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domingo, 8 de março de 2009

Homeless and less of none



Por favor, disperse um pouco minha mente...

Com palavras inventadas, cânticos que me soam como encantamentos... simplesmente... rapte meus pensamentos pelo tempo que for possível... preciso que eles párem... um só instante... que me deixem livre... quero respirar... quero centrar-me nos objetivos com clareza...

Enterramos aquele que brotou do Mundo e quase atingia os céus... Pirilampos de verde pulsante soprados de sua carcaça evanescente... Veredas que tomamos... Uma brecha... Eu o aniquilei... Esses músculos superaram sua força simplesmente para que deixasses de existir...

Para que os deixasse em Paz...

Não os magoasse mais...

Porque meu peito arfa quando tudo parece perder a cor e cheiro os sonhos deles apodrecendo... Quando as palavras são capazes de me derrubar mais certeiras que as toneladas do teu metal sombrio, Guardião... Quando meus atos passam longe de serem entendidos e eu recebo cada vez menos quando volto ao lar... O lar... essa coisa... está se esfarelando...

E o rumo parece ser partir...

Só a batalha tem me chamado... Honestamente... Só ela, é pura e clara para mim... E só nela não há nada que eu faça que pareça dúbio...

Todo dia tento convencer-me do contrário...

Todo o dia alguém me joga de volta o quanto de nada eu valho entre eles, sem ser essa arma...

Então... Tudo isso são ilusões para uma montagem de DNA e carne?...

Ouvi questões... Mutilar o Planeta e salvá-lo... andamos para isso?...

E se tudo que penso proteger, eu esteja também, matando?...

Nesse momento, antes de tocar na porta... Eu páro. Reflito.

Queria salvá-los... Queria construir algo - me salvar também...

Sinto nas dobras dos meus artelhos, o escarlate de todos os sangues, o negro e o metálico de tantas armas. Um rastro suave, quase esquecido, de textura de fios macios em dois tons de dourado... Uma sensação tão delicada da maciez da pele quente em contraste com o peso de ossos quebrando e carne segurando-se contra lâminas...

Deixo na terra as garras em punhais de mim, estirpadas em vermelho... Olho dedos em branco sujo - e o que penso?... Penso que não há como cortar meu passado... Não há como tornar-me um deles... E o que sou, seria suficiente? Ou ainda sou tão perigoso quanto antes?

Essa mente afiada, criada entre monstros, como eu, para intimidar, desmotivar e enganar, pode gerar as palavras que essas pessoas precisam?... Estive tanto tempo mais entre os cadáveres que plantei...

Olho a maçaneta e hesito...

Imagens de um titã que levantou-se pelos pecados dessa gente, inocente... o messias do Planeta... varrido pelos que se disseram... salvadores do Mundo...

Meus lábios tremem e não tenho palavras... Então, num sussurro... escapa...

... "não quero errar..."

... Voltei para encontrar meu lar
e pelo meu lar erguer essa mão
mas nunca mais cheguei àquele espaço
e outras portas que pensei levarem a ele
eram labirintos... e me perdi
escutei suas vozes e quis gritar:
- dessa vez, alguém me ache!
e dos corredores e ruas
palavras como placas contraditórias
me fazem girar e girar no mesmo relento
- eu voltei... hey, eu voltei!
mas o endereço
onde pertenço
que houve que já não mais encontro?


Now playing: 12 Stones - Home
via FoxyTunes

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Same and so... You must love but I should no...



Vejo míriades de peças... se encaixando. - um cenário que se desvela. O quebra-cabeças acaba... - As vezes, quero chutá-lo. Quero reembaralhar tudo, só as vezes. Mas... qual o significado do que vejo acontecer? Cifras, charadas... Abstrato que me hipnotiza, e não se anuncia. Com um aparência de calmaria. E em mim, deixa um gosto de tempestade no céu da boca...

Que lugar eu tenho nesse desenho? Que função? Eu sabia, há menos de dois anos atrás... No entanto... me afastei tanto... de tudo... Linhas tortas. Ligeiras. Instrumento - eu era. Sim... fui da Shinra... E estou sendo desta revolução, deste recomeço... Acreditei ser mais - penso se deveria... é correto e justo eu ser outra coisa?...

Cruzo ao lado de portas abertas - no escuro luzes de lares pendem... As invejo, como jóias na noite. Arma, eu sou - assim tento silenciar minha ânsia... Arma... para matar quem for preciso, para defender tantos quanto puder...

E... e quando chegar a hora?... aquela... maldita... hora definitiva?... O que faço?... ou farei?... Quem sigo?... Coração? Mente? Essa... programação... que me trai... e me salva?... Por que Fenris'úlfr?... é porque vou destruir este Mundo por ir contra sua vontade, contra o lógico e poupá-lo?... ou por permitir que morra em seu último sacrifício por este Mundo?... Como eu poderia?... Quem vai me segurar?... Quem vai estar lá quando eu perdê-lo ou perder-me?...

Volto. Instinto puro. Me recolho para meu território... Entro sem alarde - eles dormem. Coleciono pistas - cheiros - recordações para meus olhos ausentes, para ouvidos afastados de sua festa, desses sorrisos, e palavras... Por meu próprio desejo... Devo me abster de iludir a eles e a mim: sou o que sempre fui...

Subo e sinto a absoluta certeza de estar sozinho. As máscaras caem... Sou só esse pedaço de carne - um monstro planejado a se parecer com eles, com o crânio cheio demais de perguntas e idéias... Devia ser mais simples: sem raízes. Escrevo. Repasso minhas mudanças... Quase não aceito tudo que fiz, o quanto me distanciei da minha origem...

E hoje, o que fiz - percebo e dói: egoísta. Ele estava feliz com Troy... Ela estava feliz entre eles... com o Santo... Tantos paralelos... Sons harmônicos... Então é assim?... que deveria ser?... Então por que... essa arma... Estrelas ainda, em algum lugar?... Onde?...

Quero me esconder. Me guardem... numa bainha hermética... para acordar com o clamor da batalha. Não me deixem esquecer quem sou, não me dêem sonhos que são perigosos... Olhe só - hmpf! - não perco o fio, nunca... Outra vez, essas garras... Insistentes. Brotam. Flores de morte dos meus ossos. - Hey, podemos estraçalhá-los - elas confessam. E continuam crescendo... Sempre... Como se assegurassem: por mais que eu lute contra, sempre irei feri-los... ainda serei quem fui... Está em mim... Não há cura... ou opção... Não há, meu amado... por mais que você brilhe e me garanta... Para você, também não - eu aprendi isso...

Ficará tudo bem... Não me permitirei machucá-los... Cunhas vermelhas... Pétalas de sangue no chão. E depois, rosas surgindo nas gazes... Cor de morango... ... ... Morangos - lembra?... Minha boca saliva da tua... tenho sede das tuas palavras ingênuas e grandiosas... Troco-as por cigarros... Espere, me deixe, só um pouco... ... ... Deixe-me só calar, um instante... ser morto, como um dia seremos...

Viver é voltar ao passado... "Você é igual a ele" - ela me avejou... Agora entendo... Então é isso?... o motivo dele?... o sentimento dele? - como machuca, Drako, você jamais deveria ter feito isso a si mesmo... Mas eu... eu, há nem tanto tempo atrás assim queria que ele esquecesse essas razões... e estivesse conosco... de verdade... Eu, mesmo... lhe pedia, sem palavras... Então implorei, tsc... Estupidez: nem toda aquela patética cena pôde...

Tanto faz que doesse no fim... tanto faz... Eu quis tanto... ... ... E fiz o mesmo... te virei as costas, não, Amber?... Mas tu... tens esse Mundo para ti... tu fazes parte... tanto para ti... e tu miraste em mim... Tu fizeste a mesma escolha ingrata - está apostando naquele que não vai voltar... "Igual a ele"... Quem pode garantir que acertamos?... ou erramos?...

Baixo a cabeça e penso... penso... parece que vou rachá-la em dois... "Igual a ele"... Queria vê-lo entregando-se à felicidade antes de partir para o confronto... Não temos certeza de quando não os veremos mais...

Deveria ser uma arma... E ele não pode pensar assim dele mesmo...

Eu e ele... somos assim tão parecidos?... Ele me deu tantas lições... Quero dizer-lhe: - hey, se dê uma chance! Não há depois!...

Mas o que fiz?... Incoerente... Tudo tão... ... ... O que quero para ele deve ser o que faço do meu caminho?... Essa é a chave?... Você, Todo, você, será que falaria comigo?

Vou desligar...
Talvez, no escuro... escutando a oração que farei...
e nada mais...
essa arma que tenta ser um herói possa sonhar e encontrar a solução
para o herói que tenta ser só uma arma...



quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Blond heaven, bond raven - twirl of strawberry feel


Pensei que tu fecharias todas as portas... Pela minha boca e tantas palavras toscas...

Uma briga - tu o disseste - mas, você, tão perto. Você... não virou as costas...

Minha voz no teu silêncio. E nossos cheiros misturados no trabalho - nosso legado, nossa prece, a esperança que te traz. Nossas bobagens. Imitação de humanos. Sonhos.
Apesar de tua perda, estamos aqui... Não somos o pequenino - não temos como sê-lo. Mas restamos ao teu lado. Em cada um de nós, perceba, há um fragmento brilhante de tua jóia perdida. Forças. Um lar...

Teu Sol, tão escuro e tão claro - lutando. Eu sinto. Minha testa contra a tua - firme, amigo. Meu ombro esbarra no teu - vamos, parceiro. Meu olho tocando o teu - diga-me e eu o farei, você... você...

O Mundo está respirando lento demais. Hey, estamos aqui, não o deixaremos morrer!... Céu e nuvens, tantas pessoas - sem nome para mim, flores em algum lugar - o perfume na brisa com cheiro de ferrugem... Ah, meu grande companheiro - olhe o horizonte: o Sol desce, só para acordar de novo. Hey, este rosto marcado pelas mãos dele - um sorriso agora, que brilhe como rosas sobre a promessa que fiz para ele: te proteger. Sempre.

Quero abrir a tempestade para ti e achar nela as pétalas com todos teus nomes e os nomes daqueles que te amaram tanto, e destes todos a Vitória - hey, me ajuda - nenhuma guerra mais com vermelhos de sangue e fogo. Nenhum pequeno caixão. Mais nenhuma lágrima nas rachaduras dos olhos dos velhos. Nada mais de braços de mães vazios. Ou o vazio no peito dos pais. Do teu...

Hinos ao nosso redor... Assim sonho. Uma rua interminável de mãos dadas. E o céu, tão brilhante quanto teus olhos, meu guia... Tão dourado quanto teu precioso coração... E uma paz ainda maior que esta que tu me oferece e que perpassa: tudo...

Tudo é possível, assim pulsa meu ser a cada segundo, nesses dias.

Dias com gosto de morangos.

E uma imensidão que diz: Salve-nos.

Toco o Céu com meus dedos a cada inspiração... Nós o faremos.



domingo, 23 de novembro de 2008

All the things... and the golden strings... in my dreams... just in my dreams...

[New Edda Arch ~ texto 8,
para acompanhar o arco, ler tb:
http://pattybiakko.blogspot.com/]



Tornei-me um andarilho faz tanto tempo...

Parece que foi a minha vida inteira assim... E que todo o resto foi um sonho... Tsc... estou invertendo tudo...

Ontem... Junon... Atolei-me com o povo... Obras por toda a parte... Minhas pernas, pesadas... Continuar a perguntar, sempre as mesmas coisas e ver os rostos, se apagando... Então... Aquela nuvem... E no meio daquele vapor quente e úmido, naquela brancura... Você.

Minha górgona: você. Meu coração: petrificado. O cabelo, dançando curto e dourado como o Sol. A mesma pose, arrogante. Podia não ser você. Meus pés, grudados nas pedras do calçamento, sem conseguir seguir na tua direção. Teu rosto, súbito, me pegando em cheio. A cor de céu perfeito nos teus olhos. Mas teu olhar, distante. A minha boca... engasgada com um milhão de palavras. Mas quando tu te viras, só um grito, o único: teu nome...

E a nuvem te traga. Eu sinto o cheiro dos teus cabelos. Escuto o tilintar de tuas armas. Teu passo, firme. Sem recato, grito mais e mais teu nome, desesperado, e corro, enfim. O bonde quase me colhe. Eu arremeto por suas paredes, de seu teto reto eu te vejo, seguindo... O céu se prolonga, debaixo de mim, branco, suave, te levando de novo.

Pulo, corro. Mais e mais. Onde esteves? Que te aconteceu? Por que está indo embora de novo? Fique! Agonia, meu fôlego, não mais o mesmo. Estou feliz e perdido e corro, tropeço. Repasso enquanto meus passos ecoam, a cena, te ver, repasso muitas e muitas vezes. É como um milagre. Depois de tantos mergulhos no vácuo... a luz do Sol em meu rosto! Como? Você sempre me salva a tempo... E todas as palavras não ditas como um hino em meu peito. Onde você foi?!...

E acordo...

Simplesmente assim...

Acordo, encharcado de suor.

Ainda é noite. Eu cochilei na soleira de uma porta. E ainda há tantas portas para bater... E vielas... tantos rostos desconhecidos... E lá fora a vastidão. O cinza, o cinza, o cinza...

Será outro dia perseguindo o invisível. O intangível.

Meu ódio especial contra os Weapons... Ainda sem achar neles um ponto fraco... Ainda fugindo. Melhorando. Mais forte. Mais resistente. Acumulando sim umas cicatrizes a mais, mas isso não vai me parar.

Estou de pé ainda.

Onde você está?... Não vou voltar sem você. Em algum canto, eu sei, vou topar contigo. Vou te encarar fundo. Então, vou te puxar contra meu peito e sentir que você é sólido e vivo.

Que é de verdade.

Que sempre foi.

Que eu não estou louco em crer...

sábado, 13 de setembro de 2008

Red roses are blue, I left you but I will never leave you

Covered and coarse
I could wait my turn
to pay them all back
- So original! -
Lets take it all back!
You can hide but I wont, how do you know?
(blacked out and bleeding)
- Take it away!
One look and you'll never believe,
Because, this cant hold us down...

- If I wake up
on my own,
- If something happens,
Please come home...
- Wake me up before you go!

If you never know
That it can never hurt
As much as this does
- Its so original ! -
Lets make this all work
You could run but I wont, how do you know?
(blacked out and bleeding)
Take it away!
One look and you'll never believe,
Because, this won't hold us down!...

- If I wake up
on my own,
- If something happens,
Please come home!
- Wake me up before you go on!!!

You cant hold us down / This wont hold us down /You cant hold us down!

- If you wake up (If I wake up)
On your own (On my own)
- If something happens
Please come home!... (You wont stop us now)
... Wake me up before you go!... (Nothing will hold us down)
I hope your happy on your own!...


[Grand Unification - Part I ~ by Fightstar]

Se um dia, eu acordar e você... Volte, por favor. De cada batalha, volte. Esta é a tua casa... Se um dia, você acordar e eu... Não me procure... Minha morte mil vezes por tua vida. E o azul dos teus olhos que rebate este céu sem limite. Nada me deterá, te asseguro. Nada me daria mais satisfação, eu te juro...

Voltas de cores anil, vanilla, o esmaecer de dourados. Marcado a ferro por ti, eu a permito ao meu lado. Tua Fenrir. Risadas e palavras tuas quebrando meu passado sobre o asfalto. Uma lição pulsante a Sol nas tuas palavras. Roucas. Me alveje, aqui, rente às costelas. Mais um pouco, como em Midgard. Quente e macio. Sangre de mim tudo que fui... A luz nas curvas dela, rebate o metal de tua arma. Nossas lutas, ombro a ombro, a orquestra de metais de nossas lâminas, de cada movimento teu, pesado, ribombar do ritmo marcado, e a harmonia de linhas vermelhas rasgando por minhas narinas...

Eu definho e perco folhas ao longe. Sou inverno, galho seco, espada. Sem guarda. Sem bainha. Tudo que tinha... Fecho o olhar em qualquer sombra. Porque me assombra tudo que abandono. Sem retorno. Ah, estar tão encantado por esta vida me perturba. Porque essa ânsia me turba. E preciso estar imune. Preciso ser somente um gume.
Flecha ao vento. Pelo ar, sem lar, me torno só ponta. Nada mais conta. Não te importes comigo. Sonharei contigo dentro do peito do teu inimigo.

E eis que eles, ainda antes, me encontram. Sorrio. Tambores de batalha clamando aqui dentro. É chegada a hora. Agora, que venha meu destino. Dedico tudo a você, a eles, a vocês... que a venda desta minha alma, que tudo que derramar de mim neste sólo, seja meu poema a ti, a ode que componho com meu corpo a todos os dias que virão diante de teus olhos. Azuis, como o céu deve ser, ainda mais, para vocês. Dourados, como o nascer do Sol afagando teus cabelos. A cada entardecer, vermelho e depois negro, como esta mancha, que fui eu.

Mudo estratégias. Me ofereço. Sou a isca. Engolem-me.

Cada um deles, um pouco tu. Nada tu. Absorbo o que posso, dele, do outro também, daquele escondido. Linhas divergentes da mesma matriz. Teu irmão reina. Me cerca, como um leão louco, de quem o rugido pode anteceder a simpatia, ou o ronronar a morte... Me sonda, entre crer em mim e me apunhalar. Um examinar esquizofrênico. Cênico. Teatral. E me pergunto: o quanto disso é teu, o quanto disso é dela? Quanto mal realmente desejas?

Escuto. Se não vê-lo, quase tu. Cada detalhe, aqui, fundo em mim. Mas minto... Digo-lhe o avesso do que sinto. No absinto desta entrega, assassino tudo, e o que não puder, sobre isso, fico mudo. Sou de novo... vazio... um oco... onde o sopro da vida... produz sempre o mesmo eco:

Morra.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Trails of tales

Nada de hierarquia. Cordas soltas... O caos desse mundo civil. Afronta. Subitamente, ninguém para interrogar. Protocolos de diplomacia correndo sobre mim. Ela ganhou. Informação fácil para ela. Sequer uma resposta simples para mim. Um a zero... E frente a frente na mesa do Líder Órion. Me sinto estúpido. Ludibriado... Ele não está. Sei que está movendo as peças - resolvendo tudo... É, ainda mais estúpido...

Sigo a trilha dos movimentos dela.
Seus batimentos cardíacos. Pistas hormonais. Nenhum detalhe me escapa. - Exceto a verdade... - Sua origem. Shinra... Uriel gravita em torno dela. Uma ternura carente nos olhos dele. A vibração nova em sua voz. Um incentivo para minha vigília - ele é a presa perfeita.

Ele chega. Saio da vitrine do museu. Um time, outra vez. Troca palavras com ela, atira-as. Sinto no olhar dele, na contração de um ou outro músculo, que ele a está conduzindo, fazendo-a encarar-se, descer do muro. Analiso até mesmo suas pausas... De arma e ameaça, de mulher e tentação, em inocência e doçura. Basta uma moeda. Some e reaparece. Os olhos verdes abrindo-se como os dos pequeninos. A boca, carnuda, num "o". Promessas e lugares mágicos. Ela brilha. Ane está mesmo maravilhada...

Curiosidade. Matizes entrelaçadas e enervantes entre ela e eu. Destrave esses segredos para mim... Onde viveu? Com quem? Como foi sua infância, seu passado, cada um de seus dias até a
Corporação trazê-la a nós?... No que acredita?... Aliada ou inimiga de uma só vez, sem estorvar-me mais...

Flores brancas, miúdas. O ângulo de seu rosto. Delicado. O jeito atrapalhado de comer. Absurdo. A risada que me dói e destoa dela - mas é tão dela...

Quem é você, Ane Marie?

A que veio?

Ele livra-se rápido do prato. Inquieto. Incomum. Entrega-me ela. Não quer que eu faça mais nada a não ser pajeá-la?!... Sei que é importante!... Não é isto... Estar alerta para que não haja sangue. Estar atento para captar qualquer informação... Mesmo assim... assim que ela põe a última garfada na boca já estou me levantando. Quero aquela conversa contigo, e... ... ... Esse não é meu único motivo... Não digo mais que isso.

Ela tropeça, resmunga. Suas roupas. Pego-a com o canto do olho. O grosso das pernas. É... chega a doer. O branco leite. Máculas rosadas. A saia, presa nos cantos da roupa de baixo, clara, macia. O drapeado em arcos concêntricos balançando entre suas coxas. Corro meu olhar pelas paredes. Rilho dentes. Controlo-me. O Padre se despede. Tanjo-a pelos corredores e salões. No rastro dele. Pressiono-a para me acalmar. Ela conviveu com crianças. Gosta delas. Especialmente do cheiro - bom para dormir...

Voltam-se a ela como lobos. Homens e seus apetites... A plataforma muito aberta à amplidão de azuis... Chiados no silêncio quase vazio... Iodo... Sal, ardido... Ritmo na vastidão cintilante lá embaixo... O Sol alto... ... ...
Ele, num salto impossível, das ondas a nós...

Ela o admira.

Sento-me, farejando o horizonte. Aquecido.
Tua voz cantando notícias. Leões rechaçados em Cosmo Canyon. Interesses em Huge Materias. Uma nova missão. Ânimo... Me brocha saber que não devo sangrá-los até que mergulhem no Styx... Poupar tantos quanto pudermos... não é, parceiro? Fecho o olho. Um disco laranja em minha retina. O amargo em mim. O amargo da abstinência. Nos arriscamos para salvar esse povo. Creio que isso seja o contrário de exterminá-los... Entôo o Cântico, bem quieto, lá no fundo de mim mesmo.

O peso do Céu -
"Sou livre para não ser P.A.#7."

Um murmurar sobre teu irmão, a confissão de um sonho - e o teu sofrimento em cada sílaba. Perigo. Meu sonho, voltando. Encadeio planos, mas num inspirar, a conversa gira. Cartões, levá-la... O que??? Tonteio. Do que falamos? Vestidos... Eu? "Requinte" Comprar gravatas... Um sorriso diferente em ti. Ele, na evasiva, apontando ao longe. Seu vulto recortado contra o anil, duro demais, isolado. Indo...

Um sentimento rasgado em mim...

Outra vez, ela comigo.
Devo ter paciência. Não há nada que saber sobre mim. Nada que possa lhe dizer sobre Kuroi. Está se acostumando mal... Sua insubordinação me avilta. Ela contesta... Aborreço-me. Quer cooperar?... - ah, não só você!... Então resolvo: transgrido. Deixo a porta da gaiola escancarada. E mostro o caminho...

Logo, ela voa, rápida como o vento. O calor dela... me ultrapassando, dissolvendo-se no ar.
Flores brancas num véu entre ela e eu. O allegro dolce altíssimo de seus passos no metal... A trajetória dos fios ondejando... salamandras... labareda... A excitação de seus corações...

Jogo-me atrás dela. Um pouco atrás... C
açando-a, me inibo. Me... complico... O salto dela. Leve, fino, penetrante... Um florete no corpo do mar... Adrenalina. Dou tudo de mim - sem porquê. Arremeto numa explosão. Vôo livre, a folha d'água muitos metros abaixo... As roupas dela como pétalas de flor. Ou borboletas marinhas bailando ao seu redor...

Fecho os braços à frente, e rasgo a carne do Oceano com meus dedos retesados. O som fustigiante de meu peso contra o empuxo... Azul frio lambendo meu uniforme - esperto, guarda ar para nós... As pernas dela... seu movimento de serpente... O espectro do navio. Nuvem de areia...
Já não está sem ar? Ela guina, eu subo junto. A luz atingindo-nos através da água. Segundos, bolhas de ar vazando. Você consegue?... Enfim, a música das suas risadas.

E tu
? Observo-te: tu estás nos cuidando... Feixes dourados, pálidos, do teu peito. Me rendo... Arabescos de pressão e sal. Incontáveis indas e vindas das correntes inconstantes. Diante de ti, o Universo me arrebata, Drako...

Acordo.
O dois em carga arrastam o titã. Mais fundo. Mais. Ainda falta... Examino de longe: só uma testemunha de sua força. Vergonha... Eles sobem. Sei que vão tentar de novo.

Vasculho o cenário, analiso... Banshee.
No máximo. Um bom ponto de apoio. O bote pontiagudo. Minha contorção que amplifica o poder dela. A água explode... Espasma, como um enorme ser. Borbulha selvagemente. Risca-me. - Meus tímpanos!... - Cerro os dentes, cerro os dedos. Minha mortal rasgou uma grande fossa junto ao casco.

Os dois descem. Me afasto. O soco na água me empurra longe... O lamento, um rangido abafado e longo, do cargueiro. O Sol me guiando para cima.
Rápido! Arde respirar. Nuvens desenrolando-se entre meu olhar. Vejo coisas, - memórias - . Mantenha o foco no que está acontecendo... Escuto-o em mim - como se ele pudesse abrir uma porta e enfiar a cara para dentro do meu cérebro - muito claro. Furioso, ácido sob fios brancos.

Obedeço... O céu! O traje derrete de mim, me libera. Inspiro com um grito. Sede de ar. Consegui. Relaxo. Arquejo, mas vejo os dois comemorando... Conseguiram. Sorrio. Nós conseguimos.

Nós...

Drako... Eu... ... ... e... Ane Marie...

[2ª versão, editada em Agosto, 23, 2008]

sábado, 2 de agosto de 2008

Flowing frown flowers



Cheiro de mar. Faíscas do Sol refletindo das ondas ao meu olho. Tanta luz... Ele, à frente. Coroado de dourado pelos raios ofuscantes. Ele, como num sonho...

O sonho
...

Então, ele, entrando naquela nuvem de sangue - eu a farejei desde o portão do Forte, e isso é mau, acredite: uma dezena de corpos em frangalhos. Por baixo. Um daqueles espetáculos... Ele, à frente, sem diminuir o ritmo. Apressei-me. O Universo ferido em possível contra-ataque. Sem idéia do que encontraríamos, mas ele, simplesmente, enfiou os pés. Desespero. Passo sobre todos os protocolos de Infiltração.

(Estou rindo - preciso registrar aqui: tornei-me um suicida!)


Em rasante, nós dois, para dentro. O fedor... Meus tendões todos exigindo-me. Vermelho. Exigindo-me. Vermelho. Assovios de ordens. Meus músculos pedindo, suplicando. Solte-nos e faremos o que sabemos fazer de melhor!... Vermelho, cortante, martelando minha cabeça, de novo e de novo. "SANGUE SANGUE SANGUE"

Agarrei-me a vocês. O abraço morno do menino. Os olhos dele no meu. A mão do Padre erguida em benção... Enforquei minha vontade, puxei-a de volta ao meu objetivo ali: protegê-lo, investigar, achar sobreviventes, impedir que algum perigo saísse da embarcação. Porque lá fora está o tesouro dele. Então aquele inferno não vazaria dali...

Impaciência.

Ruídos metálicos da carcaça do cargueiro. Marulhos. Vozes lá fora, distantes. Dois corações, à frente, e seus passos marcados estalando o piso. Um silêncio rasgado por um roçar suave. Depois, um gemido baixo, abafado. Sem aguardar confirmação ele lança-se para lá.

(Não, ele não tem nenhum senso de auto-preservação...
Não, não admito que você zombe dele por isso...)

As formas dela surgem da lona. Como as estátuas do prédio da Corporação. Branca marfim. O cobre deslizando pelos fios de seus cabelos. Corro o olhar por ela. O máximo na mínima fração de segundo.

Percebo. Gazes
sujas amarrando seus seios. Sem armas. Sem equipamentos. O sangue deles. O fedor dos mortos. E nada explicando como ela conseguira...

Compreendo. Ela é
muito mais perigosa.

Um gosto de chumbo... A mato se... Ela treme nos braços dele, ele a analiza. Questiono-o, sou óbvio, quando ele a entrega a mim. Mas eu já sabia o que ele iria decidir... Ele é assim. Peso suas palavras... Aceito... por agora.

Quem é ela?... Com certeza não uma donzela em perigo...

Levo-a ao soco do ar fresco, frio e súbito. Maresia... Atenção em cada variação de sua pressão sangüínea. Cada curta contração muscular. Na cadência de seus pulmões. E muito depois percebo que estava relaxando, acreditando, embalado por aquele ritmo que tentei ignorar em vão:
duas batidas. Duas... Dois corações pulsando nela... como nele...

Meus muros, outra vez. Gostaria de poder arremessá-la para o outro lado daquele Oceano. Ao invés disto, recubro-a com meus braços, ocultando sua nudez devastadora com a decência de minha silhueta, emprestando ao seu corpo gelado e desprotegido um pouco de calor. Protegendo-a...

Tarde para rebelar-me: minha guarda estava tão aberta... Ela me golpeia: reclama de dor. Olhei-a fundo. Quis saber que ferida era aquela. Ela afunda-se, rui ali, junto de mim. Não sou bom com pessoas. Fiz o que pude. Reparto com ela uma das poucas doses de VioletLicor O - irá sedá-la até que a cura venha. Suspeita de mim, eu notei. Previsível...

Invento algo para tirar os humanos da área quando nos acodem. Não tenho certeza de nada. Mas ela sobrevivera ao que os outros não. Ela é diferente deles. Será a causa daquilo?... Não ter sido hostil contra nós não é álibi. Não posso feri-la ou perturbá-la. Drako a pegara em seus braços. Não posso usar nela meus métodos.

Ele volta, espero dele um esclarecimento... Somente mais perguntas... E após cada uma: nada. Só amnésia. Linhas negras entre eles no som de suas palavras. Ele está pesado de fracasso. Sua frustração transborda de sua língua, de seus olhos gelados. O sonho, nítido demais: "não podemos salvar a todos". Isso doía nele, isso o revoltava - até mesmo contra ela. Mas só por um instante e ele perdoaria. Ele está empenhado em algo muito mais importante que julgamentos. Ele é assim. Traços de azul e dourado...

Ane Marie... ela tem um nome humano... Ele fala o que eu mesmo havia pensado, selando nossa decisão: ela fica conosco, e se mexer com essa gente... É o mais certo... Uma vez isso posto às claras, se vai.

Eu a sós com a esfinge, de novo.
Ela veste-se, os gestos convulsionam minha pulsação. Todos seus perfumes secretos abrindo-se num buquê. Pequenas flores brancas entremeadas em corpos abertos... Seguro-me. Meu coração recua para seu batimento monótono, quase morto... Ela tem que falar... E agora o Santo aparece... Isso complicaria tudo - e ele não podia ficar ao alcance dela. Satisfaz-me quando ela recusa sua oferta de ajuda - o expulso sem demora.

Mais afiado, inicio nossa conversinha - quero destrinchá-la até ser saciado...

[2ª versão, editada em Agosto, 23, 2008]

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Cynesthesic hairflow on golden god sodas

Poeira... Fervilha um spray de partículas douradas que balança em câmera lenta frente a luz do sol que desce... Uma única pupila, vórtex do buraco negro, capta com esforço o limite de cada uma, flutuando, quase imóvel. Entre tu e eu.

Um mar de reflexos na ondulação de teus cabelos aloirados. Absorto, escuto a quietude de teus pensamentos e passeio no desenho que tecem. Te vejo. Meu olho é coberto pela tua figura deslizante e nesse fugaz momento, tu és o Mundo convertido em Você e o Seu cenário... tudo, tudo a tua volta parece respirar para ti, moldar-se a teu andar...

Quem és?... Se eu fôsse outro, e nos olhasse agora de fora, com esse olhar de quem se apaga para ver... veria a mim também como um acessório teu? Seríamos o Mundo... Eu estaria ao teu lado só para compor a tela perfeita?... Se assim fôsse, eu e tu, indissolúveis, tu arrastaria-me sob teu destino e eu simplesmente orbitaria tua jornada...

Olho de olhos semi-cerrados e toco paraísos em teus fios soprados de inércia. Dá-me um deles que seja... um deles, solitário e longo na palma de minha mão, dourado sob o fio da minha retina, dormitando entre minhas digitais, impregnado no profundo dos meus pulmões até a minha inexistente alma... tsc... ela se abriria em sacrifício a esse Deus, eu sei, se fôsse cativada por um único fio do teu cabelo... um único fio, conduzindo-me para dentro de todo o segredo amplo que és... ou somos...

Se me estendesses um só fio do teu cabelo... toda a minha carne prostrada a seus pés...

Eu vislumbro o Todo em c-a-d-a curvatura dos teus cabelos...

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