Estranho... Acordar preso naquele terror. Olhos ainda velados pelo pano do pesadelo. E o que sinto antes de ver que não estou mais lá?...
Tua mão.
Tua voz.
Você, mergulhando em meus sentidos rendidos. Você, me resgatando. Tua presença indicando que voltei ao lar. Minha exaltação cedendo a tua calmaria, a tua lealdade.
Eu não agarrei teu pulso - como teria feito com qualquer outro. Meus músculos não se tensionaram para o bote. Não fechei a guarda. Comcluo, meu caro, que meu corpo - ainda mais que minha mente - foi logrado a confiar em ti... cegamente.
Chocado, recebi novo impacto pela tua boca. Uma confissão - um irmão. Um irmão que volta dos mortos. E que nos salva. Que nos aguarda - assim segue tua fábula - no próximo ponto. Teus olhos, tua voz, teu coração e teu cheiro me dizem: " - Esperei tanto! estou feliz! estou ansioso!" Eu te cuido e me encho de dúvidas - mas não falo. Seria simples te dizer: " - Hey, tenha cautela!". Te precaver. Por que não o faço?... Me sensibilizo com o que sinto que me pedes: " - Não me frustre agora, estou feliz!" Eu calo. Eu vigiarei por ti...
Porém, talvez isso não seja o suficiente. Você me deixa. Deveria ter dito algo em ressonância a tua esperança?
O que sonhei - e não lembro se foi tudo aquilo ou se esqueci de algo - volta em pedaços dilacerados. Examino tudo. Depois, respiro através do que você me causou. O consolo. As palavras sobre Kuroi. Reflito. Escrevo isso. Mas, largo tudo quando percebo que olho a porta a cada nova frase. Você harpoou meu peito, e cada passo que dá para longe, esgarça mais e mais a corda que nos une e me fere de forma mais dolorosa.
Olhei-me. Parecia o mesmo - mas era só engano. Peguei-me em teu rastro. Afinal, haviam muitos a proteger. Havia você lá fora - e eu deveria estar a sua disposição. Sim, era isso. Não vou falhar contigo. E não falharemos com eles.
É o que importa - é simples e objetivo. Traz-me certa segurança e estabilidade - a explicação me cai bem. Escapo. Roço na multidão sobre-excitada. Capto-os um por um. Um fragmento de paquera de Uriel sobre Juanita. A marra de Weasel, Ferret e Wolffy disputando recordes. O cheiro masculinizado de Phill que se suja de graxa. Uma briga entre Ramza e Aleph. A respiração pausada e suave do Santo - deve estar cochilando nos degraus. A dupla batida do teu coração...
... inigualável... impossível de ser confundida... ou ignorada... Cruzei os olhos por ti. Egoísta e estúpido, roubei tua atenção para mim. Sem premeditar. Sem me perdoar por isso. Não consegui - no entanto - rejeitar tua companhia, nem teu convite, nem a tua sugestão para que eu me expusesse, ou a brincadeira. Não contive meu riso. E mesmo sem ter confirmação alguma, insisto por teimosia, apostaria, que isso que senti - outra vez - é "felicidade".
Sei que não há como provar. Sei que não há um cânone com sintomas que diagnostiquem: "isso é inquestionavelmente felicidade, meu chapa!" Sentimos todos a mesma coisa sob aqueles nomes: tristeza, ódio, tranqüilidade, libido? Quem garante que não falemos de coisas distintas sentido o mesmo, ou que nos enganemos por usar um mesmo nome com uma enorme diferença de sentimentos?...
O primeiro estouro me pega de surpresa e é inevitável: um formigamento desce pela minha coluna e retine num fino zumbido contra meus tímpanos. Imagens explodem. Eu vivo de novo aquelas primeiras semanas de treinamento em campo. Estou ali sendo humilhado pelos CANNIBALS mais experientes. Testado. Mutilado. Levado ao limite. Um alarme em mim dispara: Vá vá vá! Um impulso quase indomável de correr, invadir campo inimigo, conquistar, silenciar alvos, vencer. A pólvora me lembra eles. O estrondo que me põe surdo me lembra eles. Aquele flash me lembra eles.
E, como se tudo voltasse ao começo, como a Serpente Uroborus, é você que me conduz de volta. Eu vejo as pessoas sorrirem, vejo aquilo despertar algo nelas. Elas aplaudem, apontam, sussurram, exclamam. Me sinto como uma mola pressionada e tenho medo de - ZAPT - soltar-me de meu controle e dar-lhes outro tipo de show. Tenho vergonha e medo de fazê-lo em frente a você.
Mas você não me deixa. Você fala de coisas que me apatetam. Coisas que enfeitiçam minha mente, me entretem. Você vê tudo naquelas luzes. Lá está tudo que quer cuidar. De repente, noto que estamos a sós e você continuando pregando. Pregando... E tua comoção está me comovendo. Estou entrando na tua euforia. Em teu ritmo. Tua silhueta de pé contra o negro. Teu rosto tão irreconhecível, como messias. Como o Crucificado. Arrebata-me. E assim hipnotizado, não desvio o olhar da explosão que te recobre. O colorido infernal dos fogos te emoldura numa refulgência às tuas poesias. Imprime tua fotografia em auto-contraste esmagando minha única retina e apaga tudo o mais. O Mundo cessa de existir. Mas a tua presença o traz para dentro de mim como nunca senti.
Nada vejo e nada escuto, além de você repetindo-se.
Você.
Só.
Você.
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Now playing: Fightstar - The Grand Unification Part 1
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{ ... in a world of carbon fields, acid rain and rusted iron limbs, our kisses are just holographic designs floating over the cold network... there are no more prays to be listen... shallow oiled minds... his blood... so so green... as a revenge of nature growing inside his toxicated bones... as a sick thin hope to our lost souls... }
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terça-feira, 1 de abril de 2008
domingo, 24 de fevereiro de 2008
Greenish bubbles as iidich mumble-jumbles
Úteros artificiais. Luzes verde-azuladas, frias... Grades... Tubulações... Máquinas ninando... coisas... Cantigas rangidas entre fiações coloridas. Alumínio. Ferro. Vedações. Você, como um Deus. Tuas pupilas frias sobre aquelas criações vindas de ti. O contato de nós dois. Um presságio da sensação de peso insustentável em teu corpo. Um flash no teu rosto de menino da verdade por trás de nós dois.
Eles estavam presos. Mas, você também não era livre. Rato de laboratório. Simples código genético. Amorfo. Você foi mais sepultado que teus descendentes. Eu respirei o ar de várias cidades. Vi o sol se pôr e subir de novo. Nuvens. Folhas. Eu pintei o deserto de vermelho. Frases foram ditas só prá mim. Rocei a morte todo novo dia. Derramei-me em dezenas de mulheres. Cetim, seda. Loira, morena. Sei montar minha pistola de olhos vendados. Treze pontos fatais. Distingo o medo no teu suor.
Sei... nunca fui tão livre também. Mas eu te achei. Arrombei a porta da minha prisão. E a da tua. Tiros. Minha carne. Meu olho. Toda a realidade despencando em mim. Neóns. Sinais. Teus gráficos continuam um mistério. Tu só recolhe dados meus. Estéril. Buraco-negro. Sabes que não te pouparia. Sabes o que eu quero. Mantenha essa distância saudável. É esperto em não confiar em mim.
E então o jogo muda. Teu sorriso. Tua voz. Espio tuas brincadeiras. Meço tua aproximação do garoto. Onde está o padrão por trás dos teus atos? Teatro. Entre xícaras te estudo. Noz moscada. Maçãs. Aposto isso. Corre na minha espinha que está tramando algo... Que peça somos no teu tabuleiro, garoto-ancião?
Porque ainda me força a carregá-lo? Aquele pedido extremo, refletido nas poças sujas. Tuas lágrimas, quando antes? Nada disso combina. Cadê aquele serzinho raquítico? Onde escondeu tuas feições desbotadas? Céu cinzento rolando sobre nós. Tu me pressionas com um abraço estreito demais. Ruas num vôo uivante. Tua presença às minhas costas. Um magneto que me derruba para dentro de você. E sempre esbarro em teus portões fechados.
Tua pele clara é menos pálida que a minha. Tuas feições de menino, mais humanas. Teu olhar inspira compaixão. O meu, jamais. Derivo de ti: quando mergulho em teus olhos, no som de tuas tripas, no ritmo de tua respiração, reconheço minhas raízes. Não somos iguais, sequer parecemos...
Ah!... Aposto que o que é não passa de engodo. Você se esconde. Tudo, uma densa camuflagem. Sim, pressinto o blefe em cada silêncio teu. Hora ou outra, as cartas acabam. Vou olhá-lo direto entre os olhos, como na primeira vez. E dessa derradeira vez... te farei falar.
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Now playing: Linkin Park - Figure.09
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Eles estavam presos. Mas, você também não era livre. Rato de laboratório. Simples código genético. Amorfo. Você foi mais sepultado que teus descendentes. Eu respirei o ar de várias cidades. Vi o sol se pôr e subir de novo. Nuvens. Folhas. Eu pintei o deserto de vermelho. Frases foram ditas só prá mim. Rocei a morte todo novo dia. Derramei-me em dezenas de mulheres. Cetim, seda. Loira, morena. Sei montar minha pistola de olhos vendados. Treze pontos fatais. Distingo o medo no teu suor.
Sei... nunca fui tão livre também. Mas eu te achei. Arrombei a porta da minha prisão. E a da tua. Tiros. Minha carne. Meu olho. Toda a realidade despencando em mim. Neóns. Sinais. Teus gráficos continuam um mistério. Tu só recolhe dados meus. Estéril. Buraco-negro. Sabes que não te pouparia. Sabes o que eu quero. Mantenha essa distância saudável. É esperto em não confiar em mim.
E então o jogo muda. Teu sorriso. Tua voz. Espio tuas brincadeiras. Meço tua aproximação do garoto. Onde está o padrão por trás dos teus atos? Teatro. Entre xícaras te estudo. Noz moscada. Maçãs. Aposto isso. Corre na minha espinha que está tramando algo... Que peça somos no teu tabuleiro, garoto-ancião?
Porque ainda me força a carregá-lo? Aquele pedido extremo, refletido nas poças sujas. Tuas lágrimas, quando antes? Nada disso combina. Cadê aquele serzinho raquítico? Onde escondeu tuas feições desbotadas? Céu cinzento rolando sobre nós. Tu me pressionas com um abraço estreito demais. Ruas num vôo uivante. Tua presença às minhas costas. Um magneto que me derruba para dentro de você. E sempre esbarro em teus portões fechados.
Tua pele clara é menos pálida que a minha. Tuas feições de menino, mais humanas. Teu olhar inspira compaixão. O meu, jamais. Derivo de ti: quando mergulho em teus olhos, no som de tuas tripas, no ritmo de tua respiração, reconheço minhas raízes. Não somos iguais, sequer parecemos...
Ah!... Aposto que o que é não passa de engodo. Você se esconde. Tudo, uma densa camuflagem. Sim, pressinto o blefe em cada silêncio teu. Hora ou outra, as cartas acabam. Vou olhá-lo direto entre os olhos, como na primeira vez. E dessa derradeira vez... te farei falar.
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Now playing: Linkin Park - Figure.09
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sábado, 9 de fevereiro de 2008
Slashing ice eyes over mute azymuth blues
Teus olhos fixam-se em mim. No batimento seguinte de meu peito, sinto que já te retiras.
Às tuas perguntas perfurantes, que te pareço?
Se franze a boca pela minha resposta estéril, sabes tu que te dou o vazio que tenho? Se teu azul esfria esperando mais de mim, sabes tu que nada mais há?
Meu olho combate os teus, mas perde. Escapa num pedido: "não procures aquilo que me falta..."
Tua presença me enverga sobre a vergonha de uma virtude impossível.
Cada sentença seguinte, escapa de teus dentes como o zunir de minha adaga. Não há sangue escorrendo de mim, embora me prostre e rasteje. O que rasga é mais profundo que a carne...
Lá, onde deveria haver uma alma...
Mas eu não te renego. Não te abandono. Sequer penso em eliminar-te, meu ofensor.
Apenas te aceito em silêncio.
Meu Castigo...
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Now playing: The Last Samurai - 02 - Spectres In The Fog
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Às tuas perguntas perfurantes, que te pareço?
Se franze a boca pela minha resposta estéril, sabes tu que te dou o vazio que tenho? Se teu azul esfria esperando mais de mim, sabes tu que nada mais há?
Meu olho combate os teus, mas perde. Escapa num pedido: "não procures aquilo que me falta..."
Tua presença me enverga sobre a vergonha de uma virtude impossível.
Cada sentença seguinte, escapa de teus dentes como o zunir de minha adaga. Não há sangue escorrendo de mim, embora me prostre e rasteje. O que rasga é mais profundo que a carne...
Lá, onde deveria haver uma alma...
Mas eu não te renego. Não te abandono. Sequer penso em eliminar-te, meu ofensor.
Apenas te aceito em silêncio.
Meu Castigo...
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Now playing: The Last Samurai - 02 - Spectres In The Fog
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sábado, 2 de fevereiro de 2008
Cynesthesic hairflow on golden god sodas
Poeira... Fervilha um spray de partículas douradas que balança em câmera lenta frente a luz do sol que desce... Uma única pupila, vórtex do buraco negro, capta com esforço o limite de cada uma, flutuando, quase imóvel. Entre tu e eu.
Um mar de reflexos na ondulação de teus cabelos aloirados. Absorto, escuto a quietude de teus pensamentos e passeio no desenho que tecem. Te vejo. Meu olho é coberto pela tua figura deslizante e nesse fugaz momento, tu és o Mundo convertido em Você e o Seu cenário... tudo, tudo a tua volta parece respirar para ti, moldar-se a teu andar...
Quem és?... Se eu fôsse outro, e nos olhasse agora de fora, com esse olhar de quem se apaga para ver... veria a mim também como um acessório teu? Seríamos o Mundo... Eu estaria ao teu lado só para compor a tela perfeita?... Se assim fôsse, eu e tu, indissolúveis, tu arrastaria-me sob teu destino e eu simplesmente orbitaria tua jornada...
Olho de olhos semi-cerrados e toco paraísos em teus fios soprados de inércia. Dá-me um deles que seja... um deles, solitário e longo na palma de minha mão, dourado sob o fio da minha retina, dormitando entre minhas digitais, impregnado no profundo dos meus pulmões até a minha inexistente alma... tsc... ela se abriria em sacrifício a esse Deus, eu sei, se fôsse cativada por um único fio do teu cabelo... um único fio, conduzindo-me para dentro de todo o segredo amplo que és... ou somos...
Se me estendesses um só fio do teu cabelo... toda a minha carne prostrada a seus pés...
Eu vislumbro o Todo em c-a-d-a curvatura dos teus cabelos...
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Now playing: Nujabes - Beyond
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Um mar de reflexos na ondulação de teus cabelos aloirados. Absorto, escuto a quietude de teus pensamentos e passeio no desenho que tecem. Te vejo. Meu olho é coberto pela tua figura deslizante e nesse fugaz momento, tu és o Mundo convertido em Você e o Seu cenário... tudo, tudo a tua volta parece respirar para ti, moldar-se a teu andar...
Quem és?... Se eu fôsse outro, e nos olhasse agora de fora, com esse olhar de quem se apaga para ver... veria a mim também como um acessório teu? Seríamos o Mundo... Eu estaria ao teu lado só para compor a tela perfeita?... Se assim fôsse, eu e tu, indissolúveis, tu arrastaria-me sob teu destino e eu simplesmente orbitaria tua jornada...
Olho de olhos semi-cerrados e toco paraísos em teus fios soprados de inércia. Dá-me um deles que seja... um deles, solitário e longo na palma de minha mão, dourado sob o fio da minha retina, dormitando entre minhas digitais, impregnado no profundo dos meus pulmões até a minha inexistente alma... tsc... ela se abriria em sacrifício a esse Deus, eu sei, se fôsse cativada por um único fio do teu cabelo... um único fio, conduzindo-me para dentro de todo o segredo amplo que és... ou somos...
Se me estendesses um só fio do teu cabelo... toda a minha carne prostrada a seus pés...
Eu vislumbro o Todo em c-a-d-a curvatura dos teus cabelos...
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Now playing: Nujabes - Beyond
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