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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Serpent's skin circle cycles syndrome


Surpresas...

Já chutou uma lata que pensava vazia, só para brincar... e foi atropelado por ratos famintos?

Redemoinhos... Quando eu estabeleço um alvo - que não sangre e morra - minhas flechas jamais acertam... Há um padrão: algo as desvia e eu erro feio...

Mas também não consigo adivinhar... onde elas irão parar... Este padrão... talvez não exista.

Pensei em ser conivente com minhas necessidades secundárias... Pensei que isso os faria também felizes...

Amber, primeiro. Tudo se repetiu. Carrossel falho, que me desespera numa tortura da qual não tenho como me esquivar - lentamente, percebo que nós estamos e vamos e completamos o mesmo círculo. Voltamos a romper. Voltamos às mesmas palavra dela, que me rasgam. À mesma indiferença em sua postura - e eu desidrato - buquê carmin atirado ao pó e ao Sol...

Rastejo para longe dela... Desço todos meus próprios degraus... Torto de humilhação. Culpado. Arestas negras e pálidas em azul de luto... Encolhido. Tudo fodido - tão incontrolavelmente desperdiçado.

Lanço-me a ele, pois ele pediu minha presença - e eu, bem não queria interrompê-lo... Esperei que estivesse ocupado. Pétalas em seda, entre os dois, como no telhado da Igreja... Palavras doces e silêncios úmidos de bocas que se doam, braços que vencem o medo e procuram abrir-se, unir-se... Fui, ainda assim, pois ele deixara a mensagem...

E ele está só. A dor e a felicidade, ambas, rareiam juntas... Como posso... estar aliviado e triste?... O fel preparado noite adentro, que escalava minha língua... torvelinha e explode em morangos súbitos - e tudo está errado... Ele me olha pela moldura desconjuntada da porta. Ele brilha em minha direção. Me mergulha no mais doce de seu rosto - sem avisar... Tento recuar, tento protegê-lo de uma recaída minha... - Seja feliz, por favor! Eu ficarei bem, não tente me consolar, não olhe prá trás! - Mas ele já deu esse passo... Merda, ele deu... e eu... eu sei que vou segui-lo! Imergimos devagar nessa calda densa... quente... boa... e traiçoeira...

Diga-me: - Será sempre assim, até quando meu olho fechar para não mais abrir? Eu irei sempre me desarmar diante de ti?! Irei sempre provar desse fruto e me inebriar em tua presença?! Será verdade... que isso possa durar... para sempre?...

Sinto dessa vez a tua vontade sufocando a minha... E me deixo, mas só parcialmente... Ainda seguro minhas rédeas - eu preciso, eu sei que não sou tão fraco - seria mais fácil representar que sim e deixar... Não devo... Mas o toque me seduz com tanto... E o que fala entre os fios dourados do teu cabelo... Não posso me deixar convencer: sei o que você está fazendo - Foge dele, entregando-se a mim! E isso tudo, logo, se desvanecerá também, não é?! Agh!...

... Interponho palavras entre nós, uma a uma, construindo uma muralha... Distraio tua atenção... E minha língua se afia em amenidades, traindo o desejo de embainhar-se em teus lábios, pela noite afora... Me corta, sutis pedaços - neve que evapora na manhã - abandonar teus afagos... Não aceitar esse jogo e tentar quebrar a banca... Talvez te magoe, um pouco, resisto...

Veja... Olhe isso comigo... Nessa luta... eu simplesmente... nunca... chego à vitória... nem perto.

A ironia fina disso... Uma vez que pretendi rebelar-me contra ser só essa casca... que tive a intenção de encorajá-lo a estar com aquele que lhe comoveu... Selo meu destino outra vez na solidão mesma e sirvo de encosto contra a nova vida que ele poderia ter...

Como uma serpente...

Rasgo-me para deixar para trás uma pele que não me serve mais...

Velha, morta e seca...

Só para me vestir outra vez assim...



Now playing: Linkin Park - Somewhere I Belong
via FoxyTunes

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Arrising bird flies... falling star dies... dry wind byes...

[editado]

Azul...


Tão azul... Tão estupidamente azul... E você...

Você... lá dentro... Como um fóssil de uma libélula, preso em ambar... Você... Truncado no tempo. Atado no espaço... Justo você... Senhor dos ventos... Filho do Sol... Você, parceiro, que passa pela vida de todos como um furacão de bençãos...

Eu te encontrei... Mas... não como eu esperava... Você... Derrotado também... Sim... Ele havia me precavido... e... eu penso agora que sabia que ele estava certo... Você não teria desaparecido... Se não tivessem...


Quis cair sobre aquele cristal com um grito tão extremo quanto todo o sentimento que rasgou-me por dentro. Do meu coração, um enxame ardido. Por que todo este sentimento devastador não pôde vibrar contra ele?... Que o arrebatasse em cacos, com a mesma inclemência com que me botou de joelhos diante de ti...

Que eu pudesse te libertar... E mais: tudo voltasse a...

Mas... Eu, nós, vencemos, afinal, não foi? Esta batalha...


Pude chamá-los enfim... Os chamei por ti... E teu nome... entre nós... como uma oração profunda...

Foi aquela que tomou de ti as formas... Aquela que me confunde... E me hipnotiza... Meu perigo... Ela trilhou comigo o branco e o negro quase sem fim... Neste meu peito a fé... A fé forte, inabalável - a certeza... Cada batida... Dividida entre você... eles... e... ela... Meu Sol... ... ... eu te achei...

Que eu fôsse a espada sem bainha a cortar tuas amarras até o fim... Que eu fôsse o louco que insiste em ver um caminho...

Como eu pude ter estado tão perto... e não ter te resgatado antes?... Corel, mais adiante... Entre os reecontros naquela grande ferida da terra, a falta tua... Cada um de nós, sem poder mais suportar saber do teu exílio... Uma sensação plena de urgência, de atraso... te ver livre - rápido!

Luzes inventadas pelo homem, descendo sobre ti... A terra em minha carne viva... Não pude descansar... Testemunhando tão de perto, cada segundo, a tua cova em vida... Meu filho, tão crescido deitado contra este peito oco, exaurido...


Precisava - preciso - que o céu dos teus olhos voasse sobre mim. Eu fecharia o meu em gratidão... Quero a tua sombra firme encobrindo este resto cansado que sou eu, só um instante, e se tua voz chamar meu nome como antes... Eu me ergueria mil vezes...

O pequeno vai ao teu encontro. Mente encontra mente... Ou mais, meu amigo?... Foi assim que o cristal, tão indestrutível, algema que te cercava a tanto, não mais te prende ao sólo. Á solidão... O Sol tocou em ti e tu... Tu... um pássaro... meu olho não pôde te seguir...

Recosto outra vez a testa contra a tua... Tu... Salvo... salvo... De novo, você estará entre eles... Eu peço baixinho... o nome do teu filho... É tanto... sim... você vive... É demais...

Então te levamos ao encontro do teu povo. Cada olhar, a centelha da certeza, a gratidão... Verde como broto que renasce após a chuva... Meu coração, explodindo aqui dentro, uma alegria cujo único fim é esta culpa que me engole... Ela não é nada, perto de ter te recuperado. Por você... por eles... ... ... por mim...

Outra vigília se segue... A mantenho reconfortado pela visão do teu corpo adormecido sob o dourado que te ilumina... E quando tu te acoras, eu vou até ti... Ombro a ombro... lado a lado... Um pouco de paz, mas no fundo, sei que é só o recomeço de nossas lutas... Há tanto, lá fora...
Negro fumo de todo um Mundo que queima na tua falta... O dourado... e um pouco de azul... Vermelho... riscado em mim, neles... em ti... Cores que desbotam...

Pego tuas palavras jogadas ao léu, magras... como um vento árido... Que se passa contigo?... Assim tão junto... não me reconhece mais... E tu... tu te vais... Vento... Rouba o ar dos meus pulmões... o fôlego da minha fala... "Fique"... "Deixe-me segurá-lo contra mim e vaze sua dor, vaze seu ódio..." Eu não disse... Como vento seco... você... meu parceiro... me desfez na tua passagem... Em milhões de folhas amareladas de mim mesmo... você me despedaçou... e soprou todas as páginas de memórias para longe... nossa história, enosada... rolando para longe de mim...

Eu cedo... Não insisto...
Você... como um vento seco, me quebra sob tuas pegadas... tu não te viras mais... Este é o preço pelo que te fiz?... Traidor. Eu sei... Covarde... eu sei... Te achei e te perdi tão rápido...

E todos aqueles dias desesperados convulsionam em mim para fora, um torvelinho... Eu tremo, por dentro. Desabo. Talvez tu não possas me perdoar jamais... Eu não pensei nisso. Quero correr e me livrar de mim mesmo... Não posso. Escondo-me e espero o chamado da luta, porque... mesmo que não me tenhas mais como companheiro... serei sempre o teu...

Outro vai ao teu lado... meu peito morre um pouco... sorri um pouco... O jeito dele... sim... eu o desejo para ti... Será capaz de acender um sorriso em teu rosto tão cinza?... Eu creio... tenho que crer... E o seco em mim, abençoado, não derrama de mim mais nada...

Estrelas que se apagam em algum escuro aqui dentro... Estranho... Com tanto que acabo de reaver... esta dor... E que dizer desta sereia que dirige seu canto a mim, me enganando, esse rosto que é o teu?... Estes olhos que me atormentam de lembranças... o tom dos teus cabelos... e a tua boca... Ela... que me seduz do meu inferno a outra luz...

Ela... que insiste em ficar... quando ele se foi... E me promete... cuidar de mim...

Há muito o que fazer... e eu... nunca soube como...

Cuidar... de mim... Eu... que acabo de descobrir que matarei o filho dela...

Não...

Sinto como se... estivesse fadado... a trair...

Olho para ela, quando ela me solta...

"Me segure mais"

Mas... deveria dizer...

Por favor... somente...


Vá embora...

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Indigo blood & underlies skin - you, as my kin, as we could...

Estas frases são para você,
Ace.


Começamos mal. Quero corrigir isso - preciso que me dê outra chance. Antes que desista de ler, pense: "Posso descobrir os podres deste monte de estrume". Refaça comigo nossa história - e pense que eu mereço o descrédito, mas que o amanhã pode ser diferente.

O início, eu lembro, claro como corte de navalha: chovia muito, amanhecia. Voltava de minha ronda rodeado pelo silêncio, sondando, sondando o nada, paranóico - dormia e comia há quase um mês sob o teto do Santo e ainda esperava a invasão da Shinra àquele santuário. Senti teu cheiro ao alcançar os degraus - na maçaneta. Adrenalina e programação, coisas que você desconhece - e que permaneça assim.

Invadi por uma clarabóia no teto da ala oeste. Passei pelos mesmos vultos e sons. Saquei Banshee, o chão não gemia. Te encontrei aos pés do altar-mor, enrolado num cobertor escuro, ressonando - as costas contra a parede.

Tenho certeza que lembra... Uma faca na jugular e um sujeito estranho sussurrando perguntas em tom de ameaça é algo que fica na memória... Entenda, agora: o confundi com um de nós. Foi o cheiro - como uma assinatura inconfundível: a carne dos CANNIBALS. Não fui lógico, não fui racional - nunca fui bom nisso - devia ter percebido que tu não poderias estar ali para me interceptar: novo demais, relaxado demais, desprecavido.

O Padre me deteve aquela manhã - você me perdoaria, porque eu teria acabado com você? - ele te salvou. Por um triz... Foi a firmeza dele, seus argumentos claros, o tom calmo, que me desarmou.

Desde então você virou uma charada para mim. Uma coisa obscura, que ia e vinha em meus pensamentos, quando eu estava desocupado. Admito: havia algo, rastejando, sob camadas e camadas de negações, lá embaixo, em meu peito. Uma desconfiança... Era a cor da tua pele à luz das chamas - que quase igualava-se a pele dela na luz pálida do alvorescer, mais ambarina - ou a forma dos teus olhos e o jeito de me espiar por eles - quase aquele mesmo medo furioso que via nos olhos dela. Eu bloqueava tudo. "Impossível..." Roía meus dentes e farejava o cheiro meu e dela em ti, teimando - "Loucura, estou delirando..."

Saiba que nunca acreditei ser seu pai. Pelo que sei, devia ser estéril... E não fui alertado de sua concepção. Não tenho instinto paternal. Esse novo papel é um desafio rumo ao desconhecido e ao improvável. Não tive qualquer treinamento.

Cubri minha ignorância acompanhando a rotina das poucas famílias que cruzaram por mim - Drako e Uriel são minhas referências favoritas. Mas também aprendi com o garoto de saias que cuida de tantos pirralhos. E observei alguns em Condor Fort e antes, nos Slumps...

Hah... Imagino... Deve ser difícil agüentar ler isto... Ok. Não estou querendo simplificar nada com palavras. Nem buscar justificativas para te coagir a me desculpar. Não. Isso é minha forma de compartilhar. Minha forma de retribuir as informações sobre você e sua mãe com as quais me presenteou, mesmo que acreditasse estar me golpeando, mesmo aos gritos e empurrões.

Acredite. Quando relembro, gostaria de refazer tanta coisa. Acredite que é uma honra que não mereço: ter a você como filho. E me assusta o fato de que você deixou a segurança da sua família para juntar-se a mim - foi tolice...

Linhas que falam por atos - não é meu estilo. Desta vez, é o que posso oferecer, minha missão me leva para longe de ti. Rude, mas verdadeiro: não estou fugindo deste compromisso. Estou assumindo algo maior - quero abrir para ti um novo futuro. Talvez seja arrogância...

Confia em mim. Faço isso para te proteger. O que tenho de fazer deve ajudar Drako e os que estão com ele a salvar nosso Planeta. Não posso parar, não posso esperar. Um dia, quem sabe?

Sobre tua mãe e eu. Ela me foi dada. Naquele dia, ela era mais criança que você. Pequena, magra, abafada pelo peso dos tecidos luxuosos e hipnóticos com que a embrulharam para mim. Eu cheguei, coberto ainda de sangue, ofegando ainda da ação. Ela estava lá. Mais um móvel em meus aposentos... Bastou-me saber: é minha, meu prêmio por ter superado as previsões planificadas. Cruel - mas de praxe em nossa divisão: todos os colegas mais velhos tinham escravas. Não questionei. Jamais soube de onde viera ou como fôra escolhida. Como fôra trazida para ali. Uma lacuna que hoje me atormenta. Você saberia isso?

Fui imoral - não, melhor: amoral. Ela não significava "amada", "amante", nem sequer "indivíduo". Eu não a tinha como uma igual - ela era minha propriedade, um objeto utilitário. A esfregava na cara dos meus rivais do CANNIBALS - ela era a prova em carne do quão rápido eu subira, um troféu pelas minhas realizações. Era minha boneca em todos os jogos... Além disso, sustentava minha existência vazia com sua presença firme e determinada. Sintonizada comigo, como eu jamais valorizei antes... Cozinhava. Ouvia. Cantava e dançava frente ao meu tédio. Posava nua quando eu voltava semi-catatônico. E eu? - despejava nela o mais escuro de mim, vomitava nela o que me corroía, sem piedade, aos berros, aos empurrões, machucando.

Raras vezes... permitia-me usá-la como abrigo. Era quando mais me constragia... Era quando só podia haver ela e suas mãos pequenas e macias, sua voz numa melodia suave, seus olhos, fortes e doces, a batida de seu coração me acolhendo num abraço... O mundo se dissolvia e eu ficava em branco.

Errei tanto com ela e de tantas formas e com tanta veemência... não entendo como ela pôde ainda me aguardar e desejar que eu a buscasse!... Ela parece não ter lhe contado as piores coisas sobre mim - não mereço que ela calasse meus pecados... Te confesso: fui vil - tentava torcê-la quando ela abria a guarda e se importava comigo ou nas horas em que eu me sentia transformado por ela. Quis quebrar seu espírito. Ela jamais deixou: até o último olhar que trocamos, ela mantinha-se sem baixar os olhos, indomável, majestosa, digna, confiante, íntegra.

Quando ela se foi - deixa te contar isso, sem maquiar nada: não senti falta. Não no momento. Cheguei tarde e caindo de cansaço. Uma outra fêmea, nua e com um largo sorriso branco, me esperava no lobby... Decepção e curiosidade - tesão. Foi assim. Eu a tomei na mesma cama, com o mesmo intento e adormeci da mesma forma. Sequer procurei sua mãe nos cômodos - antes ou depoi - para certificar-me dela não estar me evitando, por alguma birra e se ver assim trocada - e sabia o quanto ela detestava quando eu subia em outras mulheres. Foi assim: sem despedidas, sem explicações de ninguém, sem bilhetes ou rastros...

O incômodo - que somente conversando com o Santo identifiquei como "saudade" - cresceu ao longo de várias missões e seus breves momentos de descanso, quando à minha espera estava somente aquela outra, neutra, disforme e insossa. Nem assim pesquisei seu sumiço ou seu paradeiro. Questionar não fazia parte de minha rotina. Hoje sinto que ela me deixou esse oco, aqui, bem dentro. E não há outro que preencha isso...

Sei pelas tuas palavras o fim dela... Porque a jogaram aos Prostíbulos? Foi porque ela engravidou de mim? E como ela pôde? Por que se esforçaram em acobertar isso e por que iriam permitir que você saísse da vigilância deles? Nunca soube de nada assim. Não entendo o que lucrariam...

Tuas experiências contadas entre lágrimas e xingamentos ficaram bem gravadas em mim. Me provoca mal-estar saber que não estive lá para te apoiar, nem para ela. Que eu sequer pensava em vocês. Não há como amenizar isso. Também não há trilha de volta, conserto...

As feridas - temos algumas em comum. Talvez um dia possamos falar disso, talvez um dia possa aliviar minha memória contigo. Porém você viveu coisas que jamais experimentei: teve uma mãe e depois a perdeu, foi oprimido sem saber como se defender, roubou só para ter o que comer sob culpa. Sim, fui oprimido - mas não era indefeso. Sim: eu roubei, lutei, apanhei e mesmo matei para ter o que comer, para sobreviver e comer - mas sem culpas, e depois por orgulho.

Se pudesse estar ao teu lado... Nenhuma mão chegaria em ti. Seria teu telhado na chuva. Teu cobertor no frio. Teu guia quando estivesses perdido. Teu companheiro se sentisse-se só. Tua mão jamais se sujaria, pois não te faltaria o que comer. Nem para quem voltar...

Se eu voltar e você estiver me esperando...

aquele que chamam por Ash.

sábado, 19 de abril de 2008

'Bout monkey's desire: tastes like honey, tastes like fire

Há um Deus e ele perdoa...

De cabeça baixa eu aceito esta verdade, pois meu peito ainda tropeça. Não tenho certeza de merecer tanto antes de cair por eles. Sim, eu sei que este é meu final. Ou não...

Não sei como escrever sobre isso e tenho de me perdoar por adiar a confirmação do que fiz por mais uma frase. Já tenho testemunhas demais. São mais três respirações neste quarto, subindo e descendo. Sobre mim, não só os de meu parceiro de deslize. Olhos vermelhos, mas frios - sete, ele me chama, - sete, ele me lembra sempre... Olhos amendoados de menino, incrédulos na madrugada... Aqui, só o meu peso. Aqui, só o sinalizar constante - cheiro de metal recém-forjado e limpeza mórbida, luzes de alerta - minha memória tagarelando: você esqueceu seu posto, soldado.

Quando entrei neste quarto, eu ria. Desde o começo, te conto: o Santo e ele, frente a frente. Ele tinha palavras tortas para escapar ao padre. É o que ele sente, mas mais é o que ele sabe ser o dever. Fiquei ali, observando-os. Às costas eretas, secas. Escutando seus dois corações. Cada palavra engolida. Esperei, como se o apoiasse numa batalha. Sim. "Não é orgulho... só as coisas têm que sê assim..." foi o que disse como se fôsse: boa-noite, fique bem e não se preocupe comigo. Eu recebi a benção por todos vocês. E disse Amén.

Eu ri. Ri... Porque é tão patético, de tantas formas... Porque Cold, mesmo tão sábio, nada entende sobre você... Porque tudo parece tão bobo, mas é tão fundo... Porque eu desejo que você alcance a felicidade, mas ela te leva na direção dele... e tanto mais... Nossas vidas, tão miseráveis, tão tênues, tão desperdiçadas... É tudo tão maior... Há uma beleza tão asfixiante e intangível... E aquele rosto de criança entretido com bolhas de sabão...

Sete...

"Se você não der meia volta..."

Sou quem sou. Mas queria saber como é ser além. Não. Não quero dar um passo a trás que seja do meu objetivo. Jamais reneguei para o que eu nasci. Não é isso. A minha segunda pele no criado-mudo - "deixar você de lado... hoje de noite" - eu tão estranho sem proteção. Faz de conta que sou mais um entre a multidão. Deitar minha cabeça neste travesseiro e sonhar. E o que eu sonharia, se pudesse?...

Foi aquela tua aproximação que despertou em mim o erro da pretensão. Mais uma vez - outra vez - tu passaste da linha segura: perto demais, perto demais... Nas marés do meu sangue, te vi distanciar-se e transformar-se. Você perdendo-se de você. Surdo. Dissincrônico.

Mas tu deixaste uma brecha para mim, entende? Tu cultivaste o demônio da confiança em meu peito oco. E eu o segui. Eu ousei - pela primeira vez, com todas as minhas entranhas, desarmar-me até os ossos e dar vazão às ordens do meu peito. Mesmo mesquinho. Vaidoso. Ou louco.

Aquele instante - não mais que um fugaz suspiro, o lapso de recarregar minha pistola - impresso irremediavelmente em mim. O calor do paraíso ao te enlaçar. Perfeição. Teu cobertor, tua armadura, teu anjo-da-guarda, teu parceiro... aquele que te estima. Tua mão cairia sobre mim e desmontaria meus ossos, e eu nada faria além de sentir aquilo me dissolver por dentro.

Nada faria... Me afastei. Pensei que te respeitava, assim. Enganei-me. Curioso lutar contra si mesmo por ti e depois descobrir que lutava também contra ti... "Tá fugindo de mim? Eu... te incomodo?" "É ruim ficá perto de mim?" Frases me alvejando em cheio. Pulsação entre nós. Três. A minha esmagada contra o ritmo das tuas batidas.

Mármore. E água. Todas as minhas couraças, derrubou-as uma a uma à minha frente. Teu hálito de Sol cantava a ode dos teus dias - só pra mim... A cada palavra tua carne se abria mais em feridas. E eu, algemado na minha impotência, saboreei tua alma brilhante e solitária, trágica e orgulhosa, em cada nota do timbre da tua voz.

Eu confesso aqui: a degustei em cada detalhe terrível, em pecado mortal. E mais... Na minha perdição, eu deixava escapar palavras antes secretas - só para ti... Traços de revelações pairando entre nós, entre cada respiração, em azul gelo, vermelho sangue, amarelo luminoso ou cinza... como eu. A curva do teu queixo. Dobras em tua camisa. O gesto da tua mão. Teu perfil forte e uma estranha poesia. Farfalhar de uma mecha loira sobre teu rosto. Teus olhos. A cor das tuas sardas.

Tão perto.

Tão desprotegido: todo teu mundo sem cercas para que eu invadisse. Para que eu depusesse minhas armas e repousasse na tua relva macia... Ombro no ombro - você disse. Eu disse. Nunca acima. Jamais abaixo. Talvez longe, porém ao alcance. Tudo é você - eu disse, turvo, olhando-te através de uma miragem. Ou quis te dizer... Você - você me respondeu. "Você" Isso é tanto... Isso é muito - demais - e eu não ambicionei isso, não estou preparado para isso.

Entende? Talvez não saiba lidar com toda essa proximidade. Mãos ensinadas a matar e arrancar dor podem ser para você? Abaixo das camadas de mortos encrustrados em minha pele, ainda há algo do que precisas? Meu raciocíonio se move em círculos fatais e eu o travo, eu tento não sucumbir ao empuxo das regras da minha vida. Então, a pressão do teu corpo, enguiçando o mecanismo. Riscas fervilhantes em minha mente paralisada. Eu deixo. Que se dane tudo que fui. O tempo respira. Súbito, o cetim dos teus lábios. Meu mundo de ponta-cabeça. Perdi o comando. E perder a vida em tuas mãos agora, não me parece nada mal.

Tenho todas as instruções erradas, preciso que saibas.

A tela de cristal mostra um pedaço de minha sombra em reflexo sobre estas letras em luz. Queria poder guardar nelas o que sinto ainda agora. Que mesmo com sangue em minha boca, mesmo faltando pouco para a escuridão, eu pudesse ter certeza de reaver isso. Não consigo. Forço todo meu ser nelas, mas é impossível, não cabe nelas... Não cabe nessa sintaxe... O torpor... A clara intenção de me entregar, como um suicida inebriado caindo num fosso sem fundo e experimentando voar...

O mundo inteiro girava sob nós... e simplesmente tudo estava como tinha que estar... você... eu... éramos tudo...

Eu sorrio, no escuro. O gosto da tua boca não sai mais da minha.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Words to light my darkness, a World to fight my blindness

Estranho... Acordar preso naquele terror. Olhos ainda velados pelo pano do pesadelo. E o que sinto antes de ver que não estou mais lá?...

Tua mão.

Tua voz.

Você, mergulhando em meus sentidos rendidos. Você, me resgatando. Tua presença indicando que voltei ao lar. Minha exaltação cedendo a tua calmaria, a tua lealdade.

Eu não agarrei teu pulso - como teria feito com qualquer outro. Meus músculos não se tensionaram para o bote. Não fechei a guarda. Comcluo, meu caro, que meu corpo - ainda mais que minha mente - foi logrado a confiar em ti... cegamente.

Chocado, recebi novo impacto pela tua boca. Uma confissão - um irmão. Um irmão que volta dos mortos. E que nos salva. Que nos aguarda - assim segue tua fábula - no próximo ponto. Teus olhos, tua voz, teu coração e teu cheiro me dizem: " - Esperei tanto! estou feliz! estou ansioso!" Eu te cuido e me encho de dúvidas - mas não falo. Seria simples te dizer: " - Hey, tenha cautela!". Te precaver. Por que não o faço?... Me sensibilizo com o que sinto que me pedes: " - Não me frustre agora, estou feliz!" Eu calo. Eu vigiarei por ti...

Porém, talvez isso não seja o suficiente. Você me deixa. Deveria ter dito algo em ressonância a tua esperança?

O que sonhei - e não lembro se foi tudo aquilo ou se esqueci de algo - volta em pedaços dilacerados. Examino tudo. Depois, respiro através do que você me causou. O consolo. As palavras sobre Kuroi. Reflito. Escrevo isso. Mas, largo tudo quando percebo que olho a porta a cada nova frase. Você harpoou meu peito, e cada passo que dá para longe, esgarça mais e mais a corda que nos une e me fere de forma mais dolorosa.

Olhei-me. Parecia o mesmo - mas era só engano. Peguei-me em teu rastro. Afinal, haviam muitos a proteger. Havia você lá fora - e eu deveria estar a sua disposição. Sim, era isso. Não vou falhar contigo. E não falharemos com eles.

É o que importa - é simples e objetivo. Traz-me certa segurança e estabilidade - a explicação me cai bem. Escapo. Roço na multidão sobre-excitada. Capto-os um por um. Um fragmento de paquera de Uriel sobre Juanita. A marra de Weasel, Ferret e Wolffy disputando recordes. O cheiro masculinizado de Phill que se suja de graxa. Uma briga entre Ramza e Aleph. A respiração pausada e suave do Santo - deve estar cochilando nos degraus. A dupla batida do teu coração...

... inigualável... impossível de ser confundida... ou ignorada... Cruzei os olhos por ti. Egoísta e estúpido, roubei tua atenção para mim. Sem premeditar. Sem me perdoar por isso. Não consegui - no entanto - rejeitar tua companhia, nem teu convite, nem a tua sugestão para que eu me expusesse, ou a brincadeira. Não contive meu riso. E mesmo sem ter confirmação alguma, insisto por teimosia, apostaria, que isso que senti - outra vez - é "felicidade".

Sei que não há como provar. Sei que não há um cânone com sintomas que diagnostiquem: "isso é inquestionavelmente felicidade, meu chapa!" Sentimos todos a mesma coisa sob aqueles nomes: tristeza, ódio, tranqüilidade, libido? Quem garante que não falemos de coisas distintas sentido o mesmo, ou que nos enganemos por usar um mesmo nome com uma enorme diferença de sentimentos?...

O primeiro estouro me pega de surpresa e é inevitável: um formigamento desce pela minha coluna e retine num fino zumbido contra meus tímpanos. Imagens explodem. Eu vivo de novo aquelas primeiras semanas de treinamento em campo. Estou ali sendo humilhado pelos CANNIBALS mais experientes. Testado. Mutilado. Levado ao limite. Um alarme em mim dispara: Vá vá vá! Um impulso quase indomável de correr, invadir campo inimigo, conquistar, silenciar alvos, vencer. A pólvora me lembra eles. O estrondo que me põe surdo me lembra eles. Aquele flash me lembra eles.

E, como se tudo voltasse ao começo, como a Serpente Uroborus, é você que me conduz de volta. Eu vejo as pessoas sorrirem, vejo aquilo despertar algo nelas. Elas aplaudem, apontam, sussurram, exclamam. Me sinto como uma mola pressionada e tenho medo de - ZAPT - soltar-me de meu controle e dar-lhes outro tipo de show. Tenho vergonha e medo de fazê-lo em frente a você.

Mas você não me deixa. Você fala de coisas que me apatetam. Coisas que enfeitiçam minha mente, me entretem.
Você vê tudo naquelas luzes. Lá está tudo que quer cuidar. De repente, noto que estamos a sós e você continuando pregando. Pregando... E tua comoção está me comovendo. Estou entrando na tua euforia. Em teu ritmo. Tua silhueta de pé contra o negro. Teu rosto tão irreconhecível, como messias. Como o Crucificado. Arrebata-me. E assim hipnotizado, não desvio o olhar da explosão que te recobre. O colorido infernal dos fogos te emoldura numa refulgência às tuas poesias. Imprime tua fotografia em auto-contraste esmagando minha única retina e apaga tudo o mais. O Mundo cessa de existir. Mas a tua presença o traz para dentro de mim como nunca senti.

Nada vejo e nada escuto, além de você repetindo-se.

Você.

Só.

Você.

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Now playing: Fightstar - The Grand Unification Part 1
via FoxyTunes

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Fractal flesh on factoid flashes

Estava dirigindo o caminhão, quando de repente, minha memória foi invadida por aqueles eventos esquecidos. Por meses eu me torturei, procurando pistas sobre meu desvio... Um instante qualquer em que tivesse pressentido que iria sair da estrada... Eu lembrei... finalmente.

Cores. Fragmentos estanques de espaço-tempo. Como uma estilhaço de ferro quente, sua figura perfumada. Era meu primeiro dia em campo junto com civis. Via por cima dos bancos, o recorte dos ombros do CANNIBAL número 3, um dos sêniores. 'Tava tão nervoso e cheio de adrenalina que poderia gritar e correr em círculos, subir muros e me atirar de um penhasco. A caravana perdia Midgard quilômetros atrás.

Tédio, nada acontecia. Do meu lado uma sentença grave se passasse o sinal. Tinha que suportar. Imaginei que era um teste. Que, a qualquer momento, minha concentração seria vital. Eliminar alvos. O campo verde em minhas pupilas. Uns acionistas gordos, uns ratos de laboratório e tocando o circo, o teu pai, lá na frente. Pela janela, um Mundo que eu desconhecia. Risadas cínicas, comentários maliciosos de impotentes. A poucos centímetros de mim, você, dividindo o banco comigo.

O couro claro exalava cheiro de cera. O teu fruto proibido me enchia a boca de água.
Um céu claro demais, de um creme berrante que faísca dourado. Cerro meu olho só de recordar. Meu rosto, tão mais novo e zerado, espelhado em teus olhos insistentes. Eu via árvores... Nuvens... Céu... O que conversamos? Suas palavras velhas, de dez anos, sopram de novo, uma coisa ou outra. "... tudo que nasce tem uma ligação especial..."

Um feixe de luz dançava na tua blusa, iluminava ora tua boca, ora uma mecha de teus cabelos negros. "... o que fez até agora?" Tu eras não mais que uma garota recém pondo peitos. " ... mas é feliz?" Feliz... Número três respirava devagar. Teu pai metralhava explicações. Fecho o olho e ainda posso sentir tua mão sobre a minha, escondida deles. "nunca tinha sentido falta do céu? eu sempre..." Um projeto. Melhoramentos. Reservas ricas em carga genética...

"Você é um animal livre como... " Vozes de feras decantando fundo. O cheiro do vento. "... correr pelo Mundo?" Teus argumentos iam num crescendo de desespero e intimidade. "Não suporto o que meu pai está fazendo com você! conosco!... você é muito mais que um cão de guerra! " Tua coxa encostou na minha. Fiquei duro e tentei me concentrar em não dar na vista. Vi uma mancha azul vibrando, vibrando entre nuvens. Eu achava ainda que era o soldado perfeito.

Espio pela janela do caminhão e relembro de fazer o mesmo gesto quando tu me apontavas insetos, pássaros distantes, flores sobrecarregadas de cor. "... o que você realmente quer?" Teu coração impunha um ritmo de pedidos urgentes: me liberte, me entenda... me foda... Não a atendi, fiz tudo parecer que a ignorava.

Enfrentamos ameaças por duas vezes.
Entrei no blindado como teu campeão, primeiro aplaudido, depois espreitado com pena. "... estava me protegendo mesmo?" "... não" "... só quer ver sangue..." "... você só tem esse maldito treinamento, não é?!" Espreitava lágrimas em teus cílios pesados. Mas o que te fazia sofrer, eu não conseguia alcançar... "por que não me responde???" Saí da missão sem máculas, com recomendações. Pus você em seu lugar. Uma simples boceta civil. Fiz carreira. Tinha virado a página...

... ou assim pensei...

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Fever breaths deeply on chocolate seas

Me torturo. Recordo, outra vez. Era teu corpo grudado no meu. Contra meu peito desprotegido, teus calafrios sob a coberta macia demais. Você, um cadáver respirando. Eu era o combustível que devia manter a tênua chama da tua vida acesa. Por que me importo?... Porque... você... você não pode morrer.

Meus braços se negavam a relaxar, a desabar contra ti e arrastá-lo ainda mais perto... Como eu me perdoaria por juntar-te contra mim sabendo que aquela fome ia consumir-me pelas entranhas, selvagem e veludosa, até arrancar-me tudo? Não... eu não podia abraçá-lo.

E se me obrigasse a falar?... Eu teria voz? Me socorreriam palavras com algum sentido? Correndo contra mim e para ti, eu estive duplamente fora do meu lugar. Estava quase à mercê, mas acuado demais para baixar as minhas defesas - eu o faria em pedaços. Não... nós jamais poderíamos ter ido mais longe.

Coisas espalhadas erraticamente. Todas... em todas... teu cheiro... e de novo... Em todas... todas... aquele testemunho de quem você é... Aquele lugar é você... Você está em tudo ali... Faixas de gaze... Roupas toscas... Sapatos sujos... Cama desarrumada... Pratos mal-lavados... Sei o que comeu... Como dormiu... Tuas feridas... Você me sufoca até que o deixo entrar, cada inspiração, um pedaço seu vêm a minha consciência... Eu te monto feito um quebra-cabeças interminável... Cada peça... um sentimento de advertência... o horror de talvez não conseguir abandoná-lo...

E se você...? Não... isso nunca.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Snow-white skin zero-celsius paramecius

Confesso... (termo estranho, coisa daquele Padreco!) Confesso que me dá terror sentir tuas mãos pequenas e brancas tocarem minha carne. Quando durmo, acordo alarmado e percebo que é só você se recostando em mim...

Quem pensa que é, para tal licença?! Quem pensa que EU sou?!!

Já aprendi que teu toque não significa meu prazer... Humilhante... - Tive ganas de esguelar-te, prensando esse teu pescoço magro, fraco!, entre minhas garras até que não sobrasse uma molécula sequer de oxigênio nesse teu corpo débil!!!

Não consegui. Por que? Foi o primeiro que não eliminei. Me pergunto todos os dias: - por que??? Seria porque tu és tão submisso? Porque não te excedes contra mim, nem revida?... Não... Talvez porque sejamos próximos no núcleo de cada célula. Talvez porque você seja VOCÊ - o Marco Zero. E talvez eu deseje aprender o que você sabe.

Pode ser um engano. Posso acabar descobrindo que você é uma fraude. Nada tem a me ensinar que valha o ar que você respira... Se o que eu pressuponho for um delírio, então...

Os dias correm e você não solta sequer uma frase inteira. Parece me sondar e conhecer meu desejo. As crianças brincam, comem, brigam, dormem ao nosso redor. Você, porém, continua preso a mim, mesmo que eu não o tenha algemado... E seus olhos sobre meu rosto não são os de um condenado, e sim de quem me sentencia...

Nossos diálogos são só nossos. Gestos, olhares, cheiros da pele. Absurdo quantas vezes teus argumentos já me interromperam. Quantas vezes abaixei a voz, recuei numa decisão, engoli a ira, ou acompanhei você. Quantas vezes aceitei sentar-me nesse mármore frio para que você deitasse em meu colo?

... e olhando seu sono sereno, quantas vezes me questionei quem eu seria se não tivesse sido quem fui?...

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Now playing: Fort Minor - Petrified
via FoxyTunes