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sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Same and so... You must love but I should no...



Vejo míriades de peças... se encaixando. - um cenário que se desvela. O quebra-cabeças acaba... - As vezes, quero chutá-lo. Quero reembaralhar tudo, só as vezes. Mas... qual o significado do que vejo acontecer? Cifras, charadas... Abstrato que me hipnotiza, e não se anuncia. Com um aparência de calmaria. E em mim, deixa um gosto de tempestade no céu da boca...

Que lugar eu tenho nesse desenho? Que função? Eu sabia, há menos de dois anos atrás... No entanto... me afastei tanto... de tudo... Linhas tortas. Ligeiras. Instrumento - eu era. Sim... fui da Shinra... E estou sendo desta revolução, deste recomeço... Acreditei ser mais - penso se deveria... é correto e justo eu ser outra coisa?...

Cruzo ao lado de portas abertas - no escuro luzes de lares pendem... As invejo, como jóias na noite. Arma, eu sou - assim tento silenciar minha ânsia... Arma... para matar quem for preciso, para defender tantos quanto puder...

E... e quando chegar a hora?... aquela... maldita... hora definitiva?... O que faço?... ou farei?... Quem sigo?... Coração? Mente? Essa... programação... que me trai... e me salva?... Por que Fenris'úlfr?... é porque vou destruir este Mundo por ir contra sua vontade, contra o lógico e poupá-lo?... ou por permitir que morra em seu último sacrifício por este Mundo?... Como eu poderia?... Quem vai me segurar?... Quem vai estar lá quando eu perdê-lo ou perder-me?...

Volto. Instinto puro. Me recolho para meu território... Entro sem alarde - eles dormem. Coleciono pistas - cheiros - recordações para meus olhos ausentes, para ouvidos afastados de sua festa, desses sorrisos, e palavras... Por meu próprio desejo... Devo me abster de iludir a eles e a mim: sou o que sempre fui...

Subo e sinto a absoluta certeza de estar sozinho. As máscaras caem... Sou só esse pedaço de carne - um monstro planejado a se parecer com eles, com o crânio cheio demais de perguntas e idéias... Devia ser mais simples: sem raízes. Escrevo. Repasso minhas mudanças... Quase não aceito tudo que fiz, o quanto me distanciei da minha origem...

E hoje, o que fiz - percebo e dói: egoísta. Ele estava feliz com Troy... Ela estava feliz entre eles... com o Santo... Tantos paralelos... Sons harmônicos... Então é assim?... que deveria ser?... Então por que... essa arma... Estrelas ainda, em algum lugar?... Onde?...

Quero me esconder. Me guardem... numa bainha hermética... para acordar com o clamor da batalha. Não me deixem esquecer quem sou, não me dêem sonhos que são perigosos... Olhe só - hmpf! - não perco o fio, nunca... Outra vez, essas garras... Insistentes. Brotam. Flores de morte dos meus ossos. - Hey, podemos estraçalhá-los - elas confessam. E continuam crescendo... Sempre... Como se assegurassem: por mais que eu lute contra, sempre irei feri-los... ainda serei quem fui... Está em mim... Não há cura... ou opção... Não há, meu amado... por mais que você brilhe e me garanta... Para você, também não - eu aprendi isso...

Ficará tudo bem... Não me permitirei machucá-los... Cunhas vermelhas... Pétalas de sangue no chão. E depois, rosas surgindo nas gazes... Cor de morango... ... ... Morangos - lembra?... Minha boca saliva da tua... tenho sede das tuas palavras ingênuas e grandiosas... Troco-as por cigarros... Espere, me deixe, só um pouco... ... ... Deixe-me só calar, um instante... ser morto, como um dia seremos...

Viver é voltar ao passado... "Você é igual a ele" - ela me avejou... Agora entendo... Então é isso?... o motivo dele?... o sentimento dele? - como machuca, Drako, você jamais deveria ter feito isso a si mesmo... Mas eu... eu, há nem tanto tempo atrás assim queria que ele esquecesse essas razões... e estivesse conosco... de verdade... Eu, mesmo... lhe pedia, sem palavras... Então implorei, tsc... Estupidez: nem toda aquela patética cena pôde...

Tanto faz que doesse no fim... tanto faz... Eu quis tanto... ... ... E fiz o mesmo... te virei as costas, não, Amber?... Mas tu... tens esse Mundo para ti... tu fazes parte... tanto para ti... e tu miraste em mim... Tu fizeste a mesma escolha ingrata - está apostando naquele que não vai voltar... "Igual a ele"... Quem pode garantir que acertamos?... ou erramos?...

Baixo a cabeça e penso... penso... parece que vou rachá-la em dois... "Igual a ele"... Queria vê-lo entregando-se à felicidade antes de partir para o confronto... Não temos certeza de quando não os veremos mais...

Deveria ser uma arma... E ele não pode pensar assim dele mesmo...

Eu e ele... somos assim tão parecidos?... Ele me deu tantas lições... Quero dizer-lhe: - hey, se dê uma chance! Não há depois!...

Mas o que fiz?... Incoerente... Tudo tão... ... ... O que quero para ele deve ser o que faço do meu caminho?... Essa é a chave?... Você, Todo, você, será que falaria comigo?

Vou desligar...
Talvez, no escuro... escutando a oração que farei...
e nada mais...
essa arma que tenta ser um herói possa sonhar e encontrar a solução
para o herói que tenta ser só uma arma...



segunda-feira, 22 de setembro de 2008

One

Eu nasci num dia frio e inerte.

"N
úmero sete"...

Não que eu não existisse antes... Lembro vagamente de vozes... muitas. Cânulas incômodas repuxando pele e músculos, aqui e ali em meu corpo semi-adormecido. Escaras desse contato... O conforto de um líquido... viscoso e morno, erguendo-me. Uma luz verde, irritante, no meu olho direito.

Lembro de sentir a invasão em minha mente, de tempos em tempos. Não sabia que era eu. E que aquilo era eles. Sonhava com imagens. Frases.
Normas. Inscrito em círculos de instruções. Impulsos dominavam minhas fibras. Um marionete cego, reproduzindo movimentos, mergulhado em subconsiência. Disritmia. Um universo esquizofrênico. Panos sobre panos, sobre panos que não sabia o que ser, parecia querer rasgar - as palavras sem falantes, as falas sem um toque. Solidão, apesar de sentir presenças. Um mundo abstrato, inabitado, meu ego preenchendo tudo e aniquilado. Consigo recordar, com calafrios, suor frio e terror. Não é fácil lembrar, não é simples, ainda.

Hoje as memórias me vêm, muito nítidas: abri os olhos. Um borrão branco explodiu em meus nervos ópticos. Minhas mãos apalparam à frente - um vidro. A blindagem do ventre que me sustentou até aquele instante, sem eu saber, tato - novo, nas pontas de meus dedos -, mas já sentira o vidro, já tinha aqueles dados. Era mesmo como o real. O susto de ver meus dedos, a primeira vez. A ponta curva de minhas unhas. Não deveria ser assim. Então, percebi, além da barreira, um ente, outro, não eu, não os sonhos, outro alguém, um alguém que quando eu fechava os olhos, ou piscava, não sumia, nem mudava de forma.

Era uma menina. A palavra veio, mas não consegui dizê-la, apesar de saber que deveria mover meus lábios para isso e expirar, modulando as ondas com minha língua. Só borbulhas no líquor esverdeado... Encarei-a, curioso, agressivo. Ela olhava prá mim, através do tubo, através do líquido, através de meus olhos. Algo, não sei, uma pontada de sofrimento em algum canto. Eu não sabia que aquilo era sofrimento, não ainda. Mas não reagi bem.

Mesmo assim, continuei fixo nela, rilhei meus dentes. Tinha cabelos muito escuros que refletiam belos esboços de luz e olhos límpidos, colocou a mão pequena e fina palma a palma contra a minha, o vidro nos unindo, nos separando. Li nos lábios dela, um sussurro: A-S-H. E uma sensação de ternura, que também não conhecia nem sabia o que era ou sua denominação, invadiu minhas veias e amoleceu meus músculos. Havia esquecido disto por longo tempo... Mas neste instante, chego a re-sentir, minha visão estremece e sinto-me reconfortado. Eu recostei minha testa contra o tubo e fechei os olhos e quis que tudo parasse e voltasse a ser como... ... ... não sei... ... ...

Naquela manhã, na sala cheia de bips, uma sirene tocou. Relembro o som, ecoando distorcido e abafado no líquor. As luzes, piscando vermelhas e uma coleção de rostos encimando jalecos brancos com o mesmo símbolo no peito, na manga. Relevos metálicos ao redor, botões, painéis cheios de gráficos e flashes, e o zunido infernal de uma multidão de máquinas e aparelhos trocando mensagens eletromagnéticas.

A subida daquele muro que dizia: este espaço sou eu. Como num parto, minha água, lançada ao chão. Esvaziado. A nudez ao alcance deles, misturando-se a eles. Sentimentos de agorafobia. Uma centelha em mim crescendo e apagando-se, em brasa: presas - superiores - presas - superiores - onde está minha casa? Casa - palavra fora de sintonia, ruído.

Agonia: ar solubilizado em água por ar seco, pulmões queimando, traquéia, narinas ardendo. Então o olfato. Reconhecer o peso do meu corpo. Pressa e medo. Missão. Ativado. Sobreviver. Ser o melhor ou morrer, o único teste. Nomes de coisas surgindo a cada ângulo capturado pelos meus olhos. Vozes e posso entender, devagar, o que dizem. Torno-me esperto, alerta, uso suas informações, gestos, tudo que aprendo - sei que sou seu predador, sei que sou seu soldado - algo mais - sussurra um fundo.

Ela. Ainda. Mais atrás, protegida. O olhar assustado e sôfrego sobre mim. Oi, por que me olha assim? Quero... te... esganar...... ... Quero que segure minha mão... ... ... Suas mãos unidas juntas. Meu cérebro fulminou: "posição de prece, pedido de alguma graça, ou reação perante hostilidade e perda de confiança, sintoma de desespero, entrega de objetivos pessoais a algo abstrato que pessoas fracas supõem existir para protegê-las de seu destino". Seu gesto inundou minha retina. Minha boca quis balbuciar algo, mas era destreinada. Está tudo bem... ... ... Eu me seguro... ... Venha até aqui...

Uma enxurrada de mãos e instrumentos tocou minha superfície. Sentidos oscilando, fortes demais, descalibrados. Tantas texturas, sensações. Gelado, gelado, perto demais. Uma seringa, um imobilizador de aço. Quis atacá-los, mas um homem ergueu a voz para mim e meus neurônios queimaram. Contorção de braços, enosando tendões. Eu, prostrado. Primeira lição. Protocolos...

O dia em que nasci ficou nas trevas por muito tempo... Mas lembro, agora, você esteve lá. Por que?... E é como se eu te conhecesse de antes... Como? Quando?!...

O dia em que nasci foi só o primeiro de uma série, tão absurdos que por tempo demais, eu me neguei a lembrar. Ainda assim, você não desistiu de mim. Você sempre esteve ao lado, não é? Uma flor perfumando o vento, mas oculta num jardim murado. Sempre esteve envolvida comigo. Não entendo porque. Agora percebo que perdi de te perguntar. Oi... você... ainda está aí? Eu queria te...

agradecer...
[te levar...]

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Now playing: Gotan Project - Epoca

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domingo, 21 de setembro de 2008

Worn my world, wolf, wonders my words, so wrong

Alcatéia...

Assim chamou-nos a minha origem. Disse que essa era a minha pretensão. Talvez ele esteja certo.

Sinto um dever em mim para contigo. Visceral. Isso eu sei. Então, poderia ser pretensão? Pode ser que ele esteja errado.

Não seria a primeira.

Você é agressivo comigo. Mesmo assim, sinto que devo ser paciente. Instintivamente lembro que ser desafiador faz parte dos mais jovens. E lembro outras coisas minhas que me fazem rilhar os dentes. Coisas pelas quais eu esganaria teu pescoço, só para jogá-las no esquecimento. Ou não?

Não é meu único dilema.

Que fique claro: eu comando. Dardejo teus olhos com os meus. Desfilo minha força ostensivamente. Ainda assim, encara, duvida, troça. Que há com você? Não se importa em por a si em perigo, desde que não rasteje por nada... Ah, e que foi que te fiz?

Tua fúria é estranha, também.

No meio da estrada, teu pêlo. Preto como o meu. E olhei no teu olho. Agudo e violento como o meu já foi há tempos. Palavras ácidas. Síndrome de repúdio.

Mas tua companhia me conforta.

Será engano pensar que somos um par de semelhantes? Porque agora é tarde para recuar à segurança. Já sabe de meus planos, tanto que não contei a ele, e já dividimos minha fúria pelas tuas palavras toscas. Tu tentas me derrubar com que objetivo, garoto?

Acha que não deveria ter te trazido comigo, hm?

Até mesmo minha família, fingida, desejada desde as raízes insólitas de uma alma inventada em mim, te dei a conhecer. Ela é muito mais minha porque a fiz assim. Queria que tu desses passos para dentro. Pareces preferir a solidão.

E o passado, aí está, em comum, ponto a ponto.

Quer dizer que tudo isso e ainda mais, que não digo, pode caber numa única palavra? Nessa designação descrente e humilhante? Pretensão.

Oito patas numa trilha esmaecida e esburacada. Dentes. Pulsos violentos. Tangentes, círculos e paralelas. Você é... minha Alcatéia...?

sábado, 20 de setembro de 2008

The name of the game - it cames, never the same - insane

Palavras... Labirintos de palavras... Redes. Armadilhas nessas distorções de som significantes. Tu me caças através delas... Eu?... Eu as fio para ti, interminavelmente, mudando a direção e o sentido a cada puxada de linha. Como Penélope, ganhando tempo. Ou como Ariádne... Jogos...

Tua loucura corrói cada fibra do teu pensamento, posso apalpá-la no fundo do teu olho, cor de poente, na desconstrução de tuas frases contraditórias com teu semblante. Ainda há algo teu em ti? Ou quando estamos loucos, estamos livres para sermos puramente nós mesmos, um pouco cada voz que nasce em nós, todas, em mesma importância e altura irrompendo em nossas bocas e através de nossas mãos?

Cada nova sentença que deixa teus lábios, meus lábios, é anotação de um julgamento subterrâneo que ocorre agora mesmo entre nós. O meu é: há chance para salvá-lo? Há chance para salvar-te também? E haverá ainda alguma para mim?... O teu, só posso supor...

Arrisco. Vomito o pior e o retorço outra volta. Fui longe dessa vez. Vergonha. "Drako" como uma oração, um pedido de perdão. Uma brecha em ti. Te peguei em minhas linhas falsas. Espio pela tua carne aberta ao âmago de tua ferida. Ondulações rubras, fogo, orgulho, explosão, dentes de leão perdidos numa ventania. Havia algo forte demais. Depois, um ponto de quebra, súbito. A luz agora refratando nessa rachadura em ti e reproduzindo espectros distorcidos - monstros de teus sentimentos, monstros de teu coração partido.

Tu mandas a morte para ele. Eu ruindo. Não posso ir. Não estarei, ombro no ombro. Rasgando dentro ergo para ele minha confiança - ele vencerá.

Passagem. O gesto de tua mão. Não gosto de como me olhas. Passo. Refluo, escoando, um pouco de vocês todos que são como ele. Restos de coisas tuas e de teus semelhantes, semelhantes dele. E de mim, o que roubaste antes de sair do espelho?...

Um lago. Eu não te pertenço, porque este vínculo? A Mãe de Tudo habita um paraíso dessacralizado. O imundo ocupando o altar diante do Crucificado e rindo, devorando. A pulsação contaminada, infestante. Um corpo de enganos e tanta energia. Os olhos...

Conto segundos, agarrando-me à estratégia, fugindo do desespero de ansiar revê-los, talvez sejam os últimos... Aferro-me a meu objetivo, protejo minha razão.

Ainda vivo, minutos depois, testemunha do sintoma de tua queda. Respiro sentindo o peso do que aprendi de ti. Compartilho com ele ou o traio e acabo contigo?... Tu me lanças o teste. Eu avanço para ele, como quem sabe que está para atirar-se do precipício às pedras. Oscilo. Cumpro - desisto - cumpro. Preciso resistir a tudo que me chama de volta e parece mais forte que minha vontade.

Tenho que salvá-lo... Àquele que, um dia, - quando? - foi teu companheiro, também. Àquele que viu uma noite ser iluminada por fogos ao teu lado, eu sei. Sei porque ele o fez comigo também.

Tua improvável salvação pesa sobre mim. Minha improvável vitória pesa sobre mim. A cada passo afundo e é o mesmo nome - o dele, sempre - que alimenta meu peito cinzento e frio. O Sol daquela presença, insubstituível. "Como estará?" a indagação muda tensionando minha nuca, meus pulsos. O céu naquele olhar. Distante e profundo. Maravilhoso e invicto, intocável. Exceto rápidas pulsões. Cada pequeno acorde que são aqueles que lhe cercam.

Junto meu corpo entre penas negras de um coração selvagem. Corra. Voe. Fecho os olhos e tudo se esvanece, como se jamais houvesse existido - mas não há como negar, pois eu não sou mais o mesmo.

Somente me deixe terminar com isto... rapidamente...

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Now playing: Breaking Benjamin - So Cold
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domingo, 2 de março de 2008

Mirror crash sprouts glass rosebuds

Ergo muros entre nós, que eu mesmo destruo. Se você é tão forte, eu serei ainda mais. Jamais quis um parceiro - desnecessário. Mas quero a ti. Não. Não devia escrever isso. Mas, acha que eu me importo com o que tu pensas? Espelhos areados.

Os olhos dele vão além. Eu tento segui-los ao horizonte. Nos primeiros diálogos, sempre me perdia no meio do caminho. Ok, basta uma pista... Chuto latas em meus pensamentos, mantendo você na minha mira. O loiro dos teus cabelos ofusca as vezes. Tuas palavras mais ainda.

Você fala e suas palavras dão o ritmo a este coração. Sinto que ele foge ao meu controle. Bate mais forte e mais rápido que meus passos equilibrados. Ele acredita. E tudo se encaixa. Tudo faz sentido. Sim.
Rosas de vidro entre nossos pés. Te acompanho. Porque tu adivinhas tudo que quero antes mesmo de mim. Contigo chego ao ar livre, porque tu destravas as portas que eu não conseguia achar. Um labirinto de informações distorcidas sobre eles, você e eu.

Tu entendes isso? Tuas palavras explicam meus atos. Nessa cega liderança, percebes que vejo teus passos e neles consigo entender o destino que estou escolhendo? Através de ti, entendo a mim. Será que sabes que o que bebo em ti vai além, muito além da minha sede por um igual?

Finalmente, tu disseste. Eu sorvi para mim cada entonação da tua voz baixa, coletando cacos. Hoje escolho. O vidro desta janela não está mais opaco... Eu disse, sem falar, "sim". Disse, sem falar, "estarei ao teu lado, custe o que custar". Disse, batendo em teu ombro "pelo que me propõe aqui, vale a pena tombar". Disse, retirando meu olho dos teus "obrigado, você me mostrou o sentido da minha vida" - tive medo de que você me refletisse neles e eu me perdesse de mim mesmo.

Antevejo nascido do fogo e do caos, lavado no sangue deles - e no nosso, assim aceito - um Mundo diferente. Um quando que cederá a chance ao novo, onde as crianças criarão dias melhores debaixo do Sol. Se há um Todo... se este Todo se comunica comigo porque somos ligados... peço agora: Faça acontecer!... Olho para dentro e nesses espelhos fujo de qualquer pergunta. Em todos, projeto só o Futuro que faremos e deixo:

Amém...

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Now playing: Nujabes - Nujabes - Sincerely
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domingo, 24 de fevereiro de 2008

Greenish bubbles as iidich mumble-jumbles

Úteros artificiais. Luzes verde-azuladas, frias... Grades... Tubulações... Máquinas ninando... coisas... Cantigas rangidas entre fiações coloridas. Alumínio. Ferro. Vedações. Você, como um Deus. Tuas pupilas frias sobre aquelas criações vindas de ti. O contato de nós dois. Um presságio da sensação de peso insustentável em teu corpo. Um flash no teu rosto de menino da verdade por trás de nós dois.

Eles estavam presos. Mas, você também não era livre. Rato de laboratório. Simples código genético. Amorfo. Você foi mais sepultado que teus descendentes. Eu respirei o ar de várias cidades. Vi o sol se pôr e subir de novo. Nuvens. Folhas. Eu pintei o deserto de vermelho. Frases foram ditas só prá mim. Rocei a morte todo novo dia. Derramei-me em dezenas de mulheres. Cetim, seda. Loira, morena. Sei montar minha pistola de olhos vendados. Treze pontos fatais. Distingo o medo no teu suor.

Sei... nunca fui tão livre também. Mas eu te achei. Arrombei a porta da minha prisão. E a da tua. Tiros. Minha carne. Meu olho. Toda a realidade despencando em mim. Neóns. Sinais. Teus gráficos continuam um mistério. Tu só recolhe dados meus. Estéril. Buraco-negro. Sabes que não te pouparia. Sabes o que eu quero. Mantenha essa distância saudável. É esperto em não confiar em mim.

E então o jogo muda. Teu sorriso. Tua voz. Espio tuas brincadeiras. Meço tua aproximação do garoto. Onde está o padrão por trás dos teus atos? Teatro. Entre xícaras te estudo. Noz moscada. Maçãs. Aposto isso. Corre na minha espinha que está tramando algo... Que peça somos no teu tabuleiro, garoto-ancião?

Porque ainda me força a carregá-lo? Aquele pedido extremo, refletido nas poças sujas. Tuas lágrimas, quando antes? Nada disso combina. Cadê aquele serzinho raquítico? Onde escondeu tuas feições desbotadas? Céu cinzento rolando sobre nós. Tu me pressionas com um abraço estreito demais. Ruas num vôo uivante. Tua presença às minhas costas. Um magneto que me derruba para dentro de você. E sempre esbarro em teus portões fechados.

Tua pele clara é menos pálida que a minha. Tuas feições de menino, mais humanas. Teu olhar inspira compaixão. O meu, jamais. Derivo de ti: quando mergulho em teus olhos, no som de tuas tripas, no ritmo de tua respiração, reconheço minhas raízes. Não somos iguais, sequer parecemos...

Ah!... Aposto que o que é não passa de engodo. Você se esconde. Tudo, uma densa camuflagem. Sim, pressinto o blefe em cada silêncio teu. Hora ou outra, as cartas acabam. Vou olhá-lo direto entre os olhos, como na primeira vez. E dessa derradeira vez... te farei falar.


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Now playing: Linkin Park - Figure.09
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sábado, 23 de fevereiro de 2008

Drowning delusion on marine tourmalines

Era uma madrugada insossa e molhada. A água repicava no gorro da capa de chuva do meu technoprene. O tamborilar contínuo ecoava o das poças, o das placas de metal enferrujado, e me levava a um estado de frenesi meditativo. Via formas correndo entre os monturos. A água escorria em bicas dos meus braços, das minhas costas. Um pensamento vazou: podia estar seco sentado lá na Igreja ou deitado num putedo...

Mas foi nesse instante que você se pronunciou, e eu te achei. Foi por acaso, poderia não ter passado por aquela pilha de lixo. Curiosidade, e não piedade, ou qualquer outra coisa, foi o que moveu meus braços para te desenterrar dali. Você não entende isso, não é?

Para seus olhos de criança, eu sou seu Salvador. Mas basta um tanto de inteligência, basta uma pitada de sabedoria qualquer, para ter certeza de que não sou como aquele na Cruz. Não. E eu abomino essa tua gratidão, garoto. Detesto quando me leva regalias. Me incomoda quando gasta tuas frases infantis comigo. Você insiste. Tuas mãos pequenas procuram brechas para me atingir - não quero que me toque. Você me causa ganas! Eu não sou teu herói!!!

... Pedi ao Santo que o mantivesse longe de mim, que cuidasse da tua segurança. Ele não me responde, simplesmente esboça um sorriso, como se tivesse me vencido. No que?!... Talvez ele confuda meu silêncio, meu descanso, com mansidão - e isso seria um grave erro.

Te dou as costas. Berro contigo. Mostro os dentes. Se afaste de minhas garras, fedelho! Para que saiu daquele lixo se agora testa tua sorte comigo? Não quer ficar velho, idiota?!

Do meu canto eu escuto tuas lágrimas no assoalho da Igreja. O ruído delas é doce e singelo, ninguém além de mim mesmo para escutá-las. Tuas palavras solitárias, tu as dirige para aquela coisa de pelúcia imunda e esfarrapada que te dei. Acho que ela também não pode te dar nada, pivete. Sequer te ouvir. Mas ao final, ressonas abraçado nela... Inexplicável... Qual consolo retiras do vazio?

Fecho o olho. No escuro de minha mente, você sempre me ataca de novo. Sinto meus músculos contraídos tentando escapar ao teu corpo frágil, implodidos para dentro, soterrando meus sentidos, sentimentos.

Arfo cada vez mais pesado, tu me pressionas com a tua inocência, com tua carência tão extrema. Sei que vais morrer. Sei. Sei disso a cada batida do meu coração e do teu. Sou o único que pode... o único para te estender a mão ou pode ser tarde demais. Sei. Sei disso. O sangue escorre de mim, como se a chuva o fizesse brotar de minha pele. Sangue de todos aqueles que me afirmaram quem sou. E você ainda, ainda me olha pedindo, pedindo tão aberto, sem defesa alguma, sem chance alguma.

Eu vacilo. Como vacilei naquela noite. Me deixo confundir. Eu atravesso a soleira da porta. Eu me atiro de costas no penhasco. Emerjo do mar revolto, afogando, sendo levado, mas você está em meus braços. Tento deixá-lo acima das ondas, estou descendo. Você se recolhe contra mim e eu puxo forças e nado, nado até que meu corpo esfrie. Estou morrendo, mas você beija meu rosto cínico e gelado. A água invade meu peito, mas estou calmo, você ainda acarinha meus cabelos. Me olha até o cerne enquanto apago e te escuto dizer "sou eu que te salvo".


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Now playing:
Yuki Kajiura - Echoes
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Dark dread thoughts down my decised cold knees

Li palavras mentirosas no Cântico... Palavras que afirmam que há um Todo a ser louvado, um Todo do qual participo. O Santo me explicou que a única coisa necessária para ser uma parte desse Todo, é existir... Porque todos fomos uma vez Um... Eu só consigo ver partes. Eu só consigo sentir um limite asfixiante entre os outros e eu, e não parece diferente entre cada um.

Há anos que observo esta sociedade, vivendo como um intruso. Posso classificar a maioria dessa gente. Os vermes, só rastejam aproveitando o que sobra da podridão. Os chacais e hienas apenas atacam os fracos para roubar-lhes o pouco que têm, acham-se fortes e soberanos, mas nada mais são que covardes estúpidos. Há o rebanho, obediente e trabalhador, sabem que há algo errado, mas não conseguem ver que eles é que alimentam tudo isso. É, eu vejo, acima deles todos, os mestres disso, os únicos que ganham realmente, os únicos que mandam realmente, leopardos e lobos, esperando com suas goelas enormes e suas panças insaciáveis para devorarem. O que há de similar entre eles? Como podem uns e outros, todos, serem partes iguais desse Todo?!

Mas o Padre insiste que o Todo é feito de cada um de nós, e que para o Todo conduzir a um Mundo melhor, é necessário que nós façamos o movimento. Até que a massa saia da inércia. Ike quer que acredite que faço parte disso tudo, mesmo eu não sendo parte dos planos da Seleção Natural, mesmo eu nem sequer sendo fruto da união de suas criaturas, mesmo eu não servindo para perpetuar nenhuma espécie para a Glória do Todo...

Então... sou uma célula de Deus. Uma fibra de seus músculos. Um neurônio de sua mente infinita. Um bacinete de sua retina, testemunhando por Ele.

Sou?... Serei mesmo isso, ou só gostaria, agora que começo a entender tudo pelo que agora me ajoelho e peço perdão? Eu só levei imagens de todos os crimes que cometi, fixando-as em seus Olhos, o sangue, as lágrimas, bocas esgameladas pedindo pelo Teu Socorro, mas imune à clemência.
O neurônio que acorda para maquinar Contigo a destruição. Sou a fibra que tantas vezes ergueu o Braço para esmagar quem estivesse em desamparo, quem lutasse contra todo esse lixo. Eu não sou uma célula - sou o miasma de Deus!

Torço os dedos, abaixado diante do Crucificado, ele me olha como se fôsse uma de minhas vítimas, mas seu olhar é mais forte que o meu... Prendo o ar, meus pulmões ardem como se respirasse ácido. Baixo a cabeça. Ele me perdoa?... Acho que não. Eu não me perdoaria. Ainda sonho com o prazer da batalha, ainda salivo ao destravar um coldre, ainda os vejo como alvos. Minhas narinas buscam o cheiro de sangue. Meu corpo todo pede para matar.

Sou o câncer, regurgitado da sujeira, inesperado, hostil, desgraçado - eu sou o que consome o Tecido do Todo, esse sou eu!...

Minha existência é a subtração desse Todo...


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Now playing: Yuki Kajiura - Fake Wings - Make Decision
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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Fractal flesh on factoid flashes

Estava dirigindo o caminhão, quando de repente, minha memória foi invadida por aqueles eventos esquecidos. Por meses eu me torturei, procurando pistas sobre meu desvio... Um instante qualquer em que tivesse pressentido que iria sair da estrada... Eu lembrei... finalmente.

Cores. Fragmentos estanques de espaço-tempo. Como uma estilhaço de ferro quente, sua figura perfumada. Era meu primeiro dia em campo junto com civis. Via por cima dos bancos, o recorte dos ombros do CANNIBAL número 3, um dos sêniores. 'Tava tão nervoso e cheio de adrenalina que poderia gritar e correr em círculos, subir muros e me atirar de um penhasco. A caravana perdia Midgard quilômetros atrás.

Tédio, nada acontecia. Do meu lado uma sentença grave se passasse o sinal. Tinha que suportar. Imaginei que era um teste. Que, a qualquer momento, minha concentração seria vital. Eliminar alvos. O campo verde em minhas pupilas. Uns acionistas gordos, uns ratos de laboratório e tocando o circo, o teu pai, lá na frente. Pela janela, um Mundo que eu desconhecia. Risadas cínicas, comentários maliciosos de impotentes. A poucos centímetros de mim, você, dividindo o banco comigo.

O couro claro exalava cheiro de cera. O teu fruto proibido me enchia a boca de água.
Um céu claro demais, de um creme berrante que faísca dourado. Cerro meu olho só de recordar. Meu rosto, tão mais novo e zerado, espelhado em teus olhos insistentes. Eu via árvores... Nuvens... Céu... O que conversamos? Suas palavras velhas, de dez anos, sopram de novo, uma coisa ou outra. "... tudo que nasce tem uma ligação especial..."

Um feixe de luz dançava na tua blusa, iluminava ora tua boca, ora uma mecha de teus cabelos negros. "... o que fez até agora?" Tu eras não mais que uma garota recém pondo peitos. " ... mas é feliz?" Feliz... Número três respirava devagar. Teu pai metralhava explicações. Fecho o olho e ainda posso sentir tua mão sobre a minha, escondida deles. "nunca tinha sentido falta do céu? eu sempre..." Um projeto. Melhoramentos. Reservas ricas em carga genética...

"Você é um animal livre como... " Vozes de feras decantando fundo. O cheiro do vento. "... correr pelo Mundo?" Teus argumentos iam num crescendo de desespero e intimidade. "Não suporto o que meu pai está fazendo com você! conosco!... você é muito mais que um cão de guerra! " Tua coxa encostou na minha. Fiquei duro e tentei me concentrar em não dar na vista. Vi uma mancha azul vibrando, vibrando entre nuvens. Eu achava ainda que era o soldado perfeito.

Espio pela janela do caminhão e relembro de fazer o mesmo gesto quando tu me apontavas insetos, pássaros distantes, flores sobrecarregadas de cor. "... o que você realmente quer?" Teu coração impunha um ritmo de pedidos urgentes: me liberte, me entenda... me foda... Não a atendi, fiz tudo parecer que a ignorava.

Enfrentamos ameaças por duas vezes.
Entrei no blindado como teu campeão, primeiro aplaudido, depois espreitado com pena. "... estava me protegendo mesmo?" "... não" "... só quer ver sangue..." "... você só tem esse maldito treinamento, não é?!" Espreitava lágrimas em teus cílios pesados. Mas o que te fazia sofrer, eu não conseguia alcançar... "por que não me responde???" Saí da missão sem máculas, com recomendações. Pus você em seu lugar. Uma simples boceta civil. Fiz carreira. Tinha virado a página...

... ou assim pensei...

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Solid holes fills with neurotic pine circles

Como uma dessas peças coloridas de madeira que vejo as crianças brincarem: - círculo amarelo no buraco do círculo, quadrado vermelho naquele do quadrado, triângulo... - eu não me encaixo.

Entre elas o que sou me exclui.

Ao lado do Santo... Ah, então tudo é irreal, sinto-me nadando em drogas, mergulhado num delírio. Como encaixar em algo que parece ilusão? Como carregar um clip numa arma de holograma.

Há um instante - um único instante - em que me percebo funcional. Quando tudo segue certo e rápido. Onde sou com o tempo: rastro perfurante de momentos plenos. Sucessões. Pulsação. Alvos a serem eliminados! Eles me gritam quem eu sou. Caem. E quando silenciam, murmuram quem eu sou...

O povo daqui me bolina com elogios. Me rotulam como "seu protetor". Não sei o que isso significa. Em missões de guarda-costas, ainda assim, sou aquele que matará antes. Para mim, essa é a chave: calar a vida do outro, antes. Eles me bajulam. Sei que não me pagarão. Outros vão e tudo fica bem. Sou o "herói". Eles, os cegos.

Eles me agradecem, por suas vidas... Eu só cumpro minha missão. Porque eu... sou eu. Nada mais. Nenhum outro. Preciso mostrar a mim mesmo, toda a noite, quem sou: eu eu eu! Ainda... eu.

E quando descarrego o bolso e minha palma se abre pesada de gils sob os olhos frios do Reverendo, sinto algo estranho e perigoso, não fôsse isso, patético. A respiração dele me embala. Sua resistência e depois seu sorriso tudo é honesto. E ele me olha diferente, parece que me faz encaixar...

Com mal-estar reconheço naquele silêncio em que dialogamos: esta é minha função aqui. Estou no lugar para o qual fui esperado. Ele me acolhe entre eles. E me abençoa...

Sou seu inimigo, por estas mãos, por minhas idéias, pelos tantos que enterrei, pela Corporação, por cada proteína dos meus genes, mas ele acredita que os salvo.

Como uma dessas peças coloridas de madeira... círculo amarelo no quadrado... hiberno meus dias agarrado a arestas imperfeitas... quase caindo... sem entrar... eles juram que é onde devo estar...

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Now playing: Red Hot Chilli Peppers - Knock Me Down
via FoxyTunes

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Cynesthesic hairflow on golden god sodas

Poeira... Fervilha um spray de partículas douradas que balança em câmera lenta frente a luz do sol que desce... Uma única pupila, vórtex do buraco negro, capta com esforço o limite de cada uma, flutuando, quase imóvel. Entre tu e eu.

Um mar de reflexos na ondulação de teus cabelos aloirados. Absorto, escuto a quietude de teus pensamentos e passeio no desenho que tecem. Te vejo. Meu olho é coberto pela tua figura deslizante e nesse fugaz momento, tu és o Mundo convertido em Você e o Seu cenário... tudo, tudo a tua volta parece respirar para ti, moldar-se a teu andar...

Quem és?... Se eu fôsse outro, e nos olhasse agora de fora, com esse olhar de quem se apaga para ver... veria a mim também como um acessório teu? Seríamos o Mundo... Eu estaria ao teu lado só para compor a tela perfeita?... Se assim fôsse, eu e tu, indissolúveis, tu arrastaria-me sob teu destino e eu simplesmente orbitaria tua jornada...

Olho de olhos semi-cerrados e toco paraísos em teus fios soprados de inércia. Dá-me um deles que seja... um deles, solitário e longo na palma de minha mão, dourado sob o fio da minha retina, dormitando entre minhas digitais, impregnado no profundo dos meus pulmões até a minha inexistente alma... tsc... ela se abriria em sacrifício a esse Deus, eu sei, se fôsse cativada por um único fio do teu cabelo... um único fio, conduzindo-me para dentro de todo o segredo amplo que és... ou somos...

Se me estendesses um só fio do teu cabelo... toda a minha carne prostrada a seus pés...

Eu vislumbro o Todo em c-a-d-a curvatura dos teus cabelos...

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Now playing: Nujabes - Beyond
via FoxyTunes

Snow-white skin zero-celsius paramecius

Confesso... (termo estranho, coisa daquele Padreco!) Confesso que me dá terror sentir tuas mãos pequenas e brancas tocarem minha carne. Quando durmo, acordo alarmado e percebo que é só você se recostando em mim...

Quem pensa que é, para tal licença?! Quem pensa que EU sou?!!

Já aprendi que teu toque não significa meu prazer... Humilhante... - Tive ganas de esguelar-te, prensando esse teu pescoço magro, fraco!, entre minhas garras até que não sobrasse uma molécula sequer de oxigênio nesse teu corpo débil!!!

Não consegui. Por que? Foi o primeiro que não eliminei. Me pergunto todos os dias: - por que??? Seria porque tu és tão submisso? Porque não te excedes contra mim, nem revida?... Não... Talvez porque sejamos próximos no núcleo de cada célula. Talvez porque você seja VOCÊ - o Marco Zero. E talvez eu deseje aprender o que você sabe.

Pode ser um engano. Posso acabar descobrindo que você é uma fraude. Nada tem a me ensinar que valha o ar que você respira... Se o que eu pressuponho for um delírio, então...

Os dias correm e você não solta sequer uma frase inteira. Parece me sondar e conhecer meu desejo. As crianças brincam, comem, brigam, dormem ao nosso redor. Você, porém, continua preso a mim, mesmo que eu não o tenha algemado... E seus olhos sobre meu rosto não são os de um condenado, e sim de quem me sentencia...

Nossos diálogos são só nossos. Gestos, olhares, cheiros da pele. Absurdo quantas vezes teus argumentos já me interromperam. Quantas vezes abaixei a voz, recuei numa decisão, engoli a ira, ou acompanhei você. Quantas vezes aceitei sentar-me nesse mármore frio para que você deitasse em meu colo?

... e olhando seu sono sereno, quantas vezes me questionei quem eu seria se não tivesse sido quem fui?...

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Now playing: Fort Minor - Petrified
via FoxyTunes

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Strawberries beyond red sensations

Um dia suspeitei de ti. Não... sei que ainda suspeito. Por baixo de toda a minha procura pelas tuas palavras está uma velada, mas inconfundível sensação de perigo. Uma ossada branca no fundo do lodo. Um alerta: - tu irás me trair, em algum momento...

Eu estive só. E estou estranho. (Certa vez descobri que fantasmas são espíritos presos entre dois mundos que não lhes pertencem - o dos vivos e o das almas, ambos proibidos a eles...) - Me sinto assim... Nem CANNIBAL, nem gente como eles, com os quais durmo no chão da Igreja à seis meses...

Tenho algo que se remexe dentro de mim. Como um parasita enorme, enrola-se em meu peito. Distrai-me. Desregula meus humores. Me sufoca às raias da loucura quando tento dormir pela manhã...

Como explicar o que me aflige? Como te demonstrar o que me tortura a ponto de abrir a guarda para, abaixo de ti, - eu! justo eu! - suplicar não sei quê que me pudesse curar?! Qualquer invenção que me socorresse, que me fizesse sentir-me novamente eu. Que pelo menos me desse paz. Dirias: - "Sim, também foi assim comigo, mas agora..." ... Tu não o disseste.

Ao invés, deu-me um esbarrão e lançou-me em outro caminho. "Torne-se o que escolher ser." Certo, faço isso seguindo tua instrução. Tua, tu, o único que, sendo diferente, no entanto, tem algo de igual a mim. Mesmo assim decepciono-me, decepciono-te. Falta-me o crucial: saber o que quero.

Tu oscilas como um pêndulo num relógio louco. Hora um, hora outro. Sem ritmo a medir, nem aviso - e jamais saberei se fui eu ou outro fator, a causa desses contrastes... A calda de licor sobre a torta de morangos: o que tu rias e eu sentia em silêncio, não eram o mesmo? E tal não era a misteriosa felicidade?! ... Não?... Tudo se desorganizara, soprou-se para o passado aquela vista de dentes perolados. Sobrou o olhar frio e mortiço de quem vaga sobre a própria cova aberta.

Tenho vontades... Saber se aquela calda te dava prazer como a mim e pedir mais. E aquele som mágico de tua boca, e aquele balançar de ombros e a vermelhidão, tudo, que tudo se repetisse e tu me respondesse, dessa vez: - "Acertou!"