Mostrando postagens com marcador crianças. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador crianças. Mostrar todas as postagens

sábado, 28 de fevereiro de 2009

So so dark... and waiting for the sun...

Evitei-o deliberadamente...

Tentei ocupar-me. Cada vez que o Sol ameaça clarear - eu já estou lá, trabalhando. Cada vez que se vai... sou o último a me despedir... e minha vida fica rala... e meu sangue corre lento e viscoso...

As pessoas que precisam de mim... As vejo irem aos seus refúgios... E penso... Talvez não precisem tanto de mim... Não aqui... O que eu realmente faço sempre bem... Talvez devesse deixar esses muros e proteger os que ainda estão perdidos nesse caos...

Minha família se despedaça cada final de tarde... Boneco de pano partido...

Janto cercado de sonhos infantis. E de frente para o Santo... Ele sempre tem palavras luminosas para mim ao final de cada dia... teria ele a sabedoria para me fazer acertar?...

Não dormi nos últimos dias...

Tenho furtivamente acompanhado Drako - sei que ele volta para aquele apartamento vazio... R
evejo minha escolha... me dói... Mas creio que tenha sido a mais certa - libertá-lo. Gostaria que ele não se amarrasse em mim como quem toma um dever e afunda com ele... E é isso que me parece. Espero um pouco, ao longe... E depois me vou... Quero dar a ele um espaço para respirar...

Vadio pelas ruas, em vigília... Pelos telhados e becos... Entre as ruínas... Nos esgotos...

Duas vezes visitei meu filho... Mas tenho tanto a perguntar... Calo... Pois ele sempre tem ainda mais a dizer... E gosto dele... Gosto de tanta energia... Vejo que ele se orgulha... Ainda ficaria altivo se soubesse que ando me escorando por dentro, perdido, sentindo as paredes caindo sobre mim?

Uma vez eu escutei os passos dela, num prédio da ShinRa... Não quiz cruzar seu caminho... Mas me mantenho informado sobre os progressos de Asgard...

E fora isso... Reviro-me sobre o colchão com o cheiro pesado e ardido de tantos corpos e histórias... Meu olho só fecha uns poucos minutos... Quando não suporto olhar o céu pela clarabóia...

Não tenho paz...

A felicidade que acumulo nas horas claras... se esvai rápido...

As vezes não sei quem sou...

Cuido as ruas devoradas por esse horizonte tão curto... Meu peito bate forte e rápido. Como um tambor anunciando a batalha. Exigindo que eu vá...

E ele quer que o irmão viva... E acho que ela também...

Minha mente não se cala, quando estou só... E nesta madrugada Ace me contou sobre a nova crise... o Geostigma... Isso me motiva a ir atrás de respostas. Uma pista. Por uma chance, fui capaz de tolerar o humano e suas manias. Até mesmo tentar compreendê-lo. Por uma chance, eu rompo minha estratégia e finalmente o chamo em sua porta - eu quero oferecer-lhe a esperança...

Nada, no entanto, me prepara para suportar seu olhar opaco... - Onde está o céu luminoso que sempre me sorri de volta?...

Eu te abandonei... - é isso? - Vergonha.

Mas tu estás com o garoto Cetra... - Um gole de ira e ciúme.

Fecho-me para não ser mais mutilado. Fecho-me para segurar-me. Fecho-me para que tu continues ao lado dele, e não ao meu...

E rezo... Em silêncio... Para que suas mãos se juntem. Para que o que se cria entre vocês, perdure... Apesar de mim...

Nada é bem-vindo...

Acabo sentindo a velha sensação do fracasso tingir-me de preto... Estraguei tudo - e por nada... Outra vez... Como vocês poderiam me perdoar por isso?... Como eu?...

Meus ombros se encolhem e meu coração espasma menor... lendo em cada gesto seu o quanto me desaprova... o quanto gostaria de não me ver aqui...

Será assim?...

Eu quis... Agora... Se perdê-lo por inteiro... A culpa será toda minha... Só espero vê-lo forte... Isso me bastaria para me erguer...

Vê-lo vivo.

Isso me bastaria para viver.

Vê-lo amar.

Isso... ... ... seria... ... ... uma jóia...

E depois de tudo... Quando outra missão chega ao fim... Uma voz amiga me surpreende... Fios vermelhos ao vento sob a luz que pisca como uma estrela moribunda... Uma maciez entre esses braços sempre vazios... O perfume doce que canta ao meu peito.

Poderia me ajoelhar aos seus pés e pedir por socorro...

Não saberia como.

Então... Levo-a ao meu covil... Mantendo-a a salvo... E espero... espero de novo...

... o Sol...

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Trails of tales

Nada de hierarquia. Cordas soltas... O caos desse mundo civil. Afronta. Subitamente, ninguém para interrogar. Protocolos de diplomacia correndo sobre mim. Ela ganhou. Informação fácil para ela. Sequer uma resposta simples para mim. Um a zero... E frente a frente na mesa do Líder Órion. Me sinto estúpido. Ludibriado... Ele não está. Sei que está movendo as peças - resolvendo tudo... É, ainda mais estúpido...

Sigo a trilha dos movimentos dela.
Seus batimentos cardíacos. Pistas hormonais. Nenhum detalhe me escapa. - Exceto a verdade... - Sua origem. Shinra... Uriel gravita em torno dela. Uma ternura carente nos olhos dele. A vibração nova em sua voz. Um incentivo para minha vigília - ele é a presa perfeita.

Ele chega. Saio da vitrine do museu. Um time, outra vez. Troca palavras com ela, atira-as. Sinto no olhar dele, na contração de um ou outro músculo, que ele a está conduzindo, fazendo-a encarar-se, descer do muro. Analiso até mesmo suas pausas... De arma e ameaça, de mulher e tentação, em inocência e doçura. Basta uma moeda. Some e reaparece. Os olhos verdes abrindo-se como os dos pequeninos. A boca, carnuda, num "o". Promessas e lugares mágicos. Ela brilha. Ane está mesmo maravilhada...

Curiosidade. Matizes entrelaçadas e enervantes entre ela e eu. Destrave esses segredos para mim... Onde viveu? Com quem? Como foi sua infância, seu passado, cada um de seus dias até a
Corporação trazê-la a nós?... No que acredita?... Aliada ou inimiga de uma só vez, sem estorvar-me mais...

Flores brancas, miúdas. O ângulo de seu rosto. Delicado. O jeito atrapalhado de comer. Absurdo. A risada que me dói e destoa dela - mas é tão dela...

Quem é você, Ane Marie?

A que veio?

Ele livra-se rápido do prato. Inquieto. Incomum. Entrega-me ela. Não quer que eu faça mais nada a não ser pajeá-la?!... Sei que é importante!... Não é isto... Estar alerta para que não haja sangue. Estar atento para captar qualquer informação... Mesmo assim... assim que ela põe a última garfada na boca já estou me levantando. Quero aquela conversa contigo, e... ... ... Esse não é meu único motivo... Não digo mais que isso.

Ela tropeça, resmunga. Suas roupas. Pego-a com o canto do olho. O grosso das pernas. É... chega a doer. O branco leite. Máculas rosadas. A saia, presa nos cantos da roupa de baixo, clara, macia. O drapeado em arcos concêntricos balançando entre suas coxas. Corro meu olhar pelas paredes. Rilho dentes. Controlo-me. O Padre se despede. Tanjo-a pelos corredores e salões. No rastro dele. Pressiono-a para me acalmar. Ela conviveu com crianças. Gosta delas. Especialmente do cheiro - bom para dormir...

Voltam-se a ela como lobos. Homens e seus apetites... A plataforma muito aberta à amplidão de azuis... Chiados no silêncio quase vazio... Iodo... Sal, ardido... Ritmo na vastidão cintilante lá embaixo... O Sol alto... ... ...
Ele, num salto impossível, das ondas a nós...

Ela o admira.

Sento-me, farejando o horizonte. Aquecido.
Tua voz cantando notícias. Leões rechaçados em Cosmo Canyon. Interesses em Huge Materias. Uma nova missão. Ânimo... Me brocha saber que não devo sangrá-los até que mergulhem no Styx... Poupar tantos quanto pudermos... não é, parceiro? Fecho o olho. Um disco laranja em minha retina. O amargo em mim. O amargo da abstinência. Nos arriscamos para salvar esse povo. Creio que isso seja o contrário de exterminá-los... Entôo o Cântico, bem quieto, lá no fundo de mim mesmo.

O peso do Céu -
"Sou livre para não ser P.A.#7."

Um murmurar sobre teu irmão, a confissão de um sonho - e o teu sofrimento em cada sílaba. Perigo. Meu sonho, voltando. Encadeio planos, mas num inspirar, a conversa gira. Cartões, levá-la... O que??? Tonteio. Do que falamos? Vestidos... Eu? "Requinte" Comprar gravatas... Um sorriso diferente em ti. Ele, na evasiva, apontando ao longe. Seu vulto recortado contra o anil, duro demais, isolado. Indo...

Um sentimento rasgado em mim...

Outra vez, ela comigo.
Devo ter paciência. Não há nada que saber sobre mim. Nada que possa lhe dizer sobre Kuroi. Está se acostumando mal... Sua insubordinação me avilta. Ela contesta... Aborreço-me. Quer cooperar?... - ah, não só você!... Então resolvo: transgrido. Deixo a porta da gaiola escancarada. E mostro o caminho...

Logo, ela voa, rápida como o vento. O calor dela... me ultrapassando, dissolvendo-se no ar.
Flores brancas num véu entre ela e eu. O allegro dolce altíssimo de seus passos no metal... A trajetória dos fios ondejando... salamandras... labareda... A excitação de seus corações...

Jogo-me atrás dela. Um pouco atrás... C
açando-a, me inibo. Me... complico... O salto dela. Leve, fino, penetrante... Um florete no corpo do mar... Adrenalina. Dou tudo de mim - sem porquê. Arremeto numa explosão. Vôo livre, a folha d'água muitos metros abaixo... As roupas dela como pétalas de flor. Ou borboletas marinhas bailando ao seu redor...

Fecho os braços à frente, e rasgo a carne do Oceano com meus dedos retesados. O som fustigiante de meu peso contra o empuxo... Azul frio lambendo meu uniforme - esperto, guarda ar para nós... As pernas dela... seu movimento de serpente... O espectro do navio. Nuvem de areia...
Já não está sem ar? Ela guina, eu subo junto. A luz atingindo-nos através da água. Segundos, bolhas de ar vazando. Você consegue?... Enfim, a música das suas risadas.

E tu
? Observo-te: tu estás nos cuidando... Feixes dourados, pálidos, do teu peito. Me rendo... Arabescos de pressão e sal. Incontáveis indas e vindas das correntes inconstantes. Diante de ti, o Universo me arrebata, Drako...

Acordo.
O dois em carga arrastam o titã. Mais fundo. Mais. Ainda falta... Examino de longe: só uma testemunha de sua força. Vergonha... Eles sobem. Sei que vão tentar de novo.

Vasculho o cenário, analiso... Banshee.
No máximo. Um bom ponto de apoio. O bote pontiagudo. Minha contorção que amplifica o poder dela. A água explode... Espasma, como um enorme ser. Borbulha selvagemente. Risca-me. - Meus tímpanos!... - Cerro os dentes, cerro os dedos. Minha mortal rasgou uma grande fossa junto ao casco.

Os dois descem. Me afasto. O soco na água me empurra longe... O lamento, um rangido abafado e longo, do cargueiro. O Sol me guiando para cima.
Rápido! Arde respirar. Nuvens desenrolando-se entre meu olhar. Vejo coisas, - memórias - . Mantenha o foco no que está acontecendo... Escuto-o em mim - como se ele pudesse abrir uma porta e enfiar a cara para dentro do meu cérebro - muito claro. Furioso, ácido sob fios brancos.

Obedeço... O céu! O traje derrete de mim, me libera. Inspiro com um grito. Sede de ar. Consegui. Relaxo. Arquejo, mas vejo os dois comemorando... Conseguiram. Sorrio. Nós conseguimos.

Nós...

Drako... Eu... ... ... e... Ane Marie...

[2ª versão, editada em Agosto, 23, 2008]

sexta-feira, 25 de abril de 2008

War hounds are bound to...

Fôra um dia daqueles... de cão... Minha vida estacionara novamente naquele velho capítulo escarlate...

Cães de guerra, outra vez. Abríamos caminho ao comboio que contém - em poucas palavras - tudo que importa.
Eu precisava estar no auge do impossível para defendê-los. Nenhuma criança abatida. Eu não permitiria que tocassem nelas. A droga produziu aquele efeito deliciosamente psicótico em mim. Um mundo sobreposto por arabescos. Cintilâncias... Cheiros tão vivos que tinha de engoli-los com litros de saliva. Um mundo simples, aberto ao meu talho, sem meandros, reticências, interpretações... Um mundo sem questões. Ação e reação.

Enfim eram tantos por cima de mim que me senti implodir e esgarçar por dentro, estirado pelo impacto de tantos corações pulsando, tripas em convulsão, tantos gritos, arfares, suores, couros... pólvora - carne viva, queimando, sangue de tantos cheiros... Dos meus genes fosforescentes ela irrompe e minha pouca humanidade cede sem resistência, desfia-se como meias de náilon... Eu... Monstro sem nome... Mastim que estraçalha os inimigos de seu amo...
Falanges jogadas ao ar - hipérboles. O convexo de um olho tornando-se côncavo. Uma pirueta de um decepado.

Fujam de mim, ou caiam!!! - eu rujo, rosno, uivo. Acima de mim, o raio alongando-se, tentando tocar a fortaleza às minhas costas. Inalcançável. Bestificado, minha mente repetia 'não pode... fulminá-los... não podemos deixar...' Então o feixe falhou, piscou, irregular, vencido. Pensei em ti. Só você faria aquilo.

Não te vi cair. Nem cogitei isso... Tenho aceito bem demais a tua invencibilidade.
O garoto me acudiu quando tudo tornou-se restos. Nos pequenos gestos e olhares, ele é teu filho. Evoca-te. Me confunde. Vale-se disso para pedir-me: 'procura-o'. As lágrimas todas imploravam - desnecessário: eu iria. Sabe que sim. Aos gemidos fabulou a sorte que te coubera - a tua morte, que eu ignorava. Corri. Sobre mortos e aleijados, vencendo o espaço e o tempo como se pudesse rebobinar tudo e evitar o que te feriu. Atolei na areia macia demais, clara demais. Sal nas minhas narinas. Dor nos meus pulmões. Pensamentos ocos.

O imenso mar e algo muito sutil de ti. Deixei-o ali e segui louco para dentro do escuro silencioso. Penetrei o fio do frio daquelas águas. Por ti. Cada pequena faísca de nossos poucos dias, bailando e descendo ao meu redor. Cada momento brilhando naquela escuridão, partículas em minha mente enquanto forçava meu caminho. Douradas, como teus cabelos. Impactantes, como tuas palavras cruas. Capazes de me dar perseverança, como tua pregação... Relembrei até as coisas tolas, os risos que roubaste, o esdrúxulo do teu drible contra as crianças... O motor de sua moto sob nosso peso - voávamos sobre a rua, sobre a vida.
E lá no fundo, emoldurado por todo meu delírio desesperado, te enxerguei.

Tu não ousarias morrer! Eu não aceitaria. Tua carne e tua essência aos pedaços, contra meu peito. Tubos de proteínas, os olhos deles me encarando... Não, com você eu não permitiria.
Enquanto o Sol declinava, teu corpo gelado e incompleto repousou, devorado pelas esperanças teimosas do fedelho e deste assassino. Então, aquele que tu venera veio em teu socorro. Invejei-o. Registrei a corrente fluir, viscosa e etérea, para dentro da tua carcaça. Só ele poderia. Eu, reduzido a mera testemunha. Meu medo como uma flecha numa corda tensionada. Segurando, ainda não, ainda não... Lembro de fechar o olho e pedir por ti. Rasuras sépia flutuando sobre pensamentos que tentam seguir adiante.

Naquele ninho sob o olho do Sol que tanto amas, o milagre da tua volta...

Preciso de ti: este é um ponto fraco, que não deveria ter. Me atrapalho. Dou vexame frente aos teus olhos frios. Me revolta. E a emoção brota mais forte que todo o senso, mais alta que minha voz. Te sinto, e só assim confirmo que está aqui. Pele a pele.

Nós lutamos entre sorrisos... Disputamos quem deve proteger. Quem deve ser protegido. Está tudo bem. Entende? Que se rompam em nós estes casulos inoxidáveis onde nos trancamos. Estanques. Intocáveis. Somos soldados. Somos consumíveis pela lei da Espada. Hey, antes que isso nos apague, posso te convidar para apreciar a vista? Posso te contar o que ando aprendendo? Ou talvez, o que ando sentindo? Será que não vê nos olhos deles o quanto te querem perto?

Aqui em meu peito há uma perda se formando, maior que todas as que já tive. Olho prá ti, tu te vais. De novo, à frente, sei que estarás nos guardiando. Não faz sentido, eu sei, ter laços. Mas coisas inusitadas e sem lógica certa é que destrancaram a vida, para mim, há tão pouco tempo...

Olho o lençol desocupado e os meus braços nus. Uma flor que morrerá no mesmo dia que nasceu não deveria abrir-se no seu melhor perfume?...

terça-feira, 1 de abril de 2008

Words to light my darkness, a World to fight my blindness

Estranho... Acordar preso naquele terror. Olhos ainda velados pelo pano do pesadelo. E o que sinto antes de ver que não estou mais lá?...

Tua mão.

Tua voz.

Você, mergulhando em meus sentidos rendidos. Você, me resgatando. Tua presença indicando que voltei ao lar. Minha exaltação cedendo a tua calmaria, a tua lealdade.

Eu não agarrei teu pulso - como teria feito com qualquer outro. Meus músculos não se tensionaram para o bote. Não fechei a guarda. Comcluo, meu caro, que meu corpo - ainda mais que minha mente - foi logrado a confiar em ti... cegamente.

Chocado, recebi novo impacto pela tua boca. Uma confissão - um irmão. Um irmão que volta dos mortos. E que nos salva. Que nos aguarda - assim segue tua fábula - no próximo ponto. Teus olhos, tua voz, teu coração e teu cheiro me dizem: " - Esperei tanto! estou feliz! estou ansioso!" Eu te cuido e me encho de dúvidas - mas não falo. Seria simples te dizer: " - Hey, tenha cautela!". Te precaver. Por que não o faço?... Me sensibilizo com o que sinto que me pedes: " - Não me frustre agora, estou feliz!" Eu calo. Eu vigiarei por ti...

Porém, talvez isso não seja o suficiente. Você me deixa. Deveria ter dito algo em ressonância a tua esperança?

O que sonhei - e não lembro se foi tudo aquilo ou se esqueci de algo - volta em pedaços dilacerados. Examino tudo. Depois, respiro através do que você me causou. O consolo. As palavras sobre Kuroi. Reflito. Escrevo isso. Mas, largo tudo quando percebo que olho a porta a cada nova frase. Você harpoou meu peito, e cada passo que dá para longe, esgarça mais e mais a corda que nos une e me fere de forma mais dolorosa.

Olhei-me. Parecia o mesmo - mas era só engano. Peguei-me em teu rastro. Afinal, haviam muitos a proteger. Havia você lá fora - e eu deveria estar a sua disposição. Sim, era isso. Não vou falhar contigo. E não falharemos com eles.

É o que importa - é simples e objetivo. Traz-me certa segurança e estabilidade - a explicação me cai bem. Escapo. Roço na multidão sobre-excitada. Capto-os um por um. Um fragmento de paquera de Uriel sobre Juanita. A marra de Weasel, Ferret e Wolffy disputando recordes. O cheiro masculinizado de Phill que se suja de graxa. Uma briga entre Ramza e Aleph. A respiração pausada e suave do Santo - deve estar cochilando nos degraus. A dupla batida do teu coração...

... inigualável... impossível de ser confundida... ou ignorada... Cruzei os olhos por ti. Egoísta e estúpido, roubei tua atenção para mim. Sem premeditar. Sem me perdoar por isso. Não consegui - no entanto - rejeitar tua companhia, nem teu convite, nem a tua sugestão para que eu me expusesse, ou a brincadeira. Não contive meu riso. E mesmo sem ter confirmação alguma, insisto por teimosia, apostaria, que isso que senti - outra vez - é "felicidade".

Sei que não há como provar. Sei que não há um cânone com sintomas que diagnostiquem: "isso é inquestionavelmente felicidade, meu chapa!" Sentimos todos a mesma coisa sob aqueles nomes: tristeza, ódio, tranqüilidade, libido? Quem garante que não falemos de coisas distintas sentido o mesmo, ou que nos enganemos por usar um mesmo nome com uma enorme diferença de sentimentos?...

O primeiro estouro me pega de surpresa e é inevitável: um formigamento desce pela minha coluna e retine num fino zumbido contra meus tímpanos. Imagens explodem. Eu vivo de novo aquelas primeiras semanas de treinamento em campo. Estou ali sendo humilhado pelos CANNIBALS mais experientes. Testado. Mutilado. Levado ao limite. Um alarme em mim dispara: Vá vá vá! Um impulso quase indomável de correr, invadir campo inimigo, conquistar, silenciar alvos, vencer. A pólvora me lembra eles. O estrondo que me põe surdo me lembra eles. Aquele flash me lembra eles.

E, como se tudo voltasse ao começo, como a Serpente Uroborus, é você que me conduz de volta. Eu vejo as pessoas sorrirem, vejo aquilo despertar algo nelas. Elas aplaudem, apontam, sussurram, exclamam. Me sinto como uma mola pressionada e tenho medo de - ZAPT - soltar-me de meu controle e dar-lhes outro tipo de show. Tenho vergonha e medo de fazê-lo em frente a você.

Mas você não me deixa. Você fala de coisas que me apatetam. Coisas que enfeitiçam minha mente, me entretem.
Você vê tudo naquelas luzes. Lá está tudo que quer cuidar. De repente, noto que estamos a sós e você continuando pregando. Pregando... E tua comoção está me comovendo. Estou entrando na tua euforia. Em teu ritmo. Tua silhueta de pé contra o negro. Teu rosto tão irreconhecível, como messias. Como o Crucificado. Arrebata-me. E assim hipnotizado, não desvio o olhar da explosão que te recobre. O colorido infernal dos fogos te emoldura numa refulgência às tuas poesias. Imprime tua fotografia em auto-contraste esmagando minha única retina e apaga tudo o mais. O Mundo cessa de existir. Mas a tua presença o traz para dentro de mim como nunca senti.

Nada vejo e nada escuto, além de você repetindo-se.

Você.

Só.

Você.

----------------
Now playing: Fightstar - The Grand Unification Part 1
via FoxyTunes

domingo, 2 de março de 2008

Tangerine swings and lilac bullet strings - my fault my sin

Sobre o motor ronronante, descansei meu peito. Tu me perdoavas. Fui inconseqüente. Teu olhar azul me absolve. Teu braço me segura aqui. A promessa que te fiz me segura aqui. Não posso cair. Mais que orgulho, dever. Mais que dever, missão. Mais que missão, meu destino. E o deles.

Falhei com todos. Precisava... Sabia que podiam estar vigiando aquele ponto. Fui mesmo assim. Minhas vísceras convulsionavam, minha mente tremulava como uma chama no vento. Desculpe. Era tão forte. Tão irresistível, a viagem será longa... eu não podia ficar sem...

Matei dois deles... Eu tava alto. O beco era silêncio e balas de metralhadora. Aquela garota. Paletós negros. Caminhava em nuvens roxas. Os sons se imprimiam em minha retina como curvas de néon ritmadas em lilás, violeta e branco. Não era comigo. Eles se moviam em câmera lenta. Eu tava mesmo alto...

Mas tudo passou. Eu pensei na sorte. Busquei ele, como combinamos. Esperei com paciência. Ombro a ombro com os fedelhos. Solda. Testa. Sobe carga. Enche mochila. Busca boneca. Miguel em meus ombros... Foi... diferente de tudo que já senti... Está tudo tão quebrado por dentro...

Eu os pus em perigo.

Uma emboscada. Vários carros. Mais ternos pretos. Pneus derrapando. O Santo, olhando pela janela, aflito. Gritos deles. "Há coisas que um homem deve fazer..." No espelho, os filhos-da-puta tomando o jipe. Hesitei. Minha culpa. Os corpos magriços de repente, voando... Captei o peso, a trajetória, senti em mim o impacto no asfalto corroendo-os. Estrondo de pólvora seca.

Apliquei a droga. Listras, flores iridiscentes. Pensei em ti. Neles. Sem gravidade, girei no ar como uma folha, raspei entre as duas latarias, descarreguei fogo, como enxurradas de palavras de hip-hop, inundando o colo deles. Entre meus dedos a carne de meu chicote sibila e arranca uma cabeça numa espiral verde pétalas vermelhas. Toco o macio da estrada.

"Continuem fugindo!" Implorava, implorava, ninguém ia me ouvir. Corria no sentido contrário. Voltava por cima de meu pecado. O cheiro das crianças no ar. A dor delas. Carreiras de balas. Trajetórias desenhadas de sons de disparos. Meu corpo arqueando como um bambu. Os alvos primeiro, o resgate depois, e aquilo doía, ardia. Dois, três, cinco. Membros, vísceras. Carne viva sob minhas garras. Manchas em SALAMANDER. Tropas de reforço.

As crianças. As crianças! Meu sangue, como lava. Vermelho no alvo. Vermelho no alvo. Silenciado. Uma espada ressoante. Ah! "Me desculpem..." A dor muito forte. 'Güento. Quantas vezes ele pode me fatiar antes que abra a guarda? Cuspo meu sangue na cara dele, arranco-lhe costelas. Fraqueza. Números infinitos.

Junto-as como fardos moles. Mais estão chegando. Zunidos. Pipocares. Minha pele abre aqui ou ali. Technoprene ainda desalinhada. Impactos me jogam a frente. Corro. Giro a chave. Eles vêm por cima. Mostro o poder do meu cano pra eles. Gavinhas reverberantes em azul celeste. Point-blanc. Point-blanc.

Alinho o ciclo com o ônibus pesado, meu olho está no duelo do caminhão com o jipe. Chamo as crias. Elas tão com medo. Grito, elas vêm, elas levam, eu dirijo e passo e suo e me esforço para não morder a língua.

O Padre tava numa fria. Salvas de tiros. Salvas contra eles. Os pequenos iam junto. Não! Quase chegando em ti, só mais um pouco. Não teriam tempo! Joguei o ciclo contra as rodas. Os paletós negros contra mim, melhor. O gosto do meu sangue esquentava minha boca. Subi. Golpes. Esquivas. Tua essência é forte, meu objetivo maior.

Não tirariam ninguém de nós. Tu os apartou com o corpo. O meu está em retalhos, eu me esforço, parceiro. Tudo escurecia ao meu redor, exceto a silhueta deles e o som do teu combate perto. "É preciso... Protegê-los". Meu frenezi é por suas pobres almas. Vão! Vão!


Agora, aqui, nessa cama, costurado pelas tuas mãos, sei que consegui. Escuto tua voz seca. Teus espinhos são meu prazer. Agradeço estar vivo escutando teus planos. Caio, mas me ergo quantas vezes for até derrubá-los contigo. Pequenas faíscas multicores nevam em meus nervos... Enfim, me rendo a tua ordem... veludo negro... folhas ao vento... o sorriso delas... obrigado.

Crimson mouths cry my crimes so do I

A cidade dorme. Aqui de cima, vejo seu grande organismo putrefato respirar vagaroso. Luzes. Rumores. Escuridão.

Da beirada observo tudo, mas não mais como antes. Seis meses cheirando meias sujas de fedelhos, menos de uma semana ao seu lado. Algumas vozes silenciaram em mim. E deram espaço a outras. Olho a cidade e não a reconheço - nem ela a mim.

Minhas retinas de tapetum lucidum captam silhuetas imóveis muito ao longe. Você deve estar com ele, naquela direção. Está saindo conforme teu plano?... Fecho os olhos e invoco minha mente para a mesma energia. Tê-lo perto o fará mais forte... ou mais descansado? Ou mais feliz? Talvez todas essas coisas, quem sabe?...

Sinto a aragem como o bafo pesado dessa garganta imunda de concreto, asfalto e vigas metálicas. Me inquieto. Essa dor, estranha em mim, renasce hoje de novo. Eu tinha de estar em outro lugar. É como se tivesse esquecido algo para trás...

Reviro tudo em rápidos flashes de uma memória viva demais. Visual e olfativa. De sons claros em hi-fi. É só insônia, é só expectativa diante de uma nova missão. Você me pediu para tomar conta dos pivetes. Cá estou, não abandonei esse posto tedioso. Mas há algo importante que continua me chamando sem que eu distinga o que.

Deito sobre minhas costas, acendo um cigarro escasso, digito mais algumas palavras nesse diário. Fixo meu olho naquelas nuvens amareladas que escondem a Lua. Bytes passam. As palavras do Santo cochicham algo. As suas, cantam baixo quase a mesma coisa, mas diferente.

Meu coração atropela. O estômago embrulha. Toda a beleza do Mundo que vocês dirigem a mim e me fazem ver, traz de volta a podridão que deixei no meu rastro.

Crianças com fome. Crianças aos pedaços. Olhos miúdos em fresta. Gente ou ratos? Ratos de laboratório. Tubos. Programações. Alvos. Sangue. Sangue. Sangue. Teu sexo. Teus olhos me pedindo. O que?... O que?!... Ausências. Portas. Rotinas. Rebeldes aos montes. Rebeldes em pilhas ao ar livre. Monturos de gente. Carne apodrecendo. Lixo. Tua mão pequenina, suja. Teu choro pungente. Teu desespero desamparado dentro de mim. Estou ruindo... Ruindo... Ru-in-do... Zilhões de farpas. Tiros. Pressa. Lâminas. Tripas. Gritos. "Misericórdia". Eu destruí. Eu destruí! Destruí!!!... O Crucificado me encara. Perto demais. O Santo me abençoa. Você me estende o braço. Um homem que não conheço se curva aos meus pés. "Obrigado" ele sussurra na lama. Uma flor hoje. Um sorriso de menino. Morangos. Bocas abertas tão vermelhas e secas implorando. Crianças murchando lá fora pelo chão.

Arfo. Controlo o pulso. Acocoro-me no peitoril vendo tudo borrado. Digito e revejo. Estou estragado. Tão estragado... Meu prazer agora só evoca o raciocínio amargo de que vocês nada têm...

[to be continued...]

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Drowning delusion on marine tourmalines

Era uma madrugada insossa e molhada. A água repicava no gorro da capa de chuva do meu technoprene. O tamborilar contínuo ecoava o das poças, o das placas de metal enferrujado, e me levava a um estado de frenesi meditativo. Via formas correndo entre os monturos. A água escorria em bicas dos meus braços, das minhas costas. Um pensamento vazou: podia estar seco sentado lá na Igreja ou deitado num putedo...

Mas foi nesse instante que você se pronunciou, e eu te achei. Foi por acaso, poderia não ter passado por aquela pilha de lixo. Curiosidade, e não piedade, ou qualquer outra coisa, foi o que moveu meus braços para te desenterrar dali. Você não entende isso, não é?

Para seus olhos de criança, eu sou seu Salvador. Mas basta um tanto de inteligência, basta uma pitada de sabedoria qualquer, para ter certeza de que não sou como aquele na Cruz. Não. E eu abomino essa tua gratidão, garoto. Detesto quando me leva regalias. Me incomoda quando gasta tuas frases infantis comigo. Você insiste. Tuas mãos pequenas procuram brechas para me atingir - não quero que me toque. Você me causa ganas! Eu não sou teu herói!!!

... Pedi ao Santo que o mantivesse longe de mim, que cuidasse da tua segurança. Ele não me responde, simplesmente esboça um sorriso, como se tivesse me vencido. No que?!... Talvez ele confuda meu silêncio, meu descanso, com mansidão - e isso seria um grave erro.

Te dou as costas. Berro contigo. Mostro os dentes. Se afaste de minhas garras, fedelho! Para que saiu daquele lixo se agora testa tua sorte comigo? Não quer ficar velho, idiota?!

Do meu canto eu escuto tuas lágrimas no assoalho da Igreja. O ruído delas é doce e singelo, ninguém além de mim mesmo para escutá-las. Tuas palavras solitárias, tu as dirige para aquela coisa de pelúcia imunda e esfarrapada que te dei. Acho que ela também não pode te dar nada, pivete. Sequer te ouvir. Mas ao final, ressonas abraçado nela... Inexplicável... Qual consolo retiras do vazio?

Fecho o olho. No escuro de minha mente, você sempre me ataca de novo. Sinto meus músculos contraídos tentando escapar ao teu corpo frágil, implodidos para dentro, soterrando meus sentidos, sentimentos.

Arfo cada vez mais pesado, tu me pressionas com a tua inocência, com tua carência tão extrema. Sei que vais morrer. Sei. Sei disso a cada batida do meu coração e do teu. Sou o único que pode... o único para te estender a mão ou pode ser tarde demais. Sei. Sei disso. O sangue escorre de mim, como se a chuva o fizesse brotar de minha pele. Sangue de todos aqueles que me afirmaram quem sou. E você ainda, ainda me olha pedindo, pedindo tão aberto, sem defesa alguma, sem chance alguma.

Eu vacilo. Como vacilei naquela noite. Me deixo confundir. Eu atravesso a soleira da porta. Eu me atiro de costas no penhasco. Emerjo do mar revolto, afogando, sendo levado, mas você está em meus braços. Tento deixá-lo acima das ondas, estou descendo. Você se recolhe contra mim e eu puxo forças e nado, nado até que meu corpo esfrie. Estou morrendo, mas você beija meu rosto cínico e gelado. A água invade meu peito, mas estou calmo, você ainda acarinha meus cabelos. Me olha até o cerne enquanto apago e te escuto dizer "sou eu que te salvo".


----------------
Now playing:
Yuki Kajiura - Echoes
via FoxyTunes

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Solid holes fills with neurotic pine circles

Como uma dessas peças coloridas de madeira que vejo as crianças brincarem: - círculo amarelo no buraco do círculo, quadrado vermelho naquele do quadrado, triângulo... - eu não me encaixo.

Entre elas o que sou me exclui.

Ao lado do Santo... Ah, então tudo é irreal, sinto-me nadando em drogas, mergulhado num delírio. Como encaixar em algo que parece ilusão? Como carregar um clip numa arma de holograma.

Há um instante - um único instante - em que me percebo funcional. Quando tudo segue certo e rápido. Onde sou com o tempo: rastro perfurante de momentos plenos. Sucessões. Pulsação. Alvos a serem eliminados! Eles me gritam quem eu sou. Caem. E quando silenciam, murmuram quem eu sou...

O povo daqui me bolina com elogios. Me rotulam como "seu protetor". Não sei o que isso significa. Em missões de guarda-costas, ainda assim, sou aquele que matará antes. Para mim, essa é a chave: calar a vida do outro, antes. Eles me bajulam. Sei que não me pagarão. Outros vão e tudo fica bem. Sou o "herói". Eles, os cegos.

Eles me agradecem, por suas vidas... Eu só cumpro minha missão. Porque eu... sou eu. Nada mais. Nenhum outro. Preciso mostrar a mim mesmo, toda a noite, quem sou: eu eu eu! Ainda... eu.

E quando descarrego o bolso e minha palma se abre pesada de gils sob os olhos frios do Reverendo, sinto algo estranho e perigoso, não fôsse isso, patético. A respiração dele me embala. Sua resistência e depois seu sorriso tudo é honesto. E ele me olha diferente, parece que me faz encaixar...

Com mal-estar reconheço naquele silêncio em que dialogamos: esta é minha função aqui. Estou no lugar para o qual fui esperado. Ele me acolhe entre eles. E me abençoa...

Sou seu inimigo, por estas mãos, por minhas idéias, pelos tantos que enterrei, pela Corporação, por cada proteína dos meus genes, mas ele acredita que os salvo.

Como uma dessas peças coloridas de madeira... círculo amarelo no quadrado... hiberno meus dias agarrado a arestas imperfeitas... quase caindo... sem entrar... eles juram que é onde devo estar...

----------------
Now playing: Red Hot Chilli Peppers - Knock Me Down
via FoxyTunes

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Snow-white skin zero-celsius paramecius

Confesso... (termo estranho, coisa daquele Padreco!) Confesso que me dá terror sentir tuas mãos pequenas e brancas tocarem minha carne. Quando durmo, acordo alarmado e percebo que é só você se recostando em mim...

Quem pensa que é, para tal licença?! Quem pensa que EU sou?!!

Já aprendi que teu toque não significa meu prazer... Humilhante... - Tive ganas de esguelar-te, prensando esse teu pescoço magro, fraco!, entre minhas garras até que não sobrasse uma molécula sequer de oxigênio nesse teu corpo débil!!!

Não consegui. Por que? Foi o primeiro que não eliminei. Me pergunto todos os dias: - por que??? Seria porque tu és tão submisso? Porque não te excedes contra mim, nem revida?... Não... Talvez porque sejamos próximos no núcleo de cada célula. Talvez porque você seja VOCÊ - o Marco Zero. E talvez eu deseje aprender o que você sabe.

Pode ser um engano. Posso acabar descobrindo que você é uma fraude. Nada tem a me ensinar que valha o ar que você respira... Se o que eu pressuponho for um delírio, então...

Os dias correm e você não solta sequer uma frase inteira. Parece me sondar e conhecer meu desejo. As crianças brincam, comem, brigam, dormem ao nosso redor. Você, porém, continua preso a mim, mesmo que eu não o tenha algemado... E seus olhos sobre meu rosto não são os de um condenado, e sim de quem me sentencia...

Nossos diálogos são só nossos. Gestos, olhares, cheiros da pele. Absurdo quantas vezes teus argumentos já me interromperam. Quantas vezes abaixei a voz, recuei numa decisão, engoli a ira, ou acompanhei você. Quantas vezes aceitei sentar-me nesse mármore frio para que você deitasse em meu colo?

... e olhando seu sono sereno, quantas vezes me questionei quem eu seria se não tivesse sido quem fui?...

----------------
Now playing: Fort Minor - Petrified
via FoxyTunes