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quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Blond heaven, bond raven - twirl of strawberry feel


Pensei que tu fecharias todas as portas... Pela minha boca e tantas palavras toscas...

Uma briga - tu o disseste - mas, você, tão perto. Você... não virou as costas...

Minha voz no teu silêncio. E nossos cheiros misturados no trabalho - nosso legado, nossa prece, a esperança que te traz. Nossas bobagens. Imitação de humanos. Sonhos.
Apesar de tua perda, estamos aqui... Não somos o pequenino - não temos como sê-lo. Mas restamos ao teu lado. Em cada um de nós, perceba, há um fragmento brilhante de tua jóia perdida. Forças. Um lar...

Teu Sol, tão escuro e tão claro - lutando. Eu sinto. Minha testa contra a tua - firme, amigo. Meu ombro esbarra no teu - vamos, parceiro. Meu olho tocando o teu - diga-me e eu o farei, você... você...

O Mundo está respirando lento demais. Hey, estamos aqui, não o deixaremos morrer!... Céu e nuvens, tantas pessoas - sem nome para mim, flores em algum lugar - o perfume na brisa com cheiro de ferrugem... Ah, meu grande companheiro - olhe o horizonte: o Sol desce, só para acordar de novo. Hey, este rosto marcado pelas mãos dele - um sorriso agora, que brilhe como rosas sobre a promessa que fiz para ele: te proteger. Sempre.

Quero abrir a tempestade para ti e achar nela as pétalas com todos teus nomes e os nomes daqueles que te amaram tanto, e destes todos a Vitória - hey, me ajuda - nenhuma guerra mais com vermelhos de sangue e fogo. Nenhum pequeno caixão. Mais nenhuma lágrima nas rachaduras dos olhos dos velhos. Nada mais de braços de mães vazios. Ou o vazio no peito dos pais. Do teu...

Hinos ao nosso redor... Assim sonho. Uma rua interminável de mãos dadas. E o céu, tão brilhante quanto teus olhos, meu guia... Tão dourado quanto teu precioso coração... E uma paz ainda maior que esta que tu me oferece e que perpassa: tudo...

Tudo é possível, assim pulsa meu ser a cada segundo, nesses dias.

Dias com gosto de morangos.

E uma imensidão que diz: Salve-nos.

Toco o Céu com meus dedos a cada inspiração... Nós o faremos.



sábado, 13 de dezembro de 2008

Standing'n black... paint it back...

Esse casco de metal me leva de lá... E a eles também... Desafiamos as tempestades do Céu, a própria gravidade... Asgard... permanece cravada naquele solo congelado, como uma adaga de ouro...

Recuperamos ele... Eu o olho agora, com insistência. Todo o instante me agito... ainda penso que posso acordar... e me ver sentado em outra soleira de porta... sozinho... buscando, buscando...

Apesar dele estar logo ali, todos estamos em silêncio... Ácido, cheiro de lágrimas contidas, um sal interno qualquer, sangue de bocas mordidas... Vestígios de uma nova procissão de luto... Uriel... reencontraremos ele, perdido para sempre... sim... ou talvez não... Levamos teu pai para ver-te, desta vez...

Ele... Uma muralha inacessível... Duro, firme, ausente... Pedra... Granito... Não devo tocá-lo, eu sinto... Ou falar com ele, tampouco... Eu quero... Mas é ele que me avisa, calado... Ele permanece de pé simplesmente por estar assim - impenetrável... Se alguém atingi-lo agora... Respeito a sua dor. E velo contigo tudo que enterramos... eu o acompanho... nesse funeral de lembranças...

Rosas que florescem no inverno... Gosto de ferro entre os dentes... A paisagem move-se e desvela-se como um longo, interminável, cadáver. Aqui de cima, analisamos, cada um a sós, suas feridas abertas, uma a uma... E então outro tempo, o olho - e sinto que posso. Mais forte que tudo, o impulso - a fé de que lutando alcançaremos um futuro. Sim... ele está logo a minha frente...

Escuro, lá fora, e eu me recolho sem luzes, costas nesse macio... Esta noite, somente a presença dele não me traz paz... por que?... Algo... algo cava me peito, sem trégua... Uma falta, escondida de mim... Tons de negro, pardo, cinza - brasas soprando vermelhas do fundo do Mundo... A espuma dos vagalhões... trovejando... chumbo e um branco que só é branco em minha mente... E nada disso me sossega... Minha missão não me distrai... A tristeza de minha família não me ocupa...

Há um peso só meu nesta longa madrugada... Invisível... Irreconhecível... Eu... poderia fechar os olhos... e... sonhar que o encontro?... esse algo... que perdi? ... O que?...

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Arrising bird flies... falling star dies... dry wind byes...

[editado]

Azul...


Tão azul... Tão estupidamente azul... E você...

Você... lá dentro... Como um fóssil de uma libélula, preso em ambar... Você... Truncado no tempo. Atado no espaço... Justo você... Senhor dos ventos... Filho do Sol... Você, parceiro, que passa pela vida de todos como um furacão de bençãos...

Eu te encontrei... Mas... não como eu esperava... Você... Derrotado também... Sim... Ele havia me precavido... e... eu penso agora que sabia que ele estava certo... Você não teria desaparecido... Se não tivessem...


Quis cair sobre aquele cristal com um grito tão extremo quanto todo o sentimento que rasgou-me por dentro. Do meu coração, um enxame ardido. Por que todo este sentimento devastador não pôde vibrar contra ele?... Que o arrebatasse em cacos, com a mesma inclemência com que me botou de joelhos diante de ti...

Que eu pudesse te libertar... E mais: tudo voltasse a...

Mas... Eu, nós, vencemos, afinal, não foi? Esta batalha...


Pude chamá-los enfim... Os chamei por ti... E teu nome... entre nós... como uma oração profunda...

Foi aquela que tomou de ti as formas... Aquela que me confunde... E me hipnotiza... Meu perigo... Ela trilhou comigo o branco e o negro quase sem fim... Neste meu peito a fé... A fé forte, inabalável - a certeza... Cada batida... Dividida entre você... eles... e... ela... Meu Sol... ... ... eu te achei...

Que eu fôsse a espada sem bainha a cortar tuas amarras até o fim... Que eu fôsse o louco que insiste em ver um caminho...

Como eu pude ter estado tão perto... e não ter te resgatado antes?... Corel, mais adiante... Entre os reecontros naquela grande ferida da terra, a falta tua... Cada um de nós, sem poder mais suportar saber do teu exílio... Uma sensação plena de urgência, de atraso... te ver livre - rápido!

Luzes inventadas pelo homem, descendo sobre ti... A terra em minha carne viva... Não pude descansar... Testemunhando tão de perto, cada segundo, a tua cova em vida... Meu filho, tão crescido deitado contra este peito oco, exaurido...


Precisava - preciso - que o céu dos teus olhos voasse sobre mim. Eu fecharia o meu em gratidão... Quero a tua sombra firme encobrindo este resto cansado que sou eu, só um instante, e se tua voz chamar meu nome como antes... Eu me ergueria mil vezes...

O pequeno vai ao teu encontro. Mente encontra mente... Ou mais, meu amigo?... Foi assim que o cristal, tão indestrutível, algema que te cercava a tanto, não mais te prende ao sólo. Á solidão... O Sol tocou em ti e tu... Tu... um pássaro... meu olho não pôde te seguir...

Recosto outra vez a testa contra a tua... Tu... Salvo... salvo... De novo, você estará entre eles... Eu peço baixinho... o nome do teu filho... É tanto... sim... você vive... É demais...

Então te levamos ao encontro do teu povo. Cada olhar, a centelha da certeza, a gratidão... Verde como broto que renasce após a chuva... Meu coração, explodindo aqui dentro, uma alegria cujo único fim é esta culpa que me engole... Ela não é nada, perto de ter te recuperado. Por você... por eles... ... ... por mim...

Outra vigília se segue... A mantenho reconfortado pela visão do teu corpo adormecido sob o dourado que te ilumina... E quando tu te acoras, eu vou até ti... Ombro a ombro... lado a lado... Um pouco de paz, mas no fundo, sei que é só o recomeço de nossas lutas... Há tanto, lá fora...
Negro fumo de todo um Mundo que queima na tua falta... O dourado... e um pouco de azul... Vermelho... riscado em mim, neles... em ti... Cores que desbotam...

Pego tuas palavras jogadas ao léu, magras... como um vento árido... Que se passa contigo?... Assim tão junto... não me reconhece mais... E tu... tu te vais... Vento... Rouba o ar dos meus pulmões... o fôlego da minha fala... "Fique"... "Deixe-me segurá-lo contra mim e vaze sua dor, vaze seu ódio..." Eu não disse... Como vento seco... você... meu parceiro... me desfez na tua passagem... Em milhões de folhas amareladas de mim mesmo... você me despedaçou... e soprou todas as páginas de memórias para longe... nossa história, enosada... rolando para longe de mim...

Eu cedo... Não insisto...
Você... como um vento seco, me quebra sob tuas pegadas... tu não te viras mais... Este é o preço pelo que te fiz?... Traidor. Eu sei... Covarde... eu sei... Te achei e te perdi tão rápido...

E todos aqueles dias desesperados convulsionam em mim para fora, um torvelinho... Eu tremo, por dentro. Desabo. Talvez tu não possas me perdoar jamais... Eu não pensei nisso. Quero correr e me livrar de mim mesmo... Não posso. Escondo-me e espero o chamado da luta, porque... mesmo que não me tenhas mais como companheiro... serei sempre o teu...

Outro vai ao teu lado... meu peito morre um pouco... sorri um pouco... O jeito dele... sim... eu o desejo para ti... Será capaz de acender um sorriso em teu rosto tão cinza?... Eu creio... tenho que crer... E o seco em mim, abençoado, não derrama de mim mais nada...

Estrelas que se apagam em algum escuro aqui dentro... Estranho... Com tanto que acabo de reaver... esta dor... E que dizer desta sereia que dirige seu canto a mim, me enganando, esse rosto que é o teu?... Estes olhos que me atormentam de lembranças... o tom dos teus cabelos... e a tua boca... Ela... que me seduz do meu inferno a outra luz...

Ela... que insiste em ficar... quando ele se foi... E me promete... cuidar de mim...

Há muito o que fazer... e eu... nunca soube como...

Cuidar... de mim... Eu... que acabo de descobrir que matarei o filho dela...

Não...

Sinto como se... estivesse fadado... a trair...

Olho para ela, quando ela me solta...

"Me segure mais"

Mas... deveria dizer...

Por favor... somente...


Vá embora...

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Ashes for Ash... [New Edda Arch]

[New Edda Arch ~ texto 4,
para acompanhar o arco, ler tb:
http://pattybiakko.blogspot.com/]


Faz um mês que fomos derrotados... Não escrevi nada sobre isso. Nem vou...

Não posso - não consigo - me detesto em cada detalhe sórdido destas lembranças. Me crucifico e ainda assim é pouco. Pouco demais.

Cheiro de cinzas e metal queimado. Estou sozinho. De novo. Em Corel. Ironicamente a maldita Shinra Corp fez o possível para encontrá-lo, para reorganizar uma cidade deserta. Cidade... - huh! - Inferno!...

Amanhã parto. Vou seguir de povoado em povoado até chegar na sua trilha... Não. Não, você não pode estar aqui embaixo... Não... me nego a crer que você... que você...

... A noite não tem mais estrelas. Nem o calor do teu corpo insone a dois passos do meu. Sem teu silêncio, o rugir das trevas me impacienta. Como você está?...

Não consigo dormir. Rondo, cavo, farejo... Tão... patético... Chamo, como se você me escutasse... Falo contigo... como se pudesse estar só brincando, oculto, me ouvindo... E quando o dourado fosco luta contra o pó do céu, eu quase te sinto ao meu lado... Só um instante... e então... aos poucos, a certeza da tua ausência... a procura... e a exaustão a qual não posso me render... vazia de sonhos...

Perdido... Sem uma meta. Sem hoje. Sem amanhãs. Eu sou o culpado. Em meu lugar - para o meu caixão! - teu filho... Eu deveria tê-lo atraído para longe de vocês... Deveria estar com a maldita Huge!!!

Entende?!

Mas...

E se eu tivesse te contado tudo... teria sido melhor?... Ou simplesmente seria o empurrão que te faltava para que fôsses combatê-lo sozinho? Ah... Me arrependo de não ter tentado matá-lo quando ele esteve ao meu lado. Tive tantas chances, tantas guardas-baixas...

Kuroi!!!...

As vezes sonho com isso... Olhos abertos, tão cansado para me deixar deitar, com tanto a fazer antes de ter paz... Sonho, doce, em acabar com a carcaça trapaceira, daquele desgraçado! De tantas formas diferentes. Ah, a vingança... Vê-lo surpreso em seus últimos instantes, virar as costas, sabendo que a ameaça está extinta... E voltar para casa, - voltar, voltar... - receber teu carinho mudo, a folia de Uriel, o olhar atencioso de Ane... A correria das crianças ao redor de minhas pernas e a solidez do Santo... Uma tarde com Ace, vendo-o montar suas geringonças, escutando-o falar... Cervejas com Troy. Risadas. Aquele sangue... tão bem pago! Minha crueldade tão bem recompensada, diabos!!!

Escrevo isso e noto: não é mais remédio... Não tenho alívio em confessar essas coisas, como antes. Sequer conforto em desabafá-las. Não... Essas palavras apontam da tela para mim e me dizem: - Você mereceu, mas eles não...

Estou só... Carrego este peso e esta dívida para com o Mundo. Para com aqueles que estimo. Tropeço a cada passo no que perdi e no que não posso mudar.

Eu errei.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Sewing seemings meaningless

O pó...

Tremendo, luzindo, ou sumindo diante do meu olho...

Quanto disso são as cinzas dos que se foram?...

Decomponho movimentos em milhares de imagens congeladas. Cada frase em centenas de indicações além do significado de suas palavras. Sobre-excitação dos sentidos.
Sobre-exaltação de todos os meus sentimentos. Desejar. Temer. Odiar. Os limites se dissolvendo... O sangue turbilhona em mim, jorra em minhas ordens, em meus gestos ferozes. Ter urgência. Apressá-los. Façam algo por ele... Tragam-no de volta! Façam isso por todos eles e por vocês!...

... façam isso por mim...
Agora!

As paredes se fecham sobre teu corpo imóvel -
um caixão! Eu arfo. O vidro isola-o de mim - eu enlouqueço. Memórias riscando as paredes de meu cérebro. Tubos como os... Os vigio... Tubos... Suas carnes caindo, desintegrando-se - não, misturo tudo... Me deixe pensar! Tu, despido, mudo. Um boneco sem vida. Tão desprotegido, tão só. Mas está a salvo...

Não posso confiar...

Não posso te deixar assim! Também não posso te deixar... - Dilema... Recordo teus favoritos. Recortes de tuas confissões, de teus gestos, a nuance dos teus olhos. Seqüestro-os para ti. E mirro esperando-te. Esperança. Acorda...

Meu mundo, tão pequeno e quebradiço.
Brotos de samambaias desenrolando-se ao redor do meu peito. Mal respiro. Tudo se passa em minha mente. Cenas atropelando-se... Tua mão sobre meu ombro abrindo meu dia... Jenova e Kuroi borrando tua alma... O volante do carro e paisagens velozes, confiança, ombro no ombro... Uniformes, risadas de Ane. Cheiros, botas e gente demais naquele desfile... Tu, subindo como uma flecha, intangível, partindo e minha voz insuficiente, minhas competências, insuficientes... Huge Materia... Iffrit... Shiva... Nós temos o 21 - disseram. Os olhos de Uriel - os teus - tão perdidos...

Tão... pouco... para arriscarmos você...
Tu, nos ombros dela, estirado... Volutas e arpões... A dor de não ser suficiente para te salvar...

- Que está havendo contigo?!
... Me fale... Me conte... Retorço minha mente. Busco uma salvação em espirais descendentes, me afogo em minha culpa, na mentira honesta que contei ao teu garoto - Onde estás por trás desses olhos vazios?... Está tão frio aqui...

Frio... Lembras? Sim, a partida de Midgard! Escuto no silêncio, outra vez, teus lábios me contarem... Estar sob o Sol... Teus lábios me lembram... morangos... Rujo para eles. Delimito-te para mim... - para... eles... - Rapto-te. Sei que tu me pedirias isso. Sinto... O Cântico entoado por aquele que tu mais queres - só para ti. Escutas?... Teu filho te chama. Escutas? Aos raios quentes e alaranjados, te ofereço. Minhas palavras trêmulas, te ofereço. Quase, quase te toco... Coragem, eu não te abandonei, não me abandones...

Abro uma salva fogos de cores inebriantes em minha escuridão de entranhas, ao som de tua boca - tu, consciente. Tu, de novo, Drako... Bendito o Astro de Fogo que te empresta vida. Bendito o menino que te abraça. O homem por quem tu voltas... Os agradeço por resgatá-lo... Tenho com eles uma dívida imponderável...

Felicidade. Ânimo. Recolho-me em minha falha. Em meu dever contigo. Ombro no ombro. Eles te farão sorrir? Sim... Eles sentarão ao teu lado quando estiveres só e pesado? Sim... Quando tu tiveres uma dúvida, eles te dirão que acreditam em ti? Sim... Tudo parece bem, agora...

... mas não está -
jamais estará!... Entende? Vejo-o: ao longe, ele ainda o tem sob seu ódio. Ao longe, a Coisa ainda o contamina. Uma trama solta, esta onde nos arriscamos. Uma rede que nos prende, ou, se escorregarmos, nos corta... Eu falhei contigo... Uma. Duas vezes! Quantas mais até te perder?!

Não permitirei... Escapo.
Fios rompendo entre nós. O craquelar de uma alma fictícia em mim, posso ouvir. Uma vontade como areia em minha garganta. Um doer. Consertar, é só o que te peço... Me deixe, não se vire, não me chame... E no caminho, Uriel... um abraço dele... doce... honesto... triste... como... uma mesa, morangos e talheres luzentes... Não quero te dizer "Adeus", pequeno. Não sei como.

Separo-me de vocês...
de ti... querendo tanto... voltar... Compreendo que as chances estão contra mim. Poderá me desculpar se eu perder tua última luta? Será que entende que pretendo aumentar tuas chances? E, sim, livrar-te do destino de escolher entre a vida do teu irmão ou a tua, a deles...

Peço a ti, a vocês: me perdoem pelo que não puder fazer...

[2ª versão, editada em Agosto, 28, 2008]

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

A bit on u, much beaten by u, always a bitch for u...

Como chegar em ti?... Tuas costas e o céu estendendo-se a partir delas. O Sol se põe, e eu voltei... fracassado. Um segredo - essa mácula minha. Os graus de sombra que escorrem por nós ao chão andam em minutos e horas. Perfeito. Sem palavras - perfeito...

Então elas vêm - ruídos, ondas contorcidas em cores desacertadas, cheios de significados. Distração ao real.
"Gostou dela, não gostou?" Enrolação. Mentira até. Estorvo, enquanto sentidos e gestos são tão mais confiáveis. Detesto-as. "
Só... não faz igual... Não vale a pena... ... Se for sentir necessidade de tá perto... seja ela... ou quem for... o que for... só faz - não pensa... - o pensamento, no final, não vale o esforço... A privação não vale o esforço..." Obedeço. Teu corpo protegido pelo meu - estou aqui, entende? Bem aqui.

Tua boca, sem sorriso. Palavras - as deixo vibrar... Me odeio assim que as lanço aos teus ouvidos - Por que diabos insisto em falá-las?!!
Como pode querer me roubar algo que já está contigo?... Matizes do que sinto dissolvidas em tolices. Tropeções em palavras. Frases decapitadas. As tuas, também. "Então tudo bem quando tudo isso terminá?" Não te digo: - Meu Céu é aqui, não há outro, não haverá outro me esperando. O cheiro do teu cabelo, o pulsar dos teus dois corações, simples, limpo...

Um resto de dourado. Apagado. Inquietações. Tu continuas vendado. Se já viu em mim, preferiu cegar-se. Pó de ossos pelo céu. A matriz de todas as desgraças, brotando de mim. Galhos negros e agudos contra minha razão, rasgando do centro a leste e a oeste, de baixo a cima... Podo, podo - E tu atiras o nome dele contra mim.

Suspenso, uma inspiração. O Santo. Meu olho busca o infinito. Deixo lá meu peito, para sorrir ainda para ti. Corvos aninham-se aqui dentro, no oco. Bicadas. Asas batendo-se contra minha garganta. Nuances demais de negro doendo minha retina. Te entendo. Tu te perdes por ele, mas ele não quer te achar... Gostaria de que adivinhasses - não, que quizesses: hey, pode ser você! Eu faria. Mas te entendo.

Azul frio espiralando contra minhas costelas. Então, um calor ameno. Como pétalas de rosa. E percebo: não importa. Fale com ele.
Aproveite a deixa... Não deixe que escape o tempo que pode estar ao lado dele. Tenha pressa, amigo... Boa sorte... Tu te vais. Ausência. O amargo eu o tomo com fé em ti, e assim tem gosto de morangos... E assim alcanço um sorriso -Por ti.

Desarmado, meus pensamentos fluem, enxameiam. E o pequenino me assalta.
"Então... é aqui onde vocês gostam de ficar... Dá pra entender porquê." Me atrapalho, mas te dou equilíbrio. Medo de altura... não? Você me pergunta de mim. Você me pergunta dela. Talvez tenha outra explicação... as vezes tem... - poucas... Te escuto, filhote. "É?... De onde vieram?" Peço mudo: considere que nasci naquela Igreja, ao lado de vocês... "Não me importo de onde vieram... - Eu sei quem são... posso sentir... As vozes me dizem que... quem são... E elas me dizem a mesma coisa dela... - Que ela pode ser muito boa."

Olho ele, tão sério e jovem. Então o faço rir. Seus gestos... lembram os
dele. Falo sobre nossa missão, pois preciso checar sempre. A Shinra... Você me pede para ser sua família. Nós todos, depois... Eu minto. Como a música diz: "you can't always get what you want..." Por que ele anda triste?... O chama: pai. Tento explicar. Metades.
Ele protege todo mundo... e quem protege ele??? - Eu... Isso basta? Não. Peça ao Todo, por um milagre. Faria isso? Ele te ouviria?

Dor em teus passos. Em tua mudez. Tu retornas muito cedo. Mas estamos aqui e você faz força e ri. Gaivotas. Palavrões. Como uma família... Um beijo em tua cara. O garoto se vai. Ele te adora, sabe? - Eu não digo. Fale comigo, agora. O Padre. Pensa que vai. Não, eu não permito. Te tiro este peso - um peso que nem toda tua força pode mover.

Palavras... Palavras frias. Tuas. Meu passado, minha moral não me dão álibi - sou desprezível, tenho essa capacidade. Mas machuca que tu perguntes. Indiferença nas linhas do teu rosto.
Se tu diz, acredito, e espero que não minta pra mim. Isso me quebra. Mas te perdôo.

Ofereço a narrativa nauseante de minhas tentativas frustradas. Roxo feio, verde apagado, máculas de sépia poluído. Esse fardo não é seu. Não deve. Desentendimentos. Rabiscos entre nossas silhuetas, espinhos. Cheiro de vinagre e metal queimado. Alfinetes sob minha pele.
"Mesmo que eu quisesse, não posso ser pai dele, vou matá-lo, acabar com o futuro dele, como com o meu." Expiro contando. Repenso, ouvindo só o tom de tua voz. Então, entendo você. Quero que me entenda também, consigo?
Essa conversa cavou uma vala entre nós...

Aos poucos, o corpo fala contigo. Para que frases? Algumas ainda escapam. Constrangimento. A maioria é esmagada contra tua pele.
Meu coração as cala. Me jogo inteiro naquela vala para trazê-lo para perto outra vez. E que se foda se me arrebento. É bom. Dane-se se você tem sede de vinho, mas recebe em mim o copo dágua para continuar andando. Se tu pudesses sentir o que sinto, farias ainda pior. Que apague tudo de mim exceto o que resulta em ti. Cole o rosto dele sobre o meu, se isso te faz ainda mais luminoso e confiante. Se te dá força. A inspiração para agüentar tudo, pode vir mesmo de uma pequena coisa - que seja do que te ofereço agora...

No silêncio, borbulhas vermelhas em meu sangue. Me confesso a ti sem dizer nada. O Céu, para mim é... Linhas nos enlaçando. Branco. Suave, dourado. Um azul pulsante. Teu sopro. O hálito de nicotina e o gosto de tua saliva. A textura de teus fios. No silêncio da noite, o corte de um outro olhar.

Ruído. Interrupção. A música, aniquilada. Notas distoantes: -
"
Devia ter mais decência... ou ao menos um pouco mais de auto-estima... ... patético!... E pensar que aposto em você... Que decepção!... Parece uma puta viciada... que dá de graça..." Os cabelos de velho soprados ao negro. Escarra em mim em cada inflexão, sabe que me atinge. Desgraçado. Vejo nos olhos vermelhos dele: esgoto.

A raiva. Para cima, pela coluna, inflama meu crânio. Minha boca em dentes. Apesar disso, tu me pedes por ele. Apesar disso, eu travo. Frente a ele, que se encolhe, eu não avanço. Sua alma torce a minha. Eu poderia torcer-lhe o pescoço.
"Ele não gosta de você!... Estúpido... ... Marionete... ... Joguete..." Asfixio. Seco por dentro. Mesmo negando. O odeio mais por isso.

Tu ouviste. Tu presenciaste... Baixo... Um borrão sujo em frente aos teus olhos azuis demais. Quero me recolher, me esconder para que não precises ver mais. Talvez você acredite nele também. Ou não... Importa?... Meus pés páram. Te vejo só. Tu ficarás aí. Só.

Então... ficarei... pelo menos eu.

Meu olhar fecha pesado envolto em tua fragrância ao longe, mas perto suficiente para ver que não te abandonarei. Tuas últimas palavras, dúbias. Plumas. Espera. O marulho leva o resto...