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sábado, 18 de abril de 2009

A doze of shards on a yard of roses


Come and rescue me from in the water deep

Careful now! - don’t lose your aim:
the road ahead is clear
- again I haven't found it yet...
(...)
If everybody knows just who you are
When your walk on role becomes a major part
Have you ever attempted to be yourself?
When everybody wants you to be someone else...
(...)
You probably see the things you tried to free
Bigger than you but less than me
Have you ever attempted to be yourself?
When everybody wants you to be someone else
Up and down and back again
Going up and down and back again...

[Up & Down & Back Again, by Powderfinger]


Você me deixou, uma vez mais, tão rápido que mal pude sentir o teu calor, ou o cheiro saturado da tua pele nas roupas surradas... Tuas palavras escorregam entre nós, se esgarçam e rompem em mil pedaços que flutuam e dançam em minha mente, sem significado que possa extrair... Me desamparam... Mas eu insisto em permanecer de pé, insisto em estar com todos meus músculos a postos para lutar por eles - por ti... por ela... por Uriel... Isso é ignorância minha?

... As pessoas nos olhavam como me olhavam antes...

Meu garoto quase morto respira e aspiro dele um ar irretratável de otimismo... Ele brilha...

Observo a minha vida com uma curiosidade doentia, enquanto seus rumos me parecem misteriosos, intrincados e sarcásticos... As vezes me escuto falar, ou me vejo fazer coisas, para somente depois me dar conta que o sujeito ali... era eu...

Quando foi que perdi a objetividade tão crua e fácil das minhas decisões, quando deixei de me sentir onipotente em relação ao meu destino, e ao destino daqueles que me cercavam?... Eu sei a resposta, não é mesmo? Talvez a pergunta é que seja outra...

Pela janela eu leio um Mundo tornado estranho em tantos matizes novos. Complexo em tantas implicações morais, políticas... ou simplesmente... em tantos desentendimentos... o peso marcante das perdas que jamais havia conhecido... Esperei ver algo que me levasse a outra surpresa, que me arremessasse, talvez, no conhecido jogo de lâminas, como há poucas horas, quando enterrei
Fenris Fang no coração do Guardião...

Quando eles estão em perigo... Sei que devo protegê-los... Mas quando o perigo não são projéteis, ou raios, ou espadas?... O que faço?... Eu... estaco... sem fórmulas e estratégias... e tudo foge... palavras... nexos... possibilidades... Olham para mim e sabem que sou um vaso vazio... Um cão que só conhece um único comando...

O Mundo todo espera para ser salvo, Drako merece ser salvo, meu filho merece ser salvo, e Kuroi foi colocado nesta lista também - mas, O Cetra e o Lobo me fazem crer naquilo que eu mais temi: não será pelas minhas armas que isso será possível...

Que papel terei então?... Serei o espectador... talvez, um animalzinho de luxo, levado ao passeio... os olhos tontos testemunhando sem compreender ao certo o que os donos fazem...

Eu penso de novo e de novo: - que dom preciso ter para ser útil? Como adquiri-lo? Será que me cabe tentar? Será que posso ter essa arrogância?

Meus passos se calam no asfalto enquanto volto para um lar que não é meu, para uma mulher que não é minha, mas me espera... Onde estão todos aqueles parecidos comigo?... O que fazem?... O que são agora que todas as guerras são contra o Fim do Mundo?...

Talvez eu jamais devesse me perguntar todas essas coisas... Talvez a dúvida seja mesmo, como diziam no Treino, o cheiro do fraco, o point-blanc em nosso peito que atrai a queda e a derrota... Mas foi através dela que eu rompi com a Shinra... E que me permiti ouvir o Santo... E depois... ele... E ela...

Gostaria de que aqueles cabelos dourados estivessem a minha espreita... Poderia ajoelhar-me junto ao seu colo... E deixar um silêncio me invadir... E ela, ela me daria redenção... Quem sabe pudesse me explicar... Quem sabe pudesse pôr para dormir essa coisa fria e férrea que tem se inosado aqui por dentro, e espremido meus pulmões, e roubado o fôlego de tudo o que jamais quis dizer...

Sonhos... A realidade não me foi dada assim... E quando luto contra ela... É somente para receber de volta a humilhação de que não é mais meu direito impor vontades...

Quando abro a porta e avisto curvas e a maciez de frases femininas, não encontro ela. É outra que está ao meu alcance. É outra que não é para mim. Escuto-a com sede, e bebo em goles pequenos, por medo de avançar ao jarro... Sou embalado pelo som ritmado e fogoso do sangue em suas artérias, quando me enlaça... Perfume de pimenta... Todas suas belas utopias me acariciam - mas eu luto contra a sedução de sua esperança, em verdes de talos partidos de capim e erva-doce... É fácil deixar-me capturar em seu jogo... Seria ainda mais fácil tentar tomá-la para mim, como se fazendo isso eu corrigisse todo o desvio da minha vida. Como se a felicidade fôsse algo tangível, morno e capturável... Como se presenças fossem juras eternas... E gestos fossem garantias... Beijos fossem futuros já brilhantes... Abraços fossem o tal amor, incorruptível, insubstituível e tão forte quanto a Criação...

Interponho eles no caminho entre nós... Já muitos em meu peito e poucos ao meu redor para que aceite abrir esta porta, outra vez... Teus cabelos de fogo atraem esse olhar tolhido - tu também tens a ele, nem que eu me permitisse... Tua resolução me cala tantas perguntas... É tão grande a tua certeza e tão simples teu plano que escondo o tanto de negro no mais profundo dos meus alçapões... Não... você também tem a qualidade de limpidez a qual não ouso turvar - nunca te darei a me ouvir...

E enquanto penso no que me propões... Divago sobre quem gostaria de me tornar... Descubro que, subterraneamente, continuo rezando por uma brecha, e então, usando uma finta e o pulso capaz - que jamais erra - finalmente apunhalaria essa maldita sina, esse tropeço na História... E poderia servir o Mundo numa bandeja para eles...

Meu olho arde e o fecho. Deus... me salve do que sou... me ajude a ser mais... como um homem... mas a desejar... menos... como um cão...

sábado, 28 de fevereiro de 2009

So so dark... and waiting for the sun...

Evitei-o deliberadamente...

Tentei ocupar-me. Cada vez que o Sol ameaça clarear - eu já estou lá, trabalhando. Cada vez que se vai... sou o último a me despedir... e minha vida fica rala... e meu sangue corre lento e viscoso...

As pessoas que precisam de mim... As vejo irem aos seus refúgios... E penso... Talvez não precisem tanto de mim... Não aqui... O que eu realmente faço sempre bem... Talvez devesse deixar esses muros e proteger os que ainda estão perdidos nesse caos...

Minha família se despedaça cada final de tarde... Boneco de pano partido...

Janto cercado de sonhos infantis. E de frente para o Santo... Ele sempre tem palavras luminosas para mim ao final de cada dia... teria ele a sabedoria para me fazer acertar?...

Não dormi nos últimos dias...

Tenho furtivamente acompanhado Drako - sei que ele volta para aquele apartamento vazio... R
evejo minha escolha... me dói... Mas creio que tenha sido a mais certa - libertá-lo. Gostaria que ele não se amarrasse em mim como quem toma um dever e afunda com ele... E é isso que me parece. Espero um pouco, ao longe... E depois me vou... Quero dar a ele um espaço para respirar...

Vadio pelas ruas, em vigília... Pelos telhados e becos... Entre as ruínas... Nos esgotos...

Duas vezes visitei meu filho... Mas tenho tanto a perguntar... Calo... Pois ele sempre tem ainda mais a dizer... E gosto dele... Gosto de tanta energia... Vejo que ele se orgulha... Ainda ficaria altivo se soubesse que ando me escorando por dentro, perdido, sentindo as paredes caindo sobre mim?

Uma vez eu escutei os passos dela, num prédio da ShinRa... Não quiz cruzar seu caminho... Mas me mantenho informado sobre os progressos de Asgard...

E fora isso... Reviro-me sobre o colchão com o cheiro pesado e ardido de tantos corpos e histórias... Meu olho só fecha uns poucos minutos... Quando não suporto olhar o céu pela clarabóia...

Não tenho paz...

A felicidade que acumulo nas horas claras... se esvai rápido...

As vezes não sei quem sou...

Cuido as ruas devoradas por esse horizonte tão curto... Meu peito bate forte e rápido. Como um tambor anunciando a batalha. Exigindo que eu vá...

E ele quer que o irmão viva... E acho que ela também...

Minha mente não se cala, quando estou só... E nesta madrugada Ace me contou sobre a nova crise... o Geostigma... Isso me motiva a ir atrás de respostas. Uma pista. Por uma chance, fui capaz de tolerar o humano e suas manias. Até mesmo tentar compreendê-lo. Por uma chance, eu rompo minha estratégia e finalmente o chamo em sua porta - eu quero oferecer-lhe a esperança...

Nada, no entanto, me prepara para suportar seu olhar opaco... - Onde está o céu luminoso que sempre me sorri de volta?...

Eu te abandonei... - é isso? - Vergonha.

Mas tu estás com o garoto Cetra... - Um gole de ira e ciúme.

Fecho-me para não ser mais mutilado. Fecho-me para segurar-me. Fecho-me para que tu continues ao lado dele, e não ao meu...

E rezo... Em silêncio... Para que suas mãos se juntem. Para que o que se cria entre vocês, perdure... Apesar de mim...

Nada é bem-vindo...

Acabo sentindo a velha sensação do fracasso tingir-me de preto... Estraguei tudo - e por nada... Outra vez... Como vocês poderiam me perdoar por isso?... Como eu?...

Meus ombros se encolhem e meu coração espasma menor... lendo em cada gesto seu o quanto me desaprova... o quanto gostaria de não me ver aqui...

Será assim?...

Eu quis... Agora... Se perdê-lo por inteiro... A culpa será toda minha... Só espero vê-lo forte... Isso me bastaria para me erguer...

Vê-lo vivo.

Isso me bastaria para viver.

Vê-lo amar.

Isso... ... ... seria... ... ... uma jóia...

E depois de tudo... Quando outra missão chega ao fim... Uma voz amiga me surpreende... Fios vermelhos ao vento sob a luz que pisca como uma estrela moribunda... Uma maciez entre esses braços sempre vazios... O perfume doce que canta ao meu peito.

Poderia me ajoelhar aos seus pés e pedir por socorro...

Não saberia como.

Então... Levo-a ao meu covil... Mantendo-a a salvo... E espero... espero de novo...

... o Sol...

sábado, 13 de dezembro de 2008

Standing'n black... paint it back...

Esse casco de metal me leva de lá... E a eles também... Desafiamos as tempestades do Céu, a própria gravidade... Asgard... permanece cravada naquele solo congelado, como uma adaga de ouro...

Recuperamos ele... Eu o olho agora, com insistência. Todo o instante me agito... ainda penso que posso acordar... e me ver sentado em outra soleira de porta... sozinho... buscando, buscando...

Apesar dele estar logo ali, todos estamos em silêncio... Ácido, cheiro de lágrimas contidas, um sal interno qualquer, sangue de bocas mordidas... Vestígios de uma nova procissão de luto... Uriel... reencontraremos ele, perdido para sempre... sim... ou talvez não... Levamos teu pai para ver-te, desta vez...

Ele... Uma muralha inacessível... Duro, firme, ausente... Pedra... Granito... Não devo tocá-lo, eu sinto... Ou falar com ele, tampouco... Eu quero... Mas é ele que me avisa, calado... Ele permanece de pé simplesmente por estar assim - impenetrável... Se alguém atingi-lo agora... Respeito a sua dor. E velo contigo tudo que enterramos... eu o acompanho... nesse funeral de lembranças...

Rosas que florescem no inverno... Gosto de ferro entre os dentes... A paisagem move-se e desvela-se como um longo, interminável, cadáver. Aqui de cima, analisamos, cada um a sós, suas feridas abertas, uma a uma... E então outro tempo, o olho - e sinto que posso. Mais forte que tudo, o impulso - a fé de que lutando alcançaremos um futuro. Sim... ele está logo a minha frente...

Escuro, lá fora, e eu me recolho sem luzes, costas nesse macio... Esta noite, somente a presença dele não me traz paz... por que?... Algo... algo cava me peito, sem trégua... Uma falta, escondida de mim... Tons de negro, pardo, cinza - brasas soprando vermelhas do fundo do Mundo... A espuma dos vagalhões... trovejando... chumbo e um branco que só é branco em minha mente... E nada disso me sossega... Minha missão não me distrai... A tristeza de minha família não me ocupa...

Há um peso só meu nesta longa madrugada... Invisível... Irreconhecível... Eu... poderia fechar os olhos... e... sonhar que o encontro?... esse algo... que perdi? ... O que?...

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Arrising bird flies... falling star dies... dry wind byes...

[editado]

Azul...


Tão azul... Tão estupidamente azul... E você...

Você... lá dentro... Como um fóssil de uma libélula, preso em ambar... Você... Truncado no tempo. Atado no espaço... Justo você... Senhor dos ventos... Filho do Sol... Você, parceiro, que passa pela vida de todos como um furacão de bençãos...

Eu te encontrei... Mas... não como eu esperava... Você... Derrotado também... Sim... Ele havia me precavido... e... eu penso agora que sabia que ele estava certo... Você não teria desaparecido... Se não tivessem...


Quis cair sobre aquele cristal com um grito tão extremo quanto todo o sentimento que rasgou-me por dentro. Do meu coração, um enxame ardido. Por que todo este sentimento devastador não pôde vibrar contra ele?... Que o arrebatasse em cacos, com a mesma inclemência com que me botou de joelhos diante de ti...

Que eu pudesse te libertar... E mais: tudo voltasse a...

Mas... Eu, nós, vencemos, afinal, não foi? Esta batalha...


Pude chamá-los enfim... Os chamei por ti... E teu nome... entre nós... como uma oração profunda...

Foi aquela que tomou de ti as formas... Aquela que me confunde... E me hipnotiza... Meu perigo... Ela trilhou comigo o branco e o negro quase sem fim... Neste meu peito a fé... A fé forte, inabalável - a certeza... Cada batida... Dividida entre você... eles... e... ela... Meu Sol... ... ... eu te achei...

Que eu fôsse a espada sem bainha a cortar tuas amarras até o fim... Que eu fôsse o louco que insiste em ver um caminho...

Como eu pude ter estado tão perto... e não ter te resgatado antes?... Corel, mais adiante... Entre os reecontros naquela grande ferida da terra, a falta tua... Cada um de nós, sem poder mais suportar saber do teu exílio... Uma sensação plena de urgência, de atraso... te ver livre - rápido!

Luzes inventadas pelo homem, descendo sobre ti... A terra em minha carne viva... Não pude descansar... Testemunhando tão de perto, cada segundo, a tua cova em vida... Meu filho, tão crescido deitado contra este peito oco, exaurido...


Precisava - preciso - que o céu dos teus olhos voasse sobre mim. Eu fecharia o meu em gratidão... Quero a tua sombra firme encobrindo este resto cansado que sou eu, só um instante, e se tua voz chamar meu nome como antes... Eu me ergueria mil vezes...

O pequeno vai ao teu encontro. Mente encontra mente... Ou mais, meu amigo?... Foi assim que o cristal, tão indestrutível, algema que te cercava a tanto, não mais te prende ao sólo. Á solidão... O Sol tocou em ti e tu... Tu... um pássaro... meu olho não pôde te seguir...

Recosto outra vez a testa contra a tua... Tu... Salvo... salvo... De novo, você estará entre eles... Eu peço baixinho... o nome do teu filho... É tanto... sim... você vive... É demais...

Então te levamos ao encontro do teu povo. Cada olhar, a centelha da certeza, a gratidão... Verde como broto que renasce após a chuva... Meu coração, explodindo aqui dentro, uma alegria cujo único fim é esta culpa que me engole... Ela não é nada, perto de ter te recuperado. Por você... por eles... ... ... por mim...

Outra vigília se segue... A mantenho reconfortado pela visão do teu corpo adormecido sob o dourado que te ilumina... E quando tu te acoras, eu vou até ti... Ombro a ombro... lado a lado... Um pouco de paz, mas no fundo, sei que é só o recomeço de nossas lutas... Há tanto, lá fora...
Negro fumo de todo um Mundo que queima na tua falta... O dourado... e um pouco de azul... Vermelho... riscado em mim, neles... em ti... Cores que desbotam...

Pego tuas palavras jogadas ao léu, magras... como um vento árido... Que se passa contigo?... Assim tão junto... não me reconhece mais... E tu... tu te vais... Vento... Rouba o ar dos meus pulmões... o fôlego da minha fala... "Fique"... "Deixe-me segurá-lo contra mim e vaze sua dor, vaze seu ódio..." Eu não disse... Como vento seco... você... meu parceiro... me desfez na tua passagem... Em milhões de folhas amareladas de mim mesmo... você me despedaçou... e soprou todas as páginas de memórias para longe... nossa história, enosada... rolando para longe de mim...

Eu cedo... Não insisto...
Você... como um vento seco, me quebra sob tuas pegadas... tu não te viras mais... Este é o preço pelo que te fiz?... Traidor. Eu sei... Covarde... eu sei... Te achei e te perdi tão rápido...

E todos aqueles dias desesperados convulsionam em mim para fora, um torvelinho... Eu tremo, por dentro. Desabo. Talvez tu não possas me perdoar jamais... Eu não pensei nisso. Quero correr e me livrar de mim mesmo... Não posso. Escondo-me e espero o chamado da luta, porque... mesmo que não me tenhas mais como companheiro... serei sempre o teu...

Outro vai ao teu lado... meu peito morre um pouco... sorri um pouco... O jeito dele... sim... eu o desejo para ti... Será capaz de acender um sorriso em teu rosto tão cinza?... Eu creio... tenho que crer... E o seco em mim, abençoado, não derrama de mim mais nada...

Estrelas que se apagam em algum escuro aqui dentro... Estranho... Com tanto que acabo de reaver... esta dor... E que dizer desta sereia que dirige seu canto a mim, me enganando, esse rosto que é o teu?... Estes olhos que me atormentam de lembranças... o tom dos teus cabelos... e a tua boca... Ela... que me seduz do meu inferno a outra luz...

Ela... que insiste em ficar... quando ele se foi... E me promete... cuidar de mim...

Há muito o que fazer... e eu... nunca soube como...

Cuidar... de mim... Eu... que acabo de descobrir que matarei o filho dela...

Não...

Sinto como se... estivesse fadado... a trair...

Olho para ela, quando ela me solta...

"Me segure mais"

Mas... deveria dizer...

Por favor... somente...


Vá embora...

domingo, 23 de novembro de 2008

Bits of light over my soul, I can bear the sight of my son

[New Edda Arch ~ texto 10,
para acompanhar o arco, ler tb:
http://pattybiakko.blogspot.com/]



Ace...

Obrigado pela sua carta. Foi um grande susto... Uma quebra nisto...

Zero tinha me ameaçado dizendo que iria dar-lhe o acesso ao meu diário... Agora, parece-me que foi bom ter-lhe desafiado - pois ele cumpriu.

Li com cuidado cada letra e procurei imaginar teus dias...

Você me deixa orgulhoso... e aflito... Cuide-se, não se vanglorie demais desse poder... Não queira se tornar um joguete nas mãos deles... mantenha-se livre... pense... pense sempre por si mesmo...

Não confie demais em Zero.

Troy... Não o conheci o suficiente, mas... tive uma boa impressão dele... Fico feliz dele estar ao teu lado. Fico mais descansado sabendo isso.

Vá em frente. Continue firme e ajude no que puder.

Hey...

Ter ciúmes de minha lealdade é tolice.

Eu a tenho por vocês também. Será que entende? Ele precisa de nós agora. Ele tem que ser salvo dessa vez... A primeira vez... que ele parece estar precisando de socorro.

Não pense que eu lhe abandonei...

Não foi isso.

Espero revê-los logo...

Também sinto... ... ...

Me perdoe.

Ash, seu pai.

{dois meses antes do prólogo da 2ª fase}

All the things... and the golden strings... in my dreams... just in my dreams...

[New Edda Arch ~ texto 8,
para acompanhar o arco, ler tb:
http://pattybiakko.blogspot.com/]



Tornei-me um andarilho faz tanto tempo...

Parece que foi a minha vida inteira assim... E que todo o resto foi um sonho... Tsc... estou invertendo tudo...

Ontem... Junon... Atolei-me com o povo... Obras por toda a parte... Minhas pernas, pesadas... Continuar a perguntar, sempre as mesmas coisas e ver os rostos, se apagando... Então... Aquela nuvem... E no meio daquele vapor quente e úmido, naquela brancura... Você.

Minha górgona: você. Meu coração: petrificado. O cabelo, dançando curto e dourado como o Sol. A mesma pose, arrogante. Podia não ser você. Meus pés, grudados nas pedras do calçamento, sem conseguir seguir na tua direção. Teu rosto, súbito, me pegando em cheio. A cor de céu perfeito nos teus olhos. Mas teu olhar, distante. A minha boca... engasgada com um milhão de palavras. Mas quando tu te viras, só um grito, o único: teu nome...

E a nuvem te traga. Eu sinto o cheiro dos teus cabelos. Escuto o tilintar de tuas armas. Teu passo, firme. Sem recato, grito mais e mais teu nome, desesperado, e corro, enfim. O bonde quase me colhe. Eu arremeto por suas paredes, de seu teto reto eu te vejo, seguindo... O céu se prolonga, debaixo de mim, branco, suave, te levando de novo.

Pulo, corro. Mais e mais. Onde esteves? Que te aconteceu? Por que está indo embora de novo? Fique! Agonia, meu fôlego, não mais o mesmo. Estou feliz e perdido e corro, tropeço. Repasso enquanto meus passos ecoam, a cena, te ver, repasso muitas e muitas vezes. É como um milagre. Depois de tantos mergulhos no vácuo... a luz do Sol em meu rosto! Como? Você sempre me salva a tempo... E todas as palavras não ditas como um hino em meu peito. Onde você foi?!...

E acordo...

Simplesmente assim...

Acordo, encharcado de suor.

Ainda é noite. Eu cochilei na soleira de uma porta. E ainda há tantas portas para bater... E vielas... tantos rostos desconhecidos... E lá fora a vastidão. O cinza, o cinza, o cinza...

Será outro dia perseguindo o invisível. O intangível.

Meu ódio especial contra os Weapons... Ainda sem achar neles um ponto fraco... Ainda fugindo. Melhorando. Mais forte. Mais resistente. Acumulando sim umas cicatrizes a mais, mas isso não vai me parar.

Estou de pé ainda.

Onde você está?... Não vou voltar sem você. Em algum canto, eu sei, vou topar contigo. Vou te encarar fundo. Então, vou te puxar contra meu peito e sentir que você é sólido e vivo.

Que é de verdade.

Que sempre foi.

Que eu não estou louco em crer...

sábado, 22 de novembro de 2008

Norns hate, entangled fate - oh, Skuld, it can't be late...


[New Edda Arch ~ texto 5,
para acompanhar o arco, ler tb:
http://pattybiakko.blogspot.com/]



Quem é o responsável por levar de nós o fio de nossa vida e nos deixar ainda de pé, para que o tempo passe sobre nosso corpo miserável com suas passadas de infinitos dias, só para levar pouco a pouco tudo o mais?...

Quem?...


Os meses passam... Eu vou resistir... nem que seja de joelhos... nem que seja me arrastando... Não posso permitir... Me erguer, lutar, protegê-los, procurar...

Onde você está?... Onde está?...

Quando ergo meu olhar do chão e não encontro tuas costas logo a frente... ... ...

Tenho vagado de cidade em cidade... de toca em toca... Sim... Tantos novos lugares. Rostos. Mãos. Gente procurando um recomeço. Gente procurando uma salvação... Como animais assustados...

Tenho tentado fazer o que é certo, ajudar no que posso a cada parada...
Mas sou só um. E esse um, decepciona como herói... Ane me conhece... Ela soube me dizer a verdade sobre mim...

Jogo minha sorte contra os Weapons... os acho por acaso... eles são convidados surpresa por toda a parte... é uma festa dos diabos!... Não acho uma brecha nos filhos da puta... E esse poder... esse legado... Preciso tomar cuidado... Jamais quero ser de novo... o que levanta sua espada contra a garganta do Mundo...


Eu... aprendi com você... e eles...

Ombro a ombro...

Eu...


Pergunto de ti até para os cachorros...

Pergunto de ti até para as paredes...

Por favor... esteja bem... aguente mais um pouco... eu te prometo... não vou te abandonar...

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Ashes for Ash... [New Edda Arch]

[New Edda Arch ~ texto 4,
para acompanhar o arco, ler tb:
http://pattybiakko.blogspot.com/]


Faz um mês que fomos derrotados... Não escrevi nada sobre isso. Nem vou...

Não posso - não consigo - me detesto em cada detalhe sórdido destas lembranças. Me crucifico e ainda assim é pouco. Pouco demais.

Cheiro de cinzas e metal queimado. Estou sozinho. De novo. Em Corel. Ironicamente a maldita Shinra Corp fez o possível para encontrá-lo, para reorganizar uma cidade deserta. Cidade... - huh! - Inferno!...

Amanhã parto. Vou seguir de povoado em povoado até chegar na sua trilha... Não. Não, você não pode estar aqui embaixo... Não... me nego a crer que você... que você...

... A noite não tem mais estrelas. Nem o calor do teu corpo insone a dois passos do meu. Sem teu silêncio, o rugir das trevas me impacienta. Como você está?...

Não consigo dormir. Rondo, cavo, farejo... Tão... patético... Chamo, como se você me escutasse... Falo contigo... como se pudesse estar só brincando, oculto, me ouvindo... E quando o dourado fosco luta contra o pó do céu, eu quase te sinto ao meu lado... Só um instante... e então... aos poucos, a certeza da tua ausência... a procura... e a exaustão a qual não posso me render... vazia de sonhos...

Perdido... Sem uma meta. Sem hoje. Sem amanhãs. Eu sou o culpado. Em meu lugar - para o meu caixão! - teu filho... Eu deveria tê-lo atraído para longe de vocês... Deveria estar com a maldita Huge!!!

Entende?!

Mas...

E se eu tivesse te contado tudo... teria sido melhor?... Ou simplesmente seria o empurrão que te faltava para que fôsses combatê-lo sozinho? Ah... Me arrependo de não ter tentado matá-lo quando ele esteve ao meu lado. Tive tantas chances, tantas guardas-baixas...

Kuroi!!!...

As vezes sonho com isso... Olhos abertos, tão cansado para me deixar deitar, com tanto a fazer antes de ter paz... Sonho, doce, em acabar com a carcaça trapaceira, daquele desgraçado! De tantas formas diferentes. Ah, a vingança... Vê-lo surpreso em seus últimos instantes, virar as costas, sabendo que a ameaça está extinta... E voltar para casa, - voltar, voltar... - receber teu carinho mudo, a folia de Uriel, o olhar atencioso de Ane... A correria das crianças ao redor de minhas pernas e a solidez do Santo... Uma tarde com Ace, vendo-o montar suas geringonças, escutando-o falar... Cervejas com Troy. Risadas. Aquele sangue... tão bem pago! Minha crueldade tão bem recompensada, diabos!!!

Escrevo isso e noto: não é mais remédio... Não tenho alívio em confessar essas coisas, como antes. Sequer conforto em desabafá-las. Não... Essas palavras apontam da tela para mim e me dizem: - Você mereceu, mas eles não...

Estou só... Carrego este peso e esta dívida para com o Mundo. Para com aqueles que estimo. Tropeço a cada passo no que perdi e no que não posso mudar.

Eu errei.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Indigo blood & underlies skin - you, as my kin, as we could...

Estas frases são para você,
Ace.


Começamos mal. Quero corrigir isso - preciso que me dê outra chance. Antes que desista de ler, pense: "Posso descobrir os podres deste monte de estrume". Refaça comigo nossa história - e pense que eu mereço o descrédito, mas que o amanhã pode ser diferente.

O início, eu lembro, claro como corte de navalha: chovia muito, amanhecia. Voltava de minha ronda rodeado pelo silêncio, sondando, sondando o nada, paranóico - dormia e comia há quase um mês sob o teto do Santo e ainda esperava a invasão da Shinra àquele santuário. Senti teu cheiro ao alcançar os degraus - na maçaneta. Adrenalina e programação, coisas que você desconhece - e que permaneça assim.

Invadi por uma clarabóia no teto da ala oeste. Passei pelos mesmos vultos e sons. Saquei Banshee, o chão não gemia. Te encontrei aos pés do altar-mor, enrolado num cobertor escuro, ressonando - as costas contra a parede.

Tenho certeza que lembra... Uma faca na jugular e um sujeito estranho sussurrando perguntas em tom de ameaça é algo que fica na memória... Entenda, agora: o confundi com um de nós. Foi o cheiro - como uma assinatura inconfundível: a carne dos CANNIBALS. Não fui lógico, não fui racional - nunca fui bom nisso - devia ter percebido que tu não poderias estar ali para me interceptar: novo demais, relaxado demais, desprecavido.

O Padre me deteve aquela manhã - você me perdoaria, porque eu teria acabado com você? - ele te salvou. Por um triz... Foi a firmeza dele, seus argumentos claros, o tom calmo, que me desarmou.

Desde então você virou uma charada para mim. Uma coisa obscura, que ia e vinha em meus pensamentos, quando eu estava desocupado. Admito: havia algo, rastejando, sob camadas e camadas de negações, lá embaixo, em meu peito. Uma desconfiança... Era a cor da tua pele à luz das chamas - que quase igualava-se a pele dela na luz pálida do alvorescer, mais ambarina - ou a forma dos teus olhos e o jeito de me espiar por eles - quase aquele mesmo medo furioso que via nos olhos dela. Eu bloqueava tudo. "Impossível..." Roía meus dentes e farejava o cheiro meu e dela em ti, teimando - "Loucura, estou delirando..."

Saiba que nunca acreditei ser seu pai. Pelo que sei, devia ser estéril... E não fui alertado de sua concepção. Não tenho instinto paternal. Esse novo papel é um desafio rumo ao desconhecido e ao improvável. Não tive qualquer treinamento.

Cubri minha ignorância acompanhando a rotina das poucas famílias que cruzaram por mim - Drako e Uriel são minhas referências favoritas. Mas também aprendi com o garoto de saias que cuida de tantos pirralhos. E observei alguns em Condor Fort e antes, nos Slumps...

Hah... Imagino... Deve ser difícil agüentar ler isto... Ok. Não estou querendo simplificar nada com palavras. Nem buscar justificativas para te coagir a me desculpar. Não. Isso é minha forma de compartilhar. Minha forma de retribuir as informações sobre você e sua mãe com as quais me presenteou, mesmo que acreditasse estar me golpeando, mesmo aos gritos e empurrões.

Acredite. Quando relembro, gostaria de refazer tanta coisa. Acredite que é uma honra que não mereço: ter a você como filho. E me assusta o fato de que você deixou a segurança da sua família para juntar-se a mim - foi tolice...

Linhas que falam por atos - não é meu estilo. Desta vez, é o que posso oferecer, minha missão me leva para longe de ti. Rude, mas verdadeiro: não estou fugindo deste compromisso. Estou assumindo algo maior - quero abrir para ti um novo futuro. Talvez seja arrogância...

Confia em mim. Faço isso para te proteger. O que tenho de fazer deve ajudar Drako e os que estão com ele a salvar nosso Planeta. Não posso parar, não posso esperar. Um dia, quem sabe?

Sobre tua mãe e eu. Ela me foi dada. Naquele dia, ela era mais criança que você. Pequena, magra, abafada pelo peso dos tecidos luxuosos e hipnóticos com que a embrulharam para mim. Eu cheguei, coberto ainda de sangue, ofegando ainda da ação. Ela estava lá. Mais um móvel em meus aposentos... Bastou-me saber: é minha, meu prêmio por ter superado as previsões planificadas. Cruel - mas de praxe em nossa divisão: todos os colegas mais velhos tinham escravas. Não questionei. Jamais soube de onde viera ou como fôra escolhida. Como fôra trazida para ali. Uma lacuna que hoje me atormenta. Você saberia isso?

Fui imoral - não, melhor: amoral. Ela não significava "amada", "amante", nem sequer "indivíduo". Eu não a tinha como uma igual - ela era minha propriedade, um objeto utilitário. A esfregava na cara dos meus rivais do CANNIBALS - ela era a prova em carne do quão rápido eu subira, um troféu pelas minhas realizações. Era minha boneca em todos os jogos... Além disso, sustentava minha existência vazia com sua presença firme e determinada. Sintonizada comigo, como eu jamais valorizei antes... Cozinhava. Ouvia. Cantava e dançava frente ao meu tédio. Posava nua quando eu voltava semi-catatônico. E eu? - despejava nela o mais escuro de mim, vomitava nela o que me corroía, sem piedade, aos berros, aos empurrões, machucando.

Raras vezes... permitia-me usá-la como abrigo. Era quando mais me constragia... Era quando só podia haver ela e suas mãos pequenas e macias, sua voz numa melodia suave, seus olhos, fortes e doces, a batida de seu coração me acolhendo num abraço... O mundo se dissolvia e eu ficava em branco.

Errei tanto com ela e de tantas formas e com tanta veemência... não entendo como ela pôde ainda me aguardar e desejar que eu a buscasse!... Ela parece não ter lhe contado as piores coisas sobre mim - não mereço que ela calasse meus pecados... Te confesso: fui vil - tentava torcê-la quando ela abria a guarda e se importava comigo ou nas horas em que eu me sentia transformado por ela. Quis quebrar seu espírito. Ela jamais deixou: até o último olhar que trocamos, ela mantinha-se sem baixar os olhos, indomável, majestosa, digna, confiante, íntegra.

Quando ela se foi - deixa te contar isso, sem maquiar nada: não senti falta. Não no momento. Cheguei tarde e caindo de cansaço. Uma outra fêmea, nua e com um largo sorriso branco, me esperava no lobby... Decepção e curiosidade - tesão. Foi assim. Eu a tomei na mesma cama, com o mesmo intento e adormeci da mesma forma. Sequer procurei sua mãe nos cômodos - antes ou depoi - para certificar-me dela não estar me evitando, por alguma birra e se ver assim trocada - e sabia o quanto ela detestava quando eu subia em outras mulheres. Foi assim: sem despedidas, sem explicações de ninguém, sem bilhetes ou rastros...

O incômodo - que somente conversando com o Santo identifiquei como "saudade" - cresceu ao longo de várias missões e seus breves momentos de descanso, quando à minha espera estava somente aquela outra, neutra, disforme e insossa. Nem assim pesquisei seu sumiço ou seu paradeiro. Questionar não fazia parte de minha rotina. Hoje sinto que ela me deixou esse oco, aqui, bem dentro. E não há outro que preencha isso...

Sei pelas tuas palavras o fim dela... Porque a jogaram aos Prostíbulos? Foi porque ela engravidou de mim? E como ela pôde? Por que se esforçaram em acobertar isso e por que iriam permitir que você saísse da vigilância deles? Nunca soube de nada assim. Não entendo o que lucrariam...

Tuas experiências contadas entre lágrimas e xingamentos ficaram bem gravadas em mim. Me provoca mal-estar saber que não estive lá para te apoiar, nem para ela. Que eu sequer pensava em vocês. Não há como amenizar isso. Também não há trilha de volta, conserto...

As feridas - temos algumas em comum. Talvez um dia possamos falar disso, talvez um dia possa aliviar minha memória contigo. Porém você viveu coisas que jamais experimentei: teve uma mãe e depois a perdeu, foi oprimido sem saber como se defender, roubou só para ter o que comer sob culpa. Sim, fui oprimido - mas não era indefeso. Sim: eu roubei, lutei, apanhei e mesmo matei para ter o que comer, para sobreviver e comer - mas sem culpas, e depois por orgulho.

Se pudesse estar ao teu lado... Nenhuma mão chegaria em ti. Seria teu telhado na chuva. Teu cobertor no frio. Teu guia quando estivesses perdido. Teu companheiro se sentisse-se só. Tua mão jamais se sujaria, pois não te faltaria o que comer. Nem para quem voltar...

Se eu voltar e você estiver me esperando...

aquele que chamam por Ash.

sábado, 20 de setembro de 2008

The name of the game - it cames, never the same - insane

Palavras... Labirintos de palavras... Redes. Armadilhas nessas distorções de som significantes. Tu me caças através delas... Eu?... Eu as fio para ti, interminavelmente, mudando a direção e o sentido a cada puxada de linha. Como Penélope, ganhando tempo. Ou como Ariádne... Jogos...

Tua loucura corrói cada fibra do teu pensamento, posso apalpá-la no fundo do teu olho, cor de poente, na desconstrução de tuas frases contraditórias com teu semblante. Ainda há algo teu em ti? Ou quando estamos loucos, estamos livres para sermos puramente nós mesmos, um pouco cada voz que nasce em nós, todas, em mesma importância e altura irrompendo em nossas bocas e através de nossas mãos?

Cada nova sentença que deixa teus lábios, meus lábios, é anotação de um julgamento subterrâneo que ocorre agora mesmo entre nós. O meu é: há chance para salvá-lo? Há chance para salvar-te também? E haverá ainda alguma para mim?... O teu, só posso supor...

Arrisco. Vomito o pior e o retorço outra volta. Fui longe dessa vez. Vergonha. "Drako" como uma oração, um pedido de perdão. Uma brecha em ti. Te peguei em minhas linhas falsas. Espio pela tua carne aberta ao âmago de tua ferida. Ondulações rubras, fogo, orgulho, explosão, dentes de leão perdidos numa ventania. Havia algo forte demais. Depois, um ponto de quebra, súbito. A luz agora refratando nessa rachadura em ti e reproduzindo espectros distorcidos - monstros de teus sentimentos, monstros de teu coração partido.

Tu mandas a morte para ele. Eu ruindo. Não posso ir. Não estarei, ombro no ombro. Rasgando dentro ergo para ele minha confiança - ele vencerá.

Passagem. O gesto de tua mão. Não gosto de como me olhas. Passo. Refluo, escoando, um pouco de vocês todos que são como ele. Restos de coisas tuas e de teus semelhantes, semelhantes dele. E de mim, o que roubaste antes de sair do espelho?...

Um lago. Eu não te pertenço, porque este vínculo? A Mãe de Tudo habita um paraíso dessacralizado. O imundo ocupando o altar diante do Crucificado e rindo, devorando. A pulsação contaminada, infestante. Um corpo de enganos e tanta energia. Os olhos...

Conto segundos, agarrando-me à estratégia, fugindo do desespero de ansiar revê-los, talvez sejam os últimos... Aferro-me a meu objetivo, protejo minha razão.

Ainda vivo, minutos depois, testemunha do sintoma de tua queda. Respiro sentindo o peso do que aprendi de ti. Compartilho com ele ou o traio e acabo contigo?... Tu me lanças o teste. Eu avanço para ele, como quem sabe que está para atirar-se do precipício às pedras. Oscilo. Cumpro - desisto - cumpro. Preciso resistir a tudo que me chama de volta e parece mais forte que minha vontade.

Tenho que salvá-lo... Àquele que, um dia, - quando? - foi teu companheiro, também. Àquele que viu uma noite ser iluminada por fogos ao teu lado, eu sei. Sei porque ele o fez comigo também.

Tua improvável salvação pesa sobre mim. Minha improvável vitória pesa sobre mim. A cada passo afundo e é o mesmo nome - o dele, sempre - que alimenta meu peito cinzento e frio. O Sol daquela presença, insubstituível. "Como estará?" a indagação muda tensionando minha nuca, meus pulsos. O céu naquele olhar. Distante e profundo. Maravilhoso e invicto, intocável. Exceto rápidas pulsões. Cada pequeno acorde que são aqueles que lhe cercam.

Junto meu corpo entre penas negras de um coração selvagem. Corra. Voe. Fecho os olhos e tudo se esvanece, como se jamais houvesse existido - mas não há como negar, pois eu não sou mais o mesmo.

Somente me deixe terminar com isto... rapidamente...

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Now playing: Breaking Benjamin - So Cold
via FoxyTunes

sábado, 13 de setembro de 2008

Red roses are blue, I left you but I will never leave you

Covered and coarse
I could wait my turn
to pay them all back
- So original! -
Lets take it all back!
You can hide but I wont, how do you know?
(blacked out and bleeding)
- Take it away!
One look and you'll never believe,
Because, this cant hold us down...

- If I wake up
on my own,
- If something happens,
Please come home...
- Wake me up before you go!

If you never know
That it can never hurt
As much as this does
- Its so original ! -
Lets make this all work
You could run but I wont, how do you know?
(blacked out and bleeding)
Take it away!
One look and you'll never believe,
Because, this won't hold us down!...

- If I wake up
on my own,
- If something happens,
Please come home!
- Wake me up before you go on!!!

You cant hold us down / This wont hold us down /You cant hold us down!

- If you wake up (If I wake up)
On your own (On my own)
- If something happens
Please come home!... (You wont stop us now)
... Wake me up before you go!... (Nothing will hold us down)
I hope your happy on your own!...


[Grand Unification - Part I ~ by Fightstar]

Se um dia, eu acordar e você... Volte, por favor. De cada batalha, volte. Esta é a tua casa... Se um dia, você acordar e eu... Não me procure... Minha morte mil vezes por tua vida. E o azul dos teus olhos que rebate este céu sem limite. Nada me deterá, te asseguro. Nada me daria mais satisfação, eu te juro...

Voltas de cores anil, vanilla, o esmaecer de dourados. Marcado a ferro por ti, eu a permito ao meu lado. Tua Fenrir. Risadas e palavras tuas quebrando meu passado sobre o asfalto. Uma lição pulsante a Sol nas tuas palavras. Roucas. Me alveje, aqui, rente às costelas. Mais um pouco, como em Midgard. Quente e macio. Sangre de mim tudo que fui... A luz nas curvas dela, rebate o metal de tua arma. Nossas lutas, ombro a ombro, a orquestra de metais de nossas lâminas, de cada movimento teu, pesado, ribombar do ritmo marcado, e a harmonia de linhas vermelhas rasgando por minhas narinas...

Eu definho e perco folhas ao longe. Sou inverno, galho seco, espada. Sem guarda. Sem bainha. Tudo que tinha... Fecho o olhar em qualquer sombra. Porque me assombra tudo que abandono. Sem retorno. Ah, estar tão encantado por esta vida me perturba. Porque essa ânsia me turba. E preciso estar imune. Preciso ser somente um gume.
Flecha ao vento. Pelo ar, sem lar, me torno só ponta. Nada mais conta. Não te importes comigo. Sonharei contigo dentro do peito do teu inimigo.

E eis que eles, ainda antes, me encontram. Sorrio. Tambores de batalha clamando aqui dentro. É chegada a hora. Agora, que venha meu destino. Dedico tudo a você, a eles, a vocês... que a venda desta minha alma, que tudo que derramar de mim neste sólo, seja meu poema a ti, a ode que componho com meu corpo a todos os dias que virão diante de teus olhos. Azuis, como o céu deve ser, ainda mais, para vocês. Dourados, como o nascer do Sol afagando teus cabelos. A cada entardecer, vermelho e depois negro, como esta mancha, que fui eu.

Mudo estratégias. Me ofereço. Sou a isca. Engolem-me.

Cada um deles, um pouco tu. Nada tu. Absorbo o que posso, dele, do outro também, daquele escondido. Linhas divergentes da mesma matriz. Teu irmão reina. Me cerca, como um leão louco, de quem o rugido pode anteceder a simpatia, ou o ronronar a morte... Me sonda, entre crer em mim e me apunhalar. Um examinar esquizofrênico. Cênico. Teatral. E me pergunto: o quanto disso é teu, o quanto disso é dela? Quanto mal realmente desejas?

Escuto. Se não vê-lo, quase tu. Cada detalhe, aqui, fundo em mim. Mas minto... Digo-lhe o avesso do que sinto. No absinto desta entrega, assassino tudo, e o que não puder, sobre isso, fico mudo. Sou de novo... vazio... um oco... onde o sopro da vida... produz sempre o mesmo eco:

Morra.

terça-feira, 4 de março de 2008

Top Distopia over Scapular Scatters

Eu caminho sobre uma estrada de ossos num mundo branco e preto...

Conto números infinitos em bilhões. Meu peito ressoa em batidas fortes, eufóricas...

Sou o melhor de todos eles, inquestionavelmente.
Quero ler meu placar e confirmar isso, mas, em meu pulso, a tela verde cintilante em decibéis e bytes revela: "SAUDAÇÕES PARA O MELHOR QUE SE PODE COMPRAR DA CIÊNCIA! PAPAI GASTOU BEM O DINHEIRO DA SHINRA!"

Há algo errado.
Passo a passo, a dúvida cresce. Angústia. Falo e o áudio chia. Ninguém responde da sala de comando. ROGER - C TEAM - WAY HOUR INTO TIGER EMPTY - STRIKE NOTE - CLEAR - DABLIO MOVE - ARE U COPYING ME? - ROGER. Modulações de estática. Craquelares sob meus pés. Silêncio do lado de lá.

O gosto de meus oponentes pesa cada vez mais sobre minha língua. Tento de novo. E de novo. Outra vez. Minha voz esganiça-se ao passar das horas até um crocitar impossível de distingüir em palavras. Abandonado em missão. Volto. Xingando, mas voltarei a pé mesmo que gaste semanas.

Caminho. Ando. Movo-me. Percorro. Ossos. Crânios. Fêmures. Vértebras. Igual. Sinto a distância escoar entre meus passos - mas o caminho até em casa... não encurta. Há algo infinitamente errado em tudo. Em mim. No Mundo. Desde quando, uma casa?...

Horizontes caiados. Céu puro. Chuva suja. Um ar saturado de fins. Perdido. Sem retorno. Corro. Arfo. Acelero. Asfixio. Algo em meu peito. Dói. Feições. Vozes. Uma dor. Funda. Oca. Traiçoeira. Quero... você. Vocês. Chegar. Onde. Pertenço. Onde. Sou necessário. Sou. Urgente.

Apresso-me. Sons. Tato. Milhões. Mortos. Quebro. Quebro. Quebro. Emperro. A bota. Presa. Puxo. Arqueio. Atiro. Solta, porra!!! Pressinto. Algo errado. O rabo do olho. Olho. Não olho. Ela. Canela. Desafiadora. Orgulhosa. Faminta. Olho. É ela. Não. O cheiro. Abaixo. Vou tocar. Retrocedo. Ergo-me. Afasto. Por que? Flores de aço.

Tento voltar. Objetivo. Era ela. Seja objetivo. Chegar lá. Confuso. Lembranças. Estranhas. Perdi o olho. Perdi crianças. Tirei do lixo. Quando? Tropeço. Arfo. Meus dedos. Eu sei. Não quero. Vejo. Miguel... Moscas bebendo nele. Olhos. Como xícaras de vermes. Bato nelas. Seguro nele. Incorreto. Estupidez. Nada a fazer. Alvo silenciado. Alvo... amigo...

Como??? Tenho que chegar. Lá. Lá... onde? Corro. Tento lembrar. Meu peito dói. Uma coisa negra. Aqui. Na minha cabeça. Náuseas. Shinra. Srta. Lúnia. Escadaria. Tubos. Febre. Algo à frente. Quebro. Quebro. Enxarcado. Perto. Mais perto. Uma estaca. Mais. Mais. Não. Uma... cruz. Cruz. Negra. Alta. Ergo o olho. Sinto seu peso em mim. A gravidade dela cai em mim. Força meu corpo. Botas tremem. Joelhos vergam. O sangue dele pinga. Olho no olho. O Santo. Muito forte. Tão mais forte. Lá. Se soltá-lo? Frio, azul. Uma lembrança. Ele... consertaria?

Tudo gira. Gira. Me perco. Resvalo. Grogue. Chove demais. O Oceano sobre nós. Sobre... eu. Um lugar. Urgente. Onde, eu...? Não. Não é na Shinra. Onde? Prá onde? A água sobe. Torvelinhos. Turbilhões. Engasgo. Nado. Afogo. Cabelos dourados. Morangos. Gosto na boca. Tubos. Colegas. Corpos brancos. Milhões de outros eus. Não! Espera! Nado. Proteínas em degeneração. Tripas.
Turbilhões. Descartável. Somos. Coisas sem alma. Braçadas. Estertores. Convulsões. Um grito rouco. Preciso... chegar... Sou... necessário!

Tudo escorre ralo abaixo. Sobra eu. Folhas de um livro velho. Grudadas em minha pele. Mofo. Letras bonitas. Arfando. Vomitando. Tossindo. Zonzo. Uma voz mecânica. "Você é o único de pé." Não! Não, eu? O que?! O vidro abre. Lembro. Ali. O guri. Meus gens. A fuga. Corro. Corredores. Escadas. Degraus. Barulho alto. Vibração. Geradores. Som. Arquejo. Meus... ouvidos... Avanço. Sala de reatores. Luzes enegrecidas. Piscando. Colapso. Mal respiro. Percebo. "Era aqui! Aqui... que eu... deveria estar..."

O mako reveste tudo com seu fulgor. Lá. Lavado de azul, te reconheço. Firme nas tuas pernas. Costas eretas. Agonia. Veio aqui sem mim? Falhei contigo? Ando para ti. Chegar. - Falhei, não foi?!! - Tão mortos! - Por que me preocupo? - Tão todos mortos!!! - Por que dói em mim??? Preciso, chegar. Olhe prá mim. - Fale algo! Resvalo em gelo, sangue. Caio. Marcado de escarlate, levanto. Um monstro negro em minha garganta.

Estendo os dedos para ti. Estendo a luva. O braço todo. O corpo, um pseudópode, para ti. Preciso alcançá-lo! Tocá-lo. Só não posso falar. Vou me trair, se falar. A voz, vai tremer. Ondas de pensamento naufragam "Tá tudo errado! Isso não está nos nossos planos! Entende? Há coisas que um homem deve fazer! Eles confiam na gente!" Chego em teu ombro. Cada falange congela e cola nele.

Congelam...

Aos poucos, deixo-me entender o que isso significa...

O Mundo pára...

Eu travo meu ar, atônito...

Agonizo atrás de ti. "O único de pé."

Sinto o olho arder, o peito arder. "Isso é chorar."

Falhei.

Não caí.

Mas...

Falhei!

Escuto o bip.

Meu coração dispara, torcido.

Letras emergem em rajadas cítiricas:

UM CÃO JAMAIS ESQUECE SEU DONO.
VOCÊ NUNCA NOS DECEPCIONA.
A SHINRA LHE PARABENIZA.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Vanilla desire into my cinammon butterfly

Hmmm... tua penugem escura entre meus dedos... tão rala e suave no meu gesto afoito... O cheiro de fêmea adocicando meu alojamento, entremeado com o meu. Teus olhos oblíquos arregalados prá mim. A boca pequena entreaberta num grande susto. Tu não estavas preparada para me encontrar, não é?

Depois daquela primeira vez, anos se arrastaram sobre nós dois. Quando eu voltava, recebia tuas boas-vindas mudas. Um prato de comida na pequena mesa. Uma massagem lenta enquanto você me desnudava sem pressa. O banho de esponja pelas tuas mãos macias. Tua cara altiva ao me servir. Teus olhos marejados quando te fazia minha de novo, como uma boneca. A pele sedosa do teu corpo miúdo enrolado no meu quando eu me acordava de madrugada suado e insone...

Geralmente não era assim, eu sei, lembro bem. Eu te assediava por pura vileza. Te humilhava, sacaneava tuas boas intenções. Gritava contigo as vezes, só para ver tuas lágrimas, tua decepção. E quando fazia sobre você, fazia doer. Flores vermelhas por tua pele bronzeada. Tuas coxas, roxas. Te rasgava prá dentro com fúria. Quando os gritos deles não saciavam minha sede, era tu que pagaria de vítima. Até que tirasse de tua língua quieta os xingamentos, o ódio, ou as súplicas que faltassem prá encher meu ego cruel.

Mas, as vezes, raras vezes, tínhamos algo diferente disso tudo... Você vinha a mim, manhosa. Me fazia mimar teus cabelos de seda negra. Coisas murmuradas na tua voz cantada, como se tu fôsses menina inocente. Deixava que tu arrancasse minha segunda pele prá que teu rosto faminto sumisse em minha virilha. Tu exigias de mim a primeira salva, mais urgente. Então tu te davas aos meus apetites, pedindo mais. Os peitos pequenos em fruto. O ventre liso e ondulante. Te possuía devagar e tu me devoravas fundo, me puxavas, me socava entre tuas carnes molhadas. Ah!...

Meu objeto desprezível. Imunda de mim. Propriedade desgastada.
Te usei tanto... tanto que me dava tédio encarar-te me esperando ao destravar a porta... Eu pedia por outras...

Jamais pensei que fôsse implorar por ti no sono agitado... Acreditaria se hoje te encontrasse e sussurrasse: 'me faz falta, você...' ? Tu. Não sei teu nome. E tu... só conheces essa sigla tatuada em mim. Crescemos todos esses anos, juntos... continuamos perfeitos desconhecidos...