{ ... in a world of carbon fields, acid rain and rusted iron limbs, our kisses are just holographic designs floating over the cold network... there are no more prays to be listen... shallow oiled minds... his blood... so so green... as a revenge of nature growing inside his toxicated bones... as a sick thin hope to our lost souls... }
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sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Ashes for Ash... [New Edda Arch]
Faz um mês que fomos derrotados... Não escrevi nada sobre isso. Nem vou...
Não posso - não consigo - me detesto em cada detalhe sórdido destas lembranças. Me crucifico e ainda assim é pouco. Pouco demais.
Cheiro de cinzas e metal queimado. Estou sozinho. De novo. Em Corel. Ironicamente a maldita Shinra Corp fez o possível para encontrá-lo, para reorganizar uma cidade deserta. Cidade... - huh! - Inferno!...
Amanhã parto. Vou seguir de povoado em povoado até chegar na sua trilha... Não. Não, você não pode estar aqui embaixo... Não... me nego a crer que você... que você...
... A noite não tem mais estrelas. Nem o calor do teu corpo insone a dois passos do meu. Sem teu silêncio, o rugir das trevas me impacienta. Como você está?...
Não consigo dormir. Rondo, cavo, farejo... Tão... patético... Chamo, como se você me escutasse... Falo contigo... como se pudesse estar só brincando, oculto, me ouvindo... E quando o dourado fosco luta contra o pó do céu, eu quase te sinto ao meu lado... Só um instante... e então... aos poucos, a certeza da tua ausência... a procura... e a exaustão a qual não posso me render... vazia de sonhos...
Perdido... Sem uma meta. Sem hoje. Sem amanhãs. Eu sou o culpado. Em meu lugar - para o meu caixão! - teu filho... Eu deveria tê-lo atraído para longe de vocês... Deveria estar com a maldita Huge!!!
Entende?!
Mas...
E se eu tivesse te contado tudo... teria sido melhor?... Ou simplesmente seria o empurrão que te faltava para que fôsses combatê-lo sozinho? Ah... Me arrependo de não ter tentado matá-lo quando ele esteve ao meu lado. Tive tantas chances, tantas guardas-baixas...
Kuroi!!!...
As vezes sonho com isso... Olhos abertos, tão cansado para me deixar deitar, com tanto a fazer antes de ter paz... Sonho, doce, em acabar com a carcaça trapaceira, daquele desgraçado! De tantas formas diferentes. Ah, a vingança... Vê-lo surpreso em seus últimos instantes, virar as costas, sabendo que a ameaça está extinta... E voltar para casa, - voltar, voltar... - receber teu carinho mudo, a folia de Uriel, o olhar atencioso de Ane... A correria das crianças ao redor de minhas pernas e a solidez do Santo... Uma tarde com Ace, vendo-o montar suas geringonças, escutando-o falar... Cervejas com Troy. Risadas. Aquele sangue... tão bem pago! Minha crueldade tão bem recompensada, diabos!!!
Escrevo isso e noto: não é mais remédio... Não tenho alívio em confessar essas coisas, como antes. Sequer conforto em desabafá-las. Não... Essas palavras apontam da tela para mim e me dizem: - Você mereceu, mas eles não...
Estou só... Carrego este peso e esta dívida para com o Mundo. Para com aqueles que estimo. Tropeço a cada passo no que perdi e no que não posso mudar.
Eu errei.
sábado, 13 de setembro de 2008
Red roses are blue, I left you but I will never leave you
Covered and coarse
I could wait my turn
to pay them all back
- So original! -
Lets take it all back!
You can hide but I wont, how do you know?
(blacked out and bleeding)
- Take it away!
One look and you'll never believe,
Because, this cant hold us down...
- If I wake up
on my own,
- If something happens,
Please come home...
- Wake me up before you go!
If you never know
That it can never hurt
As much as this does
- Its so original ! -
Lets make this all work
You could run but I wont, how do you know?
(blacked out and bleeding)
Take it away!
One look and you'll never believe,
Because, this won't hold us down!...
- If I wake up
on my own,
- If something happens,
Please come home!
- Wake me up before you go on!!!
You cant hold us down / This wont hold us down /You cant hold us down!
- If you wake up (If I wake up)
On your own (On my own)
- If something happens
Please come home!... (You wont stop us now)
... Wake me up before you go!... (Nothing will hold us down)
I hope your happy on your own!...
Se um dia, eu acordar e você... Volte, por favor. De cada batalha, volte. Esta é a tua casa... Se um dia, você acordar e eu... Não me procure... Minha morte mil vezes por tua vida. E o azul dos teus olhos que rebate este céu sem limite. Nada me deterá, te asseguro. Nada me daria mais satisfação, eu te juro...
Voltas de cores anil, vanilla, o esmaecer de dourados. Marcado a ferro por ti, eu a permito ao meu lado. Tua Fenrir. Risadas e palavras tuas quebrando meu passado sobre o asfalto. Uma lição pulsante a Sol nas tuas palavras. Roucas. Me alveje, aqui, rente às costelas. Mais um pouco, como em Midgard. Quente e macio. Sangre de mim tudo que fui... A luz nas curvas dela, rebate o metal de tua arma. Nossas lutas, ombro a ombro, a orquestra de metais de nossas lâminas, de cada movimento teu, pesado, ribombar do ritmo marcado, e a harmonia de linhas vermelhas rasgando por minhas narinas...
Eu definho e perco folhas ao longe. Sou inverno, galho seco, espada. Sem guarda. Sem bainha. Tudo que tinha... Fecho o olhar em qualquer sombra. Porque me assombra tudo que abandono. Sem retorno. Ah, estar tão encantado por esta vida me perturba. Porque essa ânsia me turba. E preciso estar imune. Preciso ser somente um gume. Flecha ao vento. Pelo ar, sem lar, me torno só ponta. Nada mais conta. Não te importes comigo. Sonharei contigo dentro do peito do teu inimigo.
E eis que eles, ainda antes, me encontram. Sorrio. Tambores de batalha clamando aqui dentro. É chegada a hora. Agora, que venha meu destino. Dedico tudo a você, a eles, a vocês... que a venda desta minha alma, que tudo que derramar de mim neste sólo, seja meu poema a ti, a ode que componho com meu corpo a todos os dias que virão diante de teus olhos. Azuis, como o céu deve ser, ainda mais, para vocês. Dourados, como o nascer do Sol afagando teus cabelos. A cada entardecer, vermelho e depois negro, como esta mancha, que fui eu.
Mudo estratégias. Me ofereço. Sou a isca. Engolem-me.
Cada um deles, um pouco tu. Nada tu. Absorbo o que posso, dele, do outro também, daquele escondido. Linhas divergentes da mesma matriz. Teu irmão reina. Me cerca, como um leão louco, de quem o rugido pode anteceder a simpatia, ou o ronronar a morte... Me sonda, entre crer em mim e me apunhalar. Um examinar esquizofrênico. Cênico. Teatral. E me pergunto: o quanto disso é teu, o quanto disso é dela? Quanto mal realmente desejas?
Escuto. Se não vê-lo, quase tu. Cada detalhe, aqui, fundo em mim. Mas minto... Digo-lhe o avesso do que sinto. No absinto desta entrega, assassino tudo, e o que não puder, sobre isso, fico mudo. Sou de novo... vazio... um oco... onde o sopro da vida... produz sempre o mesmo eco:
Morra.
I could wait my turn
to pay them all back
- So original! -
Lets take it all back!
You can hide but I wont, how do you know?
(blacked out and bleeding)
- Take it away!
One look and you'll never believe,
Because, this cant hold us down...
- If I wake up
on my own,
- If something happens,
Please come home...
- Wake me up before you go!
If you never know
That it can never hurt
As much as this does
- Its so original ! -
Lets make this all work
You could run but I wont, how do you know?
(blacked out and bleeding)
Take it away!
One look and you'll never believe,
Because, this won't hold us down!...
- If I wake up
on my own,
- If something happens,
Please come home!
- Wake me up before you go on!!!
You cant hold us down / This wont hold us down /You cant hold us down!
- If you wake up (If I wake up)
On your own (On my own)
- If something happens
Please come home!... (You wont stop us now)
... Wake me up before you go!... (Nothing will hold us down)
I hope your happy on your own!...
[Grand Unification - Part I ~ by Fightstar]
Se um dia, eu acordar e você... Volte, por favor. De cada batalha, volte. Esta é a tua casa... Se um dia, você acordar e eu... Não me procure... Minha morte mil vezes por tua vida. E o azul dos teus olhos que rebate este céu sem limite. Nada me deterá, te asseguro. Nada me daria mais satisfação, eu te juro...
Voltas de cores anil, vanilla, o esmaecer de dourados. Marcado a ferro por ti, eu a permito ao meu lado. Tua Fenrir. Risadas e palavras tuas quebrando meu passado sobre o asfalto. Uma lição pulsante a Sol nas tuas palavras. Roucas. Me alveje, aqui, rente às costelas. Mais um pouco, como em Midgard. Quente e macio. Sangre de mim tudo que fui... A luz nas curvas dela, rebate o metal de tua arma. Nossas lutas, ombro a ombro, a orquestra de metais de nossas lâminas, de cada movimento teu, pesado, ribombar do ritmo marcado, e a harmonia de linhas vermelhas rasgando por minhas narinas...
Eu definho e perco folhas ao longe. Sou inverno, galho seco, espada. Sem guarda. Sem bainha. Tudo que tinha... Fecho o olhar em qualquer sombra. Porque me assombra tudo que abandono. Sem retorno. Ah, estar tão encantado por esta vida me perturba. Porque essa ânsia me turba. E preciso estar imune. Preciso ser somente um gume. Flecha ao vento. Pelo ar, sem lar, me torno só ponta. Nada mais conta. Não te importes comigo. Sonharei contigo dentro do peito do teu inimigo.
E eis que eles, ainda antes, me encontram. Sorrio. Tambores de batalha clamando aqui dentro. É chegada a hora. Agora, que venha meu destino. Dedico tudo a você, a eles, a vocês... que a venda desta minha alma, que tudo que derramar de mim neste sólo, seja meu poema a ti, a ode que componho com meu corpo a todos os dias que virão diante de teus olhos. Azuis, como o céu deve ser, ainda mais, para vocês. Dourados, como o nascer do Sol afagando teus cabelos. A cada entardecer, vermelho e depois negro, como esta mancha, que fui eu.
Mudo estratégias. Me ofereço. Sou a isca. Engolem-me.
Cada um deles, um pouco tu. Nada tu. Absorbo o que posso, dele, do outro também, daquele escondido. Linhas divergentes da mesma matriz. Teu irmão reina. Me cerca, como um leão louco, de quem o rugido pode anteceder a simpatia, ou o ronronar a morte... Me sonda, entre crer em mim e me apunhalar. Um examinar esquizofrênico. Cênico. Teatral. E me pergunto: o quanto disso é teu, o quanto disso é dela? Quanto mal realmente desejas?
Escuto. Se não vê-lo, quase tu. Cada detalhe, aqui, fundo em mim. Mas minto... Digo-lhe o avesso do que sinto. No absinto desta entrega, assassino tudo, e o que não puder, sobre isso, fico mudo. Sou de novo... vazio... um oco... onde o sopro da vida... produz sempre o mesmo eco:
Morra.
sexta-feira, 25 de abril de 2008
War hounds are bound to...
Fôra um dia daqueles... de cão... Minha vida estacionara novamente naquele velho capítulo escarlate...
Cães de guerra, outra vez. Abríamos caminho ao comboio que contém - em poucas palavras - tudo que importa. Eu precisava estar no auge do impossível para defendê-los. Nenhuma criança abatida. Eu não permitiria que tocassem nelas. A droga produziu aquele efeito deliciosamente psicótico em mim. Um mundo sobreposto por arabescos. Cintilâncias... Cheiros tão vivos que tinha de engoli-los com litros de saliva. Um mundo simples, aberto ao meu talho, sem meandros, reticências, interpretações... Um mundo sem questões. Ação e reação.
Enfim eram tantos por cima de mim que me senti implodir e esgarçar por dentro, estirado pelo impacto de tantos corações pulsando, tripas em convulsão, tantos gritos, arfares, suores, couros... pólvora - carne viva, queimando, sangue de tantos cheiros... Dos meus genes fosforescentes ela irrompe e minha pouca humanidade cede sem resistência, desfia-se como meias de náilon... Eu... Monstro sem nome... Mastim que estraçalha os inimigos de seu amo... Falanges jogadas ao ar - hipérboles. O convexo de um olho tornando-se côncavo. Uma pirueta de um decepado.
Fujam de mim, ou caiam!!! - eu rujo, rosno, uivo. Acima de mim, o raio alongando-se, tentando tocar a fortaleza às minhas costas. Inalcançável. Bestificado, minha mente repetia 'não pode... fulminá-los... não podemos deixar...' Então o feixe falhou, piscou, irregular, vencido. Pensei em ti. Só você faria aquilo.
Não te vi cair. Nem cogitei isso... Tenho aceito bem demais a tua invencibilidade. O garoto me acudiu quando tudo tornou-se restos. Nos pequenos gestos e olhares, ele é teu filho. Evoca-te. Me confunde. Vale-se disso para pedir-me: 'procura-o'. As lágrimas todas imploravam - desnecessário: eu iria. Sabe que sim. Aos gemidos fabulou a sorte que te coubera - a tua morte, que eu ignorava. Corri. Sobre mortos e aleijados, vencendo o espaço e o tempo como se pudesse rebobinar tudo e evitar o que te feriu. Atolei na areia macia demais, clara demais. Sal nas minhas narinas. Dor nos meus pulmões. Pensamentos ocos.
O imenso mar e algo muito sutil de ti. Deixei-o ali e segui louco para dentro do escuro silencioso. Penetrei o fio do frio daquelas águas. Por ti. Cada pequena faísca de nossos poucos dias, bailando e descendo ao meu redor. Cada momento brilhando naquela escuridão, partículas em minha mente enquanto forçava meu caminho. Douradas, como teus cabelos. Impactantes, como tuas palavras cruas. Capazes de me dar perseverança, como tua pregação... Relembrei até as coisas tolas, os risos que roubaste, o esdrúxulo do teu drible contra as crianças... O motor de sua moto sob nosso peso - voávamos sobre a rua, sobre a vida. E lá no fundo, emoldurado por todo meu delírio desesperado, te enxerguei.
Tu não ousarias morrer! Eu não aceitaria. Tua carne e tua essência aos pedaços, contra meu peito. Tubos de proteínas, os olhos deles me encarando... Não, com você eu não permitiria. Enquanto o Sol declinava, teu corpo gelado e incompleto repousou, devorado pelas esperanças teimosas do fedelho e deste assassino. Então, aquele que tu venera veio em teu socorro. Invejei-o. Registrei a corrente fluir, viscosa e etérea, para dentro da tua carcaça. Só ele poderia. Eu, reduzido a mera testemunha. Meu medo como uma flecha numa corda tensionada. Segurando, ainda não, ainda não... Lembro de fechar o olho e pedir por ti. Rasuras sépia flutuando sobre pensamentos que tentam seguir adiante.
Naquele ninho sob o olho do Sol que tanto amas, o milagre da tua volta...
Preciso de ti: este é um ponto fraco, que não deveria ter. Me atrapalho. Dou vexame frente aos teus olhos frios. Me revolta. E a emoção brota mais forte que todo o senso, mais alta que minha voz. Te sinto, e só assim confirmo que está aqui. Pele a pele.
Nós lutamos entre sorrisos... Disputamos quem deve proteger. Quem deve ser protegido. Está tudo bem. Entende? Que se rompam em nós estes casulos inoxidáveis onde nos trancamos. Estanques. Intocáveis. Somos soldados. Somos consumíveis pela lei da Espada. Hey, antes que isso nos apague, posso te convidar para apreciar a vista? Posso te contar o que ando aprendendo? Ou talvez, o que ando sentindo? Será que não vê nos olhos deles o quanto te querem perto?
Aqui em meu peito há uma perda se formando, maior que todas as que já tive. Olho prá ti, tu te vais. De novo, à frente, sei que estarás nos guardiando. Não faz sentido, eu sei, ter laços. Mas coisas inusitadas e sem lógica certa é que destrancaram a vida, para mim, há tão pouco tempo...
Olho o lençol desocupado e os meus braços nus. Uma flor que morrerá no mesmo dia que nasceu não deveria abrir-se no seu melhor perfume?...
Cães de guerra, outra vez. Abríamos caminho ao comboio que contém - em poucas palavras - tudo que importa. Eu precisava estar no auge do impossível para defendê-los. Nenhuma criança abatida. Eu não permitiria que tocassem nelas. A droga produziu aquele efeito deliciosamente psicótico em mim. Um mundo sobreposto por arabescos. Cintilâncias... Cheiros tão vivos que tinha de engoli-los com litros de saliva. Um mundo simples, aberto ao meu talho, sem meandros, reticências, interpretações... Um mundo sem questões. Ação e reação.
Enfim eram tantos por cima de mim que me senti implodir e esgarçar por dentro, estirado pelo impacto de tantos corações pulsando, tripas em convulsão, tantos gritos, arfares, suores, couros... pólvora - carne viva, queimando, sangue de tantos cheiros... Dos meus genes fosforescentes ela irrompe e minha pouca humanidade cede sem resistência, desfia-se como meias de náilon... Eu... Monstro sem nome... Mastim que estraçalha os inimigos de seu amo... Falanges jogadas ao ar - hipérboles. O convexo de um olho tornando-se côncavo. Uma pirueta de um decepado.
Fujam de mim, ou caiam!!! - eu rujo, rosno, uivo. Acima de mim, o raio alongando-se, tentando tocar a fortaleza às minhas costas. Inalcançável. Bestificado, minha mente repetia 'não pode... fulminá-los... não podemos deixar...' Então o feixe falhou, piscou, irregular, vencido. Pensei em ti. Só você faria aquilo.
Não te vi cair. Nem cogitei isso... Tenho aceito bem demais a tua invencibilidade. O garoto me acudiu quando tudo tornou-se restos. Nos pequenos gestos e olhares, ele é teu filho. Evoca-te. Me confunde. Vale-se disso para pedir-me: 'procura-o'. As lágrimas todas imploravam - desnecessário: eu iria. Sabe que sim. Aos gemidos fabulou a sorte que te coubera - a tua morte, que eu ignorava. Corri. Sobre mortos e aleijados, vencendo o espaço e o tempo como se pudesse rebobinar tudo e evitar o que te feriu. Atolei na areia macia demais, clara demais. Sal nas minhas narinas. Dor nos meus pulmões. Pensamentos ocos.
O imenso mar e algo muito sutil de ti. Deixei-o ali e segui louco para dentro do escuro silencioso. Penetrei o fio do frio daquelas águas. Por ti. Cada pequena faísca de nossos poucos dias, bailando e descendo ao meu redor. Cada momento brilhando naquela escuridão, partículas em minha mente enquanto forçava meu caminho. Douradas, como teus cabelos. Impactantes, como tuas palavras cruas. Capazes de me dar perseverança, como tua pregação... Relembrei até as coisas tolas, os risos que roubaste, o esdrúxulo do teu drible contra as crianças... O motor de sua moto sob nosso peso - voávamos sobre a rua, sobre a vida. E lá no fundo, emoldurado por todo meu delírio desesperado, te enxerguei.
Tu não ousarias morrer! Eu não aceitaria. Tua carne e tua essência aos pedaços, contra meu peito. Tubos de proteínas, os olhos deles me encarando... Não, com você eu não permitiria. Enquanto o Sol declinava, teu corpo gelado e incompleto repousou, devorado pelas esperanças teimosas do fedelho e deste assassino. Então, aquele que tu venera veio em teu socorro. Invejei-o. Registrei a corrente fluir, viscosa e etérea, para dentro da tua carcaça. Só ele poderia. Eu, reduzido a mera testemunha. Meu medo como uma flecha numa corda tensionada. Segurando, ainda não, ainda não... Lembro de fechar o olho e pedir por ti. Rasuras sépia flutuando sobre pensamentos que tentam seguir adiante.
Naquele ninho sob o olho do Sol que tanto amas, o milagre da tua volta...
Preciso de ti: este é um ponto fraco, que não deveria ter. Me atrapalho. Dou vexame frente aos teus olhos frios. Me revolta. E a emoção brota mais forte que todo o senso, mais alta que minha voz. Te sinto, e só assim confirmo que está aqui. Pele a pele.
Nós lutamos entre sorrisos... Disputamos quem deve proteger. Quem deve ser protegido. Está tudo bem. Entende? Que se rompam em nós estes casulos inoxidáveis onde nos trancamos. Estanques. Intocáveis. Somos soldados. Somos consumíveis pela lei da Espada. Hey, antes que isso nos apague, posso te convidar para apreciar a vista? Posso te contar o que ando aprendendo? Ou talvez, o que ando sentindo? Será que não vê nos olhos deles o quanto te querem perto?
Aqui em meu peito há uma perda se formando, maior que todas as que já tive. Olho prá ti, tu te vais. De novo, à frente, sei que estarás nos guardiando. Não faz sentido, eu sei, ter laços. Mas coisas inusitadas e sem lógica certa é que destrancaram a vida, para mim, há tão pouco tempo...
Olho o lençol desocupado e os meus braços nus. Uma flor que morrerá no mesmo dia que nasceu não deveria abrir-se no seu melhor perfume?...
domingo, 2 de março de 2008
Crimson mouths cry my crimes so do I
A cidade dorme. Aqui de cima, vejo seu grande organismo putrefato respirar vagaroso. Luzes. Rumores. Escuridão.
Da beirada observo tudo, mas não mais como antes. Seis meses cheirando meias sujas de fedelhos, menos de uma semana ao seu lado. Algumas vozes silenciaram em mim. E deram espaço a outras. Olho a cidade e não a reconheço - nem ela a mim.
Minhas retinas de tapetum lucidum captam silhuetas imóveis muito ao longe. Você deve estar com ele, naquela direção. Está saindo conforme teu plano?... Fecho os olhos e invoco minha mente para a mesma energia. Tê-lo perto o fará mais forte... ou mais descansado? Ou mais feliz? Talvez todas essas coisas, quem sabe?...
Sinto a aragem como o bafo pesado dessa garganta imunda de concreto, asfalto e vigas metálicas. Me inquieto. Essa dor, estranha em mim, renasce hoje de novo. Eu tinha de estar em outro lugar. É como se tivesse esquecido algo para trás...
Reviro tudo em rápidos flashes de uma memória viva demais. Visual e olfativa. De sons claros em hi-fi. É só insônia, é só expectativa diante de uma nova missão. Você me pediu para tomar conta dos pivetes. Cá estou, não abandonei esse posto tedioso. Mas há algo importante que continua me chamando sem que eu distinga o que.
Deito sobre minhas costas, acendo um cigarro escasso, digito mais algumas palavras nesse diário. Fixo meu olho naquelas nuvens amareladas que escondem a Lua. Bytes passam. As palavras do Santo cochicham algo. As suas, cantam baixo quase a mesma coisa, mas diferente.
Meu coração atropela. O estômago embrulha. Toda a beleza do Mundo que vocês dirigem a mim e me fazem ver, traz de volta a podridão que deixei no meu rastro.
Crianças com fome. Crianças aos pedaços. Olhos miúdos em fresta. Gente ou ratos? Ratos de laboratório. Tubos. Programações. Alvos. Sangue. Sangue. Sangue. Teu sexo. Teus olhos me pedindo. O que?... O que?!... Ausências. Portas. Rotinas. Rebeldes aos montes. Rebeldes em pilhas ao ar livre. Monturos de gente. Carne apodrecendo. Lixo. Tua mão pequenina, suja. Teu choro pungente. Teu desespero desamparado dentro de mim. Estou ruindo... Ruindo... Ru-in-do... Zilhões de farpas. Tiros. Pressa. Lâminas. Tripas. Gritos. "Misericórdia". Eu destruí. Eu destruí! Destruí!!!... O Crucificado me encara. Perto demais. O Santo me abençoa. Você me estende o braço. Um homem que não conheço se curva aos meus pés. "Obrigado" ele sussurra na lama. Uma flor hoje. Um sorriso de menino. Morangos. Bocas abertas tão vermelhas e secas implorando. Crianças murchando lá fora pelo chão.
Arfo. Controlo o pulso. Acocoro-me no peitoril vendo tudo borrado. Digito e revejo. Estou estragado. Tão estragado... Meu prazer agora só evoca o raciocínio amargo de que vocês nada têm...
Da beirada observo tudo, mas não mais como antes. Seis meses cheirando meias sujas de fedelhos, menos de uma semana ao seu lado. Algumas vozes silenciaram em mim. E deram espaço a outras. Olho a cidade e não a reconheço - nem ela a mim.
Minhas retinas de tapetum lucidum captam silhuetas imóveis muito ao longe. Você deve estar com ele, naquela direção. Está saindo conforme teu plano?... Fecho os olhos e invoco minha mente para a mesma energia. Tê-lo perto o fará mais forte... ou mais descansado? Ou mais feliz? Talvez todas essas coisas, quem sabe?...
Sinto a aragem como o bafo pesado dessa garganta imunda de concreto, asfalto e vigas metálicas. Me inquieto. Essa dor, estranha em mim, renasce hoje de novo. Eu tinha de estar em outro lugar. É como se tivesse esquecido algo para trás...
Reviro tudo em rápidos flashes de uma memória viva demais. Visual e olfativa. De sons claros em hi-fi. É só insônia, é só expectativa diante de uma nova missão. Você me pediu para tomar conta dos pivetes. Cá estou, não abandonei esse posto tedioso. Mas há algo importante que continua me chamando sem que eu distinga o que.
Deito sobre minhas costas, acendo um cigarro escasso, digito mais algumas palavras nesse diário. Fixo meu olho naquelas nuvens amareladas que escondem a Lua. Bytes passam. As palavras do Santo cochicham algo. As suas, cantam baixo quase a mesma coisa, mas diferente.
Meu coração atropela. O estômago embrulha. Toda a beleza do Mundo que vocês dirigem a mim e me fazem ver, traz de volta a podridão que deixei no meu rastro.
Crianças com fome. Crianças aos pedaços. Olhos miúdos em fresta. Gente ou ratos? Ratos de laboratório. Tubos. Programações. Alvos. Sangue. Sangue. Sangue. Teu sexo. Teus olhos me pedindo. O que?... O que?!... Ausências. Portas. Rotinas. Rebeldes aos montes. Rebeldes em pilhas ao ar livre. Monturos de gente. Carne apodrecendo. Lixo. Tua mão pequenina, suja. Teu choro pungente. Teu desespero desamparado dentro de mim. Estou ruindo... Ruindo... Ru-in-do... Zilhões de farpas. Tiros. Pressa. Lâminas. Tripas. Gritos. "Misericórdia". Eu destruí. Eu destruí! Destruí!!!... O Crucificado me encara. Perto demais. O Santo me abençoa. Você me estende o braço. Um homem que não conheço se curva aos meus pés. "Obrigado" ele sussurra na lama. Uma flor hoje. Um sorriso de menino. Morangos. Bocas abertas tão vermelhas e secas implorando. Crianças murchando lá fora pelo chão.
Arfo. Controlo o pulso. Acocoro-me no peitoril vendo tudo borrado. Digito e revejo. Estou estragado. Tão estragado... Meu prazer agora só evoca o raciocínio amargo de que vocês nada têm...
[to be continued...]
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sábado, 2 de fevereiro de 2008
Ruby rain falling on a velvet mourning
Há um eco de prazer em mim. Nas cavernas escuras desse peito oco, murmura um arrepio. Sabor do sangue em minha língua. Socos, pulsos, em meus tímpanos tampados.
Abatido pela foice de todos os atalhos que tomei, descanso agora na sombra do nascente. Trêmulo, escapa-me sorrisos febris de dor. Círculos concêntricos desse excêntrico vermelho. Carmesim que contemplo. Body art. Minha desarte. Desastre. Líquido fervilhante que foge e tinta a pedra fria do calor pálido que sou.
Conto em números cada vez mais lentos. Perco o tempo em adivinhações de figuras falhas fingidas como minha alma - imaginária... Nada há de mais belo e fugaz que aquela gota que me escorre e me marca e me escapa e me transcende para além de mim, além dos limites - rubi!...
Ah, rubi!, que se lança ao abraço do Todo... e, obliterado, precipita-se no Nada...
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Now playing: STAIND - Black Rain
via FoxyTunes
Abatido pela foice de todos os atalhos que tomei, descanso agora na sombra do nascente. Trêmulo, escapa-me sorrisos febris de dor. Círculos concêntricos desse excêntrico vermelho. Carmesim que contemplo. Body art. Minha desarte. Desastre. Líquido fervilhante que foge e tinta a pedra fria do calor pálido que sou.
Conto em números cada vez mais lentos. Perco o tempo em adivinhações de figuras falhas fingidas como minha alma - imaginária... Nada há de mais belo e fugaz que aquela gota que me escorre e me marca e me escapa e me transcende para além de mim, além dos limites - rubi!...
Ah, rubi!, que se lança ao abraço do Todo... e, obliterado, precipita-se no Nada...
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Now playing: STAIND - Black Rain
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