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sábado, 18 de abril de 2009

A doze of shards on a yard of roses


Come and rescue me from in the water deep

Careful now! - don’t lose your aim:
the road ahead is clear
- again I haven't found it yet...
(...)
If everybody knows just who you are
When your walk on role becomes a major part
Have you ever attempted to be yourself?
When everybody wants you to be someone else...
(...)
You probably see the things you tried to free
Bigger than you but less than me
Have you ever attempted to be yourself?
When everybody wants you to be someone else
Up and down and back again
Going up and down and back again...

[Up & Down & Back Again, by Powderfinger]


Você me deixou, uma vez mais, tão rápido que mal pude sentir o teu calor, ou o cheiro saturado da tua pele nas roupas surradas... Tuas palavras escorregam entre nós, se esgarçam e rompem em mil pedaços que flutuam e dançam em minha mente, sem significado que possa extrair... Me desamparam... Mas eu insisto em permanecer de pé, insisto em estar com todos meus músculos a postos para lutar por eles - por ti... por ela... por Uriel... Isso é ignorância minha?

... As pessoas nos olhavam como me olhavam antes...

Meu garoto quase morto respira e aspiro dele um ar irretratável de otimismo... Ele brilha...

Observo a minha vida com uma curiosidade doentia, enquanto seus rumos me parecem misteriosos, intrincados e sarcásticos... As vezes me escuto falar, ou me vejo fazer coisas, para somente depois me dar conta que o sujeito ali... era eu...

Quando foi que perdi a objetividade tão crua e fácil das minhas decisões, quando deixei de me sentir onipotente em relação ao meu destino, e ao destino daqueles que me cercavam?... Eu sei a resposta, não é mesmo? Talvez a pergunta é que seja outra...

Pela janela eu leio um Mundo tornado estranho em tantos matizes novos. Complexo em tantas implicações morais, políticas... ou simplesmente... em tantos desentendimentos... o peso marcante das perdas que jamais havia conhecido... Esperei ver algo que me levasse a outra surpresa, que me arremessasse, talvez, no conhecido jogo de lâminas, como há poucas horas, quando enterrei
Fenris Fang no coração do Guardião...

Quando eles estão em perigo... Sei que devo protegê-los... Mas quando o perigo não são projéteis, ou raios, ou espadas?... O que faço?... Eu... estaco... sem fórmulas e estratégias... e tudo foge... palavras... nexos... possibilidades... Olham para mim e sabem que sou um vaso vazio... Um cão que só conhece um único comando...

O Mundo todo espera para ser salvo, Drako merece ser salvo, meu filho merece ser salvo, e Kuroi foi colocado nesta lista também - mas, O Cetra e o Lobo me fazem crer naquilo que eu mais temi: não será pelas minhas armas que isso será possível...

Que papel terei então?... Serei o espectador... talvez, um animalzinho de luxo, levado ao passeio... os olhos tontos testemunhando sem compreender ao certo o que os donos fazem...

Eu penso de novo e de novo: - que dom preciso ter para ser útil? Como adquiri-lo? Será que me cabe tentar? Será que posso ter essa arrogância?

Meus passos se calam no asfalto enquanto volto para um lar que não é meu, para uma mulher que não é minha, mas me espera... Onde estão todos aqueles parecidos comigo?... O que fazem?... O que são agora que todas as guerras são contra o Fim do Mundo?...

Talvez eu jamais devesse me perguntar todas essas coisas... Talvez a dúvida seja mesmo, como diziam no Treino, o cheiro do fraco, o point-blanc em nosso peito que atrai a queda e a derrota... Mas foi através dela que eu rompi com a Shinra... E que me permiti ouvir o Santo... E depois... ele... E ela...

Gostaria de que aqueles cabelos dourados estivessem a minha espreita... Poderia ajoelhar-me junto ao seu colo... E deixar um silêncio me invadir... E ela, ela me daria redenção... Quem sabe pudesse me explicar... Quem sabe pudesse pôr para dormir essa coisa fria e férrea que tem se inosado aqui por dentro, e espremido meus pulmões, e roubado o fôlego de tudo o que jamais quis dizer...

Sonhos... A realidade não me foi dada assim... E quando luto contra ela... É somente para receber de volta a humilhação de que não é mais meu direito impor vontades...

Quando abro a porta e avisto curvas e a maciez de frases femininas, não encontro ela. É outra que está ao meu alcance. É outra que não é para mim. Escuto-a com sede, e bebo em goles pequenos, por medo de avançar ao jarro... Sou embalado pelo som ritmado e fogoso do sangue em suas artérias, quando me enlaça... Perfume de pimenta... Todas suas belas utopias me acariciam - mas eu luto contra a sedução de sua esperança, em verdes de talos partidos de capim e erva-doce... É fácil deixar-me capturar em seu jogo... Seria ainda mais fácil tentar tomá-la para mim, como se fazendo isso eu corrigisse todo o desvio da minha vida. Como se a felicidade fôsse algo tangível, morno e capturável... Como se presenças fossem juras eternas... E gestos fossem garantias... Beijos fossem futuros já brilhantes... Abraços fossem o tal amor, incorruptível, insubstituível e tão forte quanto a Criação...

Interponho eles no caminho entre nós... Já muitos em meu peito e poucos ao meu redor para que aceite abrir esta porta, outra vez... Teus cabelos de fogo atraem esse olhar tolhido - tu também tens a ele, nem que eu me permitisse... Tua resolução me cala tantas perguntas... É tão grande a tua certeza e tão simples teu plano que escondo o tanto de negro no mais profundo dos meus alçapões... Não... você também tem a qualidade de limpidez a qual não ouso turvar - nunca te darei a me ouvir...

E enquanto penso no que me propões... Divago sobre quem gostaria de me tornar... Descubro que, subterraneamente, continuo rezando por uma brecha, e então, usando uma finta e o pulso capaz - que jamais erra - finalmente apunhalaria essa maldita sina, esse tropeço na História... E poderia servir o Mundo numa bandeja para eles...

Meu olho arde e o fecho. Deus... me salve do que sou... me ajude a ser mais... como um homem... mas a desejar... menos... como um cão...

domingo, 8 de março de 2009

Homeless and less of none



Por favor, disperse um pouco minha mente...

Com palavras inventadas, cânticos que me soam como encantamentos... simplesmente... rapte meus pensamentos pelo tempo que for possível... preciso que eles párem... um só instante... que me deixem livre... quero respirar... quero centrar-me nos objetivos com clareza...

Enterramos aquele que brotou do Mundo e quase atingia os céus... Pirilampos de verde pulsante soprados de sua carcaça evanescente... Veredas que tomamos... Uma brecha... Eu o aniquilei... Esses músculos superaram sua força simplesmente para que deixasses de existir...

Para que os deixasse em Paz...

Não os magoasse mais...

Porque meu peito arfa quando tudo parece perder a cor e cheiro os sonhos deles apodrecendo... Quando as palavras são capazes de me derrubar mais certeiras que as toneladas do teu metal sombrio, Guardião... Quando meus atos passam longe de serem entendidos e eu recebo cada vez menos quando volto ao lar... O lar... essa coisa... está se esfarelando...

E o rumo parece ser partir...

Só a batalha tem me chamado... Honestamente... Só ela, é pura e clara para mim... E só nela não há nada que eu faça que pareça dúbio...

Todo dia tento convencer-me do contrário...

Todo o dia alguém me joga de volta o quanto de nada eu valho entre eles, sem ser essa arma...

Então... Tudo isso são ilusões para uma montagem de DNA e carne?...

Ouvi questões... Mutilar o Planeta e salvá-lo... andamos para isso?...

E se tudo que penso proteger, eu esteja também, matando?...

Nesse momento, antes de tocar na porta... Eu páro. Reflito.

Queria salvá-los... Queria construir algo - me salvar também...

Sinto nas dobras dos meus artelhos, o escarlate de todos os sangues, o negro e o metálico de tantas armas. Um rastro suave, quase esquecido, de textura de fios macios em dois tons de dourado... Uma sensação tão delicada da maciez da pele quente em contraste com o peso de ossos quebrando e carne segurando-se contra lâminas...

Deixo na terra as garras em punhais de mim, estirpadas em vermelho... Olho dedos em branco sujo - e o que penso?... Penso que não há como cortar meu passado... Não há como tornar-me um deles... E o que sou, seria suficiente? Ou ainda sou tão perigoso quanto antes?

Essa mente afiada, criada entre monstros, como eu, para intimidar, desmotivar e enganar, pode gerar as palavras que essas pessoas precisam?... Estive tanto tempo mais entre os cadáveres que plantei...

Olho a maçaneta e hesito...

Imagens de um titã que levantou-se pelos pecados dessa gente, inocente... o messias do Planeta... varrido pelos que se disseram... salvadores do Mundo...

Meus lábios tremem e não tenho palavras... Então, num sussurro... escapa...

... "não quero errar..."

... Voltei para encontrar meu lar
e pelo meu lar erguer essa mão
mas nunca mais cheguei àquele espaço
e outras portas que pensei levarem a ele
eram labirintos... e me perdi
escutei suas vozes e quis gritar:
- dessa vez, alguém me ache!
e dos corredores e ruas
palavras como placas contraditórias
me fazem girar e girar no mesmo relento
- eu voltei... hey, eu voltei!
mas o endereço
onde pertenço
que houve que já não mais encontro?


Now playing: 12 Stones - Home
via FoxyTunes

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Same and so... You must love but I should no...



Vejo míriades de peças... se encaixando. - um cenário que se desvela. O quebra-cabeças acaba... - As vezes, quero chutá-lo. Quero reembaralhar tudo, só as vezes. Mas... qual o significado do que vejo acontecer? Cifras, charadas... Abstrato que me hipnotiza, e não se anuncia. Com um aparência de calmaria. E em mim, deixa um gosto de tempestade no céu da boca...

Que lugar eu tenho nesse desenho? Que função? Eu sabia, há menos de dois anos atrás... No entanto... me afastei tanto... de tudo... Linhas tortas. Ligeiras. Instrumento - eu era. Sim... fui da Shinra... E estou sendo desta revolução, deste recomeço... Acreditei ser mais - penso se deveria... é correto e justo eu ser outra coisa?...

Cruzo ao lado de portas abertas - no escuro luzes de lares pendem... As invejo, como jóias na noite. Arma, eu sou - assim tento silenciar minha ânsia... Arma... para matar quem for preciso, para defender tantos quanto puder...

E... e quando chegar a hora?... aquela... maldita... hora definitiva?... O que faço?... ou farei?... Quem sigo?... Coração? Mente? Essa... programação... que me trai... e me salva?... Por que Fenris'úlfr?... é porque vou destruir este Mundo por ir contra sua vontade, contra o lógico e poupá-lo?... ou por permitir que morra em seu último sacrifício por este Mundo?... Como eu poderia?... Quem vai me segurar?... Quem vai estar lá quando eu perdê-lo ou perder-me?...

Volto. Instinto puro. Me recolho para meu território... Entro sem alarde - eles dormem. Coleciono pistas - cheiros - recordações para meus olhos ausentes, para ouvidos afastados de sua festa, desses sorrisos, e palavras... Por meu próprio desejo... Devo me abster de iludir a eles e a mim: sou o que sempre fui...

Subo e sinto a absoluta certeza de estar sozinho. As máscaras caem... Sou só esse pedaço de carne - um monstro planejado a se parecer com eles, com o crânio cheio demais de perguntas e idéias... Devia ser mais simples: sem raízes. Escrevo. Repasso minhas mudanças... Quase não aceito tudo que fiz, o quanto me distanciei da minha origem...

E hoje, o que fiz - percebo e dói: egoísta. Ele estava feliz com Troy... Ela estava feliz entre eles... com o Santo... Tantos paralelos... Sons harmônicos... Então é assim?... que deveria ser?... Então por que... essa arma... Estrelas ainda, em algum lugar?... Onde?...

Quero me esconder. Me guardem... numa bainha hermética... para acordar com o clamor da batalha. Não me deixem esquecer quem sou, não me dêem sonhos que são perigosos... Olhe só - hmpf! - não perco o fio, nunca... Outra vez, essas garras... Insistentes. Brotam. Flores de morte dos meus ossos. - Hey, podemos estraçalhá-los - elas confessam. E continuam crescendo... Sempre... Como se assegurassem: por mais que eu lute contra, sempre irei feri-los... ainda serei quem fui... Está em mim... Não há cura... ou opção... Não há, meu amado... por mais que você brilhe e me garanta... Para você, também não - eu aprendi isso...

Ficará tudo bem... Não me permitirei machucá-los... Cunhas vermelhas... Pétalas de sangue no chão. E depois, rosas surgindo nas gazes... Cor de morango... ... ... Morangos - lembra?... Minha boca saliva da tua... tenho sede das tuas palavras ingênuas e grandiosas... Troco-as por cigarros... Espere, me deixe, só um pouco... ... ... Deixe-me só calar, um instante... ser morto, como um dia seremos...

Viver é voltar ao passado... "Você é igual a ele" - ela me avejou... Agora entendo... Então é isso?... o motivo dele?... o sentimento dele? - como machuca, Drako, você jamais deveria ter feito isso a si mesmo... Mas eu... eu, há nem tanto tempo atrás assim queria que ele esquecesse essas razões... e estivesse conosco... de verdade... Eu, mesmo... lhe pedia, sem palavras... Então implorei, tsc... Estupidez: nem toda aquela patética cena pôde...

Tanto faz que doesse no fim... tanto faz... Eu quis tanto... ... ... E fiz o mesmo... te virei as costas, não, Amber?... Mas tu... tens esse Mundo para ti... tu fazes parte... tanto para ti... e tu miraste em mim... Tu fizeste a mesma escolha ingrata - está apostando naquele que não vai voltar... "Igual a ele"... Quem pode garantir que acertamos?... ou erramos?...

Baixo a cabeça e penso... penso... parece que vou rachá-la em dois... "Igual a ele"... Queria vê-lo entregando-se à felicidade antes de partir para o confronto... Não temos certeza de quando não os veremos mais...

Deveria ser uma arma... E ele não pode pensar assim dele mesmo...

Eu e ele... somos assim tão parecidos?... Ele me deu tantas lições... Quero dizer-lhe: - hey, se dê uma chance! Não há depois!...

Mas o que fiz?... Incoerente... Tudo tão... ... ... O que quero para ele deve ser o que faço do meu caminho?... Essa é a chave?... Você, Todo, você, será que falaria comigo?

Vou desligar...
Talvez, no escuro... escutando a oração que farei...
e nada mais...
essa arma que tenta ser um herói possa sonhar e encontrar a solução
para o herói que tenta ser só uma arma...



quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Choices over crosses thru my heart


Não tinha um nome...

- Mas o recebi de quem mais respeito...
Não tinha pais ou família...
- Meus amigos me emprestaram as suas...
Não tinha uma vida...
- Encontrei-a desafiando a morte por vocês...
Não tenho sonhos para o meu futuro...
- Luto pelo futuro e pelos sonhos de todos...
Não tenho uma casa que seja minha...
- Fiz do Mundo um pedaço de mim, e dos que amo, o meu lar...



Mais forte que tudo. Capaz de gritar meu nome e os seus tão alto que Midgard inteira ouvisse. Capaz de arriscar... Em mim algo, um Sol, quente e ofuscante - a felicidade, ela disse... Cego para toda a dor... E ainda assim, vendo... Sim, mesmo vendo... dúbio, irresponsável, interpondo arabescos de razões e sorrisos para me esquivar - ele, como uma flor sem água, murchando... Escolhas das quais me escondi - como pude achar que resolveria?...

O céu. Aberto demais. O Éden inteiro abrindo-se em vento, luz, batidas de meu coração e do d
ela. Linhas silvando na aceleração. Veloz. Impetuoso. Saudades - reais ou não?... Frívolo... Teus braços - cordas de seda, cheiro de lençóis e idéias de te ter ao meu lado... Chegue mais perto, me invada. Correndo, como um tolo ao precipício. Excitação, vontade de uivar, uivar... Egoísta. Soprando meu dente de leão, apertando minha rosa entre os nós destes dedos...

... quebrados... em pedaços... A dor deles... é insuficiente... tão menor... a fiz chorar... Até mesmo meu orgulho esmagado contra tuas costas,
meu amigo, não me despedaça tanto... Aquelas lágrimas... Pulso dissoante do teu ser, indomável, bravio.

Fio de espada, folha de lança, invisível, pronta. Me parte e me rasga - sou dois ou um? Não sei mais. Ela disse: amor... por ele... É verdade?... Ela disse: Te odeio... Sim, por favor...

Tremo, enroscado neste cobertor. O pano feio cheira a Miguel... Sinto falta, só um pouco, de seu abraço minúsculo... Posso fechar o olho... mas não dormir. Tuas palavras, teus gestos, ainda me trincando. Estilhaços de mim circulando no ar que respiro. Sujo! Sujo demais para descansar... O Santo olha do pedestal. Tremo - o pior inverno vem de dentro. Ou o mais cruel Inferno vive dentro. E eu... fui o demônio que te traiu. O demônio que te atraiu com mentiras e promessas vazias...

Continuo... Miserável! Meus lábios ainda chamam os teus... Teu perfume morre lento... Teus toques... cada vez mais leves, esmaescendo sobre minha pele. Frio. Silêncio...
Que me acorrentem longe de todos que eu teime querer... Que me selem a boca, castrem, apaguem de mim qualquer chama, maldita - ninguém sou para roubar amor de outros!

Não te pedi que ficasses.
Que posso ter que tu precises?... Tens razão - nada. Quanta injustiça te exigir dividir o nada que sou com o tudo que ele é... Fui tão estúpido. Vermelho nos olhos dela, quando se foi, e todas as cores, todas, fugindo com ela... Só o cinza... Só o negro... Sim, amigo: não abro mão do que quero... Mas, não a quero mais - não a quero machucar mais...

Não posso abandoná-
lo mais...

A ti, parceiro... Mendiguei que me juntasses... Atirei contra ti com tantas palavras... Roubei tua liberdade de se recusar a mim... Agora sei... Me perdoe... Tão... perdido... já não sei mais... não me reconheço... Devoro a quem me acarinha...

Me perdoa... Me perdoem...

Um fogo atroz me consome. Minha mente, insone - corvos, corvos... Penso em ti, ainda e ainda. Bandagens e cacos, arame farpado e teus olhos. Tua rebelião. Não te afaste tanto, por favor. Dor e sangue e tanto passado que corre... Não faça assim... Deixe que te salve... Deixe que te mantenha... cor e perfume, som e textura, como algo perfeito demais para ser perdida num Mundo que se vai...

Me deixa te dar de mim o que me resta ainda só meu...

... esta carne que veio do aço e do vidro... este sangue que derramou o de tantos... as batidas deste coração que feriu o teu...

[o poema no início deste post foi inspirado em outro poema, sobre samurais]

Blond heaven, bond raven - twirl of strawberry feel


Pensei que tu fecharias todas as portas... Pela minha boca e tantas palavras toscas...

Uma briga - tu o disseste - mas, você, tão perto. Você... não virou as costas...

Minha voz no teu silêncio. E nossos cheiros misturados no trabalho - nosso legado, nossa prece, a esperança que te traz. Nossas bobagens. Imitação de humanos. Sonhos.
Apesar de tua perda, estamos aqui... Não somos o pequenino - não temos como sê-lo. Mas restamos ao teu lado. Em cada um de nós, perceba, há um fragmento brilhante de tua jóia perdida. Forças. Um lar...

Teu Sol, tão escuro e tão claro - lutando. Eu sinto. Minha testa contra a tua - firme, amigo. Meu ombro esbarra no teu - vamos, parceiro. Meu olho tocando o teu - diga-me e eu o farei, você... você...

O Mundo está respirando lento demais. Hey, estamos aqui, não o deixaremos morrer!... Céu e nuvens, tantas pessoas - sem nome para mim, flores em algum lugar - o perfume na brisa com cheiro de ferrugem... Ah, meu grande companheiro - olhe o horizonte: o Sol desce, só para acordar de novo. Hey, este rosto marcado pelas mãos dele - um sorriso agora, que brilhe como rosas sobre a promessa que fiz para ele: te proteger. Sempre.

Quero abrir a tempestade para ti e achar nela as pétalas com todos teus nomes e os nomes daqueles que te amaram tanto, e destes todos a Vitória - hey, me ajuda - nenhuma guerra mais com vermelhos de sangue e fogo. Nenhum pequeno caixão. Mais nenhuma lágrima nas rachaduras dos olhos dos velhos. Nada mais de braços de mães vazios. Ou o vazio no peito dos pais. Do teu...

Hinos ao nosso redor... Assim sonho. Uma rua interminável de mãos dadas. E o céu, tão brilhante quanto teus olhos, meu guia... Tão dourado quanto teu precioso coração... E uma paz ainda maior que esta que tu me oferece e que perpassa: tudo...

Tudo é possível, assim pulsa meu ser a cada segundo, nesses dias.

Dias com gosto de morangos.

E uma imensidão que diz: Salve-nos.

Toco o Céu com meus dedos a cada inspiração... Nós o faremos.



domingo, 23 de novembro de 2008

Bits of light over my soul, I can bear the sight of my son

[New Edda Arch ~ texto 10,
para acompanhar o arco, ler tb:
http://pattybiakko.blogspot.com/]



Ace...

Obrigado pela sua carta. Foi um grande susto... Uma quebra nisto...

Zero tinha me ameaçado dizendo que iria dar-lhe o acesso ao meu diário... Agora, parece-me que foi bom ter-lhe desafiado - pois ele cumpriu.

Li com cuidado cada letra e procurei imaginar teus dias...

Você me deixa orgulhoso... e aflito... Cuide-se, não se vanglorie demais desse poder... Não queira se tornar um joguete nas mãos deles... mantenha-se livre... pense... pense sempre por si mesmo...

Não confie demais em Zero.

Troy... Não o conheci o suficiente, mas... tive uma boa impressão dele... Fico feliz dele estar ao teu lado. Fico mais descansado sabendo isso.

Vá em frente. Continue firme e ajude no que puder.

Hey...

Ter ciúmes de minha lealdade é tolice.

Eu a tenho por vocês também. Será que entende? Ele precisa de nós agora. Ele tem que ser salvo dessa vez... A primeira vez... que ele parece estar precisando de socorro.

Não pense que eu lhe abandonei...

Não foi isso.

Espero revê-los logo...

Também sinto... ... ...

Me perdoe.

Ash, seu pai.

{dois meses antes do prólogo da 2ª fase}

All the things... and the golden strings... in my dreams... just in my dreams...

[New Edda Arch ~ texto 8,
para acompanhar o arco, ler tb:
http://pattybiakko.blogspot.com/]



Tornei-me um andarilho faz tanto tempo...

Parece que foi a minha vida inteira assim... E que todo o resto foi um sonho... Tsc... estou invertendo tudo...

Ontem... Junon... Atolei-me com o povo... Obras por toda a parte... Minhas pernas, pesadas... Continuar a perguntar, sempre as mesmas coisas e ver os rostos, se apagando... Então... Aquela nuvem... E no meio daquele vapor quente e úmido, naquela brancura... Você.

Minha górgona: você. Meu coração: petrificado. O cabelo, dançando curto e dourado como o Sol. A mesma pose, arrogante. Podia não ser você. Meus pés, grudados nas pedras do calçamento, sem conseguir seguir na tua direção. Teu rosto, súbito, me pegando em cheio. A cor de céu perfeito nos teus olhos. Mas teu olhar, distante. A minha boca... engasgada com um milhão de palavras. Mas quando tu te viras, só um grito, o único: teu nome...

E a nuvem te traga. Eu sinto o cheiro dos teus cabelos. Escuto o tilintar de tuas armas. Teu passo, firme. Sem recato, grito mais e mais teu nome, desesperado, e corro, enfim. O bonde quase me colhe. Eu arremeto por suas paredes, de seu teto reto eu te vejo, seguindo... O céu se prolonga, debaixo de mim, branco, suave, te levando de novo.

Pulo, corro. Mais e mais. Onde esteves? Que te aconteceu? Por que está indo embora de novo? Fique! Agonia, meu fôlego, não mais o mesmo. Estou feliz e perdido e corro, tropeço. Repasso enquanto meus passos ecoam, a cena, te ver, repasso muitas e muitas vezes. É como um milagre. Depois de tantos mergulhos no vácuo... a luz do Sol em meu rosto! Como? Você sempre me salva a tempo... E todas as palavras não ditas como um hino em meu peito. Onde você foi?!...

E acordo...

Simplesmente assim...

Acordo, encharcado de suor.

Ainda é noite. Eu cochilei na soleira de uma porta. E ainda há tantas portas para bater... E vielas... tantos rostos desconhecidos... E lá fora a vastidão. O cinza, o cinza, o cinza...

Será outro dia perseguindo o invisível. O intangível.

Meu ódio especial contra os Weapons... Ainda sem achar neles um ponto fraco... Ainda fugindo. Melhorando. Mais forte. Mais resistente. Acumulando sim umas cicatrizes a mais, mas isso não vai me parar.

Estou de pé ainda.

Onde você está?... Não vou voltar sem você. Em algum canto, eu sei, vou topar contigo. Vou te encarar fundo. Então, vou te puxar contra meu peito e sentir que você é sólido e vivo.

Que é de verdade.

Que sempre foi.

Que eu não estou louco em crer...

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Ashes for Ash... [New Edda Arch]

[New Edda Arch ~ texto 4,
para acompanhar o arco, ler tb:
http://pattybiakko.blogspot.com/]


Faz um mês que fomos derrotados... Não escrevi nada sobre isso. Nem vou...

Não posso - não consigo - me detesto em cada detalhe sórdido destas lembranças. Me crucifico e ainda assim é pouco. Pouco demais.

Cheiro de cinzas e metal queimado. Estou sozinho. De novo. Em Corel. Ironicamente a maldita Shinra Corp fez o possível para encontrá-lo, para reorganizar uma cidade deserta. Cidade... - huh! - Inferno!...

Amanhã parto. Vou seguir de povoado em povoado até chegar na sua trilha... Não. Não, você não pode estar aqui embaixo... Não... me nego a crer que você... que você...

... A noite não tem mais estrelas. Nem o calor do teu corpo insone a dois passos do meu. Sem teu silêncio, o rugir das trevas me impacienta. Como você está?...

Não consigo dormir. Rondo, cavo, farejo... Tão... patético... Chamo, como se você me escutasse... Falo contigo... como se pudesse estar só brincando, oculto, me ouvindo... E quando o dourado fosco luta contra o pó do céu, eu quase te sinto ao meu lado... Só um instante... e então... aos poucos, a certeza da tua ausência... a procura... e a exaustão a qual não posso me render... vazia de sonhos...

Perdido... Sem uma meta. Sem hoje. Sem amanhãs. Eu sou o culpado. Em meu lugar - para o meu caixão! - teu filho... Eu deveria tê-lo atraído para longe de vocês... Deveria estar com a maldita Huge!!!

Entende?!

Mas...

E se eu tivesse te contado tudo... teria sido melhor?... Ou simplesmente seria o empurrão que te faltava para que fôsses combatê-lo sozinho? Ah... Me arrependo de não ter tentado matá-lo quando ele esteve ao meu lado. Tive tantas chances, tantas guardas-baixas...

Kuroi!!!...

As vezes sonho com isso... Olhos abertos, tão cansado para me deixar deitar, com tanto a fazer antes de ter paz... Sonho, doce, em acabar com a carcaça trapaceira, daquele desgraçado! De tantas formas diferentes. Ah, a vingança... Vê-lo surpreso em seus últimos instantes, virar as costas, sabendo que a ameaça está extinta... E voltar para casa, - voltar, voltar... - receber teu carinho mudo, a folia de Uriel, o olhar atencioso de Ane... A correria das crianças ao redor de minhas pernas e a solidez do Santo... Uma tarde com Ace, vendo-o montar suas geringonças, escutando-o falar... Cervejas com Troy. Risadas. Aquele sangue... tão bem pago! Minha crueldade tão bem recompensada, diabos!!!

Escrevo isso e noto: não é mais remédio... Não tenho alívio em confessar essas coisas, como antes. Sequer conforto em desabafá-las. Não... Essas palavras apontam da tela para mim e me dizem: - Você mereceu, mas eles não...

Estou só... Carrego este peso e esta dívida para com o Mundo. Para com aqueles que estimo. Tropeço a cada passo no que perdi e no que não posso mudar.

Eu errei.

sábado, 15 de novembro de 2008

Shoulder by shoulder, red & blue, golden & dark as you and I

Drako...


Te traí...

Não como você imaginaria - se eu realmente fui até o fim com este plano e obtive sucesso em roubar a Huge de suas mãos... Pior: menti.

Fiz isso com todas as minhas forças. E foi quase impossível, como eu sinto enquanto escrevo isto, num canto escuro deste bar, vencer-me e ser tão desonesto em frente aos teus olhos... Fingir para ti. Dói.

Mas se você está lendo isto, é sinal que terminarei este ato. Que deixei com Ace a senha para você entrar aqui e saber tudo que guardei tempo demais...

Agora é a hora de deixar para você a verdade. Leia e use o que puder.

Decidi que faria algo por você, sozinho, após o incidente com Kuroi e Jenova, em Junon. Percebi, enquanto esperávamos que você acordasse, que precisava lhe ajudar - lhe dar uma chance de salvar nosso Mundo. É o teu maior sonho. E tornou-se o meu também. Eu vislumbrei finalmente minha missão: protegê-lo deles.

Sabe o quão ruim eu sou em decisões. Mas parti seguindo o rastro deles através do mar e tua Fenrir veio comigo. Quase você. Sou grato a ela. Sempre.

Perto de Costa de Sol achamos os N-Code. Kuroi não estava entre eles e mudei minha estratégia para uma rápida rendição. Pedi a Fenrir que voltasse para você - o fato é que não acreditei que hoje ainda estaria vivo.

Ambos sabemos que tive mais sorte que juízo. Serviu para angariar informações e vou passá-las. Os N-Codes que estão com teu gêmeo, os estudei. Explore a lealdade deles, pois Kuroi os trata à base do tacão, desprezando-os abertamente. O mínimo gesto de cortesia e respeito desperta neles a chama da traição. No que se transforma em animais, um toque gentil mudou a atitude. Naquele que fala bastante e parece muito arrogante, com sorriso vulpino, a consideração pelas suas palavras irá trazê-lo para o seu lado, detesta a forma subalterna e indiferente com que seu líder o trata. Estive perto o bastante de um terceiro, sem um dos olhos, como eu, e que só ouvi rugir - parece sempre no limite da fúria - este eu creio que deva ser seduzido pelo reconhecimento de sua força e de sua coragem, ele parece necessitar colocar a prova, mostrar, o poder de seu corpo e de seu espírito selvagem...

Conheci teu irmão. Ele falou de mim e para mim como se fôssemos íntimos. Ou ele tem uma grande ciência de sua vida através de espiãos... ou algum tipo de elo contigo... Talvez você saiba a resposta. Ele sabe até mesmo o nome que você me deu.

Mas Kuroi não parece teu gêmeo. Preste atenção, entenda que isso aqui que deixo e que a minha luta contra ele são ambos meu tributo a você e à nossa luta. Um tributo àqueles que amamos. Ao futuro, Drako. Não desperdice essas palavras.

Ele diz coisas sem coerência ou lógica. Só posso imaginar que esteja fora de si. Ou louco ou controlado por Jenova, o fato é que ele perdeu-se. Não sei se há salvação possível. Prometo a ti que tentarei, antes de sacar armas do coldre.

A filosofia dele é que os humanos estão destruindo o planeta. E que antes, destruíram os Cetras. E ele, que se julga um vingador dos Cetras, acredita que a única forma de salvar o planeta é através daquela coisa... Jenova... que ele chama de 'mãe' o tempo todo: A Mãe de Todas as Coisas... Ele pretende dar a ela as Huges e deixá-la varrer este Mundo. Acredita que ela poupará àqueles escolhidos por ele para um novo Começo.

Eu ganhei tempo com ele e essa missão graças ao fato de mentir-lhe. Confessei que eu era pra você uma ferramenta abandonada. Foi o suficiente. Imagino que algo sério aconteceu entre vocês no passado, para que ele acredite nisso. Para que ele diga que você promete, mas não cumpre.

Vou continuar com o que descobri: ele e os seus N-Codes são nômades. Mas têm acesso através de um portal a um lugar onde se escondem e onde guardam as Huges e Ela... Kuroi chamou-o de 'A Cidade Perdida'. Uma floresta branca no interior de uma gruta congelada, cheia de lifestream.

Drako, ele sabe de cada passo seu. Sabia que estava em Nibelheim, enquanto falava comigo. Ele me disse que você entregará a ele a última Materia. Disse-me que você mesmo vai trazê-la para ele.

Não venha. Não faça isso. Lute. Impeça Jenova. Eu te deixo nas mãos de Troy e de Uriel. Sei que eles serão teu esteio e trarão luz pros teus olhos, jamais ficará só.

Relembro agora cada um de nossos instantes. Desde o mais marcante até o mais insignificante. Todos. E uma calma me preenche, entende? Tive tudo por poucos dias. Tanto além do que imaginava ser a vida, tanto mais do que merecia. E assim é que te digo, outra vez, e não minto, ombro a ombro, estarei sempre contigo, sempre, e pedirei a esse Deus, se Ele existe, que te abençoe e proteja a todos os que estimo.

Adeus.

sábado, 20 de setembro de 2008

The name of the game - it cames, never the same - insane

Palavras... Labirintos de palavras... Redes. Armadilhas nessas distorções de som significantes. Tu me caças através delas... Eu?... Eu as fio para ti, interminavelmente, mudando a direção e o sentido a cada puxada de linha. Como Penélope, ganhando tempo. Ou como Ariádne... Jogos...

Tua loucura corrói cada fibra do teu pensamento, posso apalpá-la no fundo do teu olho, cor de poente, na desconstrução de tuas frases contraditórias com teu semblante. Ainda há algo teu em ti? Ou quando estamos loucos, estamos livres para sermos puramente nós mesmos, um pouco cada voz que nasce em nós, todas, em mesma importância e altura irrompendo em nossas bocas e através de nossas mãos?

Cada nova sentença que deixa teus lábios, meus lábios, é anotação de um julgamento subterrâneo que ocorre agora mesmo entre nós. O meu é: há chance para salvá-lo? Há chance para salvar-te também? E haverá ainda alguma para mim?... O teu, só posso supor...

Arrisco. Vomito o pior e o retorço outra volta. Fui longe dessa vez. Vergonha. "Drako" como uma oração, um pedido de perdão. Uma brecha em ti. Te peguei em minhas linhas falsas. Espio pela tua carne aberta ao âmago de tua ferida. Ondulações rubras, fogo, orgulho, explosão, dentes de leão perdidos numa ventania. Havia algo forte demais. Depois, um ponto de quebra, súbito. A luz agora refratando nessa rachadura em ti e reproduzindo espectros distorcidos - monstros de teus sentimentos, monstros de teu coração partido.

Tu mandas a morte para ele. Eu ruindo. Não posso ir. Não estarei, ombro no ombro. Rasgando dentro ergo para ele minha confiança - ele vencerá.

Passagem. O gesto de tua mão. Não gosto de como me olhas. Passo. Refluo, escoando, um pouco de vocês todos que são como ele. Restos de coisas tuas e de teus semelhantes, semelhantes dele. E de mim, o que roubaste antes de sair do espelho?...

Um lago. Eu não te pertenço, porque este vínculo? A Mãe de Tudo habita um paraíso dessacralizado. O imundo ocupando o altar diante do Crucificado e rindo, devorando. A pulsação contaminada, infestante. Um corpo de enganos e tanta energia. Os olhos...

Conto segundos, agarrando-me à estratégia, fugindo do desespero de ansiar revê-los, talvez sejam os últimos... Aferro-me a meu objetivo, protejo minha razão.

Ainda vivo, minutos depois, testemunha do sintoma de tua queda. Respiro sentindo o peso do que aprendi de ti. Compartilho com ele ou o traio e acabo contigo?... Tu me lanças o teste. Eu avanço para ele, como quem sabe que está para atirar-se do precipício às pedras. Oscilo. Cumpro - desisto - cumpro. Preciso resistir a tudo que me chama de volta e parece mais forte que minha vontade.

Tenho que salvá-lo... Àquele que, um dia, - quando? - foi teu companheiro, também. Àquele que viu uma noite ser iluminada por fogos ao teu lado, eu sei. Sei porque ele o fez comigo também.

Tua improvável salvação pesa sobre mim. Minha improvável vitória pesa sobre mim. A cada passo afundo e é o mesmo nome - o dele, sempre - que alimenta meu peito cinzento e frio. O Sol daquela presença, insubstituível. "Como estará?" a indagação muda tensionando minha nuca, meus pulsos. O céu naquele olhar. Distante e profundo. Maravilhoso e invicto, intocável. Exceto rápidas pulsões. Cada pequeno acorde que são aqueles que lhe cercam.

Junto meu corpo entre penas negras de um coração selvagem. Corra. Voe. Fecho os olhos e tudo se esvanece, como se jamais houvesse existido - mas não há como negar, pois eu não sou mais o mesmo.

Somente me deixe terminar com isto... rapidamente...

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Now playing: Breaking Benjamin - So Cold
via FoxyTunes

sábado, 13 de setembro de 2008

Red roses are blue, I left you but I will never leave you

Covered and coarse
I could wait my turn
to pay them all back
- So original! -
Lets take it all back!
You can hide but I wont, how do you know?
(blacked out and bleeding)
- Take it away!
One look and you'll never believe,
Because, this cant hold us down...

- If I wake up
on my own,
- If something happens,
Please come home...
- Wake me up before you go!

If you never know
That it can never hurt
As much as this does
- Its so original ! -
Lets make this all work
You could run but I wont, how do you know?
(blacked out and bleeding)
Take it away!
One look and you'll never believe,
Because, this won't hold us down!...

- If I wake up
on my own,
- If something happens,
Please come home!
- Wake me up before you go on!!!

You cant hold us down / This wont hold us down /You cant hold us down!

- If you wake up (If I wake up)
On your own (On my own)
- If something happens
Please come home!... (You wont stop us now)
... Wake me up before you go!... (Nothing will hold us down)
I hope your happy on your own!...


[Grand Unification - Part I ~ by Fightstar]

Se um dia, eu acordar e você... Volte, por favor. De cada batalha, volte. Esta é a tua casa... Se um dia, você acordar e eu... Não me procure... Minha morte mil vezes por tua vida. E o azul dos teus olhos que rebate este céu sem limite. Nada me deterá, te asseguro. Nada me daria mais satisfação, eu te juro...

Voltas de cores anil, vanilla, o esmaecer de dourados. Marcado a ferro por ti, eu a permito ao meu lado. Tua Fenrir. Risadas e palavras tuas quebrando meu passado sobre o asfalto. Uma lição pulsante a Sol nas tuas palavras. Roucas. Me alveje, aqui, rente às costelas. Mais um pouco, como em Midgard. Quente e macio. Sangre de mim tudo que fui... A luz nas curvas dela, rebate o metal de tua arma. Nossas lutas, ombro a ombro, a orquestra de metais de nossas lâminas, de cada movimento teu, pesado, ribombar do ritmo marcado, e a harmonia de linhas vermelhas rasgando por minhas narinas...

Eu definho e perco folhas ao longe. Sou inverno, galho seco, espada. Sem guarda. Sem bainha. Tudo que tinha... Fecho o olhar em qualquer sombra. Porque me assombra tudo que abandono. Sem retorno. Ah, estar tão encantado por esta vida me perturba. Porque essa ânsia me turba. E preciso estar imune. Preciso ser somente um gume.
Flecha ao vento. Pelo ar, sem lar, me torno só ponta. Nada mais conta. Não te importes comigo. Sonharei contigo dentro do peito do teu inimigo.

E eis que eles, ainda antes, me encontram. Sorrio. Tambores de batalha clamando aqui dentro. É chegada a hora. Agora, que venha meu destino. Dedico tudo a você, a eles, a vocês... que a venda desta minha alma, que tudo que derramar de mim neste sólo, seja meu poema a ti, a ode que componho com meu corpo a todos os dias que virão diante de teus olhos. Azuis, como o céu deve ser, ainda mais, para vocês. Dourados, como o nascer do Sol afagando teus cabelos. A cada entardecer, vermelho e depois negro, como esta mancha, que fui eu.

Mudo estratégias. Me ofereço. Sou a isca. Engolem-me.

Cada um deles, um pouco tu. Nada tu. Absorbo o que posso, dele, do outro também, daquele escondido. Linhas divergentes da mesma matriz. Teu irmão reina. Me cerca, como um leão louco, de quem o rugido pode anteceder a simpatia, ou o ronronar a morte... Me sonda, entre crer em mim e me apunhalar. Um examinar esquizofrênico. Cênico. Teatral. E me pergunto: o quanto disso é teu, o quanto disso é dela? Quanto mal realmente desejas?

Escuto. Se não vê-lo, quase tu. Cada detalhe, aqui, fundo em mim. Mas minto... Digo-lhe o avesso do que sinto. No absinto desta entrega, assassino tudo, e o que não puder, sobre isso, fico mudo. Sou de novo... vazio... um oco... onde o sopro da vida... produz sempre o mesmo eco:

Morra.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Sewing seemings meaningless

O pó...

Tremendo, luzindo, ou sumindo diante do meu olho...

Quanto disso são as cinzas dos que se foram?...

Decomponho movimentos em milhares de imagens congeladas. Cada frase em centenas de indicações além do significado de suas palavras. Sobre-excitação dos sentidos.
Sobre-exaltação de todos os meus sentimentos. Desejar. Temer. Odiar. Os limites se dissolvendo... O sangue turbilhona em mim, jorra em minhas ordens, em meus gestos ferozes. Ter urgência. Apressá-los. Façam algo por ele... Tragam-no de volta! Façam isso por todos eles e por vocês!...

... façam isso por mim...
Agora!

As paredes se fecham sobre teu corpo imóvel -
um caixão! Eu arfo. O vidro isola-o de mim - eu enlouqueço. Memórias riscando as paredes de meu cérebro. Tubos como os... Os vigio... Tubos... Suas carnes caindo, desintegrando-se - não, misturo tudo... Me deixe pensar! Tu, despido, mudo. Um boneco sem vida. Tão desprotegido, tão só. Mas está a salvo...

Não posso confiar...

Não posso te deixar assim! Também não posso te deixar... - Dilema... Recordo teus favoritos. Recortes de tuas confissões, de teus gestos, a nuance dos teus olhos. Seqüestro-os para ti. E mirro esperando-te. Esperança. Acorda...

Meu mundo, tão pequeno e quebradiço.
Brotos de samambaias desenrolando-se ao redor do meu peito. Mal respiro. Tudo se passa em minha mente. Cenas atropelando-se... Tua mão sobre meu ombro abrindo meu dia... Jenova e Kuroi borrando tua alma... O volante do carro e paisagens velozes, confiança, ombro no ombro... Uniformes, risadas de Ane. Cheiros, botas e gente demais naquele desfile... Tu, subindo como uma flecha, intangível, partindo e minha voz insuficiente, minhas competências, insuficientes... Huge Materia... Iffrit... Shiva... Nós temos o 21 - disseram. Os olhos de Uriel - os teus - tão perdidos...

Tão... pouco... para arriscarmos você...
Tu, nos ombros dela, estirado... Volutas e arpões... A dor de não ser suficiente para te salvar...

- Que está havendo contigo?!
... Me fale... Me conte... Retorço minha mente. Busco uma salvação em espirais descendentes, me afogo em minha culpa, na mentira honesta que contei ao teu garoto - Onde estás por trás desses olhos vazios?... Está tão frio aqui...

Frio... Lembras? Sim, a partida de Midgard! Escuto no silêncio, outra vez, teus lábios me contarem... Estar sob o Sol... Teus lábios me lembram... morangos... Rujo para eles. Delimito-te para mim... - para... eles... - Rapto-te. Sei que tu me pedirias isso. Sinto... O Cântico entoado por aquele que tu mais queres - só para ti. Escutas?... Teu filho te chama. Escutas? Aos raios quentes e alaranjados, te ofereço. Minhas palavras trêmulas, te ofereço. Quase, quase te toco... Coragem, eu não te abandonei, não me abandones...

Abro uma salva fogos de cores inebriantes em minha escuridão de entranhas, ao som de tua boca - tu, consciente. Tu, de novo, Drako... Bendito o Astro de Fogo que te empresta vida. Bendito o menino que te abraça. O homem por quem tu voltas... Os agradeço por resgatá-lo... Tenho com eles uma dívida imponderável...

Felicidade. Ânimo. Recolho-me em minha falha. Em meu dever contigo. Ombro no ombro. Eles te farão sorrir? Sim... Eles sentarão ao teu lado quando estiveres só e pesado? Sim... Quando tu tiveres uma dúvida, eles te dirão que acreditam em ti? Sim... Tudo parece bem, agora...

... mas não está -
jamais estará!... Entende? Vejo-o: ao longe, ele ainda o tem sob seu ódio. Ao longe, a Coisa ainda o contamina. Uma trama solta, esta onde nos arriscamos. Uma rede que nos prende, ou, se escorregarmos, nos corta... Eu falhei contigo... Uma. Duas vezes! Quantas mais até te perder?!

Não permitirei... Escapo.
Fios rompendo entre nós. O craquelar de uma alma fictícia em mim, posso ouvir. Uma vontade como areia em minha garganta. Um doer. Consertar, é só o que te peço... Me deixe, não se vire, não me chame... E no caminho, Uriel... um abraço dele... doce... honesto... triste... como... uma mesa, morangos e talheres luzentes... Não quero te dizer "Adeus", pequeno. Não sei como.

Separo-me de vocês...
de ti... querendo tanto... voltar... Compreendo que as chances estão contra mim. Poderá me desculpar se eu perder tua última luta? Será que entende que pretendo aumentar tuas chances? E, sim, livrar-te do destino de escolher entre a vida do teu irmão ou a tua, a deles...

Peço a ti, a vocês: me perdoem pelo que não puder fazer...

[2ª versão, editada em Agosto, 28, 2008]

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

A bit on u, much beaten by u, always a bitch for u...

Como chegar em ti?... Tuas costas e o céu estendendo-se a partir delas. O Sol se põe, e eu voltei... fracassado. Um segredo - essa mácula minha. Os graus de sombra que escorrem por nós ao chão andam em minutos e horas. Perfeito. Sem palavras - perfeito...

Então elas vêm - ruídos, ondas contorcidas em cores desacertadas, cheios de significados. Distração ao real.
"Gostou dela, não gostou?" Enrolação. Mentira até. Estorvo, enquanto sentidos e gestos são tão mais confiáveis. Detesto-as. "
Só... não faz igual... Não vale a pena... ... Se for sentir necessidade de tá perto... seja ela... ou quem for... o que for... só faz - não pensa... - o pensamento, no final, não vale o esforço... A privação não vale o esforço..." Obedeço. Teu corpo protegido pelo meu - estou aqui, entende? Bem aqui.

Tua boca, sem sorriso. Palavras - as deixo vibrar... Me odeio assim que as lanço aos teus ouvidos - Por que diabos insisto em falá-las?!!
Como pode querer me roubar algo que já está contigo?... Matizes do que sinto dissolvidas em tolices. Tropeções em palavras. Frases decapitadas. As tuas, também. "Então tudo bem quando tudo isso terminá?" Não te digo: - Meu Céu é aqui, não há outro, não haverá outro me esperando. O cheiro do teu cabelo, o pulsar dos teus dois corações, simples, limpo...

Um resto de dourado. Apagado. Inquietações. Tu continuas vendado. Se já viu em mim, preferiu cegar-se. Pó de ossos pelo céu. A matriz de todas as desgraças, brotando de mim. Galhos negros e agudos contra minha razão, rasgando do centro a leste e a oeste, de baixo a cima... Podo, podo - E tu atiras o nome dele contra mim.

Suspenso, uma inspiração. O Santo. Meu olho busca o infinito. Deixo lá meu peito, para sorrir ainda para ti. Corvos aninham-se aqui dentro, no oco. Bicadas. Asas batendo-se contra minha garganta. Nuances demais de negro doendo minha retina. Te entendo. Tu te perdes por ele, mas ele não quer te achar... Gostaria de que adivinhasses - não, que quizesses: hey, pode ser você! Eu faria. Mas te entendo.

Azul frio espiralando contra minhas costelas. Então, um calor ameno. Como pétalas de rosa. E percebo: não importa. Fale com ele.
Aproveite a deixa... Não deixe que escape o tempo que pode estar ao lado dele. Tenha pressa, amigo... Boa sorte... Tu te vais. Ausência. O amargo eu o tomo com fé em ti, e assim tem gosto de morangos... E assim alcanço um sorriso -Por ti.

Desarmado, meus pensamentos fluem, enxameiam. E o pequenino me assalta.
"Então... é aqui onde vocês gostam de ficar... Dá pra entender porquê." Me atrapalho, mas te dou equilíbrio. Medo de altura... não? Você me pergunta de mim. Você me pergunta dela. Talvez tenha outra explicação... as vezes tem... - poucas... Te escuto, filhote. "É?... De onde vieram?" Peço mudo: considere que nasci naquela Igreja, ao lado de vocês... "Não me importo de onde vieram... - Eu sei quem são... posso sentir... As vozes me dizem que... quem são... E elas me dizem a mesma coisa dela... - Que ela pode ser muito boa."

Olho ele, tão sério e jovem. Então o faço rir. Seus gestos... lembram os
dele. Falo sobre nossa missão, pois preciso checar sempre. A Shinra... Você me pede para ser sua família. Nós todos, depois... Eu minto. Como a música diz: "you can't always get what you want..." Por que ele anda triste?... O chama: pai. Tento explicar. Metades.
Ele protege todo mundo... e quem protege ele??? - Eu... Isso basta? Não. Peça ao Todo, por um milagre. Faria isso? Ele te ouviria?

Dor em teus passos. Em tua mudez. Tu retornas muito cedo. Mas estamos aqui e você faz força e ri. Gaivotas. Palavrões. Como uma família... Um beijo em tua cara. O garoto se vai. Ele te adora, sabe? - Eu não digo. Fale comigo, agora. O Padre. Pensa que vai. Não, eu não permito. Te tiro este peso - um peso que nem toda tua força pode mover.

Palavras... Palavras frias. Tuas. Meu passado, minha moral não me dão álibi - sou desprezível, tenho essa capacidade. Mas machuca que tu perguntes. Indiferença nas linhas do teu rosto.
Se tu diz, acredito, e espero que não minta pra mim. Isso me quebra. Mas te perdôo.

Ofereço a narrativa nauseante de minhas tentativas frustradas. Roxo feio, verde apagado, máculas de sépia poluído. Esse fardo não é seu. Não deve. Desentendimentos. Rabiscos entre nossas silhuetas, espinhos. Cheiro de vinagre e metal queimado. Alfinetes sob minha pele.
"Mesmo que eu quisesse, não posso ser pai dele, vou matá-lo, acabar com o futuro dele, como com o meu." Expiro contando. Repenso, ouvindo só o tom de tua voz. Então, entendo você. Quero que me entenda também, consigo?
Essa conversa cavou uma vala entre nós...

Aos poucos, o corpo fala contigo. Para que frases? Algumas ainda escapam. Constrangimento. A maioria é esmagada contra tua pele.
Meu coração as cala. Me jogo inteiro naquela vala para trazê-lo para perto outra vez. E que se foda se me arrebento. É bom. Dane-se se você tem sede de vinho, mas recebe em mim o copo dágua para continuar andando. Se tu pudesses sentir o que sinto, farias ainda pior. Que apague tudo de mim exceto o que resulta em ti. Cole o rosto dele sobre o meu, se isso te faz ainda mais luminoso e confiante. Se te dá força. A inspiração para agüentar tudo, pode vir mesmo de uma pequena coisa - que seja do que te ofereço agora...

No silêncio, borbulhas vermelhas em meu sangue. Me confesso a ti sem dizer nada. O Céu, para mim é... Linhas nos enlaçando. Branco. Suave, dourado. Um azul pulsante. Teu sopro. O hálito de nicotina e o gosto de tua saliva. A textura de teus fios. No silêncio da noite, o corte de um outro olhar.

Ruído. Interrupção. A música, aniquilada. Notas distoantes: -
"
Devia ter mais decência... ou ao menos um pouco mais de auto-estima... ... patético!... E pensar que aposto em você... Que decepção!... Parece uma puta viciada... que dá de graça..." Os cabelos de velho soprados ao negro. Escarra em mim em cada inflexão, sabe que me atinge. Desgraçado. Vejo nos olhos vermelhos dele: esgoto.

A raiva. Para cima, pela coluna, inflama meu crânio. Minha boca em dentes. Apesar disso, tu me pedes por ele. Apesar disso, eu travo. Frente a ele, que se encolhe, eu não avanço. Sua alma torce a minha. Eu poderia torcer-lhe o pescoço.
"Ele não gosta de você!... Estúpido... ... Marionete... ... Joguete..." Asfixio. Seco por dentro. Mesmo negando. O odeio mais por isso.

Tu ouviste. Tu presenciaste... Baixo... Um borrão sujo em frente aos teus olhos azuis demais. Quero me recolher, me esconder para que não precises ver mais. Talvez você acredite nele também. Ou não... Importa?... Meus pés páram. Te vejo só. Tu ficarás aí. Só.

Então... ficarei... pelo menos eu.

Meu olhar fecha pesado envolto em tua fragrância ao longe, mas perto suficiente para ver que não te abandonarei. Tuas últimas palavras, dúbias. Plumas. Espera. O marulho leva o resto...

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Trails of tales

Nada de hierarquia. Cordas soltas... O caos desse mundo civil. Afronta. Subitamente, ninguém para interrogar. Protocolos de diplomacia correndo sobre mim. Ela ganhou. Informação fácil para ela. Sequer uma resposta simples para mim. Um a zero... E frente a frente na mesa do Líder Órion. Me sinto estúpido. Ludibriado... Ele não está. Sei que está movendo as peças - resolvendo tudo... É, ainda mais estúpido...

Sigo a trilha dos movimentos dela.
Seus batimentos cardíacos. Pistas hormonais. Nenhum detalhe me escapa. - Exceto a verdade... - Sua origem. Shinra... Uriel gravita em torno dela. Uma ternura carente nos olhos dele. A vibração nova em sua voz. Um incentivo para minha vigília - ele é a presa perfeita.

Ele chega. Saio da vitrine do museu. Um time, outra vez. Troca palavras com ela, atira-as. Sinto no olhar dele, na contração de um ou outro músculo, que ele a está conduzindo, fazendo-a encarar-se, descer do muro. Analiso até mesmo suas pausas... De arma e ameaça, de mulher e tentação, em inocência e doçura. Basta uma moeda. Some e reaparece. Os olhos verdes abrindo-se como os dos pequeninos. A boca, carnuda, num "o". Promessas e lugares mágicos. Ela brilha. Ane está mesmo maravilhada...

Curiosidade. Matizes entrelaçadas e enervantes entre ela e eu. Destrave esses segredos para mim... Onde viveu? Com quem? Como foi sua infância, seu passado, cada um de seus dias até a
Corporação trazê-la a nós?... No que acredita?... Aliada ou inimiga de uma só vez, sem estorvar-me mais...

Flores brancas, miúdas. O ângulo de seu rosto. Delicado. O jeito atrapalhado de comer. Absurdo. A risada que me dói e destoa dela - mas é tão dela...

Quem é você, Ane Marie?

A que veio?

Ele livra-se rápido do prato. Inquieto. Incomum. Entrega-me ela. Não quer que eu faça mais nada a não ser pajeá-la?!... Sei que é importante!... Não é isto... Estar alerta para que não haja sangue. Estar atento para captar qualquer informação... Mesmo assim... assim que ela põe a última garfada na boca já estou me levantando. Quero aquela conversa contigo, e... ... ... Esse não é meu único motivo... Não digo mais que isso.

Ela tropeça, resmunga. Suas roupas. Pego-a com o canto do olho. O grosso das pernas. É... chega a doer. O branco leite. Máculas rosadas. A saia, presa nos cantos da roupa de baixo, clara, macia. O drapeado em arcos concêntricos balançando entre suas coxas. Corro meu olhar pelas paredes. Rilho dentes. Controlo-me. O Padre se despede. Tanjo-a pelos corredores e salões. No rastro dele. Pressiono-a para me acalmar. Ela conviveu com crianças. Gosta delas. Especialmente do cheiro - bom para dormir...

Voltam-se a ela como lobos. Homens e seus apetites... A plataforma muito aberta à amplidão de azuis... Chiados no silêncio quase vazio... Iodo... Sal, ardido... Ritmo na vastidão cintilante lá embaixo... O Sol alto... ... ...
Ele, num salto impossível, das ondas a nós...

Ela o admira.

Sento-me, farejando o horizonte. Aquecido.
Tua voz cantando notícias. Leões rechaçados em Cosmo Canyon. Interesses em Huge Materias. Uma nova missão. Ânimo... Me brocha saber que não devo sangrá-los até que mergulhem no Styx... Poupar tantos quanto pudermos... não é, parceiro? Fecho o olho. Um disco laranja em minha retina. O amargo em mim. O amargo da abstinência. Nos arriscamos para salvar esse povo. Creio que isso seja o contrário de exterminá-los... Entôo o Cântico, bem quieto, lá no fundo de mim mesmo.

O peso do Céu -
"Sou livre para não ser P.A.#7."

Um murmurar sobre teu irmão, a confissão de um sonho - e o teu sofrimento em cada sílaba. Perigo. Meu sonho, voltando. Encadeio planos, mas num inspirar, a conversa gira. Cartões, levá-la... O que??? Tonteio. Do que falamos? Vestidos... Eu? "Requinte" Comprar gravatas... Um sorriso diferente em ti. Ele, na evasiva, apontando ao longe. Seu vulto recortado contra o anil, duro demais, isolado. Indo...

Um sentimento rasgado em mim...

Outra vez, ela comigo.
Devo ter paciência. Não há nada que saber sobre mim. Nada que possa lhe dizer sobre Kuroi. Está se acostumando mal... Sua insubordinação me avilta. Ela contesta... Aborreço-me. Quer cooperar?... - ah, não só você!... Então resolvo: transgrido. Deixo a porta da gaiola escancarada. E mostro o caminho...

Logo, ela voa, rápida como o vento. O calor dela... me ultrapassando, dissolvendo-se no ar.
Flores brancas num véu entre ela e eu. O allegro dolce altíssimo de seus passos no metal... A trajetória dos fios ondejando... salamandras... labareda... A excitação de seus corações...

Jogo-me atrás dela. Um pouco atrás... C
açando-a, me inibo. Me... complico... O salto dela. Leve, fino, penetrante... Um florete no corpo do mar... Adrenalina. Dou tudo de mim - sem porquê. Arremeto numa explosão. Vôo livre, a folha d'água muitos metros abaixo... As roupas dela como pétalas de flor. Ou borboletas marinhas bailando ao seu redor...

Fecho os braços à frente, e rasgo a carne do Oceano com meus dedos retesados. O som fustigiante de meu peso contra o empuxo... Azul frio lambendo meu uniforme - esperto, guarda ar para nós... As pernas dela... seu movimento de serpente... O espectro do navio. Nuvem de areia...
Já não está sem ar? Ela guina, eu subo junto. A luz atingindo-nos através da água. Segundos, bolhas de ar vazando. Você consegue?... Enfim, a música das suas risadas.

E tu
? Observo-te: tu estás nos cuidando... Feixes dourados, pálidos, do teu peito. Me rendo... Arabescos de pressão e sal. Incontáveis indas e vindas das correntes inconstantes. Diante de ti, o Universo me arrebata, Drako...

Acordo.
O dois em carga arrastam o titã. Mais fundo. Mais. Ainda falta... Examino de longe: só uma testemunha de sua força. Vergonha... Eles sobem. Sei que vão tentar de novo.

Vasculho o cenário, analiso... Banshee.
No máximo. Um bom ponto de apoio. O bote pontiagudo. Minha contorção que amplifica o poder dela. A água explode... Espasma, como um enorme ser. Borbulha selvagemente. Risca-me. - Meus tímpanos!... - Cerro os dentes, cerro os dedos. Minha mortal rasgou uma grande fossa junto ao casco.

Os dois descem. Me afasto. O soco na água me empurra longe... O lamento, um rangido abafado e longo, do cargueiro. O Sol me guiando para cima.
Rápido! Arde respirar. Nuvens desenrolando-se entre meu olhar. Vejo coisas, - memórias - . Mantenha o foco no que está acontecendo... Escuto-o em mim - como se ele pudesse abrir uma porta e enfiar a cara para dentro do meu cérebro - muito claro. Furioso, ácido sob fios brancos.

Obedeço... O céu! O traje derrete de mim, me libera. Inspiro com um grito. Sede de ar. Consegui. Relaxo. Arquejo, mas vejo os dois comemorando... Conseguiram. Sorrio. Nós conseguimos.

Nós...

Drako... Eu... ... ... e... Ane Marie...

[2ª versão, editada em Agosto, 23, 2008]