendo contigo?!... Me fale... Me conte... Retorço minha mente. Busco uma salvação em espirais descendentes, me afogo em minha culpa, na mentira honesta que contei ao teu garoto - Onde estás por trás desses olhos vazios?... Está tão frio aqui...
Frio... Lembras? Sim, a partida de Midgard! Escuto no silêncio, outra vez, teus lábios me contarem... Estar sob o Sol... Teus lábios me lembram... morangos... Rujo para eles. Delimito-te para mim... - para... eles... - Rapto-te. Sei que tu me pedirias isso. Sinto... O Cântico entoado por aquele que tu mais queres - só para ti. Escutas?... Teu filho te chama. Escutas? Aos raios quentes e alaranjados, te ofereço. Minhas palavras trêmulas, te ofereço. Quase, quase te toco... Coragem, eu não te abandonei, não me abandones...
Abro uma salva fogos de cores inebriantes em minha escuridão de entranhas, ao som de tua boca - tu, consciente. Tu, de novo, Drako... Bendito o Astro de Fogo que te empresta vida. Bendito o menino que te abraça. O homem por quem tu voltas... Os agradeço por resgatá-lo... Tenho com eles uma dívida imponderável...
Felicidade. Ânimo. Recolho-me em minha falha. Em meu dever contigo. Ombro no ombro. Eles te farão sorrir? Sim... Eles sentarão ao teu lado quando estiveres só e pesado? Sim... Quando tu tiveres uma dúvida, eles te dirão que acreditam em ti? Sim... Tudo parece bem, agora...
... mas não está - jamais estará!... Entende? Vejo-o: ao longe, ele ainda o tem sob seu ódio. Ao longe, a Coisa ainda o contamina. Uma trama solta, esta onde nos arriscamos. Uma rede que nos prende, ou, se escorregarmos, nos corta... Eu falhei contigo... Uma. Duas vezes! Quantas mais até te perder?!
Não permitirei... Escapo. Fios rompendo entre nós. O craquelar de uma alma fictícia em mim, posso ouvir. Uma vontade como areia em minha garganta. Um doer. Consertar, é só o que te peço... Me deixe, não se vire, não me chame... E no caminho, Uriel... um abraço dele... doce... honesto... triste... como... uma mesa, morangos e talheres luzentes... Não quero te dizer "Adeus", pequeno. Não sei como.
Separo-me de vocês... de ti... querendo tanto... voltar... Compreendo que as chances estão contra mim. Poderá me desculpar se eu perder tua última luta? Será que entende que pretendo aumentar tuas chances? E, sim, livrar-te do destino de escolher entre a vida do teu irmão ou a tua, a deles...
Peço a ti, a vocês: me perdoem pelo que não puder fazer...
[2ª versão, editada em Agosto, 28, 2008]
sábado, 2 de agosto de 2008
Flowing frown flowers
Cheiro de mar. Faíscas do Sol refletindo das ondas ao meu olho. Tanta luz... Ele, à frente. Coroado de dourado pelos raios ofuscantes. Ele, como num sonho...
O sonho...
Então, ele, entrando naquela nuvem de sangue - eu a farejei desde o portão do Forte, e isso é mau, acredite: uma dezena de corpos em frangalhos. Por baixo. Um daqueles espetáculos... Ele, à frente, sem diminuir o ritmo. Apressei-me. O Universo ferido em possível contra-ataque. Sem idéia do que encontraríamos, mas ele, simplesmente, enfiou os pés. Desespero. Passo sobre todos os protocolos de Infiltração.
(Estou rindo - preciso registrar aqui: tornei-me um suicida!)
Em rasante, nós dois, para dentro. O fedor... Meus tendões todos exigindo-me. Vermelho. Exigindo-me. Vermelho. Assovios de ordens. Meus músculos pedindo, suplicando. Solte-nos e faremos o que sabemos fazer de melhor!... Vermelho, cortante, martelando minha cabeça, de novo e de novo. "SANGUE SANGUE SANGUE"
Agarrei-me a vocês. O abraço morno do menino. Os olhos dele no meu. A mão do Padre erguida em benção... Enforquei minha vontade, puxei-a de volta ao meu objetivo ali: protegê-lo, investigar, achar sobreviventes, impedir que algum perigo saísse da embarcação. Porque lá fora está o tesouro dele. Então aquele inferno não vazaria dali...
Impaciência.
Ruídos metálicos da carcaça do cargueiro. Marulhos. Vozes lá fora, distantes. Dois corações, à frente, e seus passos marcados estalando o piso. Um silêncio rasgado por um roçar suave. Depois, um gemido baixo, abafado. Sem aguardar confirmação ele lança-se para lá.
(Não, ele não tem nenhum senso de auto-preservação... Não, não admito que você zombe dele por isso...)
As formas dela surgem da lona. Como as estátuas do prédio da Corporação. Branca marfim. O cobre deslizando pelos fios de seus cabelos. Corro o olhar por ela. O máximo na mínima fração de segundo.
Percebo. Gazes sujas amarrando seus seios. Sem armas. Sem equipamentos. O sangue deles. O fedor dos mortos. E nada explicando como ela conseguira...
Compreendo. Ela é muito mais perigosa.
Um gosto de chumbo... A mato se... Ela treme nos braços dele, ele a analiza. Questiono-o, sou óbvio, quando ele a entrega a mim. Mas eu já sabia o que ele iria decidir... Ele é assim. Peso suas palavras... Aceito... por agora.
Quem é ela?... Com certeza não uma donzela em perigo...
Levo-a ao soco do ar fresco, frio e súbito. Maresia... Atenção em cada variação de sua pressão sangüínea. Cada curta contração muscular. Na cadência de seus pulmões. E muito depois percebo que estava relaxando, acreditando, embalado por aquele ritmo que tentei ignorar em vão: duas batidas. Duas... Dois corações pulsando nela... como nele...
Meus muros, outra vez. Gostaria de poder arremessá-la para o outro lado daquele Oceano. Ao invés disto, recubro-a com meus braços, ocultando sua nudez devastadora com a decência de minha silhueta, emprestando ao seu corpo gelado e desprotegido um pouco de calor. Protegendo-a...
Tarde para rebelar-me: minha guarda estava tão aberta... Ela me golpeia: reclama de dor. Olhei-a fundo. Quis saber que ferida era aquela. Ela afunda-se, rui ali, junto de mim. Não sou bom com pessoas. Fiz o que pude. Reparto com ela uma das poucas doses de VioletLicor O - irá sedá-la até que a cura venha. Suspeita de mim, eu notei. Previsível...
Invento algo para tirar os humanos da área quando nos acodem. Não tenho certeza de nada. Mas ela sobrevivera ao que os outros não. Ela é diferente deles. Será a causa daquilo?... Não ter sido hostil contra nós não é álibi. Não posso feri-la ou perturbá-la. Drako a pegara em seus braços. Não posso usar nela meus métodos.
Ele volta, espero dele um esclarecimento... Somente mais perguntas... E após cada uma: nada. Só amnésia. Linhas negras entre eles no som de suas palavras. Ele está pesado de fracasso. Sua frustração transborda de sua língua, de seus olhos gelados. O sonho, nítido demais: "não podemos salvar a todos". Isso doía nele, isso o revoltava - até mesmo contra ela. Mas só por um instante e ele perdoaria. Ele está empenhado em algo muito mais importante que julgamentos. Ele é assim. Traços de azul e dourado...
Ane Marie... ela tem um nome humano... Ele fala o que eu mesmo havia pensado, selando nossa decisão: ela fica conosco, e se mexer com essa gente... É o mais certo... Uma vez isso posto às claras, se vai.
Eu a sós com a esfinge, de novo. Ela veste-se, os gestos convulsionam minha pulsação. Todos seus perfumes secretos abrindo-se num buquê. Pequenas flores brancas entremeadas em corpos abertos... Seguro-me. Meu coração recua para seu batimento monótono, quase morto... Ela tem que falar... E agora o Santo aparece... Isso complicaria tudo - e ele não podia ficar ao alcance dela. Satisfaz-me quando ela recusa sua oferta de ajuda - o expulso sem demora.
Mais afiado, inicio nossa conversinha - quero destrinchá-la até ser saciado...
[2ª versão, editada em Agosto, 23, 2008]
sexta-feira, 25 de abril de 2008
War hounds are bound to...
Fôra um dia daqueles... de cão... Minha vida estacionara novamente naquele velho capítulo escarlate...
Cães de guerra, outra vez. Abríamos caminho ao comboio que contém - em poucas palavras - tudo que importa. Eu precisava estar no auge do impossível para defendê-los. Nenhuma criança abatida. Eu não permitiria que tocassem nelas. A droga produziu aquele efeito deliciosamente psicótico em mim. Um mundo sobreposto por arabescos. Cintilâncias... Cheiros tão vivos que tinha de engoli-los com litros de saliva. Um mundo simples, aberto ao meu talho, sem meandros, reticências, interpretações... Um mundo sem questões. Ação e reação.
Enfim eram tantos por cima de mim que me senti implodir e esgarçar por dentro, estirado pelo impacto de tantos corações pulsando, tripas em convulsão, tantos gritos, arfares, suores, couros... pólvora - carne viva, queimando, sangue de tantos cheiros... Dos meus genes fosforescentes ela irrompe e minha pouca humanidade cede sem resistência, desfia-se como meias de náilon... Eu... Monstro sem nome... Mastim que estraçalha os inimigos de seu amo... Falanges jogadas ao ar - hipérboles. O convexo de um olho tornando-se côncavo. Uma pirueta de um decepado.
Fujam de mim, ou caiam!!! - eu rujo, rosno, uivo. Acima de mim, o raio alongando-se, tentando tocar a fortaleza às minhas costas. Inalcançável. Bestificado, minha mente repetia 'não pode... fulminá-los... não podemos deixar...' Então o feixe falhou, piscou, irregular, vencido. Pensei em ti. Só você faria aquilo.
Não te vi cair. Nem cogitei isso... Tenho aceito bem demais a tua invencibilidade. O garoto me acudiu quando tudo tornou-se restos. Nos pequenos gestos e olhares, ele é teu filho. Evoca-te. Me confunde. Vale-se disso para pedir-me: 'procura-o'. As lágrimas todas imploravam - desnecessário: eu iria. Sabe que sim. Aos gemidos fabulou a sorte que te coubera - a tua morte, que eu ignorava. Corri. Sobre mortos e aleijados, vencendo o espaço e o tempo como se pudesse rebobinar tudo e evitar o que te feriu. Atolei na areia macia demais, clara demais. Sal nas minhas narinas. Dor nos meus pulmões. Pensamentos ocos.
O imenso mar e algo muito sutil de ti. Deixei-o ali e segui louco para dentro do escuro silencioso. Penetrei o fio do frio daquelas águas. Por ti. Cada pequena faísca de nossos poucos dias, bailando e descendo ao meu redor. Cada momento brilhando naquela escuridão, partículas em minha mente enquanto forçava meu caminho. Douradas, como teus cabelos. Impactantes, como tuas palavras cruas. Capazes de me dar perseverança, como tua pregação... Relembrei até as coisas tolas, os risos que roubaste, o esdrúxulo do teu drible contra as crianças... O motor de sua moto sob nosso peso - voávamos sobre a rua, sobre a vida. E lá no fundo, emoldurado por todo meu delírio desesperado, te enxerguei.
Tu não ousarias morrer! Eu não aceitaria. Tua carne e tua essência aos pedaços, contra meu peito. Tubos de proteínas, os olhos deles me encarando... Não, com você eu não permitiria. Enquanto o Sol declinava, teu corpo gelado e incompleto repousou, devorado pelas esperanças teimosas do fedelho e deste assassino. Então, aquele que tu venera veio em teu socorro. Invejei-o. Registrei a corrente fluir, viscosa e etérea, para dentro da tua carcaça. Só ele poderia. Eu, reduzido a mera testemunha. Meu medo como uma flecha numa corda tensionada. Segurando, ainda não, ainda não... Lembro de fechar o olho e pedir por ti. Rasuras sépia flutuando sobre pensamentos que tentam seguir adiante.
Naquele ninho sob o olho do Sol que tanto amas, o milagre da tua volta...
Preciso de ti: este é um ponto fraco, que não deveria ter. Me atrapalho. Dou vexame frente aos teus olhos frios. Me revolta. E a emoção brota mais forte que todo o senso, mais alta que minha voz. Te sinto, e só assim confirmo que está aqui. Pele a pele.
Nós lutamos entre sorrisos... Disputamos quem deve proteger. Quem deve ser protegido. Está tudo bem. Entende? Que se rompam em nós estes casulos inoxidáveis onde nos trancamos. Estanques. Intocáveis. Somos soldados. Somos consumíveis pela lei da Espada. Hey, antes que isso nos apague, posso te convidar para apreciar a vista? Posso te contar o que ando aprendendo? Ou talvez, o que ando sentindo? Será que não vê nos olhos deles o quanto te querem perto?
Aqui em meu peito há uma perda se formando, maior que todas as que já tive. Olho prá ti, tu te vais. De novo, à frente, sei que estarás nos guardiando. Não faz sentido, eu sei, ter laços. Mas coisas inusitadas e sem lógica certa é que destrancaram a vida, para mim, há tão pouco tempo...
Olho o lençol desocupado e os meus braços nus. Uma flor que morrerá no mesmo dia que nasceu não deveria abrir-se no seu melhor perfume?...
Cães de guerra, outra vez. Abríamos caminho ao comboio que contém - em poucas palavras - tudo que importa. Eu precisava estar no auge do impossível para defendê-los. Nenhuma criança abatida. Eu não permitiria que tocassem nelas. A droga produziu aquele efeito deliciosamente psicótico em mim. Um mundo sobreposto por arabescos. Cintilâncias... Cheiros tão vivos que tinha de engoli-los com litros de saliva. Um mundo simples, aberto ao meu talho, sem meandros, reticências, interpretações... Um mundo sem questões. Ação e reação.
Enfim eram tantos por cima de mim que me senti implodir e esgarçar por dentro, estirado pelo impacto de tantos corações pulsando, tripas em convulsão, tantos gritos, arfares, suores, couros... pólvora - carne viva, queimando, sangue de tantos cheiros... Dos meus genes fosforescentes ela irrompe e minha pouca humanidade cede sem resistência, desfia-se como meias de náilon... Eu... Monstro sem nome... Mastim que estraçalha os inimigos de seu amo... Falanges jogadas ao ar - hipérboles. O convexo de um olho tornando-se côncavo. Uma pirueta de um decepado.
Fujam de mim, ou caiam!!! - eu rujo, rosno, uivo. Acima de mim, o raio alongando-se, tentando tocar a fortaleza às minhas costas. Inalcançável. Bestificado, minha mente repetia 'não pode... fulminá-los... não podemos deixar...' Então o feixe falhou, piscou, irregular, vencido. Pensei em ti. Só você faria aquilo.
Não te vi cair. Nem cogitei isso... Tenho aceito bem demais a tua invencibilidade. O garoto me acudiu quando tudo tornou-se restos. Nos pequenos gestos e olhares, ele é teu filho. Evoca-te. Me confunde. Vale-se disso para pedir-me: 'procura-o'. As lágrimas todas imploravam - desnecessário: eu iria. Sabe que sim. Aos gemidos fabulou a sorte que te coubera - a tua morte, que eu ignorava. Corri. Sobre mortos e aleijados, vencendo o espaço e o tempo como se pudesse rebobinar tudo e evitar o que te feriu. Atolei na areia macia demais, clara demais. Sal nas minhas narinas. Dor nos meus pulmões. Pensamentos ocos.
O imenso mar e algo muito sutil de ti. Deixei-o ali e segui louco para dentro do escuro silencioso. Penetrei o fio do frio daquelas águas. Por ti. Cada pequena faísca de nossos poucos dias, bailando e descendo ao meu redor. Cada momento brilhando naquela escuridão, partículas em minha mente enquanto forçava meu caminho. Douradas, como teus cabelos. Impactantes, como tuas palavras cruas. Capazes de me dar perseverança, como tua pregação... Relembrei até as coisas tolas, os risos que roubaste, o esdrúxulo do teu drible contra as crianças... O motor de sua moto sob nosso peso - voávamos sobre a rua, sobre a vida. E lá no fundo, emoldurado por todo meu delírio desesperado, te enxerguei.
Tu não ousarias morrer! Eu não aceitaria. Tua carne e tua essência aos pedaços, contra meu peito. Tubos de proteínas, os olhos deles me encarando... Não, com você eu não permitiria. Enquanto o Sol declinava, teu corpo gelado e incompleto repousou, devorado pelas esperanças teimosas do fedelho e deste assassino. Então, aquele que tu venera veio em teu socorro. Invejei-o. Registrei a corrente fluir, viscosa e etérea, para dentro da tua carcaça. Só ele poderia. Eu, reduzido a mera testemunha. Meu medo como uma flecha numa corda tensionada. Segurando, ainda não, ainda não... Lembro de fechar o olho e pedir por ti. Rasuras sépia flutuando sobre pensamentos que tentam seguir adiante.
Naquele ninho sob o olho do Sol que tanto amas, o milagre da tua volta...
Preciso de ti: este é um ponto fraco, que não deveria ter. Me atrapalho. Dou vexame frente aos teus olhos frios. Me revolta. E a emoção brota mais forte que todo o senso, mais alta que minha voz. Te sinto, e só assim confirmo que está aqui. Pele a pele.
Nós lutamos entre sorrisos... Disputamos quem deve proteger. Quem deve ser protegido. Está tudo bem. Entende? Que se rompam em nós estes casulos inoxidáveis onde nos trancamos. Estanques. Intocáveis. Somos soldados. Somos consumíveis pela lei da Espada. Hey, antes que isso nos apague, posso te convidar para apreciar a vista? Posso te contar o que ando aprendendo? Ou talvez, o que ando sentindo? Será que não vê nos olhos deles o quanto te querem perto?
Aqui em meu peito há uma perda se formando, maior que todas as que já tive. Olho prá ti, tu te vais. De novo, à frente, sei que estarás nos guardiando. Não faz sentido, eu sei, ter laços. Mas coisas inusitadas e sem lógica certa é que destrancaram a vida, para mim, há tão pouco tempo...
Olho o lençol desocupado e os meus braços nus. Uma flor que morrerá no mesmo dia que nasceu não deveria abrir-se no seu melhor perfume?...
domingo, 2 de março de 2008
Tangerine swings and lilac bullet strings - my fault my sin
Sobre o motor ronronante, descansei meu peito. Tu me perdoavas. Fui inconseqüente. Teu olhar azul me absolve. Teu braço me segura aqui. A promessa que te fiz me segura aqui. Não posso cair. Mais que orgulho, dever. Mais que dever, missão. Mais que missão, meu destino. E o deles.
Falhei com todos. Precisava... Sabia que podiam estar vigiando aquele ponto. Fui mesmo assim. Minhas vísceras convulsionavam, minha mente tremulava como uma chama no vento. Desculpe. Era tão forte. Tão irresistível, a viagem será longa... eu não podia ficar sem...
Matei dois deles... Eu tava alto. O beco era silêncio e balas de metralhadora. Aquela garota. Paletós negros. Caminhava em nuvens roxas. Os sons se imprimiam em minha retina como curvas de néon ritmadas em lilás, violeta e branco. Não era comigo. Eles se moviam em câmera lenta. Eu tava mesmo alto...
Mas tudo passou. Eu pensei na sorte. Busquei ele, como combinamos. Esperei com paciência. Ombro a ombro com os fedelhos. Solda. Testa. Sobe carga. Enche mochila. Busca boneca. Miguel em meus ombros... Foi... diferente de tudo que já senti... Está tudo tão quebrado por dentro...
Eu os pus em perigo.
Uma emboscada. Vários carros. Mais ternos pretos. Pneus derrapando. O Santo, olhando pela janela, aflito. Gritos deles. "Há coisas que um homem deve fazer..." No espelho, os filhos-da-puta tomando o jipe. Hesitei. Minha culpa. Os corpos magriços de repente, voando... Captei o peso, a trajetória, senti em mim o impacto no asfalto corroendo-os. Estrondo de pólvora seca.
Apliquei a droga. Listras, flores iridiscentes. Pensei em ti. Neles. Sem gravidade, girei no ar como uma folha, raspei entre as duas latarias, descarreguei fogo, como enxurradas de palavras de hip-hop, inundando o colo deles. Entre meus dedos a carne de meu chicote sibila e arranca uma cabeça numa espiral verde pétalas vermelhas. Toco o macio da estrada.
"Continuem fugindo!" Implorava, implorava, ninguém ia me ouvir. Corria no sentido contrário. Voltava por cima de meu pecado. O cheiro das crianças no ar. A dor delas. Carreiras de balas. Trajetórias desenhadas de sons de disparos. Meu corpo arqueando como um bambu. Os alvos primeiro, o resgate depois, e aquilo doía, ardia. Dois, três, cinco. Membros, vísceras. Carne viva sob minhas garras. Manchas em SALAMANDER. Tropas de reforço.
As crianças. As crianças! Meu sangue, como lava. Vermelho no alvo. Vermelho no alvo. Silenciado. Uma espada ressoante. Ah! "Me desculpem..." A dor muito forte. 'Güento. Quantas vezes ele pode me fatiar antes que abra a guarda? Cuspo meu sangue na cara dele, arranco-lhe costelas. Fraqueza. Números infinitos.
Junto-as como fardos moles. Mais estão chegando. Zunidos. Pipocares. Minha pele abre aqui ou ali. Technoprene ainda desalinhada. Impactos me jogam a frente. Corro. Giro a chave. Eles vêm por cima. Mostro o poder do meu cano pra eles. Gavinhas reverberantes em azul celeste. Point-blanc. Point-blanc.
Alinho o ciclo com o ônibus pesado, meu olho está no duelo do caminhão com o jipe. Chamo as crias. Elas tão com medo. Grito, elas vêm, elas levam, eu dirijo e passo e suo e me esforço para não morder a língua.
O Padre tava numa fria. Salvas de tiros. Salvas contra eles. Os pequenos iam junto. Não! Quase chegando em ti, só mais um pouco. Não teriam tempo! Joguei o ciclo contra as rodas. Os paletós negros contra mim, melhor. O gosto do meu sangue esquentava minha boca. Subi. Golpes. Esquivas. Tua essência é forte, meu objetivo maior.
Não tirariam ninguém de nós. Tu os apartou com o corpo. O meu está em retalhos, eu me esforço, parceiro. Tudo escurecia ao meu redor, exceto a silhueta deles e o som do teu combate perto. "É preciso... Protegê-los". Meu frenezi é por suas pobres almas. Vão! Vão!
Agora, aqui, nessa cama, costurado pelas tuas mãos, sei que consegui. Escuto tua voz seca. Teus espinhos são meu prazer. Agradeço estar vivo escutando teus planos. Caio, mas me ergo quantas vezes for até derrubá-los contigo. Pequenas faíscas multicores nevam em meus nervos... Enfim, me rendo a tua ordem... veludo negro... folhas ao vento... o sorriso delas... obrigado.
Falhei com todos. Precisava... Sabia que podiam estar vigiando aquele ponto. Fui mesmo assim. Minhas vísceras convulsionavam, minha mente tremulava como uma chama no vento. Desculpe. Era tão forte. Tão irresistível, a viagem será longa... eu não podia ficar sem...
Matei dois deles... Eu tava alto. O beco era silêncio e balas de metralhadora. Aquela garota. Paletós negros. Caminhava em nuvens roxas. Os sons se imprimiam em minha retina como curvas de néon ritmadas em lilás, violeta e branco. Não era comigo. Eles se moviam em câmera lenta. Eu tava mesmo alto...
Mas tudo passou. Eu pensei na sorte. Busquei ele, como combinamos. Esperei com paciência. Ombro a ombro com os fedelhos. Solda. Testa. Sobe carga. Enche mochila. Busca boneca. Miguel em meus ombros... Foi... diferente de tudo que já senti... Está tudo tão quebrado por dentro...
Eu os pus em perigo.
Uma emboscada. Vários carros. Mais ternos pretos. Pneus derrapando. O Santo, olhando pela janela, aflito. Gritos deles. "Há coisas que um homem deve fazer..." No espelho, os filhos-da-puta tomando o jipe. Hesitei. Minha culpa. Os corpos magriços de repente, voando... Captei o peso, a trajetória, senti em mim o impacto no asfalto corroendo-os. Estrondo de pólvora seca.
Apliquei a droga. Listras, flores iridiscentes. Pensei em ti. Neles. Sem gravidade, girei no ar como uma folha, raspei entre as duas latarias, descarreguei fogo, como enxurradas de palavras de hip-hop, inundando o colo deles. Entre meus dedos a carne de meu chicote sibila e arranca uma cabeça numa espiral verde pétalas vermelhas. Toco o macio da estrada.
"Continuem fugindo!" Implorava, implorava, ninguém ia me ouvir. Corria no sentido contrário. Voltava por cima de meu pecado. O cheiro das crianças no ar. A dor delas. Carreiras de balas. Trajetórias desenhadas de sons de disparos. Meu corpo arqueando como um bambu. Os alvos primeiro, o resgate depois, e aquilo doía, ardia. Dois, três, cinco. Membros, vísceras. Carne viva sob minhas garras. Manchas em SALAMANDER. Tropas de reforço.
As crianças. As crianças! Meu sangue, como lava. Vermelho no alvo. Vermelho no alvo. Silenciado. Uma espada ressoante. Ah! "Me desculpem..." A dor muito forte. 'Güento. Quantas vezes ele pode me fatiar antes que abra a guarda? Cuspo meu sangue na cara dele, arranco-lhe costelas. Fraqueza. Números infinitos.
Junto-as como fardos moles. Mais estão chegando. Zunidos. Pipocares. Minha pele abre aqui ou ali. Technoprene ainda desalinhada. Impactos me jogam a frente. Corro. Giro a chave. Eles vêm por cima. Mostro o poder do meu cano pra eles. Gavinhas reverberantes em azul celeste. Point-blanc. Point-blanc.
Alinho o ciclo com o ônibus pesado, meu olho está no duelo do caminhão com o jipe. Chamo as crias. Elas tão com medo. Grito, elas vêm, elas levam, eu dirijo e passo e suo e me esforço para não morder a língua.
O Padre tava numa fria. Salvas de tiros. Salvas contra eles. Os pequenos iam junto. Não! Quase chegando em ti, só mais um pouco. Não teriam tempo! Joguei o ciclo contra as rodas. Os paletós negros contra mim, melhor. O gosto do meu sangue esquentava minha boca. Subi. Golpes. Esquivas. Tua essência é forte, meu objetivo maior.
Não tirariam ninguém de nós. Tu os apartou com o corpo. O meu está em retalhos, eu me esforço, parceiro. Tudo escurecia ao meu redor, exceto a silhueta deles e o som do teu combate perto. "É preciso... Protegê-los". Meu frenezi é por suas pobres almas. Vão! Vão!
Agora, aqui, nessa cama, costurado pelas tuas mãos, sei que consegui. Escuto tua voz seca. Teus espinhos são meu prazer. Agradeço estar vivo escutando teus planos. Caio, mas me ergo quantas vezes for até derrubá-los contigo. Pequenas faíscas multicores nevam em meus nervos... Enfim, me rendo a tua ordem... veludo negro... folhas ao vento... o sorriso delas... obrigado.
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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Fever breaths deeply on chocolate seas
Me torturo. Recordo, outra vez. Era teu corpo grudado no meu. Contra meu peito desprotegido, teus calafrios sob a coberta macia demais. Você, um cadáver respirando. Eu era o combustível que devia manter a tênua chama da tua vida acesa. Por que me importo?... Porque... você... você não pode morrer.
Meus braços se negavam a relaxar, a desabar contra ti e arrastá-lo ainda mais perto... Como eu me perdoaria por juntar-te contra mim sabendo que aquela fome ia consumir-me pelas entranhas, selvagem e veludosa, até arrancar-me tudo? Não... eu não podia abraçá-lo.
E se me obrigasse a falar?... Eu teria voz? Me socorreriam palavras com algum sentido? Correndo contra mim e para ti, eu estive duplamente fora do meu lugar. Estava quase à mercê, mas acuado demais para baixar as minhas defesas - eu o faria em pedaços. Não... nós jamais poderíamos ter ido mais longe.
Coisas espalhadas erraticamente. Todas... em todas... teu cheiro... e de novo... Em todas... todas... aquele testemunho de quem você é... Aquele lugar é você... Você está em tudo ali... Faixas de gaze... Roupas toscas... Sapatos sujos... Cama desarrumada... Pratos mal-lavados... Sei o que comeu... Como dormiu... Tuas feridas... Você me sufoca até que o deixo entrar, cada inspiração, um pedaço seu vêm a minha consciência... Eu te monto feito um quebra-cabeças interminável... Cada peça... um sentimento de advertência... o horror de talvez não conseguir abandoná-lo...
E se você...? Não... isso nunca.
Meus braços se negavam a relaxar, a desabar contra ti e arrastá-lo ainda mais perto... Como eu me perdoaria por juntar-te contra mim sabendo que aquela fome ia consumir-me pelas entranhas, selvagem e veludosa, até arrancar-me tudo? Não... eu não podia abraçá-lo.
E se me obrigasse a falar?... Eu teria voz? Me socorreriam palavras com algum sentido? Correndo contra mim e para ti, eu estive duplamente fora do meu lugar. Estava quase à mercê, mas acuado demais para baixar as minhas defesas - eu o faria em pedaços. Não... nós jamais poderíamos ter ido mais longe.
Coisas espalhadas erraticamente. Todas... em todas... teu cheiro... e de novo... Em todas... todas... aquele testemunho de quem você é... Aquele lugar é você... Você está em tudo ali... Faixas de gaze... Roupas toscas... Sapatos sujos... Cama desarrumada... Pratos mal-lavados... Sei o que comeu... Como dormiu... Tuas feridas... Você me sufoca até que o deixo entrar, cada inspiração, um pedaço seu vêm a minha consciência... Eu te monto feito um quebra-cabeças interminável... Cada peça... um sentimento de advertência... o horror de talvez não conseguir abandoná-lo...
E se você...? Não... isso nunca.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
Strawberries beyond red sensations
Um dia suspeitei de ti. Não... sei que ainda suspeito. Por baixo de toda a minha procura pelas tuas palavras está uma velada, mas inconfundível sensação de perigo. Uma ossada branca no fundo do lodo. Um alerta: - tu irás me trair, em algum momento...
Eu estive só. E estou estranho. (Certa vez descobri que fantasmas são espíritos presos entre dois mundos que não lhes pertencem - o dos vivos e o das almas, ambos proibidos a eles...) - Me sinto assim... Nem CANNIBAL, nem gente como eles, com os quais durmo no chão da Igreja à seis meses...
Tenho algo que se remexe dentro de mim. Como um parasita enorme, enrola-se em meu peito. Distrai-me. Desregula meus humores. Me sufoca às raias da loucura quando tento dormir pela manhã...
Como explicar o que me aflige? Como te demonstrar o que me tortura a ponto de abrir a guarda para, abaixo de ti, - eu! justo eu! - suplicar não sei quê que me pudesse curar?! Qualquer invenção que me socorresse, que me fizesse sentir-me novamente eu. Que pelo menos me desse paz. Dirias: - "Sim, também foi assim comigo, mas agora..." ... Tu não o disseste.
Ao invés, deu-me um esbarrão e lançou-me em outro caminho. "Torne-se o que escolher ser." Certo, faço isso seguindo tua instrução. Tua, tu, o único que, sendo diferente, no entanto, tem algo de igual a mim. Mesmo assim decepciono-me, decepciono-te. Falta-me o crucial: saber o que quero.
Tu oscilas como um pêndulo num relógio louco. Hora um, hora outro. Sem ritmo a medir, nem aviso - e jamais saberei se fui eu ou outro fator, a causa desses contrastes... A calda de licor sobre a torta de morangos: o que tu rias e eu sentia em silêncio, não eram o mesmo? E tal não era a misteriosa felicidade?! ... Não?... Tudo se desorganizara, soprou-se para o passado aquela vista de dentes perolados. Sobrou o olhar frio e mortiço de quem vaga sobre a própria cova aberta.
Tenho vontades... Saber se aquela calda te dava prazer como a mim e pedir mais. E aquele som mágico de tua boca, e aquele balançar de ombros e a vermelhidão, tudo, que tudo se repetisse e tu me respondesse, dessa vez: - "Acertou!"
Eu estive só. E estou estranho. (Certa vez descobri que fantasmas são espíritos presos entre dois mundos que não lhes pertencem - o dos vivos e o das almas, ambos proibidos a eles...) - Me sinto assim... Nem CANNIBAL, nem gente como eles, com os quais durmo no chão da Igreja à seis meses...
Tenho algo que se remexe dentro de mim. Como um parasita enorme, enrola-se em meu peito. Distrai-me. Desregula meus humores. Me sufoca às raias da loucura quando tento dormir pela manhã...
Como explicar o que me aflige? Como te demonstrar o que me tortura a ponto de abrir a guarda para, abaixo de ti, - eu! justo eu! - suplicar não sei quê que me pudesse curar?! Qualquer invenção que me socorresse, que me fizesse sentir-me novamente eu. Que pelo menos me desse paz. Dirias: - "Sim, também foi assim comigo, mas agora..." ... Tu não o disseste.
Ao invés, deu-me um esbarrão e lançou-me em outro caminho. "Torne-se o que escolher ser." Certo, faço isso seguindo tua instrução. Tua, tu, o único que, sendo diferente, no entanto, tem algo de igual a mim. Mesmo assim decepciono-me, decepciono-te. Falta-me o crucial: saber o que quero.
Tu oscilas como um pêndulo num relógio louco. Hora um, hora outro. Sem ritmo a medir, nem aviso - e jamais saberei se fui eu ou outro fator, a causa desses contrastes... A calda de licor sobre a torta de morangos: o que tu rias e eu sentia em silêncio, não eram o mesmo? E tal não era a misteriosa felicidade?! ... Não?... Tudo se desorganizara, soprou-se para o passado aquela vista de dentes perolados. Sobrou o olhar frio e mortiço de quem vaga sobre a própria cova aberta.
Tenho vontades... Saber se aquela calda te dava prazer como a mim e pedir mais. E aquele som mágico de tua boca, e aquele balançar de ombros e a vermelhidão, tudo, que tudo se repetisse e tu me respondesse, dessa vez: - "Acertou!"
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